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Conheça tendências que irão revolucionar o mundo do trabalho em 2020

Vários dos movimentos em alta, como teletrabalho, casa inteligente e transporte alternativo, tendem a se intensificar ainda mais com a pandemia do coronavírus


postado em 22/03/2020 17:15 / atualizado em 23/03/2020 20:03

Num mundo movido à tecnologia, as grandes tendências que guiam comportamentos avançam na velocidade das inovações digitais e se guiam por elas. Há algumas décadas, filmes futurísticos imaginavam várias inovações que seriam integradas ao cotidiano das pessoas, incluindo carros voadores. Nem todas as ideias viraram realidade, mas muito do que foi pensado lá atrás se concretizou, sim, exemplo de chamadas com áudio e vídeo, óculos de realidade virtual, casa inteligente, carros autônomos e muito mais.
 
Eduardo Guerreiro, diretor de Negócios Digitais da Cognizant no Brasil.(foto: Cognizant Brasil/Divulgação )
Eduardo Guerreiro, diretor de Negócios Digitais da Cognizant no Brasil. (foto: Cognizant Brasil/Divulgação )
No entanto, tudo isso demorou muito para virar realidade. Agora, o que se pensa para o futuro torna-se real a passos muito mais rápidos, de acordo com estudos e especialistas. O peso das novas ferramentas na vida das pessoas só tende a aumentar, provocando mudanças estruturais e ditando comportamentos. Entretanto, o mundo virtual não é uma tendência que anda sozinha, pois se sacode de acordo com os hábitos da sociedade, como mostram quatro estudos. Entre eles, estão levantamento da Cognizant, empresa americana de tecnologia da informação, que apresentou 42 tendências para o futuro do trabalho.

Segundo Eduardo Guerreiro, diretor de negócios digitais da Cognizant no Brasil, a tecnologia não passa de uma ferramenta, portanto, não é ela que estabelece as tendências. “As mudanças que estamos avaliando são do comportamento humano”, explica. Entre essas, estão descentralização de hierarquias, variações de locais e horários de trabalho (algo que já estava em curso, com a disseminação do home office, mas ganha caráter quase impositivo durante a pandemia do coronavírus), aumento do valor do propósito, preocupação com o meio ambiente e até mesmo alterações no modo de se vestir.

Marcos Carvalho, sócio da PWC no Brasil. (foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
Marcos Carvalho, sócio da PWC no Brasil. (foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
As tendências que influenciarão o futuro do trabalho e da vida humana se complementam umas às outras, como destaca Marcos Carvalho, sócio de Auditoria da PricewaterhouseCoopers (PwC) no Brasil. Pensando nos grandes movimentos que trariam um forte impacto na natureza, na sociedade e na economia, a consultoria publicou o estudo Megatendências: uma síntese das implicações. A pesquisa, de 2015, resumiu cinco supermovimentos que afetariam os rumos das empresas e da sociedade, entre mudanças demográficas e climáticas, deslocamentos do poder econômico, urbanização acelerada e avanços tecnológicos.
 
Apesar de o levantamento afirmar que o mundo está mudando em ritmo acelerado, nem mesmo a própria PwC imaginava que as megatendências listadas no documento se tornariam realidade tão rapidamente. Marcos Carvalho, bacharel em contabilidade pela Universidade de São Paulo (FEA/USP), explica que, além de tais mudanças estarem conectadas umas às outras, elas estão se concretizando em uma escala muito maior do que o esperado. “Todos os temas listados no estudo em 2015 estão na mídia atualmente. Aquilo que colocamos como potenciais temas de foco, hoje, são fato”, afirma.

Por essa razão, a abordagem do próximo estudo precisou mudar. Entre 2018 e 2019, a empresa reavaliou toda a pesquisa e a direcionou de forma mais conjunta. Assim foi criado o conceito Adapt, dessa vez com as cinco consequências das megatendências. A palavra é uma sigla para assimetria, disrupção, idade, populismo e confiança, na versão em português.

Inteligência artificial impacta profissões

Marcel Motta, diretor geral da Euromonitor no Brasil. (foto: Euromonitor/Divulgação)
Marcel Motta, diretor geral da Euromonitor no Brasil. (foto: Euromonitor/Divulgação)
 

Todos os anos, o grupo de pesquisa estratégica de mercado Euromonitor publica as 10 principais tendências globais de consumo. A sondagem é feita com empresas de 100 países investigadas por mais de 1.000 analistas. Tecnologia, cuidado consigo e com a sociedade devem ser os destaques deste ano, de acordo  Euromonitor. A primeira tendência, intitulada “Mais que humanos”, aborda a inserção de robôs e da inteligência artificial (AI, na sigla em inglês) no cotidiano das pessoas para fins de bem-estar, conveniência e conforto.


Segundo Marcel Motta, diretor geral da Euromonitor no Brasil, em 15 anos, a novidade afetará cerca de 50% dos empregos do mundo. Entretanto, não é necessário se assustar com o decorrente aumento do desemprego. As máquinas serão utilizadas para fazer o trabalho que o ser humano não deseja mais, além de propiciarem a criação de novos cargos, funções antes inimaginadas. Um exemplo atual é a extinção do trabalho de cobrador de ônibus em São Paulo.

A posição foi substituída por um equipamento que faz a cobrança automaticamente, e os profissionais foram realocados para outras atividades, como recarregar o cartão de passagem. “A tecnologia sempre vai impactar o mercado de trabalho. É um processo natural”, explica Marcel, mestre em economia pela Universidade de Wisconsin-Madison. No Brasil, a tendência começou a ganhar força. O país ganhou, neste ano, o primeiro curso técnico em inteligência artificial integrado ao ensino médio, ministrado pela Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), em São Paulo. Para Marcel Motta, o Brasil tem um grande potencial de se tornar referência no assunto.

De olho nos empregos do amanhã

Lucas Davi Santos, estudante de curso técnico de inteligência artificial integrado ao ensino médio. (foto: Renato De Oliveira Souza/FECAP/Divulgação)
Lucas Davi Santos, estudante de curso técnico de inteligência artificial integrado ao ensino médio. (foto: Renato De Oliveira Souza/FECAP/Divulgação)

Lucas Davi Santos, 14 anos, é um dos 23 alunos do novo curso da Fecap. Inicialmente, o jovem queria cursar informática, mas, como as vagas haviam acabado, a escola sugeriu a matrícula no recém-criado curso de inteligência artificial e ele aprovou a ideia. “Eu vi como uma grande oportunidade. Eu percebo que, no futuro, a humanidade vai desenvolver grandes tecnologias assim”, relata. Segundo o estudante, as aulas têm sido muito produtivas.


A empolgação é notável, e Lucas tem certeza de que concluirá o ensino médio preparado para trabalhar na área. O objetivo é um dia ser empregado da empresa de tecnologia Google. Na faculdade, o jovem apostará mais uma vez em inteligência artificial, pois acredita que é a profissão do futuro. A professora Evelyn Cid, 38, é especialista em engenharia de software pela Universidade São Judas e coordenadora do ensino técnico da Fecap. No curso, ela ministra a disciplina de inteligência artificial aplicada aos negócios. A docente explica que a graduação é totalmente desenvolvida para o mercado de trabalho.
 
Evelyn Cid, coordenadora de ensino técnico da Fecap. (foto: Renato De Oliveira Souza/FECAP/Divulgação)
Evelyn Cid, coordenadora de ensino técnico da Fecap. (foto: Renato De Oliveira Souza/FECAP/Divulgação)
No ano passado, Evelyn e o diretor da escola, Marcelo Krokoscz, mapearam novas profissões e perceberam o destaque da inteligência artificial. O estudo feito pela Cognizant, reforça que inteligência artificial é a profissão do futuro. A pesquisa sugere que devemos tratar a inserção desses novos dispositivos à vida cotidiana com naturalidade, afinal “os filmes de Hollywood com robôs inteligentes malvados são uma miragem”. A tecnologia precisa de pessoas para operá-la. “Nós potencializamos a inteligência artifical para que ela aprenda a tomar decisões de acordo com nossos pensamentos”, enfatiza Eduardo Guerreiro. 

Confira as cinco implicações das mudanças em curso:

» Assimetria: aumento da riqueza, intensificação de desigualdades e erosão da classe média.
» Ruptura: a velocidade, a escala e a natureza difusa dos avanços tecnológicos. Assim, a transformação digital e a rapidez de execução viram requisitos de sobrevivência para a maioria das organizações.
»  Idade: pressão demográfica nos negócios, instituições sociais e econômicas. A população global está a caminho de atingir 8,5 milhões antes de 2030. Nas economias envelhecidas, os trabalhadores mais velhos precisarão trabalhar mais e aprender novas habilidades, enquanto, nas economias mais jovens, os governos serão confrontados com o alto desemprego juvenil.
»  Populismo: colapso no consenso global, gerando um mundo fraturado, em que o nacionalismo ganha força, e crescente tensão nos negócios transnacionais. Haverá pressão para redução de impostos cobrados de empresas, num contexto em que países passam a competir para atrair companhias.
»  Confiança: declínio da confiança nas instituições que sustentam a sociedade a partir dos efeitos avassaladores da corrupção. A potencialização da desinformação é uma das consequências do fenômeno.
Para conferir a pesquisa na íntegra, acesse 

Termo “Adapt”

Cinco questões e implicações globais urgentes.
A PwC identificou megatendências que transformarão nosso mundo ainda mais rápido do que o previsto. Acredita-se que isso se deve à interação entre as tendências, o que aumenta a velocidade e a difusão da mudanças. A sigla Adapt considera as megatendências como um dado e está focado nos efeitos de segunda ordem, os quais têm um impacto imediato nas atuais tomadas de decisões.

Não existe idade para parar

Rosimary Ferreira, 65 anos, proprietária de um cursinho de reforço. (foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
Rosimary Ferreira, 65 anos, proprietária de um cursinho de reforço. (foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)

A primeira megatendência apontada pelo estudo da PwC traz mudanças demográficas. Isso significa que, enquanto algumas sociedades estão envelhecendo rapidamente, outras são jovens e estão crescendo. Umas das consequências desse fenômeno é a pressão social para criar empregos destinados a trabalhadores mais velhos, que precisarão aprender novas competências. “Isso pressiona a aposentadoria e um governo direcionado a programa sociais. Há países mais jovens com uma grande população que não está se qualificando”, afirma Marcos Carvalho.


Segundo a PwC, enquanto a nova geração precisa de maior qualificação e exige um ambiente de trabalho diferente do tradicional, com horário flexível e contratos mais curtos, por exemplo, os profissionais mais velhos precisam de uma política de reinserção. A própria PwC conta com um programa interno de mentoria ou coaching, em que todos os funcionários têm um coach (na verdade um colega mais maduro) a quem podem recorrer quando tiverem dúvidas ou precisarem de ajuda.

A experiência de um profissional mais velho é de extrema importância para qualquer negócio. “Eles têm características que os jovens vão levar muito tempo para ter”, diz Marcos. Rosimary Ferreira, 65 anos, além de proprietária do curso de aulas particulares e reforço Nota Máxima, continua trabalhando no local como coordenadora pedagógica. A idade não é empecilho para oferecer o melhor serviço que pode. “Eu gosto de trabalhar. É muito bom sentir que estou provocando uma mudança positiva em uma criança. Isso me preenche”, confessa.

Troca de experiências intergeracional

A pedagoga acredita que o mercado sente falta do conhecimento e da prática de uma pessoa acima dos 60 anos. Informação teórica e domínio das novas tecnologias não bastam para oferecer um serviço de qualidade. Para ela, a convivência entre as gerações é fundamental. “É uma oportunidade para que os jovens extraiam conhecimento até mesmo a partir do comportamento profissional”, opina. Segundo Marcos Carvalho, as pessoas estão ficando mais velhas e mais obsoletas no ponto de vista tecnológico, mas isso não quer dizer que não sejam mais úteis — além disso, existe espaço para se atualizarem.

“Nós acreditamos muito no equilíbrio entre as idades e entendemos que essa diferença agrega muito”, diz Marcos. Apesar de sempre ter sido a própria chefe, Rosimary acredita que seria bem recebida se optasse por ir trabalhar em outro lugar. “Claro que vou concorrer com os mais novos, mas, se a escola tiver essa visão (de valorizar a experiência e a maturidade), eu tenho chance”, afirma, otimista. O quadro de funcionários do cursinho da pedagoga inclui professores acima dos 60.

“Nada justifica uma pessoa idosa estar parada dentro de casa de pijama e chinelo com uma bagagem de conhecimento de 35 anos. Se ela estiver bem de saúde, vai fazer muito bem em continuar ativa”, reflete. Sentir-se ocupada, arrumar-se para trabalhar, ter contatos e passar o que aprendeu para outras pessoas são fatores que tornam a vida de Rosimary mais alegre. “Sou feliz e realizada. É cansativo, mas são tantos benefícios que a gente passa por cima”, afirma.

O boom do trabalho remoto: casas inteligentes estão por vir

Soraya Bahde, diretora de Gente e Inovação da Alelo. (foto: Fabiano Accorsi/Divulgação)
Soraya Bahde, diretora de Gente e Inovação da Alelo. (foto: Fabiano Accorsi/Divulgação)

Já pensou em organizar o próprio horário e o cumprir em casa ou qualquer outro lugar que não seja a empresa? Agora, a pandemia do coronavírus obriga trabalhadores e companhias em todo o mundo a se adaptarem ainda mais rapidamente a essa tendência, que já era o sonho de 49% das pessoas empregadas, 55% dos autônomos e para 55% dos desempregados, segundo pesquisa feita pelo Instituto Ipsos, encomendada pela fornecedora de serviços Alelo. O levantamento Alelo Hábitos do Trabalho ouviu 2.333 pessoas, por meio de uma pesquisa on-line. 

 
Um dos principais motivos para o home office ter se tornado tão desejado é a possibilidade de equilibrar as diferentes áreas da vida. “Com os problemas que temos de deslocamento e trânsito, a possibilidade de trabalhar de qualquer lugar oferece flexibilidade para conciliar compromissos pessoais e atividades físicas com as funções do emprego”, afirma Soraya Bahde, diretora de Gente e Inovação da Alelo. Além da flexibilidade, o trabalho remoto dá autonomia ao profissional, que precisa aprender a se organizar, definir prioridades e ser produtivo sem supervisão presencial. 
 
Outra questão positiva para empresas é a redução de gastos com espaço, energia, água etc. Para Eduardo Guerreiro, da Cognizant, essa é umas tendência mais fortes no mundo do trabalho atual. “A jornada de 40 horas a que nós estamos acostumados está acabando. Eu não preciso mais controlar o horário do funcionário porque o que importa é que o produto seja entregue dentro do prazo”, justifica. 

Organização é essencial

Jessica Guedes,Advogada trabalhava em home office. (foto: Jéssica Guedes/Divulgação)
Jessica Guedes,Advogada trabalhava em home office. (foto: Jéssica Guedes/Divulgação)

Jéssica Guedes, 24 anos, segue rotina laboral a distância há dois anos, desde que se formou no Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP). Ela presta serviços em home office para um advogado autônomo fazendo a redação de peças jurídicas, acompanhamento processual e elaborando a parte burocrática de processos. Quando necessário, acompanha clientes presencialmente. Para a advogada, a palavra que melhor define a atividade é organização. Sem ela, as tarefas se acumulam e as vantagens não são aproveitadas.

Uma rotina sustentável

 

A preocupação com o meio ambiente permeia diversos pontos das pesquisas sobre tendências. Mudanças climáticas e a escassez de recursos norteiam a quarta megatendência do estudo feito pela PwC em 2015. O Conselho Nacional de Inteligência dos Estados Unidos (NIC) prevê que a demanda por fontes de água, energia e alimentos aumentará de forma acentuada. Empresas terão que transformar o modelo de negócios para sobreviver.

Entre as 10 tendências de consumo da Euromonitor, a sustentabilidade é o foco de três: “mobilidade sem limites”, “revolucionários da reutilização” e “queremos ar puro por toda parte”. O espaço de coworking, eventos e café Yolo, localizado no Setor de Clubes Sul, completará um ano em maio e já faz parte da lista dos nove espaços de coworking mais elegantes do mundo, de acordo com o site Beer or Coffee. A vista para o Lago Paranoá, aliada a um ambiente moderno e funcional, ajudam. O nome Yolo deriva da expressão inglesa You Only Live Once (Você Só Vive Uma Vez).
 
(foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
 
Mesmo tão jovem, a empresa brasiliense tem a sustentabilidade como um dos principais propósitos. A CEO, Ana Cristina Alvarenga, divide a gestão com os dois filhos, Ana Carolina, que cuida da parte financeira, e Pedro Alvarenga, gerente de comunidade. A meta de Pedro, 24 anos, é que o espaço um dia seja reconhecido como 100% sustentável. Desde a inauguração, o Yolo conta com um sistema de reutilização da água, que, além de ser ecológico, faz com que a conta da Caesb (Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal) seja uma das menores preocupações da gestão.  

Sempre em busca de ser verde

Mariana Esteves e Fernando Luiz de Oliveira, sócios da startup Yest(foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
Mariana Esteves e Fernando Luiz de Oliveira, sócios da startup Yest (foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
 

O desafio é grande, mas a iniciativa é um dos pontos fortes da equipe. Durante as reuniões, o time debate novas ideias sustentáveis, como a adoção de ecocopos e ecoxícaras, além de panos de prato na cozinha em vez do papel toalha. Um investimento mais moderno é a parceria com uma das empresas residentes, a startup Yest Tecnologia. Juntos estão passando por uma fase de teste do sistema Coworking 4.0. Trata-se de um aplicativo que torna possível verificar a quantidade de energia gasta em cada ponto do estabelecimento. 
 
O fundador da startup, Fernando Oliveira, explica que a inovação é também uma maneira de tornar o ambiente mais confortável e receptivo. O local conta também com um poste de energia solar para carregamento de celulares logo na entrada. “É uma forma de energia muito mais econômica que a convencional. Queremos espalhar isso”, declara.
 
O gasto com energia é o maior da empresa. Afinal, o ar-condicionado precisa estar ligado quase que durante todo o dia, existem os freezers e muitos computadores. Para solucionar essa questão, a ideia é a instalação do teto solar até o fim do ano. Os residentes do coworking são incentivados a trabalhar como se estivessem em casa. Eles lavam a própria louça na copa, têm acesso 24 horas ao prédio, senha do alarme, contam com chuveiro e vestiários se precisarem de um banho.

Para deixá-los ainda mais confortáveis, Pedro Alvarenga pretende negociar com a Secretaria de Transporte e Mobilidade a possibilidade de implantar um ponto das bicicletas compartilhadas próximo à empresa ou pelo menos um bicicletário próprio. 

“No começo, eu tinha muita dificuldade. Já perdi fins de semana inteiros trabalhando, mas, com o passar do tempo, comecei a planejar o tempo e seguir tabelas”, relembra. Hoje, com o planejamento correto, ela consegue entregar as demandas dentro do prazo. Jessica separa cerca de seis horas por dia para o trabalho, de acordo com os compromissos da vida pessoal. Se houver uma consulta, um aniversário, ou qualquer outro programa não profissional, ela apenas remaneja esse tempo.

Na maioria das vezes, opta por trabalhar da manhã até o início da tarde para estar disponível para a família no restante do dia. As atividades são conciliadas com outros projetos profissionais, como a parceria com duas advogadas para atuação na área de direito digital. Jéssica também atende alguns casos por conta própria. Além disso, começa este ano o mestrado em direito constitucional na Universidade de Brasília (UnB), na mesma área em que já é especialista pelo IDP.

Com tantas ocupações, o trabalho não é feito somente em casa. Algumas vezes, ela adianta atividades entre as aulas ou nos intervalos das audiências. A maior vantagem é ter o poder de escolher como será o dia. Já a desvantagem é não ter o convívio com mais profissionais na área para receber feedback  de maneira mais próxima. De acordo com Soraya Bahde, graduada em administração, a pessoa que está acostumada com esse sistema pensa 10 vezes antes de mudar para uma empresa que não tem a prática estabelecida. 
 
“Eu não me imagino trabalhando em um lugar com horários definidos. Nunca se sabe do futuro, mas eu pretendo continuar assim”, diz Jéssica. O estudo da Euromonitor aponta como tendência de consumo as casas multifuncionais, totalmente aptas para o home office e outras obrigações do cotidiano. “As pessoas não precisarão sair de casa se não quiserem” , afirma Marcel Motta, diretor geral da empresa. Outra tendência que ganha força frente à pandemia do coronavírus.

Palavra de especialista 

Trabalhando em home office
O home office tem sido adotado por muitas empresas estrangeiras, sendo ainda uma novidade para a maioria delas no Brasil. Na PwC, temos políticas formais que incentivam essa prática, cuja adoção tem aumentado gradualmente nos últimos anos.

Com o advento da pandemia gerada pelo coronavírus, essa forma de trabalho mostrou-se uma excelente alternativa no combate à propagação do contágio. De fato, o home office tem sido utilizado em grande escala por muitas empresas nos últimos dias.

Ainda é cedo para afirmarmos que ela será largamente usada pelas empresas, embora, naturalmente, seja uma excelente alternativa. É importante salientar, no entanto, que é necessário ajustar o home office de acordo com as características da empresa e de seus funcionários, de forma que não gere isolamento e frustração social. É importante garantir, também, que os profissionais tenham estrutura adequada para a realização de seus trabalhos de forma remota.

Marcos Carvalho, sócio da  PricewaterhouseCoopers Brasil.

Transporte alternativo e menos poluente em alta

 

Com o crescimento urbano e das maneiras alternativas de transporte, as desvantagens de usar o carro para trabalhar ficaram em maior evidência. Além da emissão de poluentes, há a dificuldade para estacionar, gasolina cara, estresse causado pelo trânsito e a perda de tempo em engarrafamentos. Por essas razões, são forte tendência meios alternativos de transporte. Além de patinetes e bicicletas elétricos, que cada vez mais ganham as ruas de diferentes cidades, outra forma de locomoção prática e portável está no mercado: o monociclo elétrico.

Trata-se de um equipamento elétrico com uma só roda e que tem adeptos em Brasília. Muitos usuários, inclusive, já usam a ferramenta para ir trabalhar. O monociclista se equilibra na máquina e, caso queira acelerar, deve inclinar o corpo para frente. Com cuidado, pois a velocidade dos dispositivos não é baixa. Alguns modelos podem chegar a até 50 km por hora com uma bateria suficiente para rodar até 160 km. O custo varia entre R$ 3.000 e R$ 8.500. Em Brasília, o veículo foi o responsável pelo nascimento de grandes amizades.

O grupo de WhatsApp Wheelers BSB conta com 17 integrantes, duas mulheres e 15 homens, quase todos unidos por coincidência. Arlindo Fernandes, 33 anos, é um dos precursores. O engenheiro eletricista do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IGES-DF) se mudou de Minas Gerais para a capital federal em outubro de 2018. A vontade de se locomover de uma forma mais alternativa já existia, mas ganhou força ao perceber que a estrutura brasiliense era mais propícia à ideia. Cinco meses apó a mudança, Arlindo adquiriu um monociclo elétrico. 

Monociclo 

"Wheelers" do DF: brasilienses aderem a monociclo para trabalhar (foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
 

Ele não desapegou totalmente do carro, mas só o usa quando precisa fazer viagens mais longas ou carregar peso. O tempo gasto para chegar ao trabalho é bem menor com o equipamento de uma roda só. “Eu fico muito chateado quando não consigo usar”, desabafa. O engenheiro conheceu o monociclo por meio de vídeos no YouTube e começou publicar o próprio conteúdo também. “Eu gosto de postar porque, da mesma forma que eu aprendi por lá, posso ajudar outros”, relata. Uma das pessoas impactadas pelas postagens na plataforma de vídeos foi o dentista André Ribeiro, 38, que procurava uma maneira alternativa de ir ao trabalho. 
 
“Eu queria um meio de transporte sustentável que me levasse para o trabalho tranquilamente, sem precisar pegar trânsito”, conta. A primeira opção era o patinete elétrico, mas na hora de apertar o botão de compra resolveu buscar alguma possibilidade melhor. Ele pesquisou e descobriu o mono. “Eu me apaixonei antes mesmo de ver um pessoalmente. Mostrei para minha esposa e ela também gostou”. André e a analista de infraestrutura da Secretaria Especial do Esporte, Thays Moura Ribeiro, 31, encontraram os vídeos de Arlindo, tiraram dúvidas e resolveram comprar. O casal passeava junto no Eixo Monumental quando conheceu mais um brasiliense adepto ao veículo, o gerente executivo da Caixa Seguridade, Isac Cezar, 38. "A gente se cruzou, parou, conversou e nos conhecemos. Tudo esporádico", conta Thays.

Eles conversaram e resolveram criar o grupo junto a Arlindo para marcar de andarem juntos. Isac estava tão disposto a mudar de hábitos de transporte que vendeu o carro em janeiro do ano passado e passou a andar somente de Uber. “Um dia estava esperando o carro e vi um homem de terno e gravata andando com aquela roda. Pesquisei, gostei e comprei”, diz. Ter um automóvel novamente está fora de cogitação. O monociclo ampara quase todas as necessidades dele. “Eu uso para tudo, só não quando preciso buscar meus filhos na escola. Antes disso, pensei na bicicleta, mas é muito ruim porque eu chegava no trabalho muito suado. O mono foi o que se encaixou perfeitamente”, afirma.

Praticidade

Aos poucos, com a chegada de mais amantes do veículo, o grupo Wheelers Brasília cresceu. O servidor público da Câmara dos Deputados Márcio Fonseca, 36, também assistiu aos vídeos de Arlindo, entrou em contato e foi adicionado ao grupo. Além do percurso diário que faz para trabalhar, o equipamento é usado para lazer. “Uso para diversão. Gosto de vir encontrar o pessoal”, confessa. Da mesma forma que Márcio, fizeram Daniel Souza, 31, servidor do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e Bruno Macedo, 44, arquiteto da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caes).

Os dois assistiram a um vídeo e entraram em contato. Daniel é iniciante, começou a andar recentemente. Bruno é mais experiente e adotou a máquina para tudo. “Uso diariamente. Para trabalho, academia, mercado e cortar o cabelo. O monociclo é meu meio de transporte”, enfatiza. Funcionário do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), Rafael Viana, 36, já participava do grupo nacional de monociclistas e recebeu o convite de outro integrante para entrar no de Brasília. Ele começou com um modelo mais simples e não tão potente.

Depois, enxergando o potencial do veículo para mais atividades, comprou um mais moderno para ir trabalhar. O meio de transporte tem conquistado cada vez mais pessoas pelas inúmeras vantagens. A mais destacada pelos wheelers é a portabilidade. Ele pode ser levado para qualquer lugar. Isac, por exemplo, guarda o dele embaixo da mesa no escritório. Outro ponto é não precisar fazer tanto esforço físico e não sentir calor devido ao vento. E o mais importante: é econômico e sustentável. “É o melhor de todos os mundos”, afirma Arlindo. Num momento em que evita-se aglomerações por causa do coronavírus, ferramentas que permitem locomover-se com mais rapidez sem usar veículos coletivos ficam ainda mais em alta. 
 
 


*Estagiária sob supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa

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