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Correio Braziliense

Brasília terá 3,5 mil vagas de estágio nos três primeiros meses de 2020

Estimativa feita pelo CIEE projeta que, no país, a oferta deve chegar a 85 mil oportunidades no primeiro trimestre de 2020. Número representa um crescimento de 6% em relação a este ano


postado em 01/12/2019 17:15 / atualizado em 01/12/2019 17:22

As vagas de estágio e aprendizagem crescem mesmo em época de crise econômica. É o que mostra o Boletim Anual Estatístico do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE). Segundo a projeção, apresentada em entrevista coletiva nesta semana, a oferta deve subir 6% nos três primeiros meses de 2020 em relação ao mesmo período deste ano. As oportunidades devem passar de 80 mil para 85 mil em todo o país. No Distrito Federal (DF), a expectativa é de 3,5 mil postos.
 
Hugo Santos, aluno do 6º semestre do curso de história da UnB, se queixa da falta de vagas na área(foto: Jessica Gotlib/Esp. CB/D.A Press)
Hugo Santos, aluno do 6º semestre do curso de história da UnB, se queixa da falta de vagas na área (foto: Jessica Gotlib/Esp. CB/D.A Press)
 
“Esse é um período bastante interessante para quem está procurando sua inserção no mercado de trabalho. Um recado que deixamos é que o estudante não deixe de nos procurar nesse período, porque este é um momento em que ofertamos vagas novas, de reposição, de empresas que efetivaram seus estagiários”, ressaltou na coletiva de imprensa o superintendente Nacional de Operações do CIEE, Marcelo Gallo.

Entretanto, as oportunidades são maiores para os cursos de exatas. “O Brasil corre o risco de um apagão de mão de obra, porque a gente tem uma formação da juventude bastante assimétrica. O que a gente pode fazer com isso é desenvolver mecanismos para incentivar o jovem a estudar um pouco mais de exatas. O assunto é complexo, ele não é linear, não é uma resposta simples, entretanto, um desses assuntos que me parece muito claro é que o ensino de exatas não é um ensino amigável. O que significa isso? É que os professores não conseguem fazer o ensino de uma forma mais lúdica que atraia mais os jovens”, explicou Gallo.

A impressão é corroborada por quem está em busca de um estágio, como Hugo dos Santos, 22 anos. “Procuro estágio há mais de um ano, em algumas listas chego a demorar três meses para conseguir ver um anúncio na minha área. Em licenciatura, as vagas que mais vejo é para letras, biologia e matemática. Em outras listas de estágio, já cheguei a ficar mais de um ano sem ver oportunidades para o meu curso”, lamenta.

Ele está no 6º semestre do curso de história na Universidade de Brasília (UnB) e estagiou na área anteriormente, mas nota que, além da demanda maior, há também um menor reconhecimento dos cursos de humanas dentro das empresas e dos órgãos públicos. “Acredito que outro empecilho é que as pessoas acham que o trabalho do historiador é fácil, qualquer um pode fazer. Não vejo valorização do profissional  nem acho que isso é uma coisa local de Brasília, infelizmente. É um problema geral mesmo”, conta.

Tempo médio

Mesmo com a espera grande para os cursos mais procurados, o levantamento mostra que o tempo médio para preenchimento das vagas vem caindo. Há dois anos, eram necessários 27, 8 dias para que o CIEE preenchesse um posto. Em outubro, último mês representado na pesquisa, o tempo foi de 12 dias, sendo ainda menor em março, quando, em aproximadamente nove dias, um anúncio havia sido encerrado com sucesso.

A tendência também se verifica nos cargos criados pela Lei da Aprendizagem. Em dezembro de 2017, o CIEE estima que as empresas levavam 29,3 dias para encontrar um jovem aprendiz. Em outubro deste ano, a média caiu para 12,7, mas foi ainda menor em março, quando, em menos de dez dias, empresa e candidato já tinham fechado o contrato. O Centro-Oeste tem números parecidos com os nacionais. Atualmente, são necessários 11,8 dias para preencher um posto no programa de aprendizagem.

Para o superintendente geral do CIEE, Humberto Casagrande Neto, 2019 foi um bom ano. “Tivemos um crescimento e estamos otimistas para o ano que vem, porque a economia dá sinais de reação. No campo dos aprendizes, nosso objetivo é fazer crescer o cumprimento da lei. Hoje deveríamos ter em torno de 1 milhão de aprendizes e temos só 500 mil. Ou seja, 50% das empresas cumprem a lei”, afirmou durante o lançamento.

Ajustes

Apesar de acreditarem no potencial do programa de aprendizagem, os dois representantes do CIEE afirmaram que a lei precisa de ajustes e se dispuseram, em nome do centro, a conversar com o governo para enviar sugestões de melhoria que elevariam o índice de adesão das empresas para 75%. “É uma lei que tem 20 anos de atuação, acumulou uma experiência muito grande e é muito efetiva, apostando na formação de cidadãos que vão aprender o trabalho de forma mais profunda dentro da empresa. Apostamos muito no mercado da aprendizagem, porque entendemos que esse pode ser um grande caminho para tratar o tema”, detalhou Casagrande.

Para Marcelo Gallo, trabalhar na melhoria do instrumento pode ser mais efetivo que lançar novos projetos. Ele acredita que o programa de aprendizagem tem grandes chances de sucesso, pois prepara os adolescentes para lidar com questões socioemocionais antes mesmo de dar a eles uma formação técnica. “As empresas hoje contratam os jovens pelas hard skills [habilidades técnicas] e demitem pelas soft skills [habilidades sociais]. Com o Jovem Aprendiz, treinamos primeiro as soft skills para que o jovem saiba se colocar no ambiente corporativo, porque é muito mais fácil você ensinar a ele uma habilidade técnica depois.”

Casagrande complementou. “Estamos mostrando para as empresas que isso não é uma obrigação, mas é um instrumento de recursos humanos importante para a empresa. Essas medidas vêm nessa direção. Nós vamos resolver o problema do emprego dos jovens moldando essas pessoas com a necessidade das empresas e da economia.”

Perfil

O documento também tem um recorte de perfil dos estagiários e aprendizes. Em ambos os casos, as mulheres são maioria – 65% no primeiro grupo e 57,7% no segundo. Negros também predominam. Entre os aprendizes, 52,5% dos cadastrados se declararam pardos e 9,6%, pretos (total de 62,1% de negros). No caso dos estagiários, os índices foram respectivamente 40,8% e 8,2%, somando 49% do total.

A quantidade de brancos foi de 30,7% entre os estagiários e 22,6% no caso dos aprendizes. O número de amarelos foi quase o mesmo nos dois grupos: 1,7% e 1,6%, respectivamente. Assim como indígenas: 0,2% e 0,3%. Por fim, cerca de 18,4% dos estagiários e 13,4% dos aprendizes não quiseram informar dados sobre etnia.

À procura

Estudantes brasilienses devem aproveitar as dicas e sair em busca de estágio durante os meses de férias. O que mais chama a atenção na hora de selecionar as vagas é a bolsa, que varia de acordo com o curso, carga horária e região do país. Segundo o levantamento do CIEE, os cursos que têm remuneração média mais alta no Centro-Oeste são: engenharia de produção (R$ 940,81), ciência da computação (R$ 819,09), administração (R$ 755,98), direito (R$ 755,29) e publicidade e propaganda (R$ 753,92).
 
(foto: Jessica Gotlib/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Jessica Gotlib/Esp. CB/D.A Press)
 
Igor Fernandes, 20 anos, 5º semestre de farmácia
— Procuro meu primeiro estágio, mas acho um pouco difícil porque fico o dia inteiro na UnB, então, precisaria de um que fosse meio turno. Busco na internet, mas, principalmente com meus amigos, que são muitos. Eles vão falando e a gente fica sabendo onde tem. Nunca me cadastrei nessas empresas mediadoras porque não conheço muito bem. Acho que, na minha área tem boas ofertas no DF, receber dicas das pessoas conhecidas é a melhor forma de encontrar uma vaga. Sempre no começo do semestre escuto falar mais sobre vagas. As bolsas não são ruins, ficam na média de um salário-mínimo, acho que para um estágio está valendo a pena.
 
(foto: Jessica Gotlib/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Jessica Gotlib/Esp. CB/D.A Press)
 
Sarah Saboya, 19 anos, 4º semestre de gestão ambiental.
— Faço estágio voluntário em uma ONG e gosto muito. Aprendo a colocar em prática o que a gente estuda ao longo do curso, mas agora procuro uma vaga remunerada. Sou cadastrada no CIEE e fico de olho nas vagas que aparecem por lá. Esses dias fui até fazer uma prova, mas ainda não saiu o resultado. Procurei por uma vaga o ano inteiro, mas foi aparecer mais agora, do meio para o fim do ano. Acho que para o meu curso tem poucas vagas de estágio e é uma coisa que os professores, inclusive, estão correndo atrás. As bolsas são em média até  R$ 600, não é um valor ruim, mas poderia ser um pouco mais. Tem cursos com bolsas com remuneração maior.
 
(foto: Jessica Gotlib/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Jessica Gotlib/Esp. CB/D.A Press)
 
Eduardo Mota, 23 anos, 3º semestre de ciência política
— Eu sou de transferência interna e estou buscando estágio desde que estava no curso de filosofia. Na época, consegui um estágio, mas foi fora da área. Estagiei na parte administrativa de uma academia porque lá eles pediam um curso específico, porque na área da filosofia é muito difícil você conseguir um estágio remunerado, a maioria dos estágios são voluntários. Dentro da ciência política tem muitas vagas, mas minha maior dificuldade são as exigências que eles fazem, porque precisam de inglês fluente, tanto na escrita, quanto na língua oral. Por isso, estou tentando em órgãos públicos, que geralmente não exigem a proficiência em inglês tão boa, mas é difícil porque a concorrência é bem alta. Espero conseguir agora nas férias.

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