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Correio Braziliense O DF NO MUNDIAL

Três competidores brasilienses participam da WorldSkills 2019

Delegação de 63 jovens brasileiros embarca esta semana para a Rússia a fim de participar WorldSkills, maior torneio de educação profissional do mundo. Entre eles, um trio de Brasília


postado em 18/08/2019 17:06 / atualizado em 18/08/2019 19:11

Competidores brasilienses estão na reta final da preparação para a competição WorldSkills 2019, que ocorre na Rússia a partir desta semana

 

(foto: José Paulo Lacerda/Divulgação)
(foto: José Paulo Lacerda/Divulgação)

A capital federal será representada no mundial de educação profissional WorldSkills 2019. Três estudantes brasilienses vão para Kazan, na Rússia, entre os dias 22 e 27, disputar o pódio nas áreas de sistema de drywall e estucagem, marcenaria de estruturas e funilaria automotiva. Apesar de morarem no DF, assim como os colegas de outras unidades da Federação, eles vivem num sistema praticamente de internato: durante o dia, treinam no Senai e, à noite, dormem num hotel.

 
Para o diretor-geral do Senai, Rafael Lucchesi, a participação dos competidores num evento internacional ultrapassa a fronteira da excelência de cada profissão. “A delegação é forte e é uma questão absolutamente transformadora você ter jovens que, ao entrar na educação profissional, vão ingressar mais cedo no mercado de trabalho”, afirma. “São jovens vitoriosos que mostram que as profissões técnicas são uma alternativa importante”, elogia.

Conheça os representantes de Brasília

Saiba mais sobre os três jovens que serão a cara da capital federal na Rússia

Preparação e segurança

(foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)
(foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)

João Victor dos Anjos, de 19 anos, disputará o primeiro lugar na WorldSkills 2019. Natural do Maranhão, o competidor chegou a Brasília aos 3 anos e fez o ensino médio em escola pública em Águas Lindas de Goiás, onde mora. João conheceu a competição quando cursava marcenaria no Senai e logo começou a preparação no turno contrário aos estudos. Desde que passou na seletiva nacional, em 2018, o brasiliense constrói móveis em madeira para praticar. “O treinamento é puxado, mas está sendo muito proveitoso. De janeiro até agora, aprendi bastante e aperfeiçoei minhas técnicas”, conta.
 

A primeira viagem internacional de João foi a convite da delegação russa. Em maio de 2019, o competidor participou da seletiva nacional da Rússia. “Nunca tinha viajado assim. Lá, as pessoas começam a falar e a gente não entende nada”, comenta. João está confiante e com boas expectativas acerca da competição. “Eu estou bem preparado e confio no meu trabalho. Acho que vou me dar muito bem lá”, afirma. O competidor  quer iniciar uma graduação e abrir o próprio negócio. Ser funcionário do Senai também está entre os objetivos. “É uma área de que eu gosto bastante e tenho um sonho de continuar esse trabalho”, conta.

A ansiedade pelo mundial

(foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)
(foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)

Um dos competidores brasilienses é Luan Silva Braga, que conheceu a WorldSkills por meio de amigos após concluir o curso técnico de edificações do Senai em 2017. Aos 20 anos, Luan mora na Candangolândia, onde fez o ensino médio em escola pública. O interesse na área de construção civil surgiu por meio do falecido avô. “Foi uma perda muito grande para mim, mas isso serviu de motivação. Ele foi o ponto-chave para tudo isso”, explica. Luan iniciou o treinamento em 2018, venceu a seletiva nacional pouco tempo depois e conheceu a delegação de competidores brasileiros em janeiro de 2019.
 
Com o mundial chegando, Luan está ansioso e esperançoso de alcançar a primeira vitória do Brasil na categoria de sistema drywall e estucagem (trabalhando com revestimentos e placas de gesso). “Eu quero estar preparado tecnicamente e mentalmente para fazer a melhor prova. Além de ser um evento muito grande, tem muita pressão. Então, tenho que controlar a ansiedade para isso”, relata. Umas das etapas do mundial tem estilo livre e permite que o competidor apresente um projeto próprio. A matriosca, também conhecida como boneca russa, foi o símbolo encontrado por Luan e sua professora para colocar em prática as habilidades artísticas com gesso do brasiliense.

Alguns integrantes da delegação brasileira foram convidados para participar da etapa nacional da Rússia em maio de 2019. Essa foi a primeira viagem internacional de Luan, uma oportunidade que o brasiliense não vai esquecer. “Foi inexplicável. Não passava pela minha cabeça que eu sairia do Brasil tão jovem, muito menos por meio de trabalho”, alegra-se o competidor. Para ele, participar do mundial vai além dos benefícios pessoais. Luan acredita que o evento é um caminho para o reconhecimento da educação brasileira.

“Estamos indo lá pra mostrar nosso trabalho e mostrar que o Brasil é capaz. Muitas pessoas de fora veem o nosso país apenas como um local de terceiro mundo e mal sabem o que tem aqui”, comenta Luan. Os planos do brasiliense para depois da competição são claros. “Eu pretendo fazer faculdade de arquitetura e ajudar no treinamento dos próximos competidores. Também penso em abrir algo para mim, onde eu possa ficar trabalhando e não deixar morrer o que eu aprendi”, conta. 

“Se não for para subir o pódio, nem vou”

(foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)
(foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)

A oficina mecânica do pai teve muita influência na escolha do curso técnico de Lucas Maciel Santos. Aos 21 anos, o brasiliense concluiu a capacitação e treina, desde 2016, para disputar a categoria de funilaria automotiva na WorldSkills. A oportunidade foi apresentada pelo irmão mais velho, que também estudou no Senai, e nutrida pelo interesse na área. “Sou apaixonado por mexer com carros”, afirma Lucas, que mora em Ceilândia. Para o competidor, o reconhecimento é uma grande motivação para o treinamento árduo. “Nessa área, tem muita gente e quem faz um serviço melhor é destacado. Então, imagine quem participa de uma competição mundial!”

Lucas entrou na olimpíada procurando aprender mais e, para ele, a experiência tem sido ótima. O dia do jovem começa às 5h30 e só acaba às 19h, depois de horas de treinamento, exercício físico e pausas para refeições. Mesmo com uma rotina cansativa e repetitiva, ele agradece pela oportunidade. “Quando entrei no Senai, comecei a mudar minha mentalidade e a crescer na vida”, relata. Quando encontra tempo, o competidor faz trabalhos de funilaria automotiva (lanternagem) nos fundos da oficina do pai. O principal objetivo de Lucas após o mundial é abrir o próprio negócio na área. Para a competição, o brasiliense almeja o primeiro lugar da categoria. “Se não for para subir no pódio, nem vou”, brinca.

Palavra de especialista

(foto: Sputnik/Divulgação)
(foto: Sputnik/Divulgação)

Trabalhador do futuro será de “multiprofissões”
“Eu sinto que, no futuro, o mercado de trabalho terá muitas carreiras diferentes. Inclusive, uma pesquisa mostra que as gerações Y e Z vão trocar de profissão mais de cinco vezes ao longo da vida, diferentemente da minha geração, que estudou e entrou no mercado para ser estagiária, analista, gerente, até ocupar um cargo de diretoria. Além disso, os profissionais deverão ser cada vez mais desenvolvidos nas soft skills. Uma pesquisa do Fórum Econômico Mundial mostra que as habilidades mais relevantes para o profissional de 2020 serão capacidade de resolver problemas complexos, pensamento crítico, criatividade, gestão de pessoas, coordenação, inteligência emocional, orientação para servir, negociação, flexibilidade cognitiva, julgamento e tomada de decisão.

Todo curso é uma forma de renovar o pensamento do profissional de hoje. É muito importante, para qualquer trabalhador, buscar uma capacitação que ofereça conteúdos inovadores e de acordo com as tendências do mercado. Assim, os cursos técnicos são importantes para a formação profissional, desde que tenham conteúdos atualizados e, de fato, preparem o indivíduo para o mercado.  Hoje existem muitos recursos para os jovens se prepararem para as tendências do mercado: cursos profissionalizantes, TED talks, cursos on-line gratuitos, podcasts, revistas... A informação chega de forma muito mais fácil. O profissional de hoje tem que buscar muito esse conhecimento, além de somente uma visão acadêmica. Além disso, há vários festivais incríveis de inovação e tecnologia lá fora e no Brasil. Muitos deles, inclusive, são gratuitos.” (IM)
 
Mari Achutti, CEO e fundadora da Sputnik, braço B2B da erestroika, escola de atividades criativas; graduada em administração pela ESPM

Crescimento brasileiro

Desde a primeira participação do Brasil na competição, em 1983, os números de competidores e de medalhas para os brasileiros só crescem. Em 2015, a WorldSkills foi sediada em São Paulo e trouxe 27 medalhas ao Brasil, que conquistou o primeiro lugar geral em pontos na edição. Na última disputa, em 2017, 56 brasileiros competiram em Abu Dhabi e trouxeram 15 medalhas para o país, resultando na segunda nação com melhor colocação geral.
 
 
 

*Estagiária sob a supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa   

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