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Correio Braziliense PERFIS DE SUCESSO- SANDRO BIONDO »

Sandro Biondo é referência na indústria criativa do DF

Ele ganhou nome criando festas, ocupando e dando nova vida a espaços púbicos da capital. O mais novo projeto é na Piscina com Ondas do Parque da Cidade


postado em 21/07/2019 13:44 / atualizado em 22/07/2019 17:39

 
Servidor público, jornalista, DJ, cenógrafo, figurinista, artista visual, produtor cultural, criador de festas, sócio do MimoBar & Café… Essas são algumas das atividades que preenchem a rotina de Sandro Farias, 44 anos, mais conhecido como Sandro Biondo. Ele é a prova viva de que empreender vai além de abrir uma empresa: para ele, significa muito mais criar e juntar pessoas. E é o que tem feito em seu mais novo projeto: a Ocupação Contém, inaugurada na desativada Piscina com Ondas do Parque da Cidade em 13 de julho e que segue até outubro. O local foi reavivado e transformado numa praça de cultura, arte, gastronomia e convivência, com entrada gratuita. A área ganha vida com cinema, música e outras programações gratuitas, além de contêineres que oferecem opções de alimentação e exposição de arte. Na estreia, 2.800 pessoas compareceram. Há 70 colaboradores envolvidos na operação.
 
Sandro se divide entre múltiplas funções(foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)
Sandro se divide entre múltiplas funções (foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)
 

“Essa piscina estava fechada há 22 anos, abandonada, mas não esquecida. Vir à piscina já é uma grande atração. Fiquei muito feliz de ver pessoas fazendo fila para tirar fotos com minhas instalações”, diz. O local se tornou muito fotogênico graças às intervenções de Sandro, como luminárias e tendas feitas à mão, mas, poucos dias antes, o cenário era bem diferente. “O estado era deplorável. Era foco de dengue. Após esvaziar a água, que dava na minha cintura, a equipe limpou tudo. Sanitizamos, mas não maquiamos. Eu não quis dar um banho de loja ou de tinta”, observa. “Eu gosto dessa estética da ruína. Não era minha intensão apagar esse registro rico. O objetivo era fazer a piscina voltar a ser vista e frequentada. Ela continua a ser piscina, sem água, mas com gente. E onde tem gente tem ressignificação.” Esta não é a primeira vez que Sandro produz um evento na região.
 
(foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)
(foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)
 

Há alguns anos, organizou uma edição da festa Mimosa no Castelinho. “A administradora do parque me disse: ‘ah, mas ele está acabado’. Eu respondi: ‘por isso mesmo’. Não me interessa ir para um lugar que já está arrumado, como um shopping”, afirma. “O que me interessa é ir para o que está abandonado, de modo que meu trabalho seja um divisor de águas para aquele local”, completa. “Minha vaidade como artista e empreendedor da indústria criativa mora muito nisso, de ir para um lugar inusitado e colocá-lo no foco”, explica. No início do ano, após uma temporada do MimoBar em Trancoso (BA), ele retornou a Brasília decidido a usar a decepção com o governo de Jair Bolsonaro de modo positivo. “Estamos vivendo um momento atrasadíssimo, muito triste e sombrio. Mas eu disse: quer saber? Vou transformar essa tristeza em alegria em algo bacana.” Foi quando começou a correr atrás de organizar a ocupação na Piscina com Ondas. “Foram três meses intensos, batendo em portas de gabinete, para conseguir liberar o uso do espaço.”
 
(foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)
(foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)
 

Empreendedor criativo

“Eu digo que sou empreendedor, mas não sou empresário. Não sei lidar com a parte prática dos negócios — tenho sócios e parceiros para isso. Eu gosto de criar”, afirma. “É como aquela frase: 'Faça o que gosta e não precisará trabalhar um dia na vida'. Eu realmente não me sinto trabalhando aqui”, acrescenta. Segundo ele, o segredo para dar certo no ramo dele envolve curiosidade, entender o que as pessoas desejam e esperam, além de oferecer ao público o que outros não oferecem. A primeira iniciativa empreendedora do mineiro de Belo Horizonte criado em Brasília foi em 2003. “Eu montei um café/bistrô na 209 Sul, chamado ID Café, que durou seis meses na minha mão. Usei dinheiro de família e me propus a ser o gestor. Só que deu supererrado”, conta.
 

“O café era um sucesso de público, mas um fracasso de bilheteria porque estava sempre cheio, mas dava prejuízo.” Foi quando Sandro percebeu que não gostava e não levava jeito para lidar com caixa, banco, contador. “Tenho horror a isso.” A partir desse entendimento, resolveu alugar o espaço. “Quando percebi que eu era bom para levar as pessoas para lá, mas não para ficar atrás do balcão, eu me desesperei e arrendei o café para um casal caloteiro que me deixou um grande rombo.” Os inquilinos devolveram o estabelecimento com contas vencidas. “Na época, tive que vender meu carro para pagar as dívidas e limpar meu nome. Então, foi um trauma com o empreendedorismo.” Sandro chegou a entrar com um processo judicial, que demorou 13 anos para terminar, com a vitória dele.
 
Ver galeria . 5 Fotos Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press
(foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press )

Trajetória

Graduado em jornalismo pelo Centro Universitário de Brasília (UniCeub), Sandro trabalhou em redes de televisão até ir fazer um curso de inglês para comunicação em Vancouver no Canadá. Ao retornar, partiu para assessorias de imprensa, área em que atuou até 2009. Entre 2007 e 2008, fez dois concursos em que foi aprovado: o da Petrobras e o da Câmara dos Deputados. Foi chamado, primeiro, para a estatal petroleira, em que atuou durante dois anos como gestor de patrocínio cultural de projetos de teatro e dança. “Fui para o Rio de Janeiro, onde aproveitei para fazer cursos, entre eles o de DJ e discotecagem.” A experiência por lá foi um divisor de águas. “Mudou a minha vida porque descobri que queria trabalhar com arte.” Em 2010, ele foi convocado pela Câmara e retornou a Brasília, tendo em mente que não desejava ser apenas funcionário público padrão. Na capital federal, começou a tocar em boates e baladas até criar a própria festa.

“A primeira foi a Kinda, de música eletrônica, que tem até hoje. Em 2011, com o pessoal do Suvaco da Asa, criei a Mafuá, espécie de baile de carnaval fora de época que servia para captar recurso para o bloco”, lembra. Em 2012, com um coletivo de artistas, Sandro começou a produzir eventos em espaços públicos de Brasília. “É um movimento de fazer festas ao ar livre, com ocupação da área urbana.” Foi assim que Sandro deu início à Mimosa que, mais para frente, gerou o MimoBar, que é itinerante e funciona em um contêiner. A ideia surgiu quando Sandro tirou uma licença não remunerada do serviço público e se mudou para São Paulo, onde fez pós-graduação em cenografia e figurino na Escola de Belas Artes. “Eu e alguns alunos fomos convidados a participar da Quadrienal de Praga, o evento mais importante da cenografia mundial”, relata. Na capital da República Tcheca, ele ficou impressionado com o uso de contêineres para diversos fins.

Em 2016, de volta a Brasília, recebeu o dinheiro do processo que tinha movido contra o casal que arrendou o primeiro café dele. “Falei: quer saber? Vou fazer esse dinheiro voltar para o lugar de onde saiu”, diz. “Até porque, lá atrás, tive um trauma, me senti um fracassado e fiquei uns dois anos bem deprimido, decidi resolver isso freudianamente e, assim, ressignificar isso tudo”, afirma. Nascia assim o MimoBar, em sociedade com Ana Júlia Melo. “Eu descobri que sou uma pessoa de arte, de público. Não sou de bastidor, não tenho esse perfil, não consigo pensar em alvará, dinheiro, conta em banco… Mas minha sócia é essa pessoa”, explica. Unindo forças e complementando talentos com quem podia cuidar da parte administrativa, Sandro se viu livre para criar.

“Aí posso ser uma espécie de cool hunter de comportamento. Consigo perceber as coisas que estão no ar e começar movimentos.” Durante o curso de cenografia, Sandro fez estágio em duas escolas de samba do Rio de Janeiro: a Unidos da Tijuca e a Portela. Ele ficou um ano em cada escola. Essa experiência o levou a ser convidado para ser jurado de comissão de frente dos carnavais do Rio de Janeiro de 2016 e 2017. Hoje ele concilia o trabalho cultural com a função de cenógrafo da TV Câmara. Sandro não para por aí e sempre tem projetos em mente. O maior deles é se tornar professor. “Acho a profissão mais importante do mundo. Tenho um plano, mas não tenho financiador ainda, de ter uma escola de arte e educação para adolescentes e jovens”, revela.

Saiba mais

Ocupação Contém
Funcionamento: quinta (das 18h às 23h), sexta (das 17h à 1h), sábados e domingos (das 10h à 1h). Entrada franca. Para mais informações, clique aqui.

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