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Correio Braziliense ENTREVISTA DANIEL SCHNAIDER

Consultor dá dicas práticas para melhorar o desempenho nos negócios

Brasileiro trabalhou seis meses em forças especiais israelenses, atuando em projetos ultrassecretos. Em livro, juntou ensinamentos desse período e os aplicou ao mundo das empresas


postado em 17/11/2019 20:48 / atualizado em 17/11/2019 20:47

Daniel Schnaider, consultor em inovação e estruturação de negócios, escreveu o livro Pense com calma, aja rápido — Um guia prático para decisões de impacto, que reúne 20 anos de trabalho, pesquisa e desenvolvimento de ferramentas na área de gestão e liderança. Nas páginas, ele orienta o leitor a sobressair em momentos de crise ou de desafio e a pensar antes de agir, principalmente na hora de tomar decisões importantes. A obra também explica como aprimorar a visão de negócios, melhorar a qualidade de serviços, baratear os preços e ampliar o uso de tecnologias.
 
"É preciso ter um pensamento calmo e colaborativo, gastar a maior parte do tempo refletindo, e o restante agindo" (foto: Arquivo Pessoal)
 
O autor nasceu em Santa Tereza, zona central do Rio de Janeiro. Aos 13 anos, mudou-se com os irmãos para Israel, onde estudou regularmente. Ainda novo, interessou-se pela área de computação e, por conta própria, começou a ler sobre o tema. O incentivo definitivo chegou quando ganhou um computador de presente. Aos 14 anos, criou uma das primeiras plataformas de comércio eletrônico, a Quantum. Após terminar os estudos, aos 18 anos, ingressou no serviço militar do país, no qual permaneceu por três anos.

O bom rendimento no Exército rendeu-lhe o recrutamento para as Forças Especiais do Serviço de Inteligência do Exército de Israel, onde desenvolveu projetos ultrassecretos para a segurança nacional, criando sistemas de computação e solucionando equações matemáticas. “Um posto disputado por mais de 100 mil pessoas e para o qual não mais de 100 candidatos conseguiam ser selecionados. Passar foi, sem dúvida, um dos momentos mais felizes da minha vida”, diz. O treinamento militar foi complexo. O brasileiro precisava ficar sozinho, por 15 horas diárias, em uma sala, resolvendo uma série de problemas matemáticos e de ciências da computação. Depois do treinamento, decidiu sair da área militar e abriu a SCAI Group, conjunto de empresas de consultoria empresarial especializada em recuperação e reestruturação de corporações.

Qual é o público-alvo do livro?
Os leitores são heterogêneos, pois o livro não trata somente de empresas: pode ser aplicado a qualquer organização, seja particular, seja sem fins lucrativos. O meu livro mostra como todas as partes de uma corporação se conectam e como uma falha em algum setor pode afetar todo o resto. Todas as repartições estão ligadas, o departamento de recursos humanos consegue entender como o trabalho se encaixa no financeiro, como o financeiro se conecta com o marketing... A linguagem da obra é simples e amigável. Serve para qualquer pessoa que quer entender como uma organização funciona.

Por que decidiu escrever a obra? 
O motivo foi porque trabalhei como presidente em empresas, como a SCAI Group. Tinha muitas dúvidas de como criar estratégias para os negócios, o que fazer nas áreas de marketing, relações humanas e financeiro e como gerenciá-las em um momento de crise. Li muitos livros sobre gestão e consultei executivos, mas não me convenci com as respostas que encontrava. Então, eu me lembrei das ferramentas que usava para resolver problemas que aprendi durante meu treinamento de seis meses no Exército de Israel. Eu encontrei um modelo bastante diferente do que existe em outras organizações. Peguei o método israelense e o adequei ao setor particular para que os profissionais usufruíssem dele. Em geral,  as empresas pensam no resultado, mas não no processo. Não refletem antes de agir. Cheguei à conclusão de que o nome do livro deveria estar relacionado ao modo de pensar dessas corporações: agem rápido e pensam devagar.

Qual a mensagem que o livro passar? 
É que compreendam que tirar o obstáculo da frente rapidamente é fazer com que toda a execução seja capenga, sobretudo, quando não são consultados outros setores, como marketing, recursos humanos etc. É preciso ter um pensamento calmo e colaborativo, gastar a maior parte do tempo refletindo e o restante agindo. Por exemplo, quando empresas cortam um produto com vendas baixas, simplesmente; na verdade, deveriam entender a raiz do problema para essa diminuição de vendas e o porquê de ela ocorrer. Só depois de entender tudo, agir. Não há um processo de avaliação antes de tirá-lo de linha e de entender tudo o que essa complicação implica (desemprego, perda de dinheiro, entre outras questões).

Quais são os instrumentos que podem ser usados para melhorar os negócios?
O primeiro elemento são as decisões de impacto: o que fazer e não fazer, pensar com calma e agir rápido. O segundo é ter uma visão humilde de fora da empresa, ou seja, ter a mente aberta sobre tudo (conhecer o mercado, posicionamento, quais riscos viriam com o fechamento do negócio) e saber como está o mercado: quem são as organizações concorrentes da área e o que você pode inovar para ter diferencial. O terceiro é analisar um processo eficiente para fazer a empresa crescer e fechar negócios, mas é necessário pesquisar antes de se arriscar.

Em um momento de crise, o que não deve ser feito?
Durante uma crise, se o presidente, chefes e donos não tomarem providências, colocarão a empresa em uma situação insustentável. Se não souberem lidar com esse momento, o fim da organização será iminente. O que não fazer em um momento desse? Não pensar rápido! A crise tem uma natureza complexa, tem várias coisas mudando ao mesmo tempo, dentro e fora da organização. É indicado não refletir sobre essa ameaça sozinho, pois pode tomar decisões erradas. O ideal é criar um conselho consultivo de pessoas diferentes e externas da empresa para ajudá-lo. Elas precisam ter experiências no assunto, serem críticas e bem-intencionadas. É importante que não haja vínculo com a organização ou sentimentos. É necessário ter comunicação: conversar, trocar ideias e sentar em cima de números, analisar qual é a situação, aonde se quer chegar e como lidar com a crise. No primeiro capítulo, conto sobre os fundamentos para que as empresas entendam os procedimentos básicos (granularidade, escopo, tempo, psicológico e habilidades, equipe, burocracia e recursos).

Como tomar decisões em período de crises

1) Pense com calma! Mesmo que sua empresa esteja em um momento de sufoco, você precisa refletir com a cabeça fria e encontrar as melhores soluções. Não aja por impulso.

2) Veja a empresa como um todo: todos os departamentos são importantes para o desenvolvimento da organização. O marketing está associado ao financeiro, que está relacionado à produção. Os funcionários precisam ser informados sobre os assuntos corporativos.

3) Crie um conselho consultivo: para  ajudar em momentos de crise ou desafio no mercado. Em situações de tensão, não é bom pensar sozinho. Os profissionais que você deve consultar precisam ser de fora da empresa, necessitam ter experiências nos temas corporativos e, principalmente, serem críticos e bem-intencionados.

4) Não entre em pânico! Se você é dono, presidente ou chefe de uma empresa, precisa controlar o emocional ao enfrentar os problemas. É necessário persistir, continuar tentando, com calma.

5) Faça alguma coisa! Não fazer nada pode não ser a solução correta. Você pode perder oportunidades de negócios ao escolher não arriscar.

LEIA!
 
(foto: Livro Pense com calma)
(foto: Livro Pense com calma)
 
 
 
 
 

Pense com calma, aja rápido — Um guia prático para decisões de impacto
Autor: Daniel Schnaider
Editora: Best Business - 210 páginas - R$ 34, 90
 
 
  
 
 
 

*Estagiária sob supervisão da  subeditora Ana Paula Lisboa

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