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Correio Braziliense PERFIS DE SUCESSO- ILZA PAIVA E MIGUEL MELO

Casal faz sucesso vendendo roupas usadas na Estação Central do Metrô

Marido e mulher comandam box de roupas e calçados femininos usados na Estação Central do Metrô. Antes disso, o negócio funcionou durante 13 anos nos fundos da casa deles, no Guará


postado em 17/11/2019 19:39 / atualizado em 19/11/2019 20:04

 
O box do Brechô chama a atenção de quem passa pela Estação Central do Metrô, na Rodoviária do Plano Piloto. São 4m² bem aproveitados: tudo é organizado, bonito e limpo, como numa boutique tradicional. A única diferença é que as peças, todas voltadas ao público feminino, são de segunda mão. Por dia, a loja atende cerca de 40 clientes. O local abriga cerca de 500 peças expostas, com preços que variam entre R$ 20 e R$ 70 por unidade. O negócio funciona no coração de Brasília desde 1º de julho, mas surgiu há 13 anos, na casa de Ilza Paiva, 54 anos, e Miguel Melo, 61.
 
Cada peça de roupa ou calçado feminino exposto ali foi rigorosamente selecionado. “Temos clientes fornecedores, em geral do Plano Piloto, de Águas Claras ou de Taguatinga. Eles vêm aqui trazer as peças ou a gente vai à casa deles fazer a seleção”, diz Miguel. Cada item é escolhido a dedo. “Nossa opção é oferecer uma mercadoria usada, mas com um nível bom. Não aceitamos consignação: tudo é comprado. Trabalhamos com o que é nosso”, explica. A secretária Priscila Andrade, 27 anos, estava passando pelo local e foi atraída pela variedade de produtos na loja. “Tem muita coisa, bons produtos”, elogia.

Histórico

(foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
Miguel ocupou cargo comissionado em órgão público durante muitos anos, enquanto Ilza levava os dias como dona de casa. Quando ele ficou desempregado, o casal procurou uma nova fonte de renda. “Quando a Ilza falou de montar um brechó, eu nem sabia direito o que era isso. Apoiei, mas com receio, sem saber como lidaríamos com isso”, admite o piauiense Miguel. A própria Ilza, que fez a sugestão, também teve medo do ramo. “Eu nunca tinha trabalhado fora, sempre fui dona de casa. Comecei sendo artesã, fazia pano de prato e bordados para vender. Minha cunhada que deu a ideia de vender roupa usada”, recorda a goiana.

“Eu recuei um pouco, achei que ninguém compraria, mas deu certo desde o começo”, conta, orgulhosa. Tudo começou nos fundos da casa deles, no Guará. “A minha primeira cliente era minha vizinha. Agora, ela vem aqui na Rodoviária para comprar e se tornou minha amiga. Geralmente, faço amizade com as clientes”, revela. Com o tempo, a procura cresceu, e os dois se mudaram para uma residência maior a fim de comportar tanto a família quanto o negócio. Eles perceberam que havia potencial de alavancar as vendas num local com mais visibilidade.
 

Após procurarem muitos pontos, decidiram-se pela Rodoviária. Antes disso, faziam feira no local desde 2012. “Muitos clientes que nos conheceram dessa época vêm agora para comprar”, conta Miguel. O novo espaço do Brechô foi inaugurado em 1º de julho. “O resultado e o movimento são muito melhores aqui, o público é bem maior. Em casa, vinha quem já conhecia”, compara Miguel. O único aspecto que, segundo ele, era melhor na residência da família era o espaço. A meta de Ilza, agora, é conseguir um espaço maior na Rodoviária. “Quando viemos alugar, esse era o único disponível. Não temos provador porque não cabe. Por enquanto, damos um jeito, pedimos para usar o do vizinho”, relata.

Independência

(foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
Enquanto funcionava no Guará, a empresa se chamava Magia da Moda. O nome Brechô é novo, veio para rimar com Metrô. O Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) é da categoria microempreendedor individual (MEI), na qual se enquadram empresas com ganhos mensais de até R$ 6.750. “Vendas são uma incógnita… São boas no início do mês, na época de pagamento. Tem dias em que vendemos 

R$ 800, tem dias em que vendemos R$ 200. É bem variado”, comenta Miguel. Segundo ele, o faturamento é suficiente para cobrir todos os custos. “Não sobram grandes quantias, mas, com a minha formação, é um resultado melhor do que eu teria se tivesse um emprego normal”, diz Miguel, que tem ensino médio incompleto.

“A gente tenta separar o dinheiro da loja do nosso, mas, de vez em quando, dá uma misturada. Porém os ganhos estão maiores aqui na Rodoviária”, detalha Ilza. Miguel comemora a independência de ser dono de um negócio. “É mais trabalhoso, mas vale a pena. Só temos que dar satisfação para nós mesmos.” Ilza gosta de trabalhar no comércio. “Isso nos dá a chance de conhecer pessoas e coisas novas”, percebe. Um dos segredos para se sair bem no ramo, ensina ela, é a capacidade de manter bom relacionamento com os clientes. “Tem que saber atender bem. O atendimento é muito importante.”

A rotina do casal é puxada: Ilza e Miguel vão dormir à 0h e levantam às 4h30 para abrir o Brechô às 6h30, de segunda a sábado. Domingo é dia de visitar clientes, comprar, limpar e consertar mercadorias. Eles têm uma filha de 30 anos, graduada em letras-inglês pela Universidade de Brasília (UnB) e funcionária pública; e um filho de 23 anos, estudante de gestão de políticas públicas na UnB. Trabalhar em casal, para eles, não é problema. “Ele é meu braço direito, meu braço esquerdo, meu tudo”, elogia Ilza. O segredo para manter o negócio por tanto tempo, além de ter uma boa parceria, conta ela, está na perseverança. “A gente não desiste mesmo.”

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