Jornal Correio Braziliense

Trabalho e Formacao

Para 67,6% dos brasilienses, curso técnico ajuda a conseguir emprego

Maior parte da população do DF também acredita que esse tipo de formação também auxilia na hora de conseguir uma promoção no trabalho. Confira dicas de onde estudar

Para aproximadamente 70% dos brasilienses, fazer um curso técnico é uma ótima opção para driblar o desemprego e se inserir no mercado de trabalho. É o que revela levantamento do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial no Distrito Federal (Senac-DF) encomendado ao Instituto FSB de Pesquisa. Segundo o estudo, 67,6% da população do DF acredita que fazer um curso de qualificação profissional ajuda o trabalhador a conseguir emprego ou a ser promovido. No entanto, a pesquisa mostra que 69,9% dos brasilienses nunca fizeram nem estão fazendo um. Entre os principais motivos apontados por eles estão falta de interesse e de tempo, condições financeiras e o fato de terem cursado ensino superior.
De acordo com o diretor-regional do Senac-DF, Antônio Tadeu Peron, existe interesse e procura por cursos profissionalizantes no Distrito Federal, mas a demanda poderia ser maior. ;Talvez porque as pessoas não tenham pesquisado a respeito. Embora muitos tenham conhecimento da importância desses cursos, eles podem não ter usado esse instrumento ainda;, analisa. ;Eu vejo isso como algo natural;, completa. ;O que nós temos como uma boa avaliação é que todos que fizeram reconhecem a importância dos cursos em seu progresso profissional.;

Vantagens na disputa por vagas

Segundo especialistas, os candidatos que optam por fazer uma formação técnica saem à frente na disputa por emprego. ;A pessoa que faz curso profissionalizante tem maior conhecimento, que é o principal facilitador para conseguir trabalho hoje;, explica Peron. ;Além disso, ela transmite confiança desde a entrevista até ocupar efetivamente a vaga e acaba sempre levando vantagem;, completa. O professor da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) Remi Castioni concorda que a formação técnica é facilitadora na disputa por trabalho. ;Um estudante que faz curso profissionalizante consegue, independentemente da carga horária, materializar o conteúdo teórico em aplicação prática;, avalia.
;Uma reclamação que muitos jovens têm do ensino médio é a de que ele é muito conteudista, cobra muita matéria e não há nenhuma aplicação naquilo. No curso técnico, a teoria e a prática estão integradas;, explica Remi Castioni, que é doutor em educação pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Além disso, de acordo com o professor, os cursos de capacitação profissional contribuem para o desenvolvimento de soft skills, habilidades comportamentais, essenciais em qualquer cargo. ;Hoje, além dos conhecimentos teóricos e aplicados, a relação do profissional com os demais é extremamente importante;, diz. ;Isso o curso técnico acaba desenvolvendo porque você tem muito trabalho em grupo e é constantemente desafiado a desenvolver algum produto;, completa.

Reinserção no mercado

Engana-se quem pensa que o ensino técnico se contrapõe ao ensino superior. Essa formação pode ser uma alternativa para profissionais graduados que desejam migrar de área. É o caso de Roberta Azevedo, 47, graduada e pós-graduada em engenharia elétrica pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Ela veio a Brasília para trabalhar na empresa do setor elétrico Eletronorte, onde atuou durante 18 anos. Quando o contrato acabou, decidiu fazer o curso técnico de instalador de sistemas fotovoltaicos no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), na unidade de Taguatinga. ;Eu decidi me reinserir no mercado em um ramo diferente. Então, pensei: a parte teórica consigo aprender lendo livros e textos na internet;, conta. ;Eu precisava entender melhor a parte prática. Foi aí que decidi fazer um curso técnico porque, na minha percepção, era o único que me daria uma formação nesse sentido;, completa.
;O curso me ensinou desde a parte básica de uma instalação elétrica em uma residência até como implementar um sistema fotovoltaico;, afirma. Depois que terminou a formação de três meses no Senai, Roberta conseguiu emprego em uma empresa de soluções sustentáveis por meio da indicação de um professor. ;Inicialmente eu iria trabalhar na parte de projetos, mas o diretor fez parcerias com duas empresas da área técnica e me chamou para atuar no setor comercial;, comenta. Ela conta que gosta muito do trabalho e acredita que as profissões ligadas à energia renovável tendem a crescer no futuro.

De acordo com o gerente executivo de educação do Senai, Felipe Morgado, o nível profissional e a universidade são complementares. ;A gente não enxerga o ensino técnico como algo oposto ao ensino superior. Eles fazem parte da construção de uma carreira;, diz. ;Ela começa com a formação inicial, depois vêm os cursos de qualificação e os técnicos, seguidos pela graduação e pela pós-graduação. O ensino superior aproveita muito do que foi estudado nos cursos de profissionalização;, explica.

Ensino médio no IFB

Nos institutos federais, os estudantes têm a possibilidade de fazer um curso técnico paralelamente ao ensino médio. Lucas Garcia, 16, é um dos alunos que optaram por essa modalidade. Ele está na 2; série do ensino médio integrado a curso técnico em produção de áudio e vídeo no câmpus Recanto das Emas Instituto Federal de Brasília (IFB). ;Quando era mais novo, eu assistia a muitos filmes e séries e sempre tive curiosidade de saber como ocorria o processo de gravação e edição;, conta. ;Pensando nisso e com a oportunidade de participar de um ensino médio melhor, decidi fazer o curso técnico de audiovisual.;
Lucas reconhece a importância da capacitação para o futuro profissional. ;Eu acho que vai me ajudar a entrar no mercado de trabalho;, avalia. ;Principalmente no audiovisual, acredito que existe a necessidade de mais técnicos para atuarem nas diferentes áreas da carreira;, comenta. O aluno, inclusive, está desenvolvendo uma gravadora com alguns colegas ; a All In One. ;Nós fazemos produtos audiovisuais, como criação e edição de vídeos e cobertura de projetos que ocorrem aqui na escola.; Depois do ensino médio, Lucas pretende procurar emprego na área e ingressar no ensino superior no curso de audiovisual.

Para o coordenador do curso técnico em produção de áudio e vídeo no IFB de Recanto das Emas, Marcos de Sá, a capacitação é fundamental para a formação profissional e pessoal dos alunos. ;É uma via de mão dupla. A possibilidade de o aluno se inserir no mercado de trabalho tendo essa formação é muito maior. Além disso, ela é fundamental para a formação pessoal, independentemente do fato de seguir nessa área ou não.; Ainda segundo o coordenador, as competências que os estudantes adquirem nos cursos técnicos são úteis em qualquer profissão. ;Aqui, eles trabalham muito em grupos, têm que atender a demandas simulando o mercado de trabalho...Tudo isso já os capacita para a atuação profissional, mesmo que não seja na área técnica que eles cursaram.;

O professor, que é licenciado em física pela UnB, trabalhou 10 anos no ensino médio regular antes de atuar no curso técnico. Para ele, a diferença no engajamento dos alunos é notável. ;O ensino médio regular é muito descontextualizado. Aqui, no ensino técnico, temos uma aproximação com o mercado de trabalho. Isso faz toda a diferença;, afirma.

Aposta certeira

De acordo com a pesquisa do Senac, um dos cursos técnicos com maior demanda é o de informática. Na avaliação do empresário e presidente do Sindicato das Empresas de Informática do Distrito Federal (Sindesei-DF), Christian Tadeu de Souza, isso se deve às novas necessidades do mercado. ;Mesmo nas atividades que não estão diretamente relacionadas à tecnologia, ela está presente de forma transversal;, explica. ;Então, os profissionais devem ter cada vez mais conhecimentos nessa área.; Ainda de acordo com o empresário, investir em uma capacitação em informática é uma aposta certeira. ;Brasília é uma cidade que pulsa TI (tecnologia da informação), já que não pode ter indústrias pesadas e poluentes. No entanto, faltam profissionais capacitados nesse setor.;
Bruno Lopes, 22, é um dos brasilienses que investem no curso técnico de informática do Senac. Para o estudante, a capacitação ajuda tanto na vida profissional quanto na pessoal. ;Eu tinha terminado o ensino médio e fiquei quatro meses desempregado. Depois, comecei a trabalhar em uma mercearia, mas decidi voltar a estudar;, conta. ;Tentei buscar um curso em que eu me encaixasse e acabei escolhendo o técnico em informática. A capacitação me abriu muitas portas;, completa. ;Antes de entrar no ensino técnico, eu não era de estudar. Agora, estou muito focado nos estudos e no que eu quero para o futuro.; O brasiliense está indo para o terceiro semestre do curso de capacitação profissional e faz estágio em uma empresa de assistência técnica. Ele conta que, no futuro, tem vontade de fazerfaculdade na área de tecnologia da informação.

Paixão pelo curso

Vânia Regis, 51, faz curso técnico em enfermagem no Senac da 903 Sul há seis meses. Ela costuma fazer trabalhos voluntários no Hospital da Criança e em outras unidades de saúde e conta que a capacitação a ajudou nesse sentido. ;Hoje, se estou ajudando em um centro clínico, já sei o que posso ou não fazer. Era esse conhecimento que eu buscava;, afirma a brasiliense, que é síndica há 11 anos. ;Eu passei por situações familiares muito difíceis. Meu irmão teve AVC, meu sobrinho ficou internado por mais de 45 dias na UTI. Eu vi muita necessidade de ter conhecimento nessa área porque queria ajudá-los, mas não sabia como;, completa.

A estudante de nível técnico em enfermagem buscou um curso técnico por ser mais barato que uma faculdade. Apesar do pouco tempo de capacitação, ela já tem uma área de preferência: a oncologia (que estuda e trata o câncer). ;Essa especialidade me toca muito;, afirma. ;A gente vê muitas crianças em hospitais precisando apenas de alguém que as trate de uma forma diferente, que as trate com carinho.; Após concluir o curso, ela pretende fazer outras especializações no próprio Senac porque acredita que elas proporcionam muitas vantagens no mercado de trabalho.

Estude!

Ficou interessado em fazer um curso técnico ou de qualificação profissional? Confira opções de onde estudar:

Escolas públicas
Escola Técnica de Brasília (ETB)
www.etb.com.br
Fica em Águas Claras

Escola Técnica de Ceilândia (ETC)
www.etcdf.com.br
Fica em Ceilândia Sul

Escola Técnica de Planaltina (ETP)
www.etp.se.df.gov.br
Fica entre as avenidas Contorno e Independência

Centro Educacional 2 do Cruzeiro
3234-4492
Fica no Cruzeiro Velho

Centro de Educação Profissional Articulado do Guará Professora Teresa Ondina Maltese (Cepag)
3901-6653
Fica no Guara 2

Escola de Música de Brasília (EMB)
www.emb.se.df.gov.br
Fica na Asa Sul

Escola Técnica de Saúde de Brasília (Etesb)
www.etesb.fepecs.edu.br
Unidade na Asa Norte

Instituto Federal de Brasília (IFB)
www.ifb.edu.br
Os câmpus ficam em Brasília, Gama, Taguatinga, Planaltina, Riacho Fundo, Samambaia, São Sebastião, Ceilândia, Estrutural e Recanto das Emas

Escolas do Sistema S
Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac)
www.df.senac.br
No DF, há unidades em Ceilândia, Gama, Plano Piloto, Sobradinho e Taguatinga

Senai
www.sistemafibra.org.br/senai
No DF, há unidades em Gama, Sobradinho e Taguatinga

Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat)
www.sestsenat.org.br/brasilia
A unidade fica em Samambaia Norte

Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar)
www.senardf.org.br
A sede é na Asa Sul

Escolas particulares
Centro Educacional D;Paula (Cedep)
www.eadcedep.com.br
Oportunidades a distância

Instituto Técnico de Educação de Brasília (Iteb)
www.itebdf.com.br
Unidades em Asa Sul e Sobradinho

Centro de Ensino Tecnológico de Brasília (Ceteb)
ceteb.com.br
Unidades em Asa Sul e Taguatinga

Centro Técnico Lina Oliveira
linaoliveira.com
Unidade na Asa Sul


*Estagiária sob a supervisão da editora Ana Sá