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Correio Braziliense EMPREENDEDORISMO

Lojas colaborativas estão em expansão no DF

Espaços comerciais compartilhados estão em crescimento e marcam presença tanto no Plano Piloto quanto nas regiões administrativas do DF


postado em 29/09/2019 16:00 / atualizado em 30/09/2019 12:46

 

As lojas colaborativas estão se espalhando cada vez mais pelo Distrito Federal. Se há pouco tempo a concentração de espaços no formato se dava nas regiões centrais, hoje não é difícil encontrar opções fora das Asas Sul e Norte. Aos poucos, outras regiões administrativas caminham em direção à tendência que se fortaleceu nos últimos 10 anos e alia comércio criativo, novos empreendedores e negócios e produção em escala pequena. Em geral, as lojas do tipo reúnem produtos de diversos fornecedores, que pagam pelo aluguel de nichos para expor mercadorias e também pagam uma taxa administrativa em cima do volume vendido. Trata-se de uma boa oportunidade de expor itens em diversos pontos de venda sem o ônus de bancar um espaço comercial, sem ter funcionários e sem o trabalho de administrar um negócio físico.
 
Luana Ponto e Maíra Belo, sócias da Endossa: a mais nova loja fica em um contêiner em Águas Claras (foto: Ana Isabel Mansur/Esp.CB/D.A Press)
Luana Ponto e Maíra Belo, sócias da Endossa: a mais nova loja fica em um contêiner em Águas Claras (foto: Ana Isabel Mansur/Esp.CB/D.A Press)
 
De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), uma loja colaborativa tem como marca o compartilhamento e a troca de serviços e objetos entre empresas. Os espaços colaborativos são uma alternativa vantajosa para pequenos negócios compartilharem custos, divulgarem e comercializarem seus produtos e serviços, contribuindo para a fidelização de um público consumidor e, consequentemente, para a consolidação da marca ou imagem dos produtos ou serviços no mercado. Para Thayná Lougue, assessora especial em economia criativa da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF, iniciativas colaborativas vêm de mudanças percebidas tanto nas relações de trabalho quanto nas prioridades do comércio. “Diante da mudança na logística da economia do trabalho, as demandas passam a ter outros significados. As pessoas começam a lidar com o trabalho no comércio de outras maneiras”, afirma.

Por unir pessoas e produtos diversificados, o mercado colaborativo possibilita, além de outras maneiras de exposição dos produtos dentro das lojas, o surgimento de novas mercadorias e serviços, ampliando as chances de desenvolvimento e sustentabilidade. “Cargos e empregos estão se reinventando por mudanças socioeconômicas e avanços tecnológicos. No Brasil, a atualização está ocorrendo gradativamente, por ser um país em desenvolvimento e pela questão burocrática mais lenta”, continua. Thayná completa ressaltando a importância da economia criativa em cenários de novas relações entre pessoas e mercadorias. “O papel das lojas colaborativas dentro da economia criativa serve para reforçar a mudança de conceito de trabalho para os empreendedores, estabelecendo pontos de conexão e redes de apoio de outros profissionais para a divulgação e venda dos produtos.”

Tendência natural

Francisco Maia Farias, presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF), acredita que é uma tendência mundial de sobrevivência, assim como outras iniciativas. “Em Nova York, por exemplo, muitas lojas têm essa característica”, afirma. “É como o coworking, que tornou desnecessário ter um lugar grande para uma única empresa. Nas lojas colaborativas, há toda a infraestrutura necessária em espaços menores para cada parceiro”, completa. Não há, ainda, levantamento feito pela Fecomércio sobre a quantidade de estabelecimentos colaborativos no DF.

Para ele, em tempos de crise financeira, a solução encontrada foi ratear custos e espaços. “Neste ano, mais de 150 lojas já fecharam. Iniciativas como as lojas colaborativas precisam ser aplaudidas. Estão empregando pessoas, gerando renda e dentro da legalidade, que é o mais importante”, argumenta. “A Fecomércio vê as lojas colaborativas com bons olhos. Embora não seja nosso papel estimular, não somos contra. É muito melhor do que ser ambulante e ficar enchendo as ruas de mercadorias que não pagam imposto e são ilegais.”

Palavra de especialista

Busca por conforto e bem-estar
“As lojas colaborativas funcionam porque combinam, para os colaboradores, redução de custos administrativos e reúnem variedade de ofertas e possibilidade de encontrar quase tudo em um só lugar, para os compradores. A tendência observada nos últimos tempos é que os consumidores compareçam a lugares onde há maior concentração de produtos, o que contribui para a redução da ideia de insegurança que se têm em relação a estabelecimentos dispersos. O modelo colaborativo é a expressão da busca por conforto e bem-estar que os clientes têm apresentado. A boa apresentação do interior das lojas e a temperatura mais agradável, por exemplo, atraem os consumidores. Uma das desvantagens é o desconhecimento que ainda existe em relação ao comércio colaborativo. De certa forma, então, acabam por ser iniciativas isoladas da população compradora.”

Roberto Bocaccio Piscitelli, contador, economista, specialista em administração econômico-financeira, estre em administração e professor do Departamento de iências Contábeis e Atuariais da Universidade de Brasília (UnB)

Comércio participativo

Conheça lojas coletivas em regiões administrativas do DF

Original de Sobradinho

Mariana e Gabriela, da loja Meu Espaço(foto: Ana Isabel Mansur/Esp.CB/D.A Press)
Mariana e Gabriela, da loja Meu Espaço (foto: Ana Isabel Mansur/Esp.CB/D.A Press)
  

O Meu Espaço é a primeira loja compartilhada de Sobradinho. Fruto do trabalho coletivo das irmãs Gabriela Santos, 27 anos, e Mariana Santos, 21, o espaço funciona desde março deste ano e reúne, atualmente, 18 empreendedores que expõem produtos no espaço — chamados de colaboradores. A ideia surgiu quando Gabriela, que produz itens de papelaria personalizada e criativa, pensou em alugar um box e expor as próprias mercadorias em uma loja colaborativa da Asa Sul. “Então, eu pensei: se no Plano funcionou, por que aqui em Sobradinho não daria certo?”, relembra a jovem, que é formada em gestão do agronegócio. Além dos produtos de papelaria, as irmãs queriam um espaço fixo para impulsionar as vendas da Bananazinha, cachaça artesanal de banana feita em Goiânia pelo pai das jovens.

Mariana é a representante da bebida no Distrito Federal. “Nenhuma de nós tinha muito tempo para vender e estávamos precisando do dinheiro. Aí eu falei: nossa, Gabriela, tem muitas pessoas na mesma situação que a gente”, conta. As irmãs, então, aliaram a necessidade ao desejo de dar opções para os moradores da região administrativa para que não precisassem mais consumir e comprar fora de lá. “Quando decidimos montar a loja, procuramos marcas em Sobradinho porque nosso intuito era fazer aqui”, conta Mariana. “As pessoas vão ao Plano Piloto para comprar e nossa ideia era trazer essas pessoas de volta, mostrar que elas não precisam sair para comprar algo diferente ou específico”, continua a empreendedora, que estuda psicologia.
 
Ela e a irmã pintaram as paredes, cortaram as placas de MDF para montar os nichos, fizeram os acabamentos necessários e pregaram as unidades nas paredes. Antes de abrir o Meu Espaço, Mariana e Gabriela investiram na divulgação e na atração de colaboradores pelas redes sociais. “Fizemos feiras antes mesmo de abrir a loja. Em março, quando já tínhamos feito bastante contato e decidimos finalmente abrir, 70% dos nichos já estavam ocupados. Hoje, há lista de espera”, orgulha-se Mariana.

Gabriela ressalta a importância das redes sociais. “A gente percebeu a facilidade de compra e venda. A gente divulga um produto, a pessoa manda mensagem perguntando preço e numeração e pronto, no dia seguinte vem comprar”. Gabriela admite que até existem pessoas que chegam à loja por acaso. “Mas o público das redes, principalmente dos grupos do Facebook de mães e mulheres e do Instagram, é muito maior.” Embora o Meu Espaço ofereça produtos para cachorros, pulseiras e acessórios fabricados à mão, recipientes de plástico personalizados e bonecos feitos com a técnica japonesa de crochê 
amigurumi, a maioria dos clientes da loja são mulheres.

Hoje os espaços da loja são todos ocupados por colaboradoras. “Não foi proposital. No início, tínhamos dois colaboradores homens também. Acabou acontecendo”, explica Mariana. Quando questionadas sobre a natureza dos produtos que são mais vendidos, as irmãs relatam que maquiagens e roupas encabeçam a lista. A faixa etária do público, no entanto, é variada. Gabriela e Mariana são sensíveis em relação ao espaço de que cada colaborador precisa para expor os produtos. Elas adaptam os lugares disponíveis e oferecem, além dos boxes de MDF, araras, telas, ganchos na parede e o que mais for necessário para a melhor disposição das mercadorias. Para alugar um dos espaços da loja das irmãs, é necessário ser aprovado em curadoria da dupla, enfrentar fila de espera, pagar o valor do aluguel a partir de R$ 80 e 15% de taxa administrativa em cima das vendas.

Destaque no Guará

Clara e Aline, da Galeria 40:
Clara e Aline, da Galeria 40: "Vem gente de todo o DF" (foto: Ana Isabel Mansur/Esp.CB/D.A Press)
 

Quem visita o Polo de Modas do Guará 2 se depara com a fachada amarela e preta da Galeria 40, a primeira loja colaborativa da cidade. Fundado pelos irmãos Roniere de Lima, Raniere Maria e Manoel Neto, o espaço completa dois anos no próximo mês. A Galeria 40 nasceu para proporcionar variedades e produtos diferenciados aos moradores da região. Clara Brito, gerente do espaço desde o início, afirma que a aceitação da loja por parte do público tem sido grande. “Quem compra não vem só do Guará. Vem gente da Asa Sul, do Lago Sul, de Águas Claras, de todo o DF”, conta. Os colaboradores também não estão concentrados em um bairro e estão divididos entre mulheres e homens. “Temos parceiros de Águas Claras, Asa Norte e Lago Sul, por exemplo. São mulheres e homens microempreendedores”, completa Clara.

Entre importados, mercadorias infantis e escolares, eletrônicos, vestidos de festas, itens de casa e de decoração, roupas de praia e piscina, produtos artesanais e lembranças de Brasília, a Galeria 40 reúne hoje mais de 300 produtos de cerca de 50 colaboradores. “Cada espaço é de um microempreendedor. Eles alugam e nós administramos: oferecemos o espaço físico, a nota fiscal, os funcionários e as tecnologias”, explica Clara. “O colaborador não precisa estar o tempo todo supervisionando as mercadorias, embora ele arrume e organize o nicho do jeito que achar mais apropriado.” Mesmo quem é novato no universo colaborativo se encanta com as possibilidades que o segmento oferece para os envolvidos. “É uma grande oportunidade de crescimento para os colaboradores e para a loja, que pode divulgar as parcerias e o trabalho feito”, comenta Aline Borba, que há um mês é vendedora na galeria.

A loja disponibiliza espaços para aluguel a partir de R$ 50 e cobra 20% de taxa administrativa em cima das vendas do mês de cada colaborador. O contrato, atualmente, é de quatro meses, podendo ser renovado. “Um espaço colaborativo acaba servindo como uma sondagem do mercado, para ver como está a situação financeira de quem compra e do microempreendedor”, observa Clara. “Não adianta colocar taxas muito altas porque o colaborador não vai conseguir pagar e vai encarecer os produtos”, completa a gerente. Como a Galeria 40 emite notas fiscais, não é preciso ser microempreendedor individual (MEI).

“Fica mais barato para o parceiro, de todo jeito. Se ele montar uma loja, mesmo sem vender, precisa pagar funcionários, bancar aluguel, luz, água e impostos como ICMS”, enumera Clara. “Vamos adaptando também, de acordo com o que percebemos. No começo, o menor valor de um nicho era R$ 80, por exemplo”, continua. A loja faz divulgações via redes sociais, mas os colaboradores podem — e devem, de acordo com Clara — anunciar as próprias mercadorias. “A galeria divulga o espaço como um todo. Quando o colaborador anuncia, ele fideliza o cliente, que vem até aqui comprar o produto que viu nas redes sociais”, explica.

Apoio para começar

Paula Cruz alugou um espaço na Galeria 40 para revender pijamas e roupas de ficar em casa no início de 2018. Acabou ficando no espaço apenas três meses. Há menos de um mês, a brasiliense de 41 anos resolveu pagar novamente por um nicho; dessa vez, com produtos voltados ao universo infantil. “Tem que ter a percepção de qual tipo de mercadoria vende de acordo com o lugar em que a loja está. Às vezes, o público que frequenta não tem interesse no que você está vendendo. Foi o meu caso”, relata Paula. “Tenho percebido que a área infantil é mais fácil de vender; então, estou testando.” Ela, que trabalha em uma firma particular, também vende as mercadorias pela internet.

“O que eu vejo é que o espaço em uma loja colaborativa traz segurança porque é um ponto fixo, um apoio, até porque muitas pessoas ainda têm medo de comprar on-line”, observa Paula. “Como parceira e cliente, eu acho a loja colaborativa um espaço muito legal porque tem um pouquinho de várias marcas, de coisas diferentes, no mesmo lugar. Tem presente criativo, não é cheio de mesmices, muitas marcas autorais e artesanais”, observa. 

Para Paula, no entanto, falta às lojas colaborativas maior visibilidade e divulgação. “Se você for conversar com as pessoas, muita gente não sabe que existe nem o que é ou qual o conceito. Não é só falar nas redes sociais, acho que precisa divulgar em jornais, até do bairro mesmo.” Paula argumenta que a maior parte do público das lojas colaborativas está concentrada em uma faixa etária mais jovem. “Eu falo mais com pessoas entre 45 e 50 anos. Está na moda para quem tem 25 anos, que é mais antenado. Os mais velhos não sabem o que é. Eu vejo essa grande dificuldade”, pondera a colaboradora.

Iniciativa desbravadora

Luana Ponto e Maíra Belo, sócias da Endossa no DF, na unidade de Águas Claras:
Luana Ponto e Maíra Belo, sócias da Endossa no DF, na unidade de Águas Claras: "Um conceito que dá gosto de explicar" (foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
 

O primeiro estabelecimento no formato colaborativo do DF foi a Endossa. Fundada em São Paulo, em 2008, a primeira loja de Brasília foi aberta em 2012, na 307 Sul. Hoje, está presente em quatro pontos do DF: 306 Sul, 310 Norte, shopping CasaPark e Águas Claras. Luana Ponto, 33 anos, e Maíra Belo, 35, sócias da Endossa em Brasília junto a Victor Parucker, contam que a loja de Águas Claras, inaugurada em dezembro do ano passado em um contêiner na Avenida Castanheiras, era um sonho antigo. A concretização veio quando uma hamburgueria artesanal do DF fez o convite. “A gente já pensava em vir para Águas Claras há um tempo e em ter uma loja em contêiner. Foi inegável”, relembra Luana, que entrou na Endossa, como gerente, em 2014. Maíra ingressou no mesmo ano como atendente.

Na gestão delas, a loja da Asa Sul, que estava para ser fechada, foi para um espaço maior, e outras três foram lançadas, uma a cada ano: a da Asa Norte em 2016 e a do CasaPark, em 2017. As duas alugavam espaços na loja: Luana tinha um brechó de peças autorais e Maíra ainda tem uma marca em exposição na unidade da Asa Sul. Elas contam que, apesar de estarem há sete anos no DF, ainda existem pessoas que desconhecem o conceito de loja colaborativa. “Até hoje tem gente que entra na loja da Asa Sul e fala que nunca tinha visto! E não sabe o que é. Pergunta se é brechó ou armarinho”, diverte-se Luana.

Maíra completa: “É um conceito muito legal, então dá gosto explicar. Aqui em Águas Claras, ninguém conhece ainda, nem a loja nem a economia colaborativa, então estamos levando a palavra adiante. Saindo do Plano Piloto em direção à parte sul, por enquanto.” As empresárias contam que acessórios são os itens que  mais têm saído na nova loja, que tem 60 marcas. “As pessoas estão aqui comendo, enquanto esperam o lanche vêm dar uma olhada. São compras mais rápidas”, observa Luana. Marcos Peter, 24, é atendente da unidade do CasaPark há três meses e observa que o público é formado por compradores de itens de decoração do shopping e espectadores do cinema.
 
Maíra e Luana acreditam que a Endossa faz parte de um momento em que as pessoas estão procurando produzir e consumir de maneira consciente. “Estamos indo no mesmo caminho de poder escolher e incentivar aquilo que se está consumindo e não só comprar sem saber de onde veio, quem fez, como foi produzido e se fazer aquilo causou ou não sofrimento a alguém”, pondera Maíra. “Economia criativa é usar a arte, a moda e outros formatos de negócios para solucionar problemas e talvez desconstruir modelos antigos”, completa Luana. “E pensando que abarca, principalmente, pequenos e médios negócios e que vem para solucionar problemas, a Endossa, então, veio para dar oportunidade para as pessoas que não tinham como abrir lojas físicas sozinhas”, completa.
 
Monique Muniz e Marcos Peter, no CasaPark(foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
Monique Muniz e Marcos Peter, no CasaPark (foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
 
“Então é economia criativa, é sustentável, é pensar no pequeno, é consumo consciente. Está tudo junto.” Elas acreditam que a expansão de estabelecimentos no formato colaborativo é um forte indício da força e da importância desse momento consciente. “Várias lojas estão sendo abertas, bem longe do Plano e fora do Eixo. É muito massa, porque as pessoas estão se reunindo, investindo, empreendendo, se ajudando e incentivando a economia local.” Marcos Barbosa, 33 anos, gestor geral da Endossa Brasília, acredita que a loja coletiva é uma boa oportunidade para pequenas empresas. “A diferença é o ciclo de coisas, de marcas e produtos. É a marca das marcas. Tem muitas lojas que começaram aqui e hoje têm indústria e loja próprias.”
 
Cynara Navarro, cliente da loja do CasaPark(foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
Cynara Navarro, cliente da loja do CasaPark (foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
 
Os aluguéis nas unidades Endossa de Brasília variam de R$ 320 a R$ 540. Não há cobrança de valores administrativos, mas existem taxas de venda para os colaboradores: ICMS, taxa de cartão, valor da franquia. “Eles têm acesso e gerência on-line. Então, na hora de cadastrar os preços, veem quanto vai ser descontado das taxas de venda, e quem paga, na verdade, é o cliente”, observa Maíra. “O colaborador pensa em quanto quer lucrar e calcula o preço final.”

Serviço

Confira informações dos espaços colaborativos citados na reportagem

Meu Espaço
Quadra 8, Lote 3, Bloco 19, Loja 1 - Sobradinho (DF)
Contatos: 99190-2613 e 98520-1687
Instagram: @meuespaco.lojacolaborativa

Galeria 40
QE 40, Conjunto I, Lote 5 - Guará 2 (DF)
Contato: 3047-4240
Facebook: @Galeria40

Brasília deCoração
SCLN 407, Bloco C, Loja 17 - Asa Norte (DF)
Contato: (61) 99176-4322
Instagram: @brasiliadecoracao

Mercearia Colaborativa
CLN 412, Bloco E, Lojas 4, 6 e 10  - Asa Norte (DF)
Contato: (61) 99936-1616
Instagram: @merceariacolaborativa

Endossa
Águas Claras: Rua 28 Norte, Lote 7, Av. Castanheiras
Shopping Casa Park
Asa Sul: SCLS 306, Bloco A, Loja 30
Asa Norte: SCLN 310 Bloco C Lojas 14-20
Instagram: @endossabsb
Até 10 de outubro, todas as unidades da Endossa estão arrecadando doações de comidas, roupas e brinquedos para a creche Semeando Esperança, na Estrutural.

Nichos de comida

A gerente Gabriela e Carol, da Mercearia Colaborativa(foto: Ana Isabel Mansur/Esp.CB/D.A Press)
A gerente Gabriela e Carol, da Mercearia Colaborativa (foto: Ana Isabel Mansur/Esp.CB/D.A Press)
 

As lojas colaborativas, em geral, apresentam produtos de diferentes ramos e formatos, mas não perecíveis. Já a Mercearia Colaborativa, na Asa Norte, vende comidas e bebidas de diversos fornecedores para os clientes. Além de local que pode ser usado por quem gosta de estudar ou trabalhar fora de casa, com lanchonete, mesas e cadeiras, a loja tem freezers e prateleiras como opção de espaço para os colaboradores. Criada em setembro de 2016, o negócio tem como sócios Carol Oliveira, Gustavo Bill e Bernardo 
Motta. A gerente é Gabriela Da’Fré.

Hoje, a loja tem 55 colaboradores e ainda conta com espaços para novos integrantes. Os administradores da mercearia também trazem objetos de fora do DF, como linguiça curada e vinhos. “Quando a gente abriu, não tinha nenhuma loja colaborativa para comida. Fomos a primeira. Nada mais era do que uma feira permanente, até porque todos que vendem aqui fazem e participam de feiras em outros lugares.”

Os colaboradores são de locais variados do DF: Novo Gama, Paranoá, Lago Oeste, Asa Norte, Asa Sul, Setor de Indústrias, entre outros. Os clientes também não são de um bairro apenas, o que foi potencializado pelo serviço de delivery que a mercearia passou a ofertar. “Temos conseguido chegar a outros bairros e atrair novos clientes por meio da entrega feita por parceiros”, conta Carol.
 
Salete Souza Cruz, moradora do Lago Sul, conheceu a Mercearia Colaborativa em uma feira no Brasília Shopping. “Gostei muito de uma farofa que comprei e só vi sendo vendida aqui. Desde então, venho comprar”, conta a moradora do Lago Sul. “Vou passar as férias em Aracaju e estou levando para o pessoal de lá experimentar porque eu comentei bastante!”, comenta, enquanto pede 10 pacotes da farofa de um colaborador da mercearia.
 
A cliente Salete e a atentende Carol (abaixo):
A cliente Salete e a atentende Carol (abaixo): "Só vi sendo vendido aqui", diz Salete sobre produto (foto: Ana Isabel Mansur/Esp.CB/D.A Press)
 
Carol percebe que a Mercearia Colaborativa foi abraçada por muitas pessoas que foram dispensadas de seus empregos e que precisavam de uma nova fonte de renda. “Abrimos pegando o gancho da crise”, conta. “Muitas pessoas têm receitas de família ou cozinham para amigos com uma culinária afetiva e queriam ver aonde chegariam com as vendas”, explica. “Temos colaboradores, por exemplo, que saíram para abrir unidade própria. Eu brinco que aqui é um mini-Sebrae”, orgulha-se a sócia. 

“Eles fizerem o teste sem precisar de um investimento inicial muito alto, de alugar loja, contratar funcionário e criar estrutura de cozinha.” A crise não atrapalhou as vendas. “As pessoas não deixam de comprar comida, mesmo com a crise. Talvez o tipo de compra que tenha mudado, de repente a pessoa não compra mais um vinho diferente ou uma cerveja cara”, reflete Carol. Para manter um espaço na Mercearia, é necessário pagar o aluguel e arcar com as taxas tributárias. A mensalidade dos nichos varia entre R$ 250 e R$ 500, para opções dentro dos freezers. As prateleiras custam R$ 300 por mês. De acordo com o volume das vendas, a taxação é maior.

Dependendo do fechamento de cada colaborador, é cobrado um percentual que varia entre 19% e 23%. O tempo mínimo de permanência por contrato é de três meses, renovado mensalmente. Carol acredita que o cenário colaborativo está só começando a fazer parte da vida das pessoas. “Eu acho que ainda vai pegar muito. Até criar essa cultura, é um processo intenso. A pessoa colaboradora precisa se envolver, é um trabalho coletivo.” Para ela, faz parte do gerenciamento de uma loja coletiva preparar o parceiro. “Não queremos ser só um ponto de venda, queremos que o colaborador desenvolva seu produto e vá para frente com ele.”

Um dos pontos de orgulho da trajetória da Mercearia Colaborativa é o gerenciamento de perdas. “Estamos lidando com produtos que têm prazos de validade. No começo, ficávamos arrasados quando eventualmente os alimentos se perdiam. Hoje em dia estamos quase no zero desperdício.” O próximo passo? “Estamos sendo muito assediados para abrir a segunda Mercearia. Talvez na Asa Sul mesmo. Já tivemos desenhos para ir para outros lugares interessantíssimos, mas ainda não deu”, diz Carol.

Colaboração no Plano

Aurea e Kacau na Brasília deCoração:
Aurea e Kacau na Brasília deCoração: "Difícil encontrar o que temos aqui em outros lugares" (foto: Ana Isabel Mansur/Esp.CB/D.A Press)
 

Desde maio de 2017, a Asa Norte tem mais um ponto colaborativo. Trata-se da Brasília deCoração, iniciativa de Rafaela Schenkel para vender artesanatos com detalhes de Brasília que fazia, com preço mais acessível em relação a outras lojas similares. A ideia extrapolou as lembranças brasilienses e tornou-se uma loja colaborativa, hoje tocada por Áurea Vasconcelos e Kacau Castro. Rafaela não mora mais na cidade e cedeu o uso do nome para a dupla. Áurea entrou no negócio em 2018 e Kacau, há pouco mais de um mês. Desde novembro do ano passado, a Brasília deCoração está na 407 Norte. O outro espaço, na 410 Norte, ficava nos fundos da comercial. “Estamos bem melhor aqui na 407, é uma rua mais movimentada e com o comércio mais diversificado”, observa Áurea.
 
 “Estamos com muitos produtos veganos agora também. Essa é uma rua com público forte nessa área. Queremos atrair as pessoas que frequentam a quadra e não reparam nas lojas que chegam”, comenta Kacau. As empresárias contam que a faixa etária da clientela mudou de uma quadra para outra. No antigo local, pessoas acima de 50 anos eram as maiores frequentadoras. No espaço atual, a média está na casa dos 30 anos. Para Áurea e Kacau, as feiras são essenciais para o sucesso de uma loja colaborativa.
 
Casal Moara e Alexandre: intenção de vender o produto dos colaboradores, não sua própria marca(foto: @moaralesaboaria/Instagran)
Casal Moara e Alexandre: intenção de vender o produto dos colaboradores, não sua própria marca (foto: @moaralesaboaria/Instagran)
 
“É onde conhecemos pessoas que querem ter um espaço na loja e possíveis clientes”, observa Kacau, que é formada em administração e produtora de eventos. Elas participam de feiras que tenham a ver com os segmentos dos produtos. Embora não seja o foco, muitos produtos encontrados na loja são artesanais, desde cosméticos até bijuterias. Uma das vantagens da produção em pequena escala, para elas, é a proximidade com quem produz. “Eu consumo muito aqui na loja, porque é difícil encontrar o que temos aqui em outros lugares”, conta Kacau. “Por nos conhecermos, eles apresentam os produtos e explicam como são feitos”, completa.

A maioria dos 23 parceiros que a loja têm hoje são mulheres, embora muitas marcas sejam lideradas por casais. É o caso da Moaralê, saboaria natural comandada por Alexandre Dafoe e Moara Giasson. O casal é colaborador da Brasília deCoração há cerca de um ano. Para ele, o modelo colaborativo precisa ter, de maneira mais clara, um objetivo de negócio. “As meninas da Brasília deCoração estão muito mais perto do ideal desse desenho, de como ser, de fato, colaborativo.

É muito importante que a intenção da loja seja vender os produtos dos colaboradores, não a sua própria marca”, pondera o bacharel em relações internacionais de 41 anos. “Estamos sempre em contato com outras pessoas que estão buscando uma nova forma de se sustentar, e as lojas colaborativas fazem parte disso”, destaca. O aluguel de um espaço no Brasília DeCoração custa entre R$ 120 e R$ 420; há 10% de taxa administrativa.  

 
*Estagiária sob supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa
*Colaborou Luiz Neto, estagiário sob supervisão de Ana Paula Lisboa

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