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Correio Braziliense

Distrito Federal pode se tornar um futuro polo de moda internacional

Personalidades apostam no potencial da capital federal para globalizar produtos fashion locais, tanto pela presença de corpos diplomáticos quanto pelo cresc


postado em 11/11/2019 07:00 / atualizado em 17/11/2019 19:39

“Brasília é uma cidade que não para de crescer. Então, o potencial de consumo é altíssimo. Além disso, a capital congrega diversas embaixadas; assim, tem a chance de internacionalizar seus produtos de moda, tornando-se destaque internacional”, avalia Thiago Malva, dono do site de moda Finíssimo. Para ele, as grandes marcas nacionais deveriam vir a ao DF, que tem um corpo diplomático com mais de 200 embaixadas. “Estou sonhando com isso. Acho que, nos próximos 10 anos, vai rolar essa reviravolta.”
 
(foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
 
O evento Brasília Trends está aproveitando esse potencial de globalização que tem o mercado fashion local. Na última sexta-feira (7), a Embaixada da República da Nicarágua no Brasil abriu as portas para o coquetel de lançamento da segunda edição do Brasília Trends, evento de moda criado no ano passado na capital federal. Cerca de 100 pessoas compareceram. A representação do país latino no Brasil foi escolhida para sediar a abertura porque travou uma parceria inédita com a semana fashion brasiliense. Com o tema “A dança do empreendedorismo”, o Brasília Trends Fashion Week 2019 contará com um intercâmbio inédito.
 
O estilista que mais se destacar na edição terá a chance de participar do maior evento de moda da Nicarágua, o Nicarágua Diseña 2020, em Manágua. Em contrapartida, a estilista Osneyda Caro, destaque na edição nicaraguense deste ano, virá para o Brasília Trends. Thiago Malva acredita que esse intercâmbio é de vital importância. “Foi legal para o pessoal de lá (Nicarágua) ver a moda brasileira, e esse é o objetivo da parceria entre o Brasília Trends com o Nicaragua Diseña. Eles veem o que a gente faz aqui, a gente vê o que eles fazem lá. Eu acho que esse intercâmbio é bom para todo mundo.”
 
(foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
 
O evento brasiliense, que ocorrerá entre 28 de novembro e 1º de dezembro, conta com desfiles, palestras, artesanato e espaço para comercialização de marcas locais. O principal objetivo é mostrar que a moda é para todos, independentemente de gênero, altura, peso, etnia, idade e classe social. Durante a recepção na Embaixada da Nicarágua na última semana, foi anunciada a programa do Brasília Trends. Também houve um desfile com prévia da coleção de verão de looks da marca Lez a Lez e acessórios Carmen Steffens.
 
(foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
 
 
Recepção e desfile em embaixada tiveram como público cerca de 100 pessoas (foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
Recepção e desfile em embaixada tiveram como público cerca de 100 pessoas (foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
 
Em tons pastéis, as roupas homenagearam a Nicarágua com a flor símbolo do país, sacuanjoche, apresentada na estampa. Bernardeth Martins, uma das organizadoras do Brasília Trends, acredita que o tema “Dança do empreendedorismo” tem tudo a ver com o evento. “Escolhemos esse mote porque nós, empreendedores, temos que dançar o tempo inteiro para desviar das crises, dos impostos e para conseguir empreender”, explica a proprietária da loja de roupas Cirandinha e diretora administrativa do Sindivarejista (Sindicato do Comércio Varejista do Distrito Federal).
 
 
“A gente acredita que o Brasil vai mudar, e é isso que queremos trazer para o DF: a dança que vai se tornar um tango ou um samba”, observa a presidente da Business Professional Woman (BPQ), ONG formada por mulheres empreendedoras. Bernadeth é ainda gestora da Câmara Técnica do Vestuário, Moda e Acessórios do Codese-DF (Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico do Distrito Federal).

Oportunidade de negócio

"Em meu país, estimulamos muito o empreendedorismo feminino. É uma forma de empoderamento para que mais mulheres possam ganhar recursos financeiros adicionais" Lorena Martinez, embaixadora da Nicarágua (foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
 

Lorena Martinez, embaixadora da Nicarágua, ficou empolgada com o tema. Ela conta que a abertura de negócios, sobretudo para mulheres, é muito importante. “Em meu país, estimulamos muito o empreendedorismo feminino. É uma forma de empoderamento para que mais mulheres possam ganhar recursos financeiros adicionais.” No que diz respeito ao empreendedorismo de moda na Nicarágua, a embaixadora explica que há muitas dificuldades. “A maioria dos empreendedores são jovens, que sofrem com a questão financeira e de falta de tempo e espaço para se dedicar ao que eles gostariam”, conta.

Contudo, ela fica feliz ao ver que essa juventude é corajosa e gosta do que faz de coração. Por isso, o país criou o Nicarágua Disenã, plataforma do governo que incentiva pessoas com esse perfil. Para Bernardeth, a realidade brasileira não é tão diferente. Ela acredita que a falta de recurso é a principal dificuldade dos estilistas brasilienses. Por isso, o Brasília Trends batalha para conseguir parcerias com as secretarias de Turismo e Desenvolvimento do DF a fim de, por exemplo, valorizar artesãs locais. Assim surgiu um edital de convocação para artesãs do Distrito Federal participarem do evento. “A gente quer valorizá-las. É um pessoal muito debilitado que precisa de alguém que o abrace.”

Tendências

(foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
 

A consultora de moda Susiê Oliveira participou do evento e gostou do que viu no desfile. Apaixonada por moda, a especialista se empolgou com o coquetel de abertura. “A embaixada abriu as portas com muito carinho, e isso é muito importante para promover uma integração com o nosso país”, afirma. Ela aposta em uma coleção de verão com cores incríveis, muitos tecidos leves, naturais e muita sustentabilidade. “Hoje em dia temos que prezar muito pela sustentabilidade, pois o mundo precisa disso”, afirma.

Ela explica que as marcas investem cada vez mais em tecnologias que reduzem o impacto ao meio ambiente. “Embora tenha um custo inicial, depois ele é compensado pela economia; e o valor não chega ao consumidor. Então, o produto não fica mais caro”, explica. A marca Lez a Lez, por exemplo, reaproveita 100% da água utilizada na produção dos tecidos. Susiê Oliveira acredita que o Brasília Trends Fashion Week 2019 é muito importante para Brasília. “Precisamos resgatar esse ramo aqui porque Brasília tem uma arquitetura que acaba sendo moda. Aliás, a moda acaba se integrando em vários espaços”, afirmou.

Para todos

As organizadoras Lorraine e Bernadeth com a embaixadora da Nicarágua, Lorena Martinez (ao centro)(foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
As organizadoras Lorraine e Bernadeth com a embaixadora da Nicarágua, Lorena Martinez (ao centro) (foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
 

Além do edital para levar artesãs ao evento, o Brasília Trends fechou uma parceria com a Fábrica Social, projeto da Secretaria de Trabalho que capacita pessoas em situação de vulnerabilidade com cursos, para que elas produzam uma coleção para o desfile. “Eles estão tentando fazer as roupas, e a gente espera que eles consigam”, disse Bernardeth. O evento também vai contar com um desfile de pessoas com deficiência. “Queremos mostrar que a moda não é só aquele padrão magrinho. A moda tem que ser inclusiva, para todo mundo”, afirmou Bernadeth.

“Nos preocupamos em fazer um evento extremamente acessível”, contou Lorraine Bonadio, também organizadora do evento. Ela atua no mercado da moda há mais de 10 anos, com agenciamento e produção de eventos, sendo responsável pela Week Produções, agência de modelos kids e teens. Lorraine explica que ela e Bernadeth lutaram para baratear o valor de participação e, graças a isso, acreditam que tanto uma marca pequena quanto uma grande têm o mesmo nível de facilidade para pagar a taxa e fazer um desfile. Para ela, o evento é completamente inclusivo não apenas para quem vai participar, mas também para quem deseja assistir ao desfile.

Para entrar, basta levar um quilo de alimento não perecível, que será doado ao programa Banco de Alimentos do Sesc (Serviço Social do Comércio). A iniciativa distribui comida para famílias cadastradas. “A ideia é mostrar que todo mundo que gosta de moda pode se vestir bem, tanto com pouco dinheiro quanto com muito.” O publicitário Thiago Malva entendeu esse lado social do Brasília Trends. “Eu acho muito legal esse evento porque ele vai reunir, no Centro de Dança, pequenos empreendedores de marcas novas e jovens. Além disso, convidados VIPs, autoridades, pessoas da sociedade e influenciadores terão a oportunidade de conhecer marcas até então desconhecidas pela maioria das pessoas.”

Anote na agenda!

Brasília Trends 2019
Quando: de 28 de novembro a 
1º de dezembro
Onde: Centro de Dança do DF, no Setor de Autarquias Norte, Quadra 1
Como: para entrar no evento, 
é necessário levar 1kg de 
alimento não perecível
Mais informações no 
Instagram: @brasiliatrends

Para artesãos

Artesãos interessados em comercializar produtos no Brasília Trends Fashion Week 2019 poderá se inscrever até amanhã (11) pelo site bit.ly/2WTpbYe ou presencialmente na Unidade de Gestão do Artesanato (SDC, Eixo Monumental, Lote 5, Centro de Convenções Ulysses Guimarães, 1º Andar). São 13 vagas para artesãos 
individuais.

 
*Estagiária sob supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa

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