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Correio Braziliense

WorldSkills aponta profissões em alta no mercado

Nas edições de 2017 e 2019, foram acrescentadas sete modalidades ao campeonato, atualizadas de acordo com tendências tecnológicas


postado em 18/08/2019 16:13 / atualizado em 18/08/2019 18:00

Delegação de 63 jovens brasileiros embarca esta semana para a Rússia a fim de participar WorldSkills, maior torneio de educação profissional do mundo. Três competidores são do DF. A seletiva acompanha as tendências do mercado e aponta carreiras em alta, entre elas, a de desenvolvedor de jogos digitais em 3D
 
(foto: José Paulo Lacerda/Divulgação)
(foto: José Paulo Lacerda/Divulgação)
 
Entre quinta-feira (22) e 27 de agosto, 63 jovens brasileiros — entre eles, três do DF — representarão o país na maior competição de ensino profissional do mundo, a WorldSkills. Desta vez, o torneio será em Kazan, na Rússia, reunindo 1.660 competidores de mais de 60 países. O campeonato, que ocorre a cada dois anos, acompanha as mudanças no mercado de trabalho e aponta as profissões que estão em alta, além de indicar a qualidade da educação profissional das nações participantes. Nas edições de 2017 e 2019, foram incluídas, ao todo, sete modalidades: arte 3D digital para games, logística internacional, computação em nuvem, segurança cibernética, tecnologia da água, tecnologia em laboratório químico e hotelaria.
 
(foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)
(foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)
 
 
(foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)
(foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)
 
 
(foto: José Paulo Lacerda/Divulgação)
(foto: José Paulo Lacerda/Divulgação)
 

“No geral, a WorldSkills, assim como a educação profissional, dialoga com o percurso das profissões, que se modificam ao longo do tempo”, explica Rafael Lucchesi, diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), entidade que, junto ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), é responsável pela delegação brasileira na competição. “O conjunto de novas tecnologias, evidentemente, demanda profundas mudanças no mundo do trabalho. Isso se reflete em novas abordagens no campeonato”, completa. De acordo com o diretor, a nova indústria que surge a partir da Quarta Revolução Industrial prioriza a colaboração em detrimento de uma estrutura vertical e hierarquizada. “Isso envolve um conjunto de novas habilidades e competências socioemocionais (as soft skills) que serão fortalecidas no mercado que está surgindo.”

Talento reinado no DF

Para se preparar para a WorldSkills, 56 competidores do Senai e sete do Senac, de diversas modalidades e das mais variadas regiões do Brasil, estão em Brasília. Eles treinam durante o dia e, à noite, dormem num hotel. Conheça histórias de alguns dessas “feras” do ensino técnico que disputarão modalidades em alta no mercado de trabalho.

Paixão pela modalidade

"Eu vou enfrentar situações como análises químicas, manutenção em bombas e válvulas e a parte mais básica de automação" Thiago Felipe Salkovski, técnico em química (foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)
 

Um dos jovens que está de malas prontas para ir a Kazan é Thiago Felipe Salkovski, 22 anos. Ele representa o Brasil na modalidade de tecnologia da água, uma das novas ocupações listadas pela WorldSkills. “A minha categoria simula o dia a dia de um operador de estação de tratamento de água. Eu vou enfrentar situações como análises químicas, manutenção em bombas e válvulas e a parte mais básica de automação”, explica. Apaixonado por química, o curitibano conta que sempre se deu bem nessa matéria na escola e, por recomendação da ex-supervisora de estágio, decidiu fazer um curso técnico no Senai, onde conheceu a WorldSkills.
 

“Meu professor gostou da minha postura e achou que eu seria um bom competidor”, afirma. “Eu me interessei bastante pela ideia porque sou um pouco competitivo e vi que era uma grande oportunidade de crescimento pessoal e profissional.” Thiago treina em um dos centros do Senai em Brasília desde abril. Ele conta que pratica, em média, 10 horas por dia de segunda a sábado. Com tanto treino, está confiante para o campeonato. “Estou bem preparado. Comparado a como eu estava antes, em Curitiba, eu evoluí muito. Aqui, tenho bastante estrutura e profissionais muito qualificados para me ensinar”, diz.

“Acho que vou conseguir chegar à Rússia e fazer um bom trabalho e, quem sabe, trazer uma medalha de ouro para o Brasil”, aspira. O competidor sonha fazer faculdade de engenharia química e pretende trabalhar na área ou ser professor. “Eu gosto de ensinar e, talvez, futuramente, eu possa instruir o próximo competidor”, comenta. De acordo com ele, a atividade é tendência no mercado. “A parte de saneamento é muito importante e necessária. Em muitos lugares do Brasil, ainda não há saneamento básico. Então, acredito que é uma área que vai crescer muito.”

Aprendizado em tecnologia

"Eu acho muito importante nós, mulheres, estarmos inseridas nesse meio. Algumas ocupações têm mais meninas, mas, na área de tecnologia, é bastante difícil" Raissa Marcon Constante, técnica em redes (foto: José Paulo Lacerda/Divulgação)
 

Participar da WorldSkills é uma “chance de aprender muito em pouco tempo”, diz Raissa Marcon Constante, 24. Ela integra a dupla que representa o Brasil na modalidade de cibersegurança, que aparece no campeonato pela primeira vez. De acordo com a competidora, representar a nova categoria será um desafio. “A gente não tem uma base, por exemplo, do que foi cobrado anteriormente. Muitas outras ocupações já têm provas de anos anteriores, já há uma linha do que pode cair. Para a gente, é tudo surpresa”, analisa. “Também é um grande desafio para todo mundo porque todos os outros também vão de primeira viagem, sem ter muita informação”, completa. “É nisso que a gente tem que pensar. A dificuldade existe para os dois lados.”

Raissa fez curso técnico e faculdade de redes no Senai e acredita que a área em que compete é promissora. “Um profissional de cyber security ajuda a garantir a segurança da informação em diversos setores do mercado de trabalho”, explica. “Um exemplo são aquelas pessoas contratadas para tentar invadir as redes de empresas como forma de teste para saber se os dados estão seguros ou não.” Hoje, ela atua profissionalmente na área de redes, mas, no futuro, pensa em atuar especificamente com cibersegurança. “Eu trabalho parte do meu dia e na outra parte eu treino. É uma rotina bem pesada, mas tudo valeu a pena porque, agora, no meu emprego, posso aplicar vários conhecimentos que adquiri nos treinos”, conta.

A jovem, que nasceu na cidade de Tubarão (SC), já havia participado das seletivas estaduais para a WorldSkills duas vezes. “Eu tentei uma vaga na delegação brasileira na área de redes, mas não consegui passar para a etapa nacional”, conta. “Quando surgiu a modalidade de segurança cibernética, tentei novamente e passei pela seletiva com meu colega porque a categoria é em dupla.” As expectativas dela para o torneio são altas. “Acho que estamos bem preparados. Claro que sempre dá aquele medinho porque vamos competir com pessoas do mundo todo”, afirma. “Eu estou bem confiante de que vou chegar lá e dar o meu melhor. Vou conseguir fazer tudo que eu treinei e estudei”, ressalta.

A competidora considera que tem o importante papel de representar as mulheres em uma área ocupada predominantemente por homens no campeonato — a de tecnologia. “Eu acho muito importante nós estarmos inseridas nesse meio. Algumas ocupações têm mais meninas, mas, na área de tecnologia, é bastante difícil”, lamenta. “Sinto que tenho a responsabilidade de passar a mensagem para outras mulheres de que nós também somos capazes de estar na área de tecnologia e de ciência tanto quanto os homens”, comenta. “Hoje vejo maior participação feminina nesse setor, mas ainda não tanto quanto deveria.”

Preparação intensa

"A gente desenha, faz a modelagem, texturiza (coloca poros, pelos, fogo...) e, por fim, faz o esqueleto de um personagem de jogo, que será finalizado na animação" Gabriel dos Santos Vieira, técnico em programação de jogos digitais (foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)
 

O competidor mais jovem da delegação brasileira é Gabriel dos Santos Vieira, 16. Ele representará o país na modalidade jogos digitais em 3D. Nessa ocupação, os participantes são desafiados a desenvolver um personagem para videogame. “A gente desenha, faz a modelagem, texturiza (coloca poros, pelos, fogo...) e, por fim, faz o esqueleto do personagem (rigging), que será finalizado na animação”, conta. Os artistas de jogos digitais em 3D são responsáveis pela parte visual.
 
“O foco é a arte. Não participamos da programação.” Natural de Estância (SE), ele é aluno do Serviço Social da Indústria (Sesi) e fez o curso técnico de programação de jogos digitais no Senai com o objetivo de treinar para a competição. “Fiquei sabendo da WorldSkills na escola onde eu estudava e entrei no Senai com o intuito de participar do campeonato.” O jovem está treinando no centro de treinamento do Senai no Setor de Indústrias Gráficas (SIG) desde janeiro, com uma rotina puxada de preparação.

“Treinamos, em média, 10 horas por dia. Às vezes, ficamos até um pouco mais tarde para finalizar uma prova ou um simulado”, afirma. “Como nós estamos há muito tempo aqui, acabamos nos acostumando”, completa. O jovem, que participou de um campeonato de educação profissional em Melbourne, na Austrália, como forma de treinamento, está confiante para a competição na Rússia. “Acredito que a gente testou diferentes possibilidades e desafios que podem ocorrer”, comenta. “Treinamos não só a parte técnica, mas também a comportamental. Então, sinto que estamos preparados.”

Em alta no mercado

"A gente treina 10 horas por dia normalmente. É um sacrifício que recompensa" Leandro Ribeira Mota, técnico em informática (foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)
 

“Estou bastante confiante. A gente teve uma preparação muito forte. Há três semanas, participei de um campeonato na Índia, disputando com representantes de outros oito países, e fiquei em segundo lugar”, conta Leandro Ribeira Mota, 23, competidor que representará o Brasil na modalidade de computação em nuvem. De acordo com o paulista, que mora em Londrina (PR), há 20 anos, o mercado para essa área está em pleno crescimento. “Uma empresa precisa manter seus sistemas altamente disponíveis, de forma que nunca fiquem fora do ar. A computação em nuvem vem para garantir isso”, explica.

“Nos últimos dias de declaração do Imposto de Renda, a quantidade de usuários utilizando o site da Receita Federal é grande, o que pode fazer o sistema parar de responder”, afirma. “O que eu faço é criar recursos para que, independentemente da quantidade de usuários que estejam utilizando o site, ele continue funcionando com qualidade”, exemplifica. Foi por meio do curso técnico em informática no Senai que surgiu a oportunidade de Leandro participar da WorldSkills. “Na época, o coordenador viu que eu tinha um perfil diferenciado e me chamou para treinar”, relata. O estudante tentou representar o Brasil na modalidade de administração de sistemas e redes em 2017, mas ficou em segundo lugar na etapa estadual.

Ele continuou o treinamento e, este ano, realiza o sonho de participar da delegação brasileira. Leandro também está alocado no centro de treinamento do SIG. “A rotina é um pouco pesada, mas vale a pena. A gente treina 10 horas por dia normalmente. Um dia ou outro, a gente acaba ficando mais tempo, mas é um sacrifício que recompensa”, avalia. “Estamos aprendendo bastante nesta etapa de preparação. Todos os treinamentos que temos aqui com professores qualificados nos ajudarão a ter melhor desempenho e mais oportunidades de emprego depois.” Quando voltar da Rússia, o foco do competidor será terminar a faculdade de ciência da computação na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e procurar serviços como freelancer.
 
 
 
*Estagiária sob a supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa

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