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Correio Braziliense GUIA DE CONCURSOS »

Professores dão dicas para quem vai fazer concurso para engenheiros do IME

O exame se aproxima. São quatro etapas de prova para preenchimento de 10 vagas. Engenheiros eletricistas, civis, de computação e de produção de até 25 anos podem se inscrever. O salário inicial é de R$ 8.245


postado em 22/09/2019 14:24 / atualizado em 22/09/2019 14:41

O Instituto Militar de Engenharia (IME) está com 10 vagas abertas para o concurso de Admissão aos Cursos de Formação de Oficiais da Ativa do Quadro de Engenheiros Militares (CFrm). São três chances para engenharia de computação, três para engenharia elétrica, uma para engenharia de produção e três para engenharia de fortificação e construção, também conhecida como engenharia civil. Para se candidatar, é necessário ser brasileiro nato, com, no máximo, 25 anos completos no ano do concurso e ser engenheiro da área para a qual se inscreve.

O engenheiro eletricista Lucas Cardoso, 25, tentará o concurso(foto: Arquivo Pessoal)
O engenheiro eletricista Lucas Cardoso, 25, tentará o concurso (foto: Arquivo Pessoal)
Quando aprovado, o candidato passa por um ano de formação militar, aprendendo o necessário para trabalhar como um oficial do Exército. Os alunos receberão instruções sobre armamento e regulamentos, além de treinamento físico militar, acampamento e visitas a quartéis. A seleção conta com quatro etapas: exame intelectual, de aptidão física, inspeção de saúde, e processo de heteroidentificação, para candidatos que se autodeclararam negros ou pardos e se inscreverem para as vagas reservadas para essa modalidade.

O teste de conhecimentos é eliminatório e classificatório. Serão cobrados conteúdos específicos da área de engenharia, em 30 de outubro; e de língua inglesa e portuguesa, em 31 de outubro. Lembrando que a prova de português inclui uma redação e questões objetivas. No inglês, são questões fechadas e duas para escrever um parágrafo. O edital não diz como serão cobradas as traduções. O portão fecha às 12h45 pelo horário de Brasília, e a prova começa às 12h30. São quatro horas de duração em cada dia.

Após a inspeção de saúde, o candidato fará o exame de aptidão física, que tem caráter eliminatório. Será realizado no período de 13 de janeiro a 10 de fevereiro de 2020. No primeiro dia, homens e mulheres farão uma corrida de 12 minutos: eles devem percorrer 2.100m, e elas, 1.850m. No segundo dia, os homens têm de fazer 30 séries de abdominais supra, e as mulheres, 27. Uma série caracteriza-se pelas repetições máximas de abdominais. Ainda no segundo dia, candidatas do sexo feminino deverão fazer 10 repetições de flexão de braços sobre o solo, e os do sexo masculino, 19. É possível fazer duas tentativas por etapa, sendo que a segunda será realizada um dia após a primeira tentativa.

Lucas Cardoso, 25, se formou  em engenharia elétrica neste ano pela Estácio de Sá. Vai tentar pela primeira vez o concurso do IME. Se não passar, não terá segunda chance. “Estou na idade-limite e um pouco frustado por ser a primeira e última oportunidade”, conta. Lucas é militar temporário do Exército do Rio de Janeiro; por isso, só tem um turno para se preparar. Ele começou a estudar em julho. “Estou estudando o máximo que eu posso dentro da minha rotina. Então, a expectativa é boa. Estou confiante.”

Primeiro dia

João Luiz Azevedo de Carvalho, professor do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade de Brasília (UnB), explica que o edital não engloba disciplinas do ciclo básico das engenharias, somente disciplinas específicas de cada área. “Assim, não adianta perder muito tempo estudando cálculo, física e química”, alerta. Para o professor, é necessário apenas revisar esses conteúdos em caso de dúvidas ao tentar resolver exercícios específicos.
 
“Como o edital é muito amplo e a prova é daqui a pouco mais de um mês, não é viável estudar detalhadamente cada assunto do edital.” Ele acredita que a melhor estratégia é resolver questões antigas. “Para passar no concurso, o mais importante não é dominar todo o conteúdo do edital, mas, sim, saber resolver cada tipo de exercício específico”, explica Carvalho. Ou seja, para o professor, não é viável focar a teoria, é preferível resolver exercícios para ver o que é cobrado em cada disciplina.

Segundo dia

No dia da prova de português, ao descobrir o tema da redação, a professora aposentada da UnB Lucília Garcez aconselha os candidatos a pensar bem, pesquisar na memória todas as informações possíveis sobre o assunto pedido, fazer um rascunho, avaliar e passar a limpo. “É importante reler a primeira versão da redação para reformular, pois ela costuma ser muito imatura”, afirma. Logo, segundo ela, na segunda versão, as ideias ficam mais organizadas. Além disso, a professora dá outra dica para fazer uma boa redação. “Treine escrevendo, reformulando e passando a limpo, e lembre-se de cronometrar o tempo”, explica. Ela acredita que, com a prática, fica mais fácil desenvolver o texto. Como o edital diz que o tema da dissertação será algo da atualidade, Lucília indica ler uma revista semanal de notícias para ter repertório para fazer a redação.

O caderno de língua inglesa do concurso é composto por três partes: tradução, interpretação de textos e respostas escritas em inglês. As questões de interpretação são objetivas, mas as de respostas exigem escrita. O professor Evandro Gurgel, formado em letras e tradução pela UnB, acredita que é melhor começar pela interpretação de texto, depois, ir para as respostas e, por último, para a tradução. “A interpretação exige um conhecimento passivo e você começa a exercitar o cérebro para ele trabalhar ativamente nos outros exercícios”, observa. Nesta reta final, o professor indica separar pelo menos 30 minutos diários para praticar questões da prova, já que o exame aplica o conhecimento em situações reais. As provas antigas podem ser encontradas no link: bit.ly/2m4GgzR.

Dica de aprovado

(foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)
 

Thomas Farias (foto), 31, engenheiro eletricista pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), passou no concurso para ser engenheiro do IME em 2011. Para quem vai fazer o exame na área de engenharia elétrica, ele indica: “Estude questões de tarifação, correção de fator de potência, NBR 5410, máquinas elétricas e controles”. Ele ressalta que os candidatos devem estar atentos à nota de corte para a prova de engenharia, que é de 50%. Quem acertar menos que isso, está eliminado. “No meu ano, nem todas as vagas foram preenchidas por causa desse critério.”

Engenheiras 

(foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)
 

Cristina Fleig Mayer (foto), 47, foi da primeira turma de engenheiros do IME que contou com mulheres, em 1997. Engenheira eletricista pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), ela admite não ter estudado. “Eu pensei que não ia passar”, conta. Quando entrou, não sabia nada sobre hierarquia militar, nem tinha o costume de correr, mas, aos poucos, se adaptou. “Foi um choque”, reflete. Atualmente, Cristina é a primeira chefe da Comissão Regional de Obras 5 (CRO 5), responsável por obras em instalações militares. “O trabalho é na sede, no Rio. Mas tem muitas viagens para Porto Alegre e Brasília.”

O QUE DIZ O EDITAL

Concurso de Admissão aos Cursos de Formação de Oficiais da Ativa do Quadro de Engenheiros Militares (CFrm) do Instituto Militar de 
Engenharia

Inscrições: encerradas em 5 de setembro no site confira o edital em 
Manual do candidato: disponibilizado no link 
Taxa: R$ 110
Vagas: 10 vagas para engenheiros eletricistas, civis, de computação e de produção
Salário: R$ 8.245 (inicial)
Provas: 30 de outubro (teste de engenharia) e 31 de outubro (teste de inglês e português)
Locais de prova: Brasília, Belém, Belo Horizonte, Campinas, Campo Grande, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Juiz de Fora, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São José dos Campos, São Paulo, Teresina e Vila Velha

Ordem de resolução

Serão quatro horas de duração para fazer as provas de inglês e português. A professora Lucília chama a atenção para a importância de saber dividir bem o tempo. Para ela, a melhor opção é usar uma hora para a parte de inglês, uma hora para as questões gramaticais do português e duas horas para a dissertação. “A redação tem que ser bem pensada, escrita, relida e passada a limpo. Exige muito tempo”, explica a Lucília. Já o professor Evandro acredita que é melhor começar pelo idioma nativo, fazer as questões, exercitando o cérebro de forma passiva; para, depois, fazer a redação, que é ativa, e por último, ir para a prova de inglês. “Assim, o cérebro vai trabalhando aos poucos e pode render mais.”

Passe bem/ Inglês

The Discovery Of Penicillin — new insights after more than 75 years of clinical use abstract
 
After just over 75 years of penicillin’s clinical use, the world can see that its impact was immediate and profound. In 1928, a chance event in Alexander Fleming’s London laboratory changed the course of medicine. However, the purification and first clinical use of penicillin would take more than a decade. Unprecedented United States/Great Britain cooperation to produce penicillin was incredibly successful by 1943. This success overshadowed efforts to produce penicillin during World War II in Europe, particularly in the Netherlands. Information about these efforts, available only in the last 10–15 years, provides new insights into the story of the first antibiotic. Researchers in the Netherlands produced penicillin using their own production methods and marketed it in 1946, which eventually increased the penicillin supply and decreased the price. The unusual serendipity involved in the discovery of penicillin demonstrates the difficulties in finding new antibiotics and should remind health professionals to expertly manage these extraordinary medicines. (...)

Choose the correct option:

A) Dutch researchers produced penicillin for it was cheaper than before. Concerning the supply of it, the increase was automatic.

B) The first clinical use of penicillin was not immediate owing to the impact of its discovery. This delay changed the History of Medicine.

C) The efforts by the Netherlands to produce the new drug weren't regarded as valuable until around a decade ago.

D) It is impossible that penincillin's first clinical use dates back more than 75 years. (E) The US and Great Britain succeeded in producing penicillin right after 1943.

Comentário:

Cuidado com as palavras conectoras, pois as letras A e B invertem a ordem dos eventos para confundir. A questão cobra conhecimentos de interpretação aplicado. Confira detalhes sobre cada iten:

A) A razão pela que os holandeses começaram a produzir penicilina não foi porque estava mais barato, foi o contrário. O preço só caiu porque eles entraram no mercado.

B) A razão da demora de 10 anos é porque a penicilina foi descoberta por acidente, e eles precisaram passar 10 anos para aperfeiçoar.

C) A descoberta americana britânica foi tão estrondosa que ofuscou a descoberta holandesa, que foi tão importante quanto.

D) Não tem nada no texto que fale que isso é impossível.

E) O Reino Unido, com os Estados Unidos, passou anos tentando desenvolver e sintetizar, diferentemente do que a questão fala.


Questão retirada do último concurso do IME para engenheiros formados, aplicado em 2018, comentada pelo professor Evandro Gurgel


Gabarito: letra C 

 

*Estagiária sob supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa

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