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Correio Braziliense

Confira dicas para passar em uma universidade estrangeira


postado em 03/11/2019 18:50 / atualizado em 06/11/2019 18:44

Janini Garcia, consultora de viagens da Global Learning Assessoria e Treinamento e professora de espanhol do Centro Educacional Sigma, posta dicas de viagem no Instagram @janinigarcia e preparou um roteiro para quem quer conseguir. Confira dicas:

(foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)
Fazer uma universidade em outro país é um sonho para vários jovens! Uma empreitada que exige muita pesquisa, preparação acadêmica, vontade, poder de decisão, diligência para cumprir com todos os prazos e uma boa reserva financeira. Sabe-se que a maratona vale a pena, já que o fim da jornada traz não só um diploma muito valorizado por aqui, mas também a proficiência acadêmica em um idioma; a visão de mundo ampliadíssima e uma grande facilidade de adaptação a quase qualquer circunstância.
 
Características essas que são essenciais aos líderes do século 21. Porém até que a jornada de quatro anos em outro país termine, os primeiros quilômetros passam por conseguir ser aceito em uma instituição ao redor do mundo. O início dessa caminhada vem cheio de perguntas: para onde ir? Qual universidade escolher? Qual curso? O que preciso ser ou fazer para começar o processo de candidatura? Essas são algumas perguntas que queremos judar a responder para tornar o sonho possível. Vamos lá?

Ultrapassando limites

Janini fez graduação em publicidade e relações públicas na Espanha entre 1997 a 2000. Confira relato:

“Na Espanha, para fazer a candidatura, o aluno estrangeiro precisa, primeiro, ser aprovado em uma universidade em seu país de origem. Prestei vestibular no Rio de Janeiro para comunicação social e comecei a juntar documentos. Fiz uma entrevista em espanhol com o coordenador do curso de RP e publicidade da universidade. A internet ainda estava em seu início. Então, sim, amigos, eu fui pessoalmente à Barcelona para dar entrada na minha candidatura. Estudei relações públicas e publicidade na Universitat Autònoma de Barcelona (UAB), subsidiada pelo governo da Catalunha. Todas as minhas aulas eram em catalão, o que me fez começar a aprender mais uma língua. O melhor, fazia aulas de catalão de graça em um programa do governo.  A taxa de anuidade era — e é até hoje — muito baixa, assim, de fato, foi mais barato me manter como estudante na Espanha do que no Brasil. Incrível, não?! Bem, a palavra que me vinha à cabeça na primeira semana em Barcelona era saudade. No segundo mês, a palavra era autonomia. Seis meses depois: orgulho. Nos meses e anos seguintes, senti: contentamento, liberdade, responsabilidade, diligência, resiliência, fé, conhecimento... Minha vida nunca mais seria igual depois daquele precioso tempo longe de casa e de crescimento pessoal rápido e absurdo. Aprender a conviver com gente de diferentes culturas não tem preço. Nem tudo foram flores, mas, a cada experiência aparentemente incômoda, eu ficava mais forte e consciente de como a vida é. Não há como ser o mesmo depois de uma experiência dessas.”

Escolhendo o destino e o curso

Ótimo, você já decidiu que vai estudar fora. Já convenceu a família de que isso é o melhor para a sua vida e agora sairá em busca dos seus sonhos. Ok, iniciaremos a jornada! Primeira parada: escolher o país, afinal, para quem não sabe o destino, qualquer lugar serve, já diz o ditado. Dessa forma, verifique se o país sonhado tem instituições relevantes na carreira escolhida. Não adianta tanto esforço e dinheiro aplicados em uma instituição que não valha a pena.

Por isso, pesquisar é tão importante. Visite os sites das universidades, verificando se nelas há programas específicos para o ingresso de alunos estrangeiros, os tipos de cursos oferecidos, a duração, os valores anuais e taxas de inscrição, os planos de estudo, as possibilidades de alojamento dentro do câmpus. Veja também as formas de contato direto com a instituição para esclarecimento de dúvidas pontuais durante o processo de candidatura. Se a escolha do país e da universidade ainda não foi feita, a dica é passar o pente-fino nos sites de buscas acadêmicas dos diferentes países.

Acesse!

Se o destino escolhido for os Estados Unidos, os sites collegeboard.org e o usnews.com/education podem abrir um pouco os horizontes. Para a Europa, o studyineurope.eu proporciona um panorama completo de universidades e países do Velho Continente. E, por falar em Europa, Alemanha e França têm plataformas completas e exclusivas para os estudantes: o portal alemão daad.de/en e o francês bresil.campusfrance.org oferecem o caminho das pedras para estudar nos dois países. Além disso, todos esses sites contam com informações sobre programas de bolsa e o prazo para se candidatar às vagas existentes.

Verificandoo seu nível no idioma

Estudar em outro país abre a reflexão sobre o seu nível de proficiência em outros idiomas, pois um dos principais requisitos de ingresso do estudante estrangeiro nas universidades internacionais é a comprovação de que você sabe — e bem — a língua do lugar para onde quer ir. A apresentação da sua pontuação, em um exame de proficiência é condição para o processo de seleção. Os centros de idiomas aqui no Brasil, por melhores que possam ser, não substituem as certificações oficiais com validade internacional.

O nível de fluência do aluno em todas as destrezas linguísticas — expressão oral, expressão escrita, consciência comunicativa, compreensão leitora e auditiva — precisa ser comprovado por uma das provas oficiais, de acordo com o país escolhido para a candidatura à universidade. São vários os tipos de certificação, e cada instituição poderá exigir um exame diferente. A quantidade de pontos que o candidato deverá apresentar na prova também dependerá da universidade. Por exemplo, a média pedida por algumas universidades americanas no Toefl (Test of English as a Foreign Language) é de 61 pontos, o que equivale a um nível intermediário do idioma, porém as melhores universidades pedem de 80 a 100 pontos de uma avaliação que chega até o máximo de 120 pontos totais.

Fazendo uma breve lista dos exames de certificação mais pedidos pelas universidades estão:
»  O Toefl é a principal certificação de língua inglesa, aceita pela maioria das instituições americanas e canadenses. Saiba mais:
»  A segunda avaliação mais concorrida é o Ielts (International English Language Testing 
System), normalmente solicitado pelas universidades da Europa e da Oceania. Saiba mais: 
» Para a língua espanhola, existem: o Dele (Diploma de Español como Lengua Extranjera), e o Siele (Servicio Internacional de Evaluación de la Lengua Española). Saiba mais: brasilia.cervantes.es/br/ 
»  Já para o francês, temos o Delf (Diplôme d’Études en Langue Française) e o Dalf (Diplôme

Approfondi de Langue Française). Saiba mais: 


Não importa o país escolhido, sempre haverá uma certificação de proficiência linguística a ser pedida aos estrangeiros. Dessa forma, o quanto antes você começar a se preparar para elas, mais chances terá de conseguir maiores pontuações na prova e de ser aceito na universidade dos sonhos. Nos sites de cada certificação, você encontrará todas as informações necessárias: as datas de aplicação das provas; as políticas de pontuação; as destrezas linguísticas avaliadas; o tempo de duração do exame e os valores de inscrição. O melhor dos sites, porém, são os simulados e provas anteriores disponíveis para a preparação dos candidatos. Existe ainda o testden.com, que verifica o seu nível para o Toefl e o Ielts.

Porém, todavia, contudo, se você quer ter uma experiência acadêmica fora do país, mas não fala outro idioma, há duas alternativas. A primeira é tentar ser aceito em uma universidade portuguesa, ou adiar o início do curso acadêmico para fazer um intercâmbio de idiomas. Nesse caso, é necessário chegar pelo menos um ano antes de iniciar o processo de candidatura. Um ano de imersão no idioma é um bom tempo para ganhar proficiência e conhecer a cultura do país antes de mergulhar na vida acadêmica. A questão é que esse adiamento compulsório pode atrasar, e muito, o fim da sua graduação.

Algumas poucas instituições têm o curso pré-universitário, onde o aluno pode “correr atrás” da pontuação que falta e refazer a prova de certificação do idioma. Dessa forma, a universidade pode oferecer uma oportunidade a mais de conseguir os pontos que faltam. Essa opção só é dada ao aluno quando restam pouquíssimos pontos para que o candidato alcance o score de proficiência exigido pela instituição. Por exemplo, o aluno tem uma pontuação de 89 no Toefl e precisa ter de 95 a 100 pontos, para entrar em determinada universidade. Assim, como o nível de proficiência do aluno já é alto, a instituição lhe dará até seis meses de preparação antes de começar as aulas. Nesse tempo, é possível melhorar o nível do inglês, e assim, refazer o teste de certificação para atingir os pontos que faltam.

Entendendo o processo de admissão

No Brasil, o processo de seleção para entrar em uma universidade, em geral, é feito pela nota do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) ou pela nota de outros vestibulares. Lá fora, esse processo leva em conta diferentes aspectos da vida do candidato, não apenas um número. Além do desempenho acadêmico, as atividades extracurriculares e as qualidades pessoais também contam. Dependendo do perfil da instituição, cada um desses aspectos terá um peso maior ou menor. Muitas universidades querem saber as paixões do aluno e suas conquistas fora de sala de aula, como prática de esportes, trabalhos voluntários, cursos técnicos realizados junto com o ensino médio regular etc.

Tudo isso pode fazer o candidato ficar muito à frente dos concorrentes na briga por uma vaga. O processo de aplicação é feito por etapas, é preciso apresentar uma série de documentos nos prazos divulgados nos editais de candidatura. Os documentos, normalmente, são os mesmos para a maioria das instituições americanas e canadenses, mas as exigências das universidades e escolas europeias e da Oceania podem ser diferentes. Por isso, é necessário entender as regras de candidatura de cada país e começar a trabalhar para apresentar toda a documentação pedida. 

França e Espanha

Para acessar uma universidade nesses dois países, não será preciso fazer nenhum teste padronizado, como SAT, por exemplo. O aluno deve primeiro, ser aceito em uma faculdade no Brasil. Com a matrícula em mão aqui, é possível garantir o acesso a uma universidade espanhola ou francesa. O ponto positivo é que, se ao esperar o processo seletivo, o aluno quiser começar a cursar a faculdade por aqui mesmo, quando ele for aceito pela instituição espanhola ou francesa, o aproveitamento das matérias feitas no Brasil será bem rápido. Basta que o candidato já leve consigo o histórico das matérias cursadas, juntamente com a ementa das disciplinas traduzidas, juramentadas e convalidadas pela embaixada do país de destino.

No mais, os documentos serão os mesmos da candidatura para as universidades americanas e canadenses. Ressaltando que, dependendo da instituição, é necessária uma entrevista pessoal feita pela banca de seleção, que no caso de alunos estrangeiros pode ser on-line. Veja mais informações para candidaturas em universidades francesas em: bresil.campusfrance.org. Para as instituições espanholas acesse o studyineurope.eu, e entre em contato diretamente com as universidades escolhidas.

EUA, Canadá e Reino Unido 

Tenha à mão na hora de preencher o formulário de candidatura (Application Form):
»  Histórico escolar, dos quatro últimos anos do colégio, traduzido e juramentado. As notas do nono ano aqui no Brasil também são levadas em consideração;
»  Teste de idioma: certificado de proficiência linguística;
»  Essays Ou personal stament: são redações de apresentação. Nelas você poderá chamar a atenção para sua jornada pessoal, para suas conquistas, para o seu poder de argumentação, e para as suas raízes culturais;

» Nota no SAT ou ACT: as siglas se referem aos testes padronizados do ensino médio. Ambas são como o nosso Enem, porém mais enxutas. A prova tem quatro partes: math (matemática, dividida em dois momentos, com e sem, calculadora), critical reading (linguagem e interpretação de textos) e writing (escrita). Ao ACT, além das provas anteriores, acrescenta-se uma prova de science reasoning (raciocínio científico).  Saiba mais nos sites: act.org e collegeboard.org. Neste site saiba as datas e os locais das provas do SAT no Brasil e no mundo: collegereadiness.college
board.org/sat/register/interna
tional;

» Atividades extracurriculares: mostram paixões, engajamento em causas e perseverança. Cantar, dançar, voluntariado, hobbies, enfim tudo o que aluno ame fazer e, principalmente já realize há um bom tempo contam;
» Cartas de recomendação: dizem quem é você por meio dos olhos de pessoas próximas: professores, orientadores pedagógicos, parentes etc. 

De modo geral, as cartas de recomendação e o personal staments precisam mostrar características apreciadas pelos selecionadores: criatividade e habilidade intelectual; conhecimento de uma área; iniciativa e habilidade de resolver problemas; motivação; inteligência emocional; adaptabilidade e liderança. De qualquer forma, nada substituirá a autenticidade. Ser você mesmo é o que mais chamará a atenção.

Portugal

Extremamente procurado pelos brasileiros para cursar a graduação, muito em função da igualdade linguística e da ampla aceitação da nota do Enem, o país conta com 42 instituições que usam nosso exame nacional como porta de entrada para as candidaturas. No site de cada instituição de ensino, observe a pontuação do Enem que o candidato deve apresentar para entrar no processo seletivo. Para mais informações sobre como aplicar para uma universidade, ou faculdade politécnica, em Portugal acesse o site: 

Bolsas de estudo

Realizar uma graduação no exterior é uma conquista pessoal enriquecedora, no entanto cara. A boa notícia é que há muitas instituições que abrem as portas para que estudantes brasileiros realizem seu sonho por meio de programas de bolsa de estudo internacionais. As ofertas de bolsa costumam ser em março para que os alunos contemplados já usufruam das ajudas financeiras em setembro (início do ano letivo no Hemisfério Norte). Para acessar tais programas, vale ficar atento às convocatórias e ter a documentação necessária pronta para as candidaturas. Veja a relação de instituições:

» Brasil, Fundação Estudar: 
estudar.org.br
» Brasil, Fundação Lemann:
fundacaolemann.org.br/fellowship
EUA, Fulbright: fulbright.org.br
» Reino Unido, Chevening: 
chevening.org
» Europa, Erasmus +: erasmusmundos
nobrasil.webs.com
» Holanda, Orange Tulip: huffic.
neso/studyinholland.nl e nesobrazil.
org/bolsas-de-estudo
» Espanha, Fundación Carolina: 
fundacioncarolina.es

Além das fundações e órgãos de educação internacional, a maioria das universidades estrangeiras também mantêm fundos para bolsas de estudo. No entanto, antes de tentar o desconto na anuidade é preciso ser aceito pela instituição. A concessão de descontos é feita, normalmente, após o processo de seleção, por meio de programas de financiamento estudantil operados pelas universidades. Resumindo, primeiro faça a candidatura e seja aceito, depois comece a pleitear a bolsa. São processos diferentes e ambos exigem cuidados especiais com documentação e prazos. Claro que há universidades que já são conhecidas por concederem bolsas exclusivas para alunos estrangeiros, mas essas concessões normalmente são feitas por três motivos segundo o site Daquiprafora que, desde 2001, ajuda estudantes a se prepararem para universidades nos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido.

Os motivos são: 
>> Mérito: a bolsa é oferecida aos alunos que se destacam academicamente e estão acima da média da turma;
>> Necessidade financeira: a ajuda será oferecida a quem se destaca academicamente, mas não tem condições de arcar com todos os custos da universidade em questão; 
>> Talentos específicos: a bolsa é oferecida para o aluno que deseja fazer cursos relacionados às artes e que se destacam em seu segmento.
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Finalmente, entende-se que para as universidades estrangeiras quanto maior for o seu desempenho do 9º ano à 3ª série do ensino médio, maiores serão as suas chances de ganhar percentuais razoáveis de bolsa na graduação, por isso, o planejamento desde o início do ensino médio é importantíssimo para conseguir bons resultados na candidatura e no percentual de bolsa que poderá ser recebido pelo aluno.

Ajuda com documentação, traduções e vistos

Um dos principais problemas de se candidatar a uma universidade no exterior é a burocracia. A tradução juramentada dos históricos escolares e ementas de disciplinas; as idas e vindas das embaixadas para os vistos de estudante; a validação dos comprovantes de renda familiar e o preenchimento de inúmeros formulários dentro de prazos ínfimos podem deixar o estudante um pouco perdido e estressado, principalmente se o processo de candidatura for feito em várias universidades ao mesmo tempo.

Pensando nisso, algumas empresas se especializaram nessa dura tarefa. Pedro Lunardeli, consultor da Daquiprafora, ressalta que obedecer a um bom check-list de providências e ter profissionais competentes que auxiliem o estudante durante o processo de seleção acalma os ânimos e deixa a candidatura mais leve, no que tange à pressão emocional. Não é que o estudante não consiga fazer o processo sozinho, diz Pedro, mas quando ele recebe o apoio necessário, a confiança de ser aceito na universidade sonhada cresce. A grande equação de todo o processo é se candidatar a instituições que se encaixem com o perfil financeiro da família e com o perfil acadêmico do aluno. Se resolvida a equação, aumentam muito as chances de que a experiência de quatro anos longe de casa seja um completo êxito. 

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