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Correio Braziliense ENSINO SUPERIOR

Universidades estrangeiras oferecem bolsas para brasileiros

Confira oportunidades de estudo e dicas de especialistas para se dar bem no exterior.


postado em 03/11/2019 16:17 / atualizado em 14/11/2019 18:05

Fazer uma graduação fora do país é o sonho de muitos brasileiros. No entanto, o elevado custo de estudar e viver no exterior desencorajam vários interessados e tornam a faculdade internacional um sonho distante. Para se ter uma ideia, anuidade, taxas, moradia e alimentação na Universidade Harvard, uma das instituições de ensino mais prestigiadas do mundo, é de US$ 67.580 (aproximadamente R$ 271.576). Isso não inclui gastos com transporte, despesas pessoais e livros escolares. A boa notícia é que diversas universidades internacionais ofertam bolsas parciais ou integrais de estudo para alunos estrangeiros.
 
(foto: Divulgação/Universidade do intercâmbio,Harvard International Relations Council/Divulgação,Nicolas Braga/Esp. CB/D.A Press,Manoel Guimarães/Divulgação )
(foto: Divulgação/Universidade do intercâmbio,Harvard International Relations Council/Divulgação,Nicolas Braga/Esp. CB/D.A Press,Manoel Guimarães/Divulgação )

Há ainda casos de instituições que oferecem auxílio para ajudar com o custo de vida no país. Apesar de reunir as universidades mais caras do mundo, os Estados Unidos são também o país mais generoso em termos de bolsas. De acordo com a Fulbright Comission, há mais de 600 universidades norte-americanas que oferecem auxílios maiores do que US$ 20 mil (aproximadamente R$ 80 mil) para alunos internacionais. Entre elas, 250 ofertam bolsas integrais. Isso torna o país um dos destinos mais procurados pelos brasileiros para fazer graduação. Outros lugares que estão na lista dos favoritos são Canadá, Inglaterra, Holanda, Nova Zelândia, Austrália, Inglaterra, Holanda e Portugal.

Acompanhamento durante a aplicação

 

Há diversas empresas que oferecem acompanhamento ao interessados em se candidatar para universidades do exterior. Há também instituições que disponibilizam esse serviço gratuitamente. É o caso da Fundação Estudar, por meio do programa Prep Estudar Fora. “Por meio de cursos de aproximadamente um ano, a gente acompanha esses jovens para que eles possam completar a candidatura, que é um pouco complicada”, explica a coordenadora do Prep Estudar Fora, Juliana Kagami. “Os benefícios incluem preparação com especialistas da Fundação Estudar; auxílio de um mentor individual — uma pessoa já aprovada em uma universidade de prestígio lá fora; aulas de preparação para os testes e apoio de uma rede de alunos que também estão se candidatando para instituições internacionais”, acrescenta. Ela explica, ainda, que os jovens que necessitam de auxílio financeiro podem receber bolsa para custear tanto o processo seletivo, que não é barato, quanto a faculdade.
 
 

Anote!

Inscrições para participar do Prep Estudar Fora até 16 de dezembro pelo link: 
 
Pré-requisitos:
» Estar no penúltimo ou último ano do ensino médio em 2019;
» Estar se preparando para enviar a candidatura no ciclo de 2020-2021;
» Apresentar alto desempenho acadêmico ao longo do ensino médio;
» Apresentar histórico relevante de participação em atividades extracurriculares;
» Ter excelente domínio do inglês.

Passo a passo

A gerente da consultoria educacional Crimson Education no Brasil, Laila Parada Worby, dá algumas dicas para estudantes do ensino médio que sonham em fazer a graduação em uma universidade estrangeira

Preparatório 

A Associação de Estudantes Brasileiros no Exterior (Brasa, em inglês) oferece apoio a jovens que desejam se formar em uma universidade internacional. Por meio do programa Brasa Pré, os candidatos recebem mentoria de estudantes que já passaram no processo de candidatura de instituições de ensino superior prestigiadas internacionalmente. O processo seletivo para participar do programa é feito no início do ano e inclui redação e entrevista. Mais de 400 alunos já passaram pelo Brasa Pré e 85% foram aceitos nas melhores faculdades dos Estados Unidos, muitos com bolsa.
 
Atenção às notas 
As instituições de ensino superior estrangeiras costumam analisar as médias acadêmicas dos candidatos desde o 9º ano até a 3ª série do ensino médio. Por isso, é importante garantir boas notas no boletim. “Para o vestibular brasileiro, as notas que você tirou no ensino médio não importam tanto. O aluno que deseja fazer uma graduação no exterior, no entanto, precisa focar o desempenho acadêmico na escola”, afirma Laila. “Se o processo seletivo incluir algum tipo de prova, também é importante começar a se preparar desde cedo”, completa. Ela recomenda que os candidatos procurem questões antigas do mesmo processo seletivo como forma de treino.

Pratique atividades extracurriculares
As atividades que os estudantes desenvolvem fora da sala de aula também contam muito na hora de aplicar para uma universidade internacional. Valem trabalhos voluntários, olimpíadas, simulações da ONU, esportes, gincanas culturais... O importante é investir em atividades que ajudem na formação e desenvolvimento pessoal. “Isso é fundamental, sobretudo, para as universidades norte-americanas, mas também pode ser relevante para países como Inglaterra e Canadá”, explica a gerente da Crimson Education no Brasil. “As universidades querem ver se o aluno tem histórico de liderança e engajamento.” Quanto antes o estudante puder investir nessas atividades, melhor. “Um aluno que se interessa por física, por exemplo, e faz a primeira olimpíada no terceiro ano do ensino médio dificilmente vai conseguir algum destaque”, afirma Laila. “Começar com essas atividades desde cedo ajuda o candidato a ter conquistas cada vez maiores quando chegar ao fim do ensino médio.”

Invista em língua estrangeira
Para estudar em uma universidade do exterior, não basta saber “se virar” com o idioma local. Além de o processo seletivo incluir, em geral, provas e redações na língua estrangeira, as instituições costumam exigir certificado de proficiência. “O aluno precisa focar bastante o idioma que vai falar durante a faculdade. Às vezes, as pessoas até se esquecem da importância do inglês como um critério de processo seletivo”, explica, em referência às universidades estadunidenses. “É exigido um nível de inglês avançado, que vai permitir ao aluno se expressar em sala de aula, falar com o professor, fazer trabalhos e leituras e, inclusive, socializar com os colegas.”

E depois da graduação?

 

Os jovens que decidem retornar ao Brasil depois do ensino superior têm vantagens na hora de competir no mercado de trabalho. “Geralmente, ter uma formação no exterior chama a atenção das empresas”, explica Juliana Kagami, coordenadora do Prep Estudar Fora. “Isso vai depender do estabelecimento e da ocupação que ele está procurando, mas, em geral, pode receber um salário um pouquinho mais alto ou algum outro tipo de reconhecimento”, acrescenta. A Fundação Estudar aconselha àqueles que fizeram a graduação em instituições internacionais retornar ao Brasil para aplicar os conhecimentos aqui.

De acordo com Laila Parada Worby, gerente da Crimson Education, os alunos que cursam o ensino superior lá fora estão mais capacitados em termos de conhecimentos interculturais, que incluem a capacidade de socializar com pessoas de diferentes culturas. “Os jovens que estudam nessas universidades, altamente internacionalizados, entram no mercado de trabalho com essa soft skill importantíssima.”

Por outro lado, as oportunidades de trabalho para os estudantes que decidem continuar no exterior dependem do país e da área de atuação. “Um dos locais onde a gente vê boas políticas nesse sentido é o Canadá. Lá, o aluno que fizer uma graduação consegue ficar por até dois anos trabalhando e, depois, pode entrar com um pedido de residência permanente”, explica Laila. Nos Estados Unidos, os estudantes têm a oportunidade de passar entre um e três anos trabalhando na área da graduação depois da formatura.

“O aluno que se graduar em uma instituição estadunidense, automaticamente, pode residir e trabalhar legalmente nos Estados Unidos por um ano. Depois, ele teria de entrar em um processo de visto de trabalho”, afirma. “Se o aluno fez um curso na área de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, ele consegue estender esse período para até três anos”, acrescenta. A gerente da Crimson Education explica, ainda, que os cargos na área de tecnologia, normalmente, são os que mais empregam.

Oportunidades

Estude na Nova Zelândia
A Massey University, da Nova Zelândia, aceita inscrições até 1º de dezembro. Interessados em fazer cursos como jornalismo, sociologia, design, produção musical, produção de mídias e outros podem concorrer a benefícios de graduação e pós.  Para concorrer, os estudantes devem ser aprovados no processo seletivo da universidade e comprovar mérito acadêmico. Os auxílios cobrem cerca de 10 mil dólares neozelandeses em pós-graduações e 20 mil em graduação. Inscrições
 
Curso de curta duração nos EUA
A California State University em Northridge, nos EUA, em parceria com a escola de negócios IBS Americas, oferece bolsas de estudo para cursos de curta duração entre janeiro e julho. Todos os programas têm duração de três semanas e são destinados a alunos de graduação e profissionais graduados com interesse nas áreas de marketing, comunicação, administração e marketing digital. A bolsa é de 50%. O investimento é de US$ 3.240 e pode ser parcelado em até 16 vezes. Será oferecido um módulo de business english. As inscrições podem ser feitas até 31 de dezembro no link 
 
Aceitando a nota do Enem
Há pouco tempo, a New York University começou a aceitar a nota do Enem para as candidaturas de estudantes brasileiros. Neste caso, a nota do Enem substituirá as provas padronizadas (SAT ou ACT). Como a NYU tem um amplo programa para o ingresso de estudantes vindos de diversas partes do mundo, eles criaram a Test Flex Policy, que permite aceitar exames de outras nacionalidades. Os brasileiros agradecem a iniciativa. Acesse: para saber como se candidatar para a NYU. 

Bolsas e prazos:
» Nos meses de agosto a novembro, fundações e universidades começam a oferecer bolsa de graduação, mestrados e pós-graduação em geral. A dica é inscrever-se em sites que divulgam essas ofertas. No site da Fundação Estudar (estudarfora.org.br), você poderá encontrar as principais ofertas de bolsas parciais e integrais em diferentes países. Leia tudo com atenção, avalie que oportunidades se enquadram no seu perfil e boa sorte.

A minha experiência lá fora

Confira vivências de estudantes que estão ou já voltaram do exterior e também de quem está se preparando para seleções que podem garantir uma vaga numa instituição estrangeira

Sonho realizado 

 

Aos 16 anos, Pedro Luís Cunha Farias passou em Harvard para matemática aplicada à economia, com um curso secundário em ciência da computação e um terciário em alemão. Ele recebeu uma bolsa da Fundação Estudar para ajudar na graduação. O brasiliense cursou o ensino médio na escola americana e conta que, desde os 12 ou 13 anos, já sonhava em estudar na instituição de ensino reconhecida mundialmente. Pedro tirava boas notas na escola, mas afirma que nunca foi “nerd” — ele costumava prestar muita atenção às aulas para que não precisasse estudar tanto em casa. “Nunca fui desses alunos que gostam de estudar. O que eu fazia e que dava certo para mim era focar durante as aulas. É óbvio que isso varia de pessoa para pessoa”, relata ele, que tem 20 anos

Para além das notas, Pedro investiu nas atividades extracurriculares durante o ensino médio. Praticava vôlei e piano, atuava em projetos sociais e era um participante assíduo de simulações da ONU. Inclusive, ele foi o responsável pela criação do BSBMUN, a conferência de simulação das Nações Unidas organizada anualmente pela Escola Americana de Brasília. “Como os estudantes moram no câmpus de Harvard por cerca de quatro anos, a universidade quer pessoas que, além de tirar notas boas, contribuam com a comunidade”, diz. “Então, eles escolhem candidatos que não vivem somente de livros, mas que tenham desenvolvido liderança e dedicação à coletividade.”

Atualmente, Pedro é presidente da Harvard International Relations Council, uma organização que promove a educação em relações internacionais. Entre outros serviços, a ONG organiza conferências de simulação da ONU em países como China e Dubai e oferece aulas para alunos do ensino fundamental nas regiões mais pobres de Boston. A sugestão dele para quem sonha em cursar a graduação no exterior é, primeiramente, entender o porquê. “Os sistemas educacionais são diferentes e eu acho que nem sempre estudar fora é a melhor opção”, opina. Ele explica que, no caso dos Estados Unidos, a formação permite que o estudante tenha contato com outras áreas do conhecimento além da escolhida.

“No Brasil, você é aprovado em determinado curso, faz as aulas da sua grade e é isso. Você se forma muito bem na área, talvez até melhor do que uma pessoa que faça a mesma graduação nos Estados Unidos, no sentido de que você é mais expert naquele assunto”, explica. Segundo Pedro, entretanto, os estudantes de universidade brasileiras não têm tanta exposição a áreas acadêmicas diferentes da que ele escolheu, como ocorre nas instituições estadunidenses. Além disso, de acordo com o estudante, quando o candidato entende por que quer estudar fora, ele pode traçar metas mais tangíveis para alcançar esse objetivo.

A outra dica do presidente da Harvard International Relations Council é pesquisar sobre oportunidades em diferentes instituições. “Eu queria muito Harvard, mas apliquei para 15 universidades, porque eu sabia que a probabilidade de passar lá era muito pequena”, conta. “Grande parte da experiência de estudar fora independe da universidade”, completa. Ele escreveu um livro junto a uma consultora educacional intitulado O guia completo para graduação nos Estados Unidos: tudo que você quer ou precisa saber para estudar na terra do Tio Sam. A obra mostra o passo a passo do processo de aplicação para universidades norte-americanas e dá dicas de como se destacar na seleção.

Na estante

O guia completo para graduação nos Estados Unidos — tudo que você precisa saber para estudar na terra do Tio Sam
Autores: Marcia e Pedro Farias
Editora: Amazon Publishing
e-Book — R$ 10
Impresso — R$ 40

É importante buscar ajuda

 

Henrique Brito Leão, 20, escolheu como destino a Itália. Ele está no quinto semestre de economia e finanças na Bocconi University, em Milão, onde recebeu uma bolsa integral. O desejo de fazer a graduação fora surgiu no 9º ano. “Foi algo bem informal no início, mas tomou forma com o tempo”, diz. O estudante cursou o ensino médio em uma escola particular de Belo Horizonte e conta que sempre tirou notas boas. No último ano, no entanto, ele sentiu dificuldades para coordenar a preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a aplicação para universidades estrangeiras e o estudo para as provas. “Estudava regularmente para as avaliações do colégio, que ocorriam mais ou menos de 15 em 15 dias, e usava o tempo livre para preparar as cartas de motivação, cartas de recomendação e a documentação necessária”, relata.

Na escola, Henrique também investiu nas atividades extracurriculares. Praticava Krav Magá e fazia aulas de inglês para se preparar para o Toefl (exame de proficiência), além de ter ajudado a organizar uma simulação das Nações Unidas. A principal sugestão dele para jovens que sonham em estudar fora é buscar ajuda. “O processo de aplicar para uma universidade estrangeira é muito diferente e bem mais complexo. Por isso, acaba que nem nossos pais conseguem nos ajudar tanto para além do apoio emocional”, opina. “Existem programas de mentoria gratuitos oferecidos por entidades como a Brasa ou a Fundação Estudar. Além disso, existem grupos no Facebook, como o BSCUE, em que várias dúvidas são sanadas”, sugere.

“Quero Conhecer novas culturas”

O estudante Davi da Paz Magalhães, 17, cursa a terceira série do ensino médio no Colégio Sigma e está se preparando para aplicar para instituições de ensino superior estrangeiras. Ele está na etapa de escolher as universidades. Davi já tem um destino no topo da lista de opções: a Universidade de Windsor, em Ontário, Canadá. Para alcançar esse objetivo, o estudante conta com o apoio da empresa Daquiprafora. “Eles me orientam em processos como tradução de documentos e preparação para exames”, diz.

Davi deseja estudar engenharia automotiva, pois o curso reúne dois de seus principais interesses: carros e matemática. O estudante, que toca guitarra, canta e joga basquete, pretende trabalhar no Canadá depois da graduação. “Acredito que a melhor parte (de morar fora) seja conhecer uma nova cultura. Além disso, os recursos das universidades de lá são bem estruturados, e as oportunidades de empregabilidade são bem superiores às daqui”, opina.

Mentoria antes de ir

Daniel Sneyers, 21, concorreu a vagas em mais de 20 faculdades no exterior e passou para 15, sendo cinco com bolsa. Ele escolheu a Northeastern University, em Boston, onde cursa dupla-titulação de graduação e mestrado em engenharia de produção com auxílio integral. O estudante recebeu mentoria por meio do programa Brasa Pré e atualmente ajuda, pela mesma iniciativa,  jovens que desejam cursar a graduação no exterior. Daniel conta que sempre sonhou em estudar fora e começou o processo de aplicação na segunda série do ensino médio, na escola onde estudava, em São Paulo. “Teve um mentor da Brasa (Associação de Estudantes Brasileiros no Exterior) que me guiou durante todas as etapas. Ele me ajudou a escrever as redações (escrevi exatamente 47) e me deu o suporte necessário”, relata.

Durante a graduação, Daniel passou uma temporada no Brasil, onde fez estágio em consultoria estratégica na Bain & Company. “É bem difícil entrar nessa empresa, eles valorizaram muito o fato de eu ter estudado fora.” Ele também estagiou na equipe de produção da Apple, no Vale do Silício, e conta que gostou muito da experiência. “Nunca sonhei que teria a oportunidade de trabalhar na Apple. Foi incrível”, comemora. Daniel ainda está incerto em relação ao que fará depois da formatura, mas, eventualmente, pretende voltar ao Brasil para aplicar aqui o que aprendeu nos Estados Unidos. “Esse é um dos objetivos do Brasa”, diz.

“Em geral, é muito fácil pensar que (passar em uma universidade internacional) é impossível. Realmente, as ‘top 10’ faculdades dos Estados Unidos aceitam poucos estudantes estrangeiros por ano, mas há milhares de outras que querem muito ter brasileiros”, afirma Daniel. “É possível passar com muito esforço, determinação, organização, planejamento e tempo.”

Paixão pelos estudos

 

Nascido no interior de São Paulo, Matheus Tomoto, 29, fez os ensinos fundamental e médio em escola pública. Ele conta que o ensino era “bem ruim” — não teve aulas básicas como história e geografia em alguns períodos. “O interessante é que, naquela época, eu achava que aquilo era o melhor de tudo, porque eu não sabia que existiam outras oportunidades”, relata. “Eu nunca fui um bom aluno, até porque não tive incentivo. Era aluno de notas seis ou sete”, acrescenta.

“Quando, aos 16 anos, eu percebi que a escola não estava me dando o suporte de que precisava, tentei estudar por conta própria, foi aí que tudo começou a se encaminhar na minha vida.” Aos 18 anos, Matheus recebeu uma bolsa integral para cursar engenharia mecânica em uma faculdade de Sorocaba. Aos 22, conseguiu outro auxílio para terminar a graduação na Universidade Purdue, em Indiana, nos Estados Unidos. Ele afirma que o maior desafio foi aprender inglês. “Como tive uma origem muito simples, nunca tinha tido acesso a esse idioma”, conta. O pesquisador aprendeu a língua estrangeira sozinho em três meses. “No Brasil, eu me sentia muito desqualificado. Com 22 anos, nunca tinha conseguido um estágio na minha área”, diz.

“Em seis meses nos Estados Unidos, recebi propostas para fazer pesquisas em faculdades muito boas, como MIT e Yale”, completa. “Também recebi ofertas em empresas como Amazon.” De acordo com Matheus, que fez PhD em Harvard e, atualmente, é mentor de jovens que desejam estudar no exterior, os sistemas de seleção no Brasil são muito “quadrados” — levam em consideração apenas notas e provas. No exterior, as universidades estão preocupadas com outras habilidades dos estudantes, que vão além da escola. “Quando eu apliquei para fora, tive a oportunidade de contar minha história para eles porque isso faz parte do processo seletivo estadunidense”, diz. “Apesar de não ter sido um aluno nota 10, tive muita vivência. Eles valorizaram muito isso.”
 
 
 
*Estagiária sob a supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa   

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