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Desfile de moda-verão destaca grifes brasilienses de roupas de banho

A moda praia da capital federal está se fortalecendo e ganhou impulso com o evento Summer Collections Brasília. Biquínis, maiôs e sungas de nove grifes locais dominaram a passarela


postado em 15/12/2019 18:40 / atualizado em 16/12/2019 12:32

Modelos plus size, negros, brancos e com vitiligo indo e vindo, exibindo looks de praia na passarela. Iluminação em tons de rosa e figuras geométricas projetadas ao fundo. Músicas que combinam com as peças em destaque e dão o tom da coleção. E, na plateia, olhos vidrados nas tendências e muitos aplausos. Esse foi o cenário do Summer Collections Brasília 2019. A segunda edição do evento levou mais de 350 pessoas ao Espaço Cultural Renato Russo no último dia 5 para prestigiar empreendedores locais. Nove marcas brasilienses exibiram coleções próprias: Arara Store, Fabrika, Arpa Bikineria, Estilo Pool, Palloma Gomes, Sew-Up, Soul Mate, Sun Rose e Vento Radical.
 
 
 
Fernando Lackman, 36, é o idealizador e diretor-criativo do evento. Natural de Ceilândia e formado em jornalismo pela antiga Facitec, ele pesquisa a organização do mercado da moda há anos. “Percebi que, quando você setoriza, é mais assertivo”, afirma. Por isso, decidiu fazer um desfile focado em beachwear (moda praia). A primeira edição ocorreu no ano passado e teve mais de 150 pessoas na plateia. “Foi surpreendente. Queria fazer a edição deste ano com novas marcas, mas, quando anunciei, as antigas quiseram participar”, comemora. Ele conta que o desejo das grifes de estar novamente no desfile demonstra que a primeira edição foi bem-sucedida.
 
Cerca de 350 pessoas compareceram á mostra de beachwear do DF(foto: Renato Filho/Divulgação)
Cerca de 350 pessoas compareceram á mostra de beachwear do DF (foto: Renato Filho/Divulgação)
 
Fernando Lackman,idealizador do evento(foto: Renato Filho/Divulgação)
Fernando Lackman,idealizador do evento (foto: Renato Filho/Divulgação)
 
“Aqui promovemos muito o empreendedorismo. Temos muitos microempreendedores individuais (MEIs), e a maioria é jovem”, diz. “Brasília não é um polo de moda como São Paulo, mas queremos fortalecê-la. Quis sair da caixinha e mostrar outro lado. Por isso, vim para o Espaço Cultural Renato Russo”, aponta. Fernando conta, emocionado, que o Summer Collections Brasília é a realização de um sonho e que alguns detalhes da próxima edição já estão planejados. “Agora que conseguimos conquistar o mercado, teremos, no próximo ano, dois eventos. Um em abril ou maio e outro em setembro”, anuncia.

Diversidade valorizada 

A consultora Lilian elogia a inclusão na passarela(foto: Hay Torres/Divulgação)
A consultora Lilian elogia a inclusão na passarela (foto: Hay Torres/Divulgação)
A consultora de imagem especialista em moda plus size Lilian Lemos Machado, 42, acredita que eventos como esse são importantes para mostrar a moda de produtores locais e valorizá-los. “Aproveito oportunidades que reúnem marcas da minha cidade para vestir minhas clientes”, conta. Para Lilian, o desfile de biquínis quebrou paradigmas. “Se avaliarmos a quantidade de modelos, havia homens de várias estaturas e estruturas físicas, mulheres, também de vários biótipos, e duas plus size que representaram muito bem a categoria”, frisa.
 
“A pretensão é fazer um evento completo: levar os donos das marcas para o desfile de moda carioca Veste Rio, fazer cursos e internacionalizar as marcas brasilienses”, explica o idealizador Fernando. A maquiagem e o cabelo dos modelos foram produzidos por aproximadamente 40 alunos do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), sob supervisão de Verônica Goulart, coordenadora de moda e beleza da instituição, e três professores, Stephane Lopes, Saint Clair Santos e Maria Auxiliadora de Almeida Rodrigues.

(foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)
 
 
Moradora de Ceilândia, Patrícia Moura da Silva, 36, fez o primeiro curso de maquiagem em agosto deste ano, pelo Programa Senac de Gratuidade (PSG). A convite da instituição, participou de outros eventos para colocar em prática o que aprendeu. Para ela, a oportunidade de maquiar no Summer Collections foi incrível. “Experiência extraordinária! Foi bacana porque o mundo da moda é muito intenso e nem sempre os bastidores são mostrados. Nesse evento, tivemos a oportunidade de ser apresentados e agradecidos pelo trabalho. É bacana porque, a cada oportunidade, adquirimos experiência.”
 
 
 
 
 

Do hobby para o ganha-pão

Mais de 40 alunos do Senac fizeram a maquiagem e o cabelo dos modelos que desfilaram no evento(foto: Cristiano Costa/Divulgação)
Mais de 40 alunos do Senac fizeram a maquiagem e o cabelo dos modelos que desfilaram no evento (foto: Cristiano Costa/Divulgação)
 

 

Rodolfo Rodrigues, dono e estilista da marca de sungas SewUp(foto: Renato Filho/Divulgação)
Rodolfo Rodrigues, dono e estilista da marca de sungas SewUp (foto: Renato Filho/Divulgação)

 

(foto: Renato Filho/Divulgação)
(foto: Renato Filho/Divulgação)
 

“A única coisa que não quero é que a minha marca seja excludente”, resume o brasiliense Rodolfo Rodrigues, 38, dono e estilista da grife Sew Up. O desejo de atender diferentes públicos o levou a desenvolver biquínis para trans, moda praia para XXL (extra extra largo, em inglês) e o que mais for preciso para incluir todos os que querem usar roupa de banho. Rodolfo produz, em média, 300 sungas por semestre com ajuda de cinco costureiras. Ele criou uma linha de sungas Confort, com um corte que, além de mais confortável, dá a impressão de que o homem é mais avantajado. “As mulheres enganam com o bojo e, agora, os homens enganam com essa costura.”

A história dele com a moda começou antes de ingressar na Universidade de Uberaba, para estudar jornalismo. Aos 17 anos, ele queria vestir uma sunga diferente das que o mercado vendia. Dessa forma, comprou uma e adaptou. “Cortei como eu queria e levei para a costureira”, lembra. Em uma viagem ao Rio de Janeiro, ele usou uma das suas adaptações, e um vendedor ambulante ficou interessado. “Aí eu percebi que isso poderia se tornar um negócio e que eu poderia ganhar dinheiro.” Contudo, a falta de experiência o atrapalhou nesse primeiro momento.
 
Desfile da marca Vento Radical foi o único que teve modelos plus size(foto: Renato Filho/Divulgação)
Desfile da marca Vento Radical foi o único que teve modelos plus size (foto: Renato Filho/Divulgação)
“Eu não sabia como fazer nada. Senti muita dificuldade e demorei para fazer a primeira entrega”, diz. Assim, a produção de roupas praianas foi ficando de lado. Ele se formou em jornalismo, depois estudou arquitetura, sem chegar a concluir o curso, e a moda foi ficando cada vez mais distante. Até que a crise de 2017 deu um empurrão. “Eu fui demitido do estágio em arquitetura e decidi parar de encarar a minha marca como hobby. Ela seria meu ganha-pão”, recorda. A partir dessa decisão, Rodolfo fez cursos para aprender a desenhar, modelar e costurar.

“Já tive muito problema de a roupa ficar com defeito porque eu não sabia costurar.” Como empreendedor, sentiu dificuldades no começo. “Eu fui à Receita Federal e à Secretaria da Fazenda e eles não me davam informação sobre a burocracia de abrir uma empresa. Eu pedi um telefone para ligar e tirar dúvidas, mas me falavam que tudo estava na internet. Não sei se é porque não sou muito digital, mas foi bem difícil para mim”, relembra. Além disso, Rodolfo também fez cursos de empreendedorismo para ajudá-lo na administração do próprio negócio. Hoje, ele vende peças pelo WhatsApp (61 98328-9953) ou pelo Instagram @sew_up.

“Faço o que gosto”

(foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
Socorro Vale, 82, costura desde criança, mas foi aos 55 anos, quando se aposentou, que resolveu criar a própria marca, chamada Vento Radical. “Trabalhei 37 anos como funcionária pública. Depois disso, quis fazer algo que eu gosto”, afirma. No início, planejava fazer cursos de tortas finas para passar a velhice trabalhando com isso. Os planos dela mudaram quando leu um anúncio de um curso de modelagem industrial no jornal Correio Braziliense. Antes de abrir a loja, ela levou meses fazendo cursos sobre o setor fashion, mas também sobre empreendedorismo e exportação.

“Percebi que o DF tem mercado para moda praiana porque muitos brasilienses aproveitam as férias para irem à praia, a cachoeiras e a clubes”, observa. Além do mais, Socorro acredita que trajes de banho do Brasil são muito bem-vistos no exterior. “Quando fomos exportar para a Itália, os gringos queriam moda brasileira para o corpo da europeia.” Formada em administração pelo Centro Universitário de Brasília (UniCeub), Socorro afirma que estudantes saem da universidade e não sabem empreender, por isso, existem muitas dificuldades. Uma delas é conhecer o mercado e o fornecedor. “Em Brasília, é muito difícil adquirir a matéria-prima, pois não é uma cidade industrial. Assim, recorro a Goiânia.”

A loja Vento Radical, localizada no Polo de Moda do Guará, foi a única que levou moda plus size ao desfile. Duas modelos, Camila Bretas e Gabi de Paula, exibiram roupas de banho feitas para mulheres gordas. “Antes de abrir minha loja, já estava determinada a fazer roupas para tamanhos especiais”, relembra. Ela acompanhava a dificuldade de muitas pessoas que tinham problema para encontrar roupas com numerações maiores. Por isso, decidiu produzir moda plus size.

Hoje, a marca conta com quatro funcionários, entre eles, a designer de moda Mabel de Bonis, que desenhou os looks do desfile, e o designer especialista em estamparia Eduardo Amorim, responsável pelas estampas da nova coleção, inspiradas nos elementos da capital federal: céu, entardecer, anoitecer e solo. “Brasília é muito visual. Tenho tanta inspiração que minha cabeça fica virando”, afirma. Amorim acredita que o Summer Collections Brasília acertou ao ser um evento tão específico. “Aqui as pessoas usam muito a moda praia”, conta. As peças da Vento Radical são vendidas no show room no Polo de Moda do Guará ou pelo Instagram @ventoradicaloficial.

Representatividade

Mariana, dona de uma agência de modelos(foto: Arquivo Pessoal)
Mariana, dona de uma agência de modelos (foto: Arquivo Pessoal)
“Para ser plus size, a modelo tem que vestir de 44 para cima, ter curvas e saber desfilar e fotografar”, explica Marina Sakamoto, 42, dona da agência de modelos Scouting. “A procura por esse perfil ainda é baixa. Não temos muita demanda”, lamenta. Ela conta que há aproximadamente cinco anos começou a preparar esse público para desfilar, pois só em 2014 as empresas começaram a solicitá-las. “Não é só pegar uma gordinha e dizer que é plus size”, afirma Marina. Ela acredita que é necessário uma preparação para qualquer modelo. A agência que ela representa, por exemplo, dá cursos preparatórios que ensinam técnicas de expressão facial, postura, maquiagem, foto e vídeo. No desfile Summer Collections, apenas a marca Vento Radical exibiu moda plus size.
 
Para Marina, esse tipo de representatividade faz a diferença. “É importante mostrar que temos moda para todos os perfis”, destaca.
 
 

*Estagiária sob a supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa   

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