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Campeão de windsurf foil é dono de clube dedicado a esportes em Brasília

Campeão brasileiro de windsurf foil é dono de clube dedicado a esportes no Lago Paranoá. O maior segredo do crescimento do negócio, que recebe até 300 pessoas por dia nos fins de semana, é o amor do dono pelo que faz

Ana Paula Lisboa
postado em 23/02/2020 16:12

Praticantes de vela, windsurf, caiaque, SUP (stand up paddle) e outras modalidades aquáticas encontram no Katanka o porto seguro ideal. O clube é uma praia brasiliense e faz o melhor uso possível de um dos grandes legados da construção da capital federal, que é o Lago Paranoá. Localizado dentro do Clube das Nações, mas aberto ao público, o local não é exclusivo para amantes de esportes.

Os frequentadores encontram ali um bar e restaurante com opções de lanche e almoço, além de drinks e petiscos, espreguiçadeiras para tomar sol, redes à sombra de árvores, área verde ao redor por onde passam animais, como capivaras e araras; Tudo isso ao longo da orla do lago e a poucos metros da Ponte JK. Trata-se de uma boa opção de entretenimento para passar o dia sozinho, em família ou com amigos.

A história do Katanka se confunde com a do proprietário e fundador, Marcello Morrone, 48 anos, que venceu, em 2019, o Campeonato Brasileiro de Windsurf Foil. Nessa modalidade, é como se as pranchas com vela voassem sobre a água, pois apenas um hidrofólio encosta realmente na superfície, enquanto o atleta se equilibra, com a força do vento, bem acima do lago. O cerne do negócio, a princípio, era ensinar pessoas a praticar esportes aquáticos.
Marcello Morrone, dono do clube e apaixonado pelas águas
O próprio Marcello dá aulas até hoje. Ao longo dos anos, ele e a mulher, a arquiteta Daniela Morrone, foram expandindo o leque de ofertas, o que ficou mais fácil depois que o clube ganhou uma sede fixa, em 2008. Antes, a partir do ano 2000, os serviços eram oferecidos em clubes diversos até, por fim, chegar ao endereço atual.

Hoje, é possível ir ali para aprender um esporte, curtir o ambiente ou alugar equipamentos ; incluindo caiaque, SUP, vela e até bikes aquáticas, em que os clientes sentem e pedalem enquanto se locomovem pela água. Quem tem equipamento próprio também pode optar por pagar uma taxa para armazenar no clube. As opções, garante Marcello, são para todas as idades. ;Aqui tem desde criança de 8 anos a idoso de 80.; Atualmente, o negócio tem 12 funcionários para dar conta da demanda.

Nos dias movimentados, o clube recebe de 200 a 300 pessoas. ;E há ocasiões em que precisamos fechar a entrada porque atingimos a lotação, tem gente que deixa para vir mais tarde e não consegue entrar.; Para o cliente Rui Nascimento, 59 anos, o Katanka é um jeito de ter um gostinho da vida praiana em plena capital federal. ;Sou carioca, gosto de surf e moro em Brasília há muitos anos. Então, eu vejo aqui como um substituto da minha praia;, diz o ex-jogador profissional de tênis, medalhista em Olimpíadas e em Jogos Pan-Americanos que frequenta o clube desde 2010.

Amor que nasceu cedo

Filho de um italiano que cultivou nele, desde criança, o amor pela vela, Marcello, hoje, faz o mesmo com os dois filhos, um menino de 8 e uma menina de 7 anos. ;Quando eu fiz 13 anos, meu pai, que era muito ligado ao mar, me deu um barquinho à vela para aprender. Desde menino, eu adorava brincar de barco, mesmo estando em Brasília, longe do mar. Minha coisa sempre foi com iatismo, mas de vela, não de lancha;, afirma.
O clube fica a poucos metros da Ponte JK; então, quem sai navegando a partir do Katanka desfruta da vista do cartão-postal
O primeiro contato com uma prancha veio no começo da adolescência, passando o verão numa praia do Espírito Santo, onde o pai tinha um apartamento. ;Um vizinho tinha uma prancha à vela, e eu tinha um barco. Trocamos para experimentar e, de lá para cá, eu nunca mais voltei para o barco;, brinca. A paixão de Marcello por esportes não motorizados na água é tanta que isso acabou fazendo-o mudar de carreira.
Engenheiro civil com especialização em segurança do trabalho, ele fez diversas matérias optativas de educação física durante o curso na Universidade de Brasília (UnB). ;Em uma dessas vezes, um professor estrangeiro ofereceu a disciplina Metodologia da prancha à vela. Eu já velejava e, quando vi na grade essa oferta, quis fazer na hora;, lembra. No semestre seguinte, Marcello chegou a ser monitor do docente e aprendeu técnicas para ;ensinar a ensinar;.

Com um grupo de amigos da UnB, montou uma escola de windsurf em 1991. Na época, ele investia todo o dinheiro que ganhava como estagiário de engenharia nisso. ;Como Brasília tem um vento muito particular, cada hora está de um jeito, eu sempre pesquisei muito os equipamentos mais eficientes para funcionar nas condições menos perfeitas;, diz. Com o tempo, os sócios se separaram. ;Essa escola continua até hoje, e eles são muito meus amigos. Cada um seguiu seu rumo, e eu vim fazer o Katanka;, conta.

;Eu comecei a trazer equipamentos que funcionavam melhor do que os que existiam por aqui, e essa fama começou a se espalhar.; Nos primeiros cinco anos do negócio, Marcello conciliava o clube e a engenharia civil. ;Depois, eu vi que não dava para fazer os dois bem-feito. Então, eu optei pelo que eu gostava mais;, relembra. ;E acho que um dos segredos de ter dado certo é o fato de eu gostar demais do que faço. Eu vibro com cada pessoa diferente que vem e passa a gostar também do que a gente gosta.;

Segundo o empreendedor, atrair gente nem sempre é fácil. ;O desafio é estar em Brasília desenvolvendo uma atividade que não é própria daqui, não é natural, a gente não tem mar. A maior parte da população não tem familiaridade com esses esportes;, explica. Graças à popularização do SUP, esse cenário tem se modificado um pouco. ;E nem todo dia é bom para windsurf, que requer mais vento. Com o SUP, mesmo sem vento dá para estar fazendo algo legal na água.;
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Na década de 1990, os praticantes de windsurf eram os maiores frequentadores do Katanka. Hoje, há mais interessados em SUP. Para quem nunca tentou algo assim, Marcello deixa o convite: ;Quem não conhece precisa experimentar e ver o tanto que é gostoso fazer uma atividade física em cima da água e contemplar o ambiente. Temos equipamentos certos aqui para qualquer condição de vento, nível técnico (de amador a quem quer competir) ou tipo físico;.

Adaptação

Com a estrutura do Katanka, ele conta que tem gente que aproveita qualquer intervalo para praticar. ;Existe uma pressa do velejador de entrar na água porque o vento pode estar bom e mudar. Então, deixamos tudo engatilhado. Em uma hora, a pessoa pode treinar, almoçar, tomar banho e ir embora;, diz. Quando o assunto é refeição, parmegiana é um dos pratos que mais faz sucesso. Há também opções mais leves, como tapioca e açaí. ;No começo, eu não tinha a visão de que o pessoal gostaria de um espaço para fica fora d;água e comer ou relaxar;, admite.

;Antes, tínhamos uma lanchonete e, há uns dois anos, tivemos essa sacada colocamos um restaurante;, relata. Foi como empreender num ramo totalmente novo, e ele e a esposa contrataram uma consultoria para montar o cardápio. Também investiram em tecnologia: os pedidos são feitos e pagos num totem digital, o que acabou com um antigo problema de filas no caixa. ;Focamos aqui num ambiente de família, tem muitos pais que vêm com crianças, não tem música alta. É quase num sistema de praia mesmo, o pessoal costuma vir e passar o dia todo;, descreve.

Saiba mais

Katanka, clube náutico de esportes não motorizados
Setor de Clubes Sul, Trecho 4, dentro do Clube das Nações
www.katanka.com.br / Instagram: clubekatanka / 981725233
Durante o carnaval, até terça-feira (25), o horário de funcionamento é das 9h às 16h
Entrada por dia: R$ 20, valor que é revertido no aluguel de equipamentos; crianças acima de 12 anos não pagam
Aluguel de SUP: R$ 35
Caiaque Duplo: R$ 40 reais por meia-hora ou R$ 50 reais por uma hora

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