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Correio Braziliense IMPACTO SOCIAL

Organização social incentiva empreendedorismo em Planaltina DF

Criado para qualificar mão de obra e fomentar emprego e renda em Planaltina, o Instituto Entre Nós dá cursos, materiais e ajuda nas vendas de produtos locais a pessoas que precisam de uma chance para recomeçar


postado em 08/12/2019 15:50 / atualizado em 09/12/2019 19:23

Moradora de Planaltina, a professora Renata Melo, 45 anos, sempre se viu rodeada por talentos que não conseguiam desenvolver o próprio potencial por falta de dinheiro ou informação. Inconformada com essa realidade e disposta a inverter a lógica de deslocamento da mão de obra diariamente para o Plano Piloto, ela começou a organizar oficinas em Planaltina, ao lado da mãe, Maria Teresinha Vaz. A ideia das duas, que receberam apoio de outros moradores, era ensinar técnicas que pudessem ser usadas como fonte de renda.
 
Beneficiários da ONG que auxilia desempregados na mais antiga cidade do Distrito Federal(foto: Millena Campello/Esp. CB/D.A Press)
Beneficiários da ONG que auxilia desempregados na mais antiga cidade do Distrito Federal (foto: Millena Campello/Esp. CB/D.A Press)
 
Começaram oferecendo cursos de costura e bordado e, com a prática, perceberam que não bastava orientar os processos criativos se as pessoas não tivessem dinheiro para começar um negócio. Foi assim que nasceu o Instituto Entre Nós, Organização da Sociedade Civil (OSC) sem fins lucrativos que auxilia desempregados na mais antiga cidade do Distrito Federal. O projeto começou há dois anos e foi oficializado há um. No início, Renata, que é servidora pública, usou o próprio dinheiro para comprar as máquinas necessárias à confecção de produtos personalizados. 

O irmão dela, Bruno Melo, 41, também participou dos primeiros movimentos, doando um computador. A pintura da sede, os móveis nos quais os produtos são expostos e outros itens são fruto de trabalho voluntário da comunidade. “Tudo na raça”, define a família, orgulhosa. “Aqui todo mundo é responsável por tudo”, enfatiza Bruno. Com muitos produtos, as pessoas se ajudam para que nada dê errado. Com apenas um ano de funcionamento, a OSC tem cerca de 20 voluntários e impacta diretamente a vida de mais de 30 pessoas. 
 
Renata Melo, idealizadora do instituto(foto: Millena Campello/Esp. CB/D.A Press)
Renata Melo, idealizadora do instituto (foto: Millena Campello/Esp. CB/D.A Press)
 
Atualmente, são produzidas, de maneira colaborativa, camisetas, sabonetes, velas, sandálias, copos, toalhas e outros itens. O instituto oferece cursos de capacitação, material e apoio na distribuição. Depois, os produtos são vendidos em parceria com as lojas Colabora, no Venâncio 2000, e Nós Mercado Criativo, no Iguatemi. Do valor arrecadado, uma parte custeia a matéria-prima, enquanto 50% do lucro é usado para manter a OSC. A outra metade remunera o trabalho do artesão, que pode continuar com o instituto ou usar os conhecimentos em outros locais. Quando algo é feito em equipe, cada um ganha proporcionalmente às horas despendidas na peça.

Mãos estendidas

Claudia limpou o próprio nome depois de apoio do instituto(foto: Millena Campello/Esp. CB/D.A Press)
Claudia limpou o próprio nome depois de apoio do instituto (foto: Millena Campello/Esp. CB/D.A Press)
 

Uma das beneficiadas pela instituição é Claudia Soares, 51. Ela tinha o nome sujo e se viu desamparada financeiramente quando o marido, Edvaldo, e o filho Vitor, 25, ficaram desempregados. Ambos são ajudantes de pedreiro e eram os únicos responsáveis pela renda da família. Diante dessa situação, não restaram dúvidas: a dona de casa começou a frequentar as oficinas para aprender a fazer vagonite (técnica de bordado), chinelo decorado, florzinha de fuxico, apliquê (aplicação de gravura em tecido), entre outros métodos de trabalho. 
 
Eram os primeiros cursos oferecidos pelo Instituto Entre  Nós. Depois de participar, Claudia não tinha dinheiro para começar a produzir, embora estivesse qualificada. Foi aí que a necessidade de apoio financeiro apareceu, e a organização se mobilizou para dar material e apoio para a artesã iniciar a produção. Com tudo pronto, ela começou a vender de porta em porta. “Consegui sustentar a casa e limpar meu nome.” Depois dessa história, Renata notou casos parecidos. 
 
“As mães que têm três ou quatro filhos e não podem trabalhar ficam sufocadas. As mulheres grávidas são as mais frágeis, voltam da licença e são demitidas assim que a lei permite. Ficam sem dinheiro, com filho pequeno e sem ter como trabalhar”, percebe. “E também têm os homens que trabalharam muito pesado ao longo da vida e não podem mais”, nota.

Empreender o hobby

Maria Terezinha, ou Tete, se oficializou como artesã com o instituto (foto: Millena Campello/Esp. CB/D.A Press)
Maria Terezinha, ou Tete, se oficializou como artesã com o instituto (foto: Millena Campello/Esp. CB/D.A Press)
 

Inspiração e também uma das responsáveis pelo Instituto Nós, Maria Terezinha Vaz, mãe de Renata, também se consolidou como profissional do artesanato desde a abertura da OSC. Ela assina suas artes como Tete Vaz e prefere não revelar a idade, mas mora em Planaltina desde os 3 anos. Desde então, casou e teve dois filhos lá. Aprendeu a bordar com a mãe e levou a técnica para o resto da vida. “Antigamente, mulher tinha que bordar”, afirma. Ela trabalha como técnica de enfermagem na Secretaria de Saúde do Distrito Federal. 
 
No início, bordava por hobby. Fez enxoval de casamento dos filhos, o de nascimento dos netos, mas não vendia nada. Com o instituto, conseguiu tirar a carteirinha de artesã para dar cursos e começou a vender o material. Ela preza pela qualidade e deseja vender seus produtos para pessoas de alto poder aquisitivo. “Os ricos são mais exigentes e não queremos vender por coitadismo”, afirma. Por isso, uma das frases que a guia é um ensinamento deixado pelo pai: ”Seja doutor naquilo que faz”.

A missão da costureira é ajudar os outros 

Maria Izabel, professora de artesanato e beneficiada(foto: Millena Campello/Esp. CB/D.A Press)
Maria Izabel, professora de artesanato e beneficiada (foto: Millena Campello/Esp. CB/D.A Press)
 

“Criei meus filhos costurando”, afirma Maria Izabel da Silva, 72. Ela levantava às 4h e dormia depois da meia-noite para conseguir sustentar a casa e os seis filhos, ao lado do marido, o feirante João Alves Neto. Filha de Maria Izabel, Marta Alves, 50, fica emocionada ao se lembrar do tempo em que era pequena e presenciava a luta diária da mãe. “Ela quase não dormia e, quando estava dormindo, levantava de madrugada e cuidava da minha avó, que tinha Alzheimer. Minha irmã tinha problema de nervo e minha mãe cuidava dela também”, relembra. 

Mesmo tão ocupada, a costureira ainda fazia vestidos de noiva para mulheres que não tinham condições de comprar. Marta se inspira na mãe: “É um exemplo para a gente”. Mesmo tendo lutado muito, Maria Izabel gosta de ajudar: percebeu que ensinar o que sabia poderia apoiar outras mulheres na mesma situação. A partir dessa percepção, ela começou a dar aulas no Instituto Entre Nós. E se orgulha de ter impactado a vida de pessoas como Cláudia. O instituto também a beneficiou. 

Embora trabalhasse com costura desde os 13 anos, foi aos 72 que conseguiu o registro de artesã, graças às orientações que recebeu na OSC. Além disso, Maria Izabel também tem produtos expostos nas lojas parceiras. Depois do processo para conseguir a carteirinha de artesã de Maria Izabel, Renata firmou uma parceria com a Secretaria de Estado de Turismo do Distrito Federal (Setur). Agora, o Entre Nós também é responsável por reunir um grupo de, no mínimo, 15 pessoas no fim de cada curso e fazer a certificação em Planaltina mesmo — sem que as pessoas precisem se deslocar até o Plano Piloto.

Após algumas aulas de empreendedorismo, Maria Izabel conseguiu enxergar oportunidade até nas aulas de hidroginástica: como evangélica, ela não se sente à vontade com os modelos de biquíni ou maiô oferecidos nas lojas convencionais. Por isso, resolveu criar o próprio traje de banho. O maiô vai até o joelho e não tem decote. Quando chegou à aula, as amigas ficaram interessadas e fizeram encomendas. O próximo passo é pedir ajuda do instituto para precificação e produção de uma etiqueta.

Probiótico natural

Para melhorar a produção de kombucha, Marta conta com o apoio do instituto(foto: Millena Campello/Esp. CB/D.A Press)
Para melhorar a produção de kombucha, Marta conta com o apoio do instituto (foto: Millena Campello/Esp. CB/D.A Press)
 

Marta Alves também é autônoma. Em vez de linhas e tecidos como a mãe, ela escolheu uma mistura, chamada de Kombucha, que traz inúmeros benefícios para a saúde. A bebida vem da fermentação de chá a partir de bactérias, chamadas de Scoby. Para o sabor não ficar tão forte, Marta saboriza a preparação com suco de uva. O probiótico natural leva aproximadamente 15 dias para ficar pronto e serve como antioxidante e energético.

Os benefícios, explica Marta, são muitos: o líquido é bom para os ossos, inflamação, lesão, prevenção de inflamação e ainda é fonte de vitaminas. Aos poucos, os vizinhos e amigos começaram a ver como ele faz bem para a saúde e quiseram comprar. Por isso, o probiótico já pode ser encontrado na loja 1001 Grãos, em Planaltina. Comercializado como produto artesanal, a Kombucha de Marta não tem rótulo ainda. “Quero colocar tudo certinho,” E o instituto vai ajudar nesse processo.

Da banana para o papel

Cleonice produz cartões, convites e embalagens com material feito a partir da fibra da bananeira(foto: Millena Campello/Esp. CB/D.A Press)
Cleonice produz cartões, convites e embalagens com material feito a partir da fibra da bananeira (foto: Millena Campello/Esp. CB/D.A Press)
 

É do papel que Cleonice Bezerra tira seu sustento. Aos 65 anos, ela fala sobre a necessidade de perceber o que o meio ambiente clama. “Saco de cimento, papel de sacolas, jornais, entre outros, são materiais que estão em excesso por aí”, afirma. Ela mora na comunidade rural Renascer, onde os agricultores pegam a fruta da bananeira e jogam o caule fora. Com a reciclagem do papel, todos esses problemas ambientais são resolvidos de um jeito criativo.

Cleonice utiliza a fibra da bananeira para produzir um papel diferente. Embora o produto se torne mais caro e, por enquanto, não exista muita demanda, o material é ótimo para fazer convites de casamento, bordados e embalagem para alimentos. Uma empresa de manteiga já utiliza essa alternativa em sua embalagem. “É o papel que o mercado precisa conhecer”, defende. No instituto, bordadeiras podem personalizar o papel de acordo com o gosto do cliente. 

O trabalho em equipe é remunerado de acordo com a carga horária que cada artesão gastou fazendo sua parte. Quem trabalha mais ganha mais. Cleonice explica que o instituto visita as mulheres na roça para entender as necessidades delas e, assim, ajudar na venda e na precificação dos produtos.

Jovens se reinventam com apoio

Conheça histórias de profissionais em início de carreira que mudaram de rumo e ganharam uma fonte de renda graças à ajuda do Instituto Entre Nós

Estampando música

Márcio Sena (E) e Bruno Melo (D) aprenderam as técnicas de serigrafia (foto: Millena Campello/Esp. CB/D.A Press)
Márcio Sena (E) e Bruno Melo (D) aprenderam as técnicas de serigrafia (foto: Millena Campello/Esp. CB/D.A Press)
 

Conhecido pelo sobrenome, Márcio Sena, 22, mora em Planaltina desde que se entende por gente. Ele vê o instituto como uma extensão da própria casa.  Foi no ensino médio, aos 18 anos, que ele conheceu e começou a participar de batalhas de rima, aqueles encontros de hip hop onde dois MCs duelam entre si com rimas improvisadas. O movimento começou quando a Batalha do Neurônio ocorreu em Planaltina.

Depois, Sena se juntou a um amigo e começou a organizar mais eventos como esse. Atualmente, eles têm um canal no YouTube chamado Guerra do Flow, com mais de 211 mil inscritos. É o sexto maior canal de batalhas de rima do Brasil. “Foi muita luta. Sofremos pressão policial”, lamenta, ao relembrar o início do projeto. Contudo, a dupla superou a opressão e, atualmente, alguns policiais costumam comparecer aos eventos para curtir e até gravar.

“Para mim, isso é uma conquista”, comemora Sena. Ele já presenciou muitas histórias comoventes de pessoas que mudaram de vida depois do hip hop e fica triste ao presenciar preconceito contra amantes desse ritmo. “Um amigo meu que era do crime conheceu a batalha e mudou. Está até estudando.” No canal, Sena empreende para conseguir oferecer prêmios para os vencedores das batalhas. Todas as sexta às 19h30, há batalhas no Complexo Cultural de Planaltina.
 
De segunda a quinta, o horário é o mesmo, porém os duelos de rimas ocorrem em localidades como Buriti, Araponga e Estância, dependendo do dia. No sábado, é às 18h, no Vale. “Algumas pessoas pensam que são maloqueiros, mas eles só querem oportunidade. Esse preconceito atrapalha”, afirma Bruno Melo, vigilante patrimonial. Bruno é o responsável pelas técnicas de sublimação e serigrafia do instituto, área pela qual Sena se interessou. Ambos se conheceram na organização.

Irmão de Renata, Bruno se tornou treinador no instituto no estilo aprender fazendo: viu vídeos no YouTube e, então, passou a ensinar jovens a estampar tecidos.

“A gente aprende ensinando”, afirma Bruno, ao recordar que, no começo, não sabia nada de sublimação, técnica de impressão em tecido. Foi no YouTube que aprendeu as técnicas necessárias. À medida que assistia a vídeos na plataforma, passava para os jovens do projeto e, em conjunto, colocava a mão na massa e produziam para vender. “Esses meninos são muito guerreiros. Eles têm muita força de vontade. O que você passa para eles, eles dão o melhor para atender!”, diz Bruno.

“Antes, eram quatro meninos desempregados. Agora, todos os quatro estão empregados”, comemora. O Instituto Entre Nós fechou uma parceria com o festival Coma e, graças a isso, a organização do evento levou os jovens da Guerra do Flow para oficinas no festival. Lá, eles aprenderam sobre o mercado e perceberam a necessidade de estudar e se profissionalizar no mundo da música.

Um ponto alto para Sena foi a chance de conhecer Thomas Bertoni, planaltinense, guitarrista da Banda Scalene e um dos organizadores do festival. Depois de receber apoio do instituto e dominar a máquina de serigrafia e sublimação, o jovem espera montar a própria grife de camisetas dentro da organização e, quem sabe no futuro, ajudar mais pessoas como ele está sendo ajudado.

Depois da gravidez...

Renata conseguiu fazer um curso e ganhar um novo sustento após ter filho(foto: Millena Campello/Esp. CB/D.A Press)
Renata conseguiu fazer um curso e ganhar um novo sustento após ter filho (foto: Millena Campello/Esp. CB/D.A Press)
 

Aos 21 anos, Renata Pereira estudava educação física na Faculdade Anhanguera, em Sobradinho, e trabalhava como vendedora em uma loja de enxovais. Quando descobriu que estava grávida, teve de sair da faculdade. Depois que o filho, Matheus, nasceu, Renata, hoje com 23 anos, não tinha quem ficasse com o bebê, nem dinheiro para colocá-lo numa creche. “Deixar filho pequeno em casa é complicado”, enfatiza.

Ela ficou desempregada e queria fazer um curso de design de glicerina, onde aprenderia a fazer sabonetes e velas para vender. Contudo, não tinha condições financeiras para bancar a capacitação nem para comprar os materiais a fim de começar a produção. O instituto foi o local certo para buscar ajuda: a Osc pagou o curso e comprou o material para ela empreender. “Só devemos passar na pele o que a gente comeria”, explica.

Por isso, Renata se esforça para fazer sabonetes mais naturais. Nenhum deles tem glúten ou lactose na composição. O de buriti e o de mel são livres de essência e corante. Ela também faz sabonetes com outras fragrâncias, mas precisa utilizar essência e, dependendo do caso, também é necessário adicionar corante, como nos sabonetes de maracujá, limão, mel, bambu, petit gateau e laranja. Com as vendas, Renata espera voltar a estudar em janeiro do próximo ano. Sonha fazer um curso técnico em enfermagem.

Queijo é a solução

Produtor iniciante buscou ajuda do instituto para quesitos como precificação, embalagem e etiqueta(foto: Millena Campello/Esp. CB/D.A Press)
Produtor iniciante buscou ajuda do instituto para quesitos como precificação, embalagem e etiqueta (foto: Millena Campello/Esp. CB/D.A Press)
 

Andrei Camargos, 27, estava desempregado. Sem saber o que fazer para conseguir dinheiro, começou a perguntar às pessoas mais próximas e, em uma conversa com um familiar, surgiu a ideia de produzir queijo. Graças a uma parceria do instituto com o Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), a sogra dele, Eunice Alves, fez um curso sobre derivados do leite. Por isso, ele a procurou atrás de dicas. Além do mais, o jovem foi atrás de Toinho do Queijo, produtor independente da região, e conheceu a cozinha dele.

Conversando e pesquisando, Andrei começou uma jornada de aprendizado. Os primeiros testes deram certo e, há cerca de dois meses, ele passou a comercializar seus primeiros queijos de porta em porta. A sogra, orgulhosa da produção do genro, não vê vantagens nos encontrados em supermercado. “No mercado eles são cheios de ar, criam uma barriga. Esse do Andrei é bem prensadinho”, elogia.

A produção de queijo frescal ainda está no começo. Por isso, Andrei espera que o instituto o ajude com a precificação, embalagem, etiqueta, verificação de qualidade e venda. “A intenção é vender em supermercado”, diz, esperançoso. O próximo passo é pedir um curso de queijos finos. “Queremos distribuir queijos bonitinhos, bem embalados.”

Realidade desenhada

"Meus desenhos vão aparecer nas camisetas do instituto" (foto: Millena Campello/Esp. CB/D.A Press)
 

Mailson Borges Rocha, 29, é prestador de serviços gerais numa Unidade Básica de Saúde (UBS), mas o que ele gosta mesmo de fazer é desenhar. A especialidade dele são desenhos realistas. Há quatro anos, o jovem deixou o hobby por questões financeiras. “O material é caro. Uma resma do papel de desenho Lana Bristol, com 20 folhas, custa entre R$ 150 e R$ 200”, conta. Os lápis têm diversas gramaturas e também são caros.

Expert em desenhos de rosto humano e de animais, o jovem leva, em média, de seis a sete horas para concluir uma obra. Ele fechou uma parceria com o instituto e está fazendo ilustrações que serão estampadas em camisetas. Mailson também recebe encomendas, e interessados podem escolher o material onde a obra será feita. É necessário dar uma entrada, equivalente ao custo para o artista comprar o que necessita e, na entrega, paga-se o restante.

Um auxílio-alimentação diferente 

Supermercados e distribuidoras doam alimentos, que são selecionados pelo instituto e distribuídos a famílias carentes(foto: Millena Campello/Esp. CB/D.A Press)
Supermercados e distribuidoras doam alimentos, que são selecionados pelo instituto e distribuídos a famílias carentes (foto: Millena Campello/Esp. CB/D.A Press)
 

Como todo supermercado, o Ultrabox tem de se desfazer de alguns alimentos semanalmente. São dispensadas frutas e verduras que, embora estejam boas para o consumo, já não apresentam a mesma beleza na prateleira. Em vez de ir direto para o lixo, esses alimentos são doados para quem necessita. Todas as terças-feiras, o instituto recebe essas mercadorias. Os voluntários fazem uma triagem.

“Algumas frutas vêm boas, outras vêm com uma parte ruim, aí a gente corta para ver se dentro está bom ou ruim”, explica Bruno. Quando o alimento não serve para consumo, ele é jogado fora. Depois da seleção, tudo é separado em sacolinhas e distribuído em bairros carentes de Planaltina, para famílias cadastradas. “Conheci histórias inimagináveis em pleno século 21”, lamenta. Outro dia, ofereceu uma pera para um criança carente enquanto distribuía as frutas e ela, sem acreditar no que estava ouvindo, perguntou: “Eu posso pegar mesmo?”

Ele só entendeu a cara de espanto da criança depois de ela explicar que ouviu da mãe que uma pera custava R$ 5 mil. O instituto também recebe doações da Frutbrasil, distribuidora de frutas. Embora a distribuidora faça muitas doações, a proprietária Eunice Alves explica que sempre sobram frutas. “Por isso, nós, do instituto, queremos comprar uma máquina para desidratar”, conta. Quando a fruta está seca, é possível vender a preços melhores e reaproveitá-las. 

*Estagiária sob supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa

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