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UFG é a primeira pública a oferecer curso de inteligência artificial

Turma começará em 2020 em Goiânia. Universidade selecionará estudantes pelo Sisu. Campo é um dos mais promissores do mercado de trabalho


postado em 07/10/2019 14:00 / atualizado em 07/10/2019 15:53

O filtro de spam do seu e-mail, os mecanismos de busca na internet, programas antifraude do cartão de crédito. Tudo isso funciona com a ajuda da inteligência artificial (IA). A ferramenta está cada vez mais presente no dia a dia das pessoas e também das empresas. Pensando nisso, a Universidade Federal de Goiás (UFG) inova ao oferecer graduação na área. Trata-se da primeira instituição de ensino superior pública a ter um curso de inteligência artificial. A primeira turma goiana está prevista para começar no primeiro semestre de 2020. Os 40 estudantes serão selecionados por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que se baseia nas notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
 
Instituto de Informática da UFG vai ofertar o primeiro curso de inteligência artificial de uma universidade pública no país(foto: Divulgação/UFG)
Instituto de Informática da UFG vai ofertar o primeiro curso de inteligência artificial de uma universidade pública no país (foto: Divulgação/UFG)
 
O curso ocorre no período integral, no câmpus Samambaia, em Goiânia. Anderson Soares, professor de inteligência artificial do Instituto de Informática da UFG e presidente da comissão de elaboração do curso, explica que a graduação vem para suprir um deficit que existe no mercado de trabalho. Ele observa que, geralmente, a formação das pessoas que trabalham na área vem de programas de pós-graduação, e isso acaba restringindo a quantidade de profissionais disponíveis. Existem quatro tipos principais de inteligência artificial: robótica, processamento de linguagem natural, análise visual e aprendizagem de máquina. Os setores que mais têm utilizado a tecnologia são marketing digital, varejo e distribuição, marketplace, segurança e logística.

Para além desses ramos, as possibilidades de atuação são muito amplass. “Existe o uso de IA em praticamente qualquer setor, sobretudo os mais digitalizados. Mas o que mais tem se destacado é a aplicação na saúde, na automação de processos e na inteligência preditiva”, assinala o professor. Ele destaca também que a tecnologia tem sido usada no monitoramento de grandes plantações do agronegócio, indústria bastante forte no Centro-Oeste. O principal objetivo do novo curso da UFG, segundo Anderson, é oferecer a formação adequada para que os profissionais possam atender as demandas e ocupar novos postos de trabalho que estão sendo criados.

Tecnologia que fascina

Assim que soube do novo curso, Lucas Fernandes mudou sua escolha(foto: Arquivo Pessoal)
Assim que soube do novo curso, Lucas Fernandes mudou sua escolha (foto: Arquivo Pessoal)
Estudante do 3º ano do ensino médio no Colégio Einstein, em Goiânia, Lucas Fernandes, 18 anos, está se preparando para o Enem e já havia se decidido por cursar engenharia de software. Com o anúncio do novo curso, a graduação em inteligência artificial se tornou a primeira opção do jovem. “Até o ano passado, esse tema só era abordado dentro de cursos de ciência da computação, onde só se via a teoria. Agora, com essa novidade da UFG, fiquei bem empolgado.” Ele espera que o curso dê uma boa base tanto acadêmica quanto prática para atuar na área. “Eu estou esperançoso e animado, espero sair de lá com uma boa bagagem. Esse mundo da IA me fascina por envolver muita tecnologia e ainda filosofia e sociologia”, acrescenta, entusiasmado.|

O interesse principal de Lucas é a área de desenvolvimento de software atrelado à inteligência artificial, mas ele também considera interessantes projetos que são desenvolvidos no campo da saúde. Rafael Teixeira, 28, doutorando pelo programa de pós-graduação em ciência da computação da UFG,  desenvolve tratamento preventivo a doenças crônicas a partir do uso de inteligência artificial em seu trabalho de pesquisa. Ele avalia que a área tem muito potencial, mas ainda enfrenta resistência de profissionais. “Acredito que pela origem filosófica da medicina, ainda exista essa dificuldade”, diz. Ele explica que a tecnologia pode facilitar na identificação e na prevenção de doenças. “É como se fosse um médico treinado para atender a milhões de pessoas. A gente joga os dados em uma IA e ela consegue avaliar vários casos de uma vez só”, esclarece o pesquisador.

Perfil profissional

Robert Duque-Ribeiro, diretor-executivo e líder de Applied Intelligence da Accenture, sinaliza que é necessário que o profissional formado na área tenha não só o conhecimento técnico para desempenhar as tarefas de programação e execução das ideias, mas, principalmente, deve saber pensar e desenvolver soluções a partir do uso da ferramenta. A empresa que ele representa oferece serviços de estratégia empresarial, consultoria, digital, tecnologia e operações na América Latina. Robert espera que as formações em IA não sejam voltadas apenas para processos técnicos, mas estimulem também as habilidades criativas do profissional. 

O professor Anderson Soares coordena a comissão de elaboração do curso(foto: Márcia Borges/Divulgação)
O professor Anderson Soares coordena a comissão de elaboração do curso (foto: Márcia Borges/Divulgação)
“Quando eu recruto pessoas, dificilmente vou selecionar alguém que não tem mais do que um diploma e em quem não vejo vontade de buscar coisas novas.” Ele explica que o conhecimento não precisa necessariamente ser na mesma área de atuação. “Pode ser em algo completamente diferente”, observa. O professor da UFG Anderson Soares comenta que essas habilidades também são esperadas dos estudantes que pretendem ingressar no curso. “Esperamos pessoas que gostem de tecnologia, que tenham interesse em aprender o processo e os fundamentos da IA, mas, principalmente que gostem de resolver problemas.”

Potencial econômico

Em 2017, a Accenture fez uma análise de cinco economias sul-americanas e constatou que a IA tem o potencial de aumentar as taxas de crescimento no continente em até um ponto percentual por ano até 2035. No Brasil, a pesquisa estimou que a tecnologia pode aumentar o valor acrescentado bruto — diferença entre o valor da produção e o valor de consumo — em até US$ 432 bilhões no mesmo período. O setor público é o ramo com maior potencial de crescimento, em áreas como  saúde e mobilidade urbana.

Outros cursos

Em Brasília, o Centro Universitário Iesb tem uma graduação em ciência de dados e inteligência artificial, iniciada em fevereiro de 2018. Segundo o e-MEC (emec.mec.gov.br), portal do Ministério da Educação (MEC) que informa os cursos autorizados pela pasta, o Centro Universitário UniDomBosco oferece bacharelado na área a distância desde abril deste ano. A Escola de Matemática Aplicada da Fundação Getulio Vargas (Emap/FGV) começará a primeira turma do curso de ciência de dados e inteligência artificial em fevereiro de 2020. Assim como a UFG, há outras instituições que iniciarão formações em inteligência artificial, ainda sem data prevista: a Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) abrirá curso tecnológico a distância em big data e inteligência artificial; enquanto o Centro Universitário Curitiba (UniCuritiba) e o Centro Universitário Claretiano lançarão bacharelados em inteligência artificial presenciais.

 

*Estagiária sob supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa

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