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Correio Braziliense ENTREVISTA / PAULO VIEIRA

O coach Paulo Vieira ensina a "Criar riqueza" e sair do vermelho

O guru de desenvolvimento pessoal veio a Brasília ministrar curso de finanças para 2.500 pessoas. O objetivo é ajudar o público a dar a volta por cima


postado em 19/08/2019 14:00 / atualizado em 19/08/2019 15:37

Com a promessa de ensinar a “ganhar, ter, multiplicar, usufruir, doar e continuar tendo muito dinheiro”, o coach Paulo Vieira, 52 anos, conseguiu juntar um público de 2.500 pessoas em Brasília para participar do curso Criação de riqueza, inspirado em livro best-seller homônimo lançado este ano. Cada participante desembolsou no mínimo R$ 2,4 mil para assistir às aulas, com duração de mais de 50 horas, entre 26 e 28 de julho, no Centro Internacional de Convenções do Brasil. O investimento é alto, mas, num país com tantos desempregados e inadimplentes, é natural que muitos se interessem pela programação que se propõe a ensinar, além de formas de ficar rico, caminhos para as pessoas lidarem bem com as finanças, trabalhando o lado emocional.
 
Para participar do curso, cada inscrito investiu R$ 2,4 mil (foto: Leanderson Alcântara/Divulgação)
Para participar do curso, cada inscrito investiu R$ 2,4 mil (foto: Leanderson Alcântara/Divulgação)
 
O coach Paulo Vieira avaliou positivamente a experiência na capital federal. “Foi extraordinário. O curso foi de um nível muito alto porque a turma tinha pessoas que sabiam o que queriam”, afirma. A proposta é que o treinamento, inédito em Brasília até então, seja ministrado uma vez por ano. A capacitação já ocorreu também no Rio de Janeiro e em São Paulo. Paulo Vieira cobra R$ 25 mil por uma sessão de coaching, mas conhece tanto a abundância quanto a escassez. A partir da própria experiência de vida, compreendeu, por um lado, que a falta de dinheiro é um problema que afeta todos os aspectos da vida. Por outro lado, o excesso de renda pode facilmente sair do controle. A virada aconteceu quando o coach se deu conta de que ele próprio é responsável pela riqueza ou pela falta dela. Esse aprendizado chega ao público pelo livro Criação de riqueza e, agora, também por meio do curso.
 
Para o coach, a falta de dinheiro afeta todos os aspectos da vida da pessoa(foto: Leanderson Alcântara/Divulgação)
Para o coach, a falta de dinheiro afeta todos os aspectos da vida da pessoa (foto: Leanderson Alcântara/Divulgação)
 
 
Paulo Vieira viu a empresa do pai falir aos 17 anos(foto: Leanderson Alcântara/Divulgação)
Paulo Vieira viu a empresa do pai falir aos 17 anos (foto: Leanderson Alcântara/Divulgação)
 

Perfil

Quem é Paulo Vieira?

Criador do método CIS (coaching integral sistêmico), Paulo Vieira tem 90 mil clientes atendidos pela técnica. Ele acumula mais de 20 anos de experiência e 364 mil sessões de atendimento em coaching. É fundador e presidente da Febracis, segundo ele, a maior empresa de coaching do mundo em número de filiais, com unidades no Brasil e nos Estados Unidos, em Angola e em Portugal. Ao longo da carreira, ministrou formações em coaching para mais de 300 turmas dentro e fora do Brasil. Todos os meses, a Febracis treina 16 mil pessoas. É graduado e doutor em administração de empresas pela Florida Christian University, além de mestre em coaching pela mesma instituição. Fez MBA em marketing no Instituto Português de Administração de Marketing. Natural do Rio de Janeiro, cresceu em Fortaleza, onde mora.

Confira perguntas e respostas


Quais são os conselhos para “criar riqueza” ensinados no livro e no curso, de modo resumido?
Eu começo com as coisas mais óbvias do mundo. Gastar menos do que ganha é o primeiro. A característica da pessoa pobre é amar gastar dinheiro; e da pessoa rica é amar ganhar e guardar dinheiro. Existem pelo menos três variáveis importantes para criar riqueza: a primeira é a capacidade de fazer dinheiro; a segunda, a capacidade de poupar esse dinheiro; e a terceira, a capacidade de investir. A pessoa próspera, quando recebe o salário, tira um percentual para investir. A pessoa com mentalidade pobre paga as contas, gasta com prazeres e, se sobrar, vai investir. A diferença é que a pessoa de mentalidade próspera tira na fonte e a de mentalidade pobre tira do “se sobrar”.

Por que há tanta gente individada? Falta educação financeira?
Tudo para o brasileiro é muito novo, que tem muito pouca experiência nesse aspecto e menos ainda em educação financeira (algo que deveríamos ver na escola). O brasileiro não tinha crédito, aí os governos passados deram crédito sem critérios. As classes D, C, B e até A se endividaram.

Como sair do vermelho estando desempregado? É preciso fazer sacrifícios?
Tem que rever o orçamento familiar e adequar seu padrão de vida. A saída é apertar o cinto, cortar despesas, baixar o padrão. A vida inteira eu fiz sacrifícios. A vida inteira eu deixei de fazer coisas para poupar. Até hoje, eu vivo com um valor que varia entre 20% e 25% do que ganho; assim, poupo ou invisto 50%. Isso é algo que eu já fazia lá atrás e, 22 anos depois, continuo fazendo assim. Isso é sacrifício. Hoje não é mais sacrifício porque eu ganho muito bem, mas, no início, era. Eu via pessoas que ganhavam o mesmo ou até menos do que eu vivendo com muito mais conforto. Só que hoje eu sou milionário.

Quais as consequências de estar endividado para o trabalho?
O funcionário endividado nãovai ter cabeça para produzir porque o foco dele não estará na produção, mas, sim, nesse problema, que é imediato, mais urgente. A pessoa, no desespero, busca maneiras de suprir essa falha financeira. Então, funcionários endividados geram problemas para qualquer empresa. E o resultado é que eles vão tentar arranjar dinheiro de outra forma, fazendo bico ou, em última instância, sendo desonestos. Ou, então, vão dar um jeito de ser demitidos para receber direitos trabalhistas e pagar as dívidas.

Qualquer um pode ficar rico ou isso é privilégio para poucos? Se é possível para todos, qual o segredo para fazer isso?
Pode. Tanto pode que a gente vê inúmeros casos de pessoas que ascenderam das classes B e C e se tornaram milionárias. Todos nós somos testemunhas disso. Saber o caminho que é preciso trilhar é fácil,  e nosso curso mostra o caminho seguro para isso. Difícil é estar disposto a abrir mão do prazer, estar disposto a pagar o preço que é necessário para enriquecer.

Por que o senhor decidiu criar esse curso? 
O Brasil é um país muito desigual. Criei esse curso na esperança de que as pessoas que se encontram na mesma situação que eu me encontrei há alguns anos possam dar a volta por cima. O curso dá dicas de finanças voltadas para a vida pessoal e também para quem quer empreender. O treinamento ensina o participante a achar um norte. Muitos alunos já estão colhendo bons frutos. Um número bastante considerável estava no fundo do poço e desacreditado. Nossos métodos têm ajudado e temos tido um bom feedback.

Como o senhor começou a trabalhar com coaching?
Minha vida deu uma reviravolta muito grande quando eu tinha 17 anos, que foi quando a empresa do meu pai faliu. A partir daí, até meus 30 anos, sofri muito. Eu não tinha dinheiro nem para pagar o ônibus. Tudo piorou ainda mais quando sofri um acidente de carro. O veículo foi partido ao meio e só Deus sabe como sobrevivi porque tive que me salvar sozinho e sair de dentro dos escombros. Depois li uma metáfora sobre Sísifo, personagem da mitologia grega, e entendi que o problema era eu mesmo, eu era o meu sabotador. A partir daí, pesquisei mais sobre esse problema e como resolver isso. Foi assim que descobri o coaching. Dentro de um ano, tudo começou a melhorar, até chegar onde estou hoje.

O que é coaching? Qual a diferença para o integral sistêmico?
É um processo, uma metodologia de alto desempenho. Faz a pessoa identificar onde está naquele momento, seja financeiramente, seja emocionalmente, e onde quer chegar. Fazendo isso, resta apenas criar um plano de ação para poder sair do local atual ao ponto desejado em um tempo muito curto. O coaching integral sistêmico é a evolução do método tradicional, onde o plano de ação é racional. No nosso método, priorizamos as emoções. O problema maior do ser humano, na minha opinião, é o emocional. Então, trabalhamos com quem precisa de mais autocontrole e disciplina. Ajudamos pessoas a crescerem na vida sem ter de abrir mão de questões como saúde e família.

Como o senhor enxerga o cenário do coaching no Brasil?
Dados como os da Federação Internacional de Coaching (ICF, na sigla em inglês) mostram que essa é a carreira que mais cresce, não só no Brasil, mas também no resto do mundo. A diferença é que, em países como Estados Unidos, essa área é levada mais a sério. Daniel Goleman, famoso psicólogo americano, que é o pai da inteligência emocional, tem uma instituição de coaching. Universidades como Harvard, Columbia e Wharton têm cursos e disciplinas sobre a profissão. No Brasil, levaram para o Congresso Nacional o debate sobre a criminalização do coaching. Imagine, do dia pra noite, ter 70 mil criminosos, só por exercer a profissão? Então, as pessoas ainda estão em fase de amadurecimento do tema no Brasil. Ainda acham que o coaching compete com outras áreas que lidam com o emocional, como psicologia e psiquiatria, mas a verdade é que não compete. São diferentes.

Como o método pode ajudar na hora de procurar emprego e abrir um negócio?
O coaching não vai ensinar alguém a empreender, mas vai fazer com que a pessoa caminhe por um caminho de aprendizado, diminua o tanto de erros que comete, use os recursos certos. Tudo isso por meio do plano estratégico que traçamos quando nos procuram. Quando se olha para o momento atual do país, de crise, de desemprego, percebe-se que não há muitas soluções. Os coaches ajudam as pessoas a fazerem transição de carreira, a entrarem no mercado, aumentando a empregabilidade ao ensinar condutas e padrões comportamentais de que o mercado de trabalho necessita.

Polêmica

Tramita no Congresso Nacional uma sugestão de projeto, de iniciativa popular, para criminalizar a atividade de coach. Também foi apresentada ao Poder Legislativo outra ideia na direção contrária: para reconhecer e regulamentar a profissão, além de coibir abusos. As duas propostas são reflexo da polêmica que ronda a atividade. Existem coaches que são acusados de charlatanismo, ao abusar da boa-fé das pessoas, além de darem conselhos sobre temas delicados, como depressão e suicídio.

Leia!

 

(foto: Editora Gente/Reprodução)
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(foto: Editora Gente/Reprodução)
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(foto: Reproducao)
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(foto: Editora Gente/Reprodução)
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Eu fui

Tiago tem interesse em aprender mais sobre educação financeira(foto: Arquivo pessoal)
Tiago tem interesse em aprender mais sobre educação financeira (foto: Arquivo pessoal)
 

Servidor público e freelancer do ramo de eventos, o graduado em direito Tiago Correia, 34 anos, participou do treinamento no DF e aprovou. “Eu já tinha feito um curso com o Paulo Vieira uma vez. Aí percebi que podia ter mais disposição para produzir e resolvi me inscrever no Criação de riquezas”, comenta. “Foi muito bom. Como eu nunca tinha feito um curso sobre educação financeira, aprendi bastante. Isso despertou minha vontade de aprender mais sobre o assunto”, conta. “Os exercícios que fazemos durante o treinamento nos mostram como nos comportamos diante da riqueza, do dinheiro e do sucesso. A partir daí, somos orientados a perceber como mudar e conquistar a riqueza desejada”, explica. 

 

*Estagiário sob supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa

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