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Correio Braziliense CRESCIMENTO

Média salarial de profissionais de TI chega a R$ 10 mil; veja a lista

Enquanto as oportunidades de tecnologia aumentam, faltam profissionais qualificado para ocupá-las. Quem se capacita lucra com bons salários


postado em 13/10/2019 17:43 / atualizado em 14/10/2019 13:01

Não é novidade que as profissões na área de TI (tecnologia da informação) estão em alta e são tendência para o futuro. Mas você sabe quais cargos são mais requisitados pelas empresas e como é possível se preparar para eles? De acordo com um levantamento do Instituto de Gestão e Tecnologia da Informação (IGTI), as cinco profissões que devem revolucionar o mercado de tecnologia nos próximos anos são profissional de big data e cientista de dados, profissional de machine learning, gestor de segurança em tecnologia da informação, gestor de inovação, arquiteto e engenheiro 3D.
 
Flávio trabalha com segurança da informação, um dos perfis mais cobiçados do mercado(foto: Vinicius Cardoso Vieira/CB/D.A Press)
Flávio trabalha com segurança da informação, um dos perfis mais cobiçados do mercado (foto: Vinicius Cardoso Vieira/CB/D.A Press)
 
O gerente acadêmico do IGTI, João Paulo Nascimento, explica que as empresas estão preocupadas em contratar profissionais qualificados para a área de tecnologia, principalmente no contexto da transformação digital. “Apesar da situação do país, com números não tão animadores em outros setores, a área de TI está experimentando uma alta bem consistente em vagas de trabalho”, diz.

Para se ter uma ideia, uma pesquisa da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) revelou que o setor de TIC (tecnologia da informação e comunicação) movimentou R$ 479 bilhões em 2018, o equivalente a aproximadamente 7% do Produto Interno Bruto (PIB). Além disso, de acordo com o levantamento, o macrossetor de TIC gerou 43 mil postos de trabalho no mesmo ano. 

Sobram vagas,falta qualificação 

(foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
 

Enquanto a oferta de vagas para TI é ampla, faltam profissionais qualificados para assumir esses postos. De acordo com a Brasscom, no período de 2018 a 2024, a demanda do mercado será de 420 mil trabalhadores — cerca de 70 mil ao ano. Hoje, o Brasil forma 46 mil pessoas em cursos da área de tecnologia nesse tempo. Para João Paulo Nascimento, mestre e doutor em modelagem matemática e computacional pelo Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG), uma das possíveis causas dessa desproporção é a falta de investimento das pessoas na formação extracurricular.

“O currículo da faculdade é importante, ele aborda os principais temas que o estudante precisa saber, mas o aluno precisa correr um pouco mais, buscar cursos extracurriculares para complementar a formação”, aconselha. Na avaliação da professora do Departamento de Administração da Universidade de Brasília (UnB) Débora Barem, a formação na área de TI “não é modesta”. Ela explica que esse mercado exige um nível de conhecimento bem especializado, um dos fatores que dificulta a capacitação da mão de obra. “Hoje, seja no Brasil, seja em outros países, há uma necessidade por esses profissionais. Tanto é que eles estão sendo muito bem pagos por isso”, comenta. “Há muita gente procurando, mas poucas pessoas têm qualificação, e isso é fundamental.”

Como se preparar

Diante desse cenário, especialistas aconselham os profissionais que se interessam por tecnologia a buscar capacitação na área. Há diversas opções para isso, desde videoaulas até cursos de graduação e pós-graduação. “Se você gosta, se você tem propensão, já comece desde cedo a fazer esses cursos. Há muitas opções baratas e até gratuitas”, sugere a professora da UnB Débora Barem. “Vamos pensar que você quer trabalhar como desenvolvedor de aplicativos, por exemplo. A Apple disponibiliza um curso completo para o IOS. O Android (sistema operacional desenvolvido pelo Google) oferece cursos básicos de programação com videoaulas. A própria Microsoft tem um catálogo enorme de cursos em tecnologia”, diz.

Ela ressalta, ainda, que, no setor de TI, há várias possibilidades de atuação. “Quando a gente fala no aprendizado sobre programação, não existe um único ramo. Por isso, a pessoa precisa identificar do que ela mais gosta”, explica. “Se eu vou para a área de segurança da informação ou vou desenvolver jogos digitais, os caminhos são diferentes”, exemplifica. De acordo com a especialista em mercado de trabalho, o mais importante é que a pessoa decida qual profissão se encaixa melhor no perfil dela.

João Paulo Nascimento, gerente acadêmico do IGTI, explica que há diversas opções na internet para quem deseja se qualificar na área. “A gente tem, por exemplo, desafios que são colocados em sites especializados no assunto. Os estudantes têm a possibilidade de resolver essas questões e colocá-las no portfólio”, comenta. De acordo com o mestre e doutor em modelagem matemática e computacional, essa é uma oportunidade de preencher o currículo sem necessariamente ter trabalhado na área.

Na avaliação do professor Pergentino Araújo, que ministra o curso de ciências de dados e inteligência artificial no Centro Universitário Iesb, o ensino superior é a melhor forma de se preparar para os cargos na área de TI. “Acredito que essa seja a maneira mais adequada para que você se torne apto para ser contratado”, opina. “A demanda é muito grande, mas há muitos profissionais ruins na área. São pessoas que, por conta própria, tentam aprender uma tecnologia, sem embasamento algum”, acrescenta. O professor, que faz pós-doutorado em ciência da computação na UnB, explica que esses profissionais acabam não se mantendo no mercado.

Reciclagem profissional

"Apesar da situação do país, com números não tão animadores em outros setores, a área de TI está experimentando uma alta bem consistente em vagas de trabalho" João Paulo Nascimento, gerente acadêmico do IGTI (foto: IGTI/Divulgação)
 

Não é apenas quem deseja ocupar um cargo de TI que precisa se capacitar em relação às novas tecnologias. O conselho dos especialistas vale para todos os profissionais que desejam se manter no mercado. “Eu não consigo ver um trabalhador que não tenha algum tipo de conhecimento nessa área em um futuro um pouco mais distante”, afirma a professora Débora Barem. De acordo com ela, não é necessário saber especificamente sobre programação, mas deve-se ter a condição de entender ou, pelo menos, de conversar sobre esse mundo. “Não dá para viver à margem desse paradigma, achando que ele não está acontecendo, porque ele está”, alerta. “Então, cada profissional, em sua área, pode começar a entender um pouco disso.”
 
"Hoje, seja no Brasil, seja em outros países, há uma necessidade por esses profissionais. Tanto é que eles estão sendo muito bem pagos por isso" Débora Barem, professora do Departamento de Administração da UnB (foto: Ubaldo Barem Filho/Divulgação )
 
O professor do Iesb Pergentino Araújo concorda que os conhecimentos em tecnologia são importantes para quaisquer áreas. “Tudo hoje em dia envolve computação. Nem que seja no mínimo, você está trabalhando com um computador”, diz. “É interessante que os profissionais busquem algum tipo de curso que possa dar essa base para que eles saibam operacionalizar um computador”, completa. De acordo com João Paulo Nascimento, gerente acadêmico do IGTI, a reciclagem profissional é muito importante nesse cenário. “Mesmo as áreas que não estão diretamente relacionadas às novas tecnologias, daqui a um tempo serão afetadas por elas. Isso é fato. Então, quando isso acontecer, os profissionais precisam estar preparados”, opina.

Vou perder meu emprego para um robô?

Na opinião de especialistas, é inevitável que algumas ocupações — principalmente as que envolvem atividades muito repetitivas ou insalubres — sejam mecanizadas no futuro. No entanto, novas ocupações surgirão e os profissionais podem se recolocar no mercado. “Eu não acredito que a tecnologia vai diminuir a quantidade de empregos. Pelo contrário, acredito que o número de ocupações vai aumentar, principalmente aquelas ligadas à área de TI”, opina o professor Pergentino Araújo. “É claro que algumas atividades básicas vão ser automatizadas, como aconteceu com a Revolução Industrial. No entanto, vale ressaltar que a inteligência artificial não vem para substituir 100% o ser humano, ela vem para apoiá-lo.”
 
 
Na visão da especialista em mercado de trabalho Débora Barem, a crença de que as máquinas substituirão os seres humanos é mais um medo do que uma realidade. “Durante a vida inteira, a tecnologia veio para se somar aquilo que o homem tem de mais brilhante, que é a forma criativa de resolver problemas. Ela vem para facilitar nossa vida, não para nos substituir”, analisa. Ainda segundo a professora, isso não significa que algumas profissões não possam ser extintas. Ela cita como exemplo o caso do cobrador de ônibus. “Várias cidades do Brasil já não têm mais trocador. Nossa responsabilidade social é treiná-lo para que ele não fique sem emprego”, explica. “Mas a tecnologia não vai parar. Ela veio para facilitar nossa vida”, acrescenta.

Empreendedorismo e tecnologia

"No fim do dia, sua residência detecta que você está a caminho e liga o ar-condicionado, liga as luzes, destrava as portas" Flávia Torres, dona de empresa que equipa casas inteligentes (foto: Arquivo Pessoal)
 

Desde criança, Flávia Torres Ferreira, 39 anos, se interessa por tecnologia. Hoje, ela torna casas inteligentes, equipando-as para prover comodidades aos moradores. Bacharel em ciência da computação pela Universidade Católica de Brasília (UCB), ela decidiu investir no setor e criou uma empresa que desenvolve projetos e instalações de sistemas de energia fotovoltaica, sistemas de segurança eletrônica, automação, telecom, áudio e vídeo — a C&T Estação Solar.
 
De acordo com a empresária, a proposta do negócio é conectar economia, segurança e conforto de uma maneira sustentável. “Você já se deu conta de quantos dispositivos ‘conversam’ entre si? Essa convergência de comunicação é a base da IoT (Internet das Coisas) e foi pensando nesse princípio que surgiu a empresa”, conta. A brasiliense explica que a automação residencial consiste em utilizar tecnologia para facilitar tarefas habituais.

“Hoje, você já nem precisa dar comandos. Pelo posicionamento do GPS do seu celular, é possível criar rotinas e sua casa ou escritório se prepara para te receber”, diz. “No fim do dia, sua residência detecta que você está a caminho e segue a rotina: liga o ar-condicionado para que você chegue e tenha um ambiente agradável, aciona o preparo do jantar, liga as luzes, aciona a banheira para que você possa tomar um banho aconchegante, abre o portão para o seu veículo, destrava as portas…”, exemplifica.

“Além disso, você é recebido com um café de aroma especial e sua música ambiente preferida.” Antes de empreender, a brasiliense trabalhou no Banco do Brasil e na Embratel, onde reforçou o portfólio em tecnologia. Além da graduação na área,  fez quatro cursos de profissionalização: informática industrial, na Escola Técnica de Brasília (ETB); sistemas eletrônicos de segurança, FrontEnd e eletricista de sistemas fotovoltaicos em microgeração em off-grid, no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

Futuro cientista de dados

(foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
 

Carlos Henrique Carneiro Costa, 19, faz parte da primeira turma de graduação em ciência de dados e inteligência artificial do Centro Universitário Iesb, uma das áreas de TI mais promissoras para os próximos anos, de acordo com o levantamento do IGTI. Depois do curso, ele estará apto a analisar e interpretar dados de uma empresa, traduzindo-os para uma linguagem mais acessível e gerando informações a partir deles.

Desde o ensino médio, Carlos sabia que queria seguir carreira na área de TI. A escolha por ciência de dados veio após uma conversa com o irmão. “Inicialmente, eu queria cursar engenharia de software na UnB, mas acabei não passando pelo PAS (Programa de Avaliação Seriada) e fiquei perdido por um tempo”, relata. “Meu irmão já trabalhava na área e me falou sobre o curso de ciência de dados, especificamente sobre a graduação do Iesb, que era nova na época”, acrescenta.

O estudante, então, pesquisou sobre a profissão e se interessou, principalmente porque, de acordo com ele, a ciência de dados é uma área ampla e tem diversos campos de atuação, além de ser inovadora. Atualmente no 4º semestre da graduação, o jovem participa de um projeto de iniciação científica com o objetivo de identificar as principais causas de reprovação em matérias de exatas na instituição de ensino. “Aqui no Iesb, os cursos dessa área têm muita evasão, principalmente por causa de disciplinas como cálculo e álgebra”, relata.

“A gente vai coletar grandes bases de dados sobre os alunos para tentar entender por que eles reprovam nessas matérias: se eles não têm tempo de estudar, se vêm para a aula muito cansados…”, acrescenta. “Nós já até temos ideias da causa, mas não temos dados, e isso a ciência de dados pode nos proporcionar.” Carlos conta que está gostando muito da graduação. “Principalmente por ser um curso novo, estamos recebendo muito apoio.” Quando se formar, ele quer continuar estudando — o jovem pretende fazer mestrado e doutorado na área.

Segurança da informação

"Hoje você faz pagamentos, transferências bancárias e, até mesmo, compra imóveis pela internet. Existe todo um cuidado para que essas informações não vazem" Flávio Rodrigo Barbosa, analista de segurança da informação (foto: Vinicius Cardoso Vieira/CB/D.A Press)
 

“Eu sempre gostei muito da área de TI, sempre fui muito curioso em relação à tecnologia. Essa curiosidade acabou despertando interesse, então eu escolhi minha profissão por amor e identificação com a carreira”, conta Flávio Rodrigo Barbosa, 34. Graduado em rede de computadores, o goiano é analista de segurança da informação na empresa de informática NCT, que é procurada por outras instituições para prestar, entre outros serviços, o de proteção de dados.
 
“A cada dia que passa, a gente tem mais necessidade desse tipo de profissional porque a quantidade de informações cresce muito”, explica Flávio. “Hoje você faz pagamentos, transferências bancárias e, até mesmo, compra imóveis pela internet. Por trás disso, existe uma infraestrutura muito grande, existe todo um cuidado para que essas informações não vazem”, acrescenta. O analista, que, anteriormente, era militar e trabalhava na área de redes do Exército, conta que grande parte dos clientes dele são governamentais, o que exige responsabilidade.

“Existe um cuidado muito grande com esses dados. Uma informação dessas na mão errada pode gerar um escândalo político”, diz. De acordo ele, a empresa onde trabalha sente o drama para contratar profissionais da área de TI. “Há vagas disponíveis que a gente não preenche. Elas pagam muitíssimo bem, mas a gente não encontra profissionais específicos, ou por causa da formação, ou porque eles ainda estão muito imaturos para lidar com esse teor de informação”, relata.

Palavra de especialista

Carolina Carioba, diretora de RH da OLX(foto: OLX / Divulgação )
Carolina Carioba, diretora de RH da OLX (foto: OLX / Divulgação )
Visão empresarial: é difícil contratar e reter

“A dificuldade para contratar profissionais de TI existe porque há demanda muito alta, mas não há tantos profissionais. Para a área de TI, a gente não prioriza uma tecnologia específica na hora da contratação. A nossa avaliação leva mais em conta capacidade analítica e lógica, do ponto de vista da tecnologia, do que uma experiência específica. Conseguimos contratar, mas demanda muito tempo e dinheiro. Por isso, estamos sempre pensando em maneiras de melhorar o recrutamento. A gente também investe na formação e no desenvolvimento para a retenção desses profissionais. É difícil mantê-los — acredito que isso seja uma realidade em todas as empresas de tecnologia —, porque, como há uma grande oferta de vagas,  eles recebem propostas todos os dias. O que a gente faz é proporcionar oportunidades de crescimento, reavaliar o pacote de remuneração e benefícios, para ter certeza de que está alinhado com as melhores práticas do mercado.”
 
Carolina Carioba, diretora de RH da empresa de comércio  eletrônico OLX

 

*Estagiária sob supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa

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