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Correio Braziliense REPUTAÇÃO

Precisa se adaptar ao home office durante a pandemia? Descubra como

Confira dicas para continuar produtivo trabalhando diretamente da sua casa, um modelo que virou realidade para seis a cada 10 brasileiros


postado em 05/04/2020 17:46 / atualizado em 06/04/2020 16:45

(foto: Kleber/CB/D.A Press)
(foto: Kleber/CB/D.A Press)
Antes restrito a alguns profissionais, o home office precisou virar a realidade de milhares de trabalhadores no Brasil e no mundo por causa da pandemia de coronavírus. Nem todas as profissões podem simplesmente migrar para o formato a distância, mas, para serviços de escritório, feitos em computador, essa foi a alternativa encontrada por diversas empresas e órgãos públicos para manter a produtividade e, ao mesmo tempo, preservar a saúde dos funcionários.
  
Estudo da empresa de pesquisa Hibou e da plataforma de dados Indico, com 2.400 entrevistados em todo o país, revela que 59,9% dos brasileiros está trabalhando em home office no momento, dos quais 41,6% estão usando ferramentas de videoconferência para isso. O que não quer dizer que a carga de atividades diminuiu — muito pelo contrário! Entre os entrevistados, 25,2% relataram estar trabalhando mais de casa do que antes. De acordo com a pesquisa, 15% dos brasileiros disseram que não conseguirão sobreviver sem faturamento nem por um mês.

Dessa maneira, o home office se torna ainda mais importante tanto para empregados quanto para os patrões, que também precisam manter a produção das firmas a fim de ter rendimentos. Em geral, mesmo nas empresas que adotaram a novidade, determinados indivíduos ainda precisam estar na firma pessoalmente para garantir a continuidade e a viabilidade do trabalho. Colocar parte ou boa parte dos colaboradores para prestar atividades de casa, no entanto, já reduz bastante a aglomeração de pessoas.

Período de adaptação

Frente a este contexto, mesmo quem não é fã do formato home office precisa se acostumar. Até para quem tinha vontade de experimentar esse estilo de trabalho, porém, é comum sentir dificuldades num primeiro momento. Torna-se um desafio performar no mesmo ritmo sem colegas para trocar ideia ou um chefe fisicamente presente para guia-lo. Além disso, é preciso passar a usar estratégias de comunicação a distância ou plataformas até então desconhecidas.
 
Liliam Pedroso, servidora pública(foto: Arquivo Pessoal)
Liliam Pedroso, servidora pública (foto: Arquivo Pessoal)
 
 
Em alguns países, o home office já é mais comum, mas, no Brasil, a novidade pegou muita gente de surpresa, forçando empresas, governo e trabalhadores a se adaptarem às pressas. É o caso da servidora pública do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) Liliam Pedroso, 43 anos. O trabalho presencial precisou virar remoto. Liliam necessita, agora, conciliar a atividade profissional com a casa cheia. Ela mora com o marido, o filho de 12 anos e a filha de 7. “Eu ainda estou me adaptando e me sinto um tanto quanto perdida”, admite.

“Além do trabalho, preciso administrar as atividades da casa neste período. É muita coisa para gerenciar, pois ainda tenho que auxiliar meus filhos com as demandas escolares”, diz. Com a pandemia e os decretos do Governo do Distrito Federal, a servidora pública conta que a família teve que readaptar também a rotina da casa.

Nova rotina

“Na parte da manhã, a gente costuma realizar as atividades domésticas. No período da tarde, nos dedicamos ao trabalho remoto e, meus filhos, aos estudos”, explica. Segundo Liliam, o órgão público para o qual trabalha está sendo bem cuidadoso em relação à prevenção do novo coronavírus. Ela está há quase duas semanas trabalhando de casa, e a instituição vem lançando portarias para tornar o teletrabalho mais presente neste momento da pandemia, deixando os serviços presenciais somente para os cargos essenciais.

A servidora pública diz que vê mais vantagens do que desvantagens no home office. “Eu me sinto mais produtiva, pois estou conseguindo realizar mais rapidamente as demandas do meu trabalho. A questão do deslocamento também é um ponto positivo, pois economizo no gasto com gasolina.” Outra situação positiva para Liliam é a proximidade com a família. O ponto negativo é o contato direto com os colegas de trabalho, que se perde.

"Eu já estava acostumado com o serviço remoto"

Marcus Vinícius Silva é desenvolvedor de software e já trabalha a distância algumas vezes por semana antes de pandemia(foto: Arquivo Pessoal)
Marcus Vinícius Silva é desenvolvedor de software e já trabalha a distância algumas vezes por semana antes de pandemia (foto: Arquivo Pessoal)
 

Para Marcus Vinícius Silva, 24 anos, o home office não é uma novidade que veio com o coronavírus. Ele é desenvolvedor de software na Bxblue Consignados, empresa de empréstimos que oferece aos trabalhadores a flexibilidade de optar pelo formato remoto ou não. A firma tem um escritório na Asa Norte para quem escolhe ir ao trabalho pessoalmente. “Minha equipe, que é a de tecnologia, já tinha a opção de trabalhar de casa. Agora, a equipe de vendas, que era presencial, passou a atuar em formato remoto também e está dando certo”, analisa.

Antes da pandemia, Marcus gostava de ir ao escritório de duas a três vezes por semana. No restante dos dias, prestava serviço de casa. “Eu acho que é um equilíbrio legal, gosto do ambiente e de estar junto das pessoas também”, diz. “Na hora de tirar uma dúvida, com esse contato, a resposta é imediata, diferentemente de quando trabalhamos em casa”, compara. Ele reconhece, porém, os benefícios do home office, que agora adotou em tempo integral.

“Eu moro em Planaltina e, atuando a distância, não tenho que acordar muito cedo para chegar a tempo.” Como a instituição já tinha uma cultura de flexibilidade, a adaptação de outros setores está fluindo bem. “Se é uma empresa que tem experiência e sabe como fazer trabalho remoto, a tendência é de que a experiência agora seja legal”, supõe. “Para uma empresa que está começando a adotar esse sistema, pode ser meio estranho”, avalia.

A fim de que o serviço a distância vá bem, também é importante a colaboração das pessoas que moram na mesma residência, indica Marcus. “Trabalhar de casa não envolve só você, principalmente, no início. No começo, você tem que se organizar e se educar, mas quem está ao redor também tem que ser educado para isso, precisa compreender que, apesar de estar em casa, naquele horário, você está trabalhando” afirma o estudante de ciência da computação.

O papel da liderança

Fábio Bier,gerente de RH para a América Latina da Husqvarna(foto: Husqvarna para América Latina/Divulgação)
Fábio Bier,gerente de RH para a América Latina da Husqvarna (foto: Husqvarna para América Latina/Divulgação)
 

Assim como os trabalhadores, muitas empresas foram pegas desprevenidas e tiveram que adotar o home office às pressas por causa do contexto atual. A falta de uma cultura de trabalho remoto pode trazer dificuldades, principalmente neste início. Os desafios envolvem a organização do serviço, a manutenção da produtividade dos empregados, a comunicação e até recursos para viabilizar atividades digitalmente. Até porque nem todos os empregados podem contar com computador e internet em casa. São muitas variáveis para administrar de uma vez.

Fábio Bier é gerente de RH para a América Latina da Husqvarna, produtora de equipamentos para manejo de florestas, gramados e jardins. Ele analisa que o sucesso do home office depende também dos líderes das empresas, ainda mais em um momento como o que estamos vivendo. “Aluguem laptops, reforcem recursos de comunicação virtual, orientem seus funcionários a manterem o expediente mesmo remotamente, convoquem imediatamente a liderança a acompanhar o home office dos empregados, fazendo contato telefônico ou on-line, organizando reuniões virtuais diárias...”, aconselha.
 

Ou seja, há muitas alternativas, o importante é “não deixar o ritmo parar”. O gerente de recursos humanos enfatiza que, para a implementação da cultura do trabalho remoto, os chefes devem encontrar meios de monitorar os colaboradores. “Quando implementamos o home office na Husqvarna, exigimos que cada funcionário entregasse ao gestor no fim do dia um relatório descrevendo as atividades que realizou hora a hora. Era bem simples, mas muito efetivo”, exemplifica. “Hoje, não usamos mais, mas, para o período de adaptação, foi muito importante.”

Flexibilidade em alta

Agora, lidando com uma pandemia, é necessário que as pessoas sejam colocadas para trabalhar a distância integralmente. No entanto, em cenários normais, principalmente no início, Fábio observa que é importante dar ao funcionário a possibilidade de ir ao escritório quando quiser. Ou seja, a flexibilidade deveria ser a máxima do período de transição até os colaboradores se habituarem ao formato e conseguirem manter o mesmo nível de entrega diretamente de seus lares.

No entanto, a situação atual exige uma adaptação mais abrupta, que, por isso mesmo, exige mais cuidado dos colaboradores e dos empregadores. Olhar o lado bom dessa mudança é importante para manter um clima positivo. “Enquanto os funcionários ganham tempo para fazer coisas que realmente gostam e produzem onde se sentem mais confortáveis, as empresas ganham ao economizar com custos de manter os empregados fisicamente, com os escritórios”, afirma. Pós-graduado em gestão de pessoas, Fábio defende, no entanto, que as vantagens para as empresas e as instituições vão muito além disso.

“As empresas ganham muito mais com inovação, soluções criativas e resultados”, diz. Claro que, no início, pode ser mais difícil visualizar isso, mas o impacto ficará mais perceptível em longo prazo. O gerente de RH acredita que o coronavírus trará muitos ensinamentos para as companhias. “Dessa pandemia, tiraremos muitas lições, incluindo ter gente preparada para trabalhar de qualquer lugar. As empresas são as pessoas e, hoje, vemos que o comprometimento delas, trabalhando remotamente, é o que está mantendo o funcionamento de instituições mundo afora.”

A tecnologia como aliada

Hélio Sá, CEO da Inpartec(foto: Inpartec/Divulgação)
Hélio Sá, CEO da Inpartec (foto: Inpartec/Divulgação)
 

CEO da Inpartec, empresa especializada em plataformas colaborativas e de produtividade, Hélio Sá diz que, com o novo coronavírus, bastaram sete dias para que as pessoas mudassem de visão sobre o home office. “Antes, ele era visto como uma estratégia de otimização e até de modernização. Em uma semana, virou questão de sobrevivência”, comenta. A própria Inpartec experimentava havia oito meses a implantação do trabalho remoto aos poucos — um processo que precisou se acelerar.

“Somos uma empresa que provê tecnologia, nós tínhamos todas as ferramentas prontas, mas ainda tínhamos um desafio cultural, de a liderança ficar confortável com esse trabalho remoto”, revela. “Em uma semana, tivemos que combater todos os medos, todos os receios, tirar todas as desculpas que a gente tinha na frente e tornar o serviço remoto realidade do melhor modo possível”, relata. Cientista da computação com especialização em empreendedorismo, Hélio faz balanço positivo da primeira semana da Inpartec com o home office, mesmo não sendo o cenário ideal de implementação.

Metamorfoses que vieram para ficar

O home office veio para ficar, afirma Hélio Sá, CEO da Inpartec. “Tirando a parte da calamidade pública que a gente vive, acredito que seja um momento de profunda transformação em relação ao trabalho remoto. São metamorfoses positivas e que tendem a ser duradouras”, analisa. Para muitos grupos, claro, não foi fácil. “Várias empresas tiveram que sair do zero, sem nenhuma tecnologia, nenhum projeto para o trabalho remoto. Um processo que dura em torno de dois anos, elas tiveram que implementar em uma semana.” Os principais desafios, destaca Hélio, giram em torno da tecnologia e da questão cultural.

A manutenção da produtividade no trabalho remoto requer comunicação transparente e presente. A tecnologia é a saída para providenciar isso a distância. Não faltam plataformas para permitir o diálogo, desde telefone, e-mail, Skype e WhatsApp a sites que permitem reuniões virtuais, como Zoom. Há empresas que apostam em sistemas próprios, adotando o conceito de digital workplace. São ambientes virtuais que possibilitam que o funcionário trabalhe de qualquer lugar.

Hélio acredita que é necessário, por um lado, que os colaboradores tenham recursos e ferramentas para desenvolver suas atividades diárias sem dificuldades. Por outro lado, os gestores também devem acompanhar o desenvolvimento dos projetos, simultaneamente, com a ajuda da tecnologia. Por isso, um digital workplace facilita o dia a dia e a conexão. Também é um mundo virtual mais atrativo para os jovens. “Isso também visa acolher gerações mais novas, que convivem com tecnologias e aplicativos de ponta e, na empresa, se deparam com o tradicional e-mail… Isso é muito difícil para esses colaboradores”, aponta.

Mantendo-se produtivo

Leila Arruda, coach de alta performance(foto: Marcelo Lamonica/Divulgação)
Leila Arruda, coach de alta performance (foto: Marcelo Lamonica/Divulgação)
 

Para além do que chefes e empregadores podem fazer para ajudar colaboradores a se adaptarem ao home office, os próprios trabalhadores têm potencial de colaborar com esse processo disciplinando-se e esforçando-se para se ajustar ao modelo. Leila Arruda é coach de alta performance e avalia que, para conseguir trabalhar bem de casa, é preciso ter um ambiente específico para desempenhar as atividades. Além disso, uma dica valiosa é estabelecer as prioridades das demandas do trabalho.

A graduada em administração de empresas também avalia como importante deixar claro os intervalos de trabalho. “Um dos erros mais frequentes é não alinhar os horários com a família”, diz. “As pessoas começam a trabalhar, daqui a pouco param porque se deparam com louça para lavar ou porque têm filhos para cuidar e, quando percebem, já se passaram duas horas”, exemplifica. Para a coach, essa organização é fundamental para a produtividade do trabalho remoto.

Modelo democrático

Leila Arruda enfatiza que alguns trabalhadores têm a necessidade de manter a rotina para ter a percepção de que estão, de fato, trabalhando. “Procure acordar em um horário próximo ao que acorda normalmente, mantenha os hábitos de higiene e troque de roupa, pois passar o dia de pijama pode trazer a sensação de que está em casa para descansar e não para trabalhar”, orienta. “Evite também ficar perto de televisores, camas e sofás, pois eles podem acabar atraindo a sua atenção”, recomenda.

Outra dica é passar um tempo sem mexer no celular e fugir de outras distrações a fim de manter o foco por mais tempo. Para quem está trabalhando pela primeira vez em regime de home office, ela recomenda cronometrar o expediente, deixando o contador de tempo parado quando fizer alguma pausa. Isso pode ser útil para lhe dar uma real noção de quanto trabalho, a fim de não render a menos, mas também não extrapolar: para quem tem facilidade de concentração, sem colegas conversando ao lado ou telefone tocando, existe a chance de esquecer quando é o momento de parar.

Pausas durante o serviço são importantes. “Após uma hora de foco no trabalho, faça um intervalo para tomar um café, dar uma olhada nas crianças e depois volte para o trabalho novamente”, sugere Leila. Segundo ela, o home office não é indicado apenas para um perfil específico de pessoas. Trabalhar em casa é uma questão de adaptação. “É claro que quem mora sozinho tem mais facilidade de se adaptar, mas é questão de costume. Algumas pessoas terão mais dificuldade, outras terão mais facilidade, mas é possível para todas, basta virar hábito”, assegura.

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O que diz a lei?

Flávia Derra Eadi de Castro,advogada e chefe de direito do trabalho da RGL Advogados(foto: Ingrid Tarata/Divulgacao)
Flávia Derra Eadi de Castro,advogada e chefe de direito do trabalho da RGL Advogados (foto: Ingrid Tarata/Divulgacao)
 

“O teletrabalho, no Brasil, é regulamentado pela Lei nº 13.467/2017, a partir do artigo 75 da Consolidação das Leis de Trabalho (CLT). Entende-se por teletrabalho a prestação de serviços fora das dependências do empregador, fazendo uso de tecnologias da informação e de comunicação, que são diferenciadas do trabalho externo. O teletrabalho é caracterizado por toda prestação de serviço realizada fora das dependências físicas da empresa, ou seja, pode ser feito numa praça de alimentação, num café…

Já o home office é realizado na residência do trabalhador. É importante ressaltar também a diferença entre trabalho externo e teletrabalho. O trabalhador externo exerce todas as suas atividades externamente, por exemplo, um vendedor. Devido à pandemia do novo coronavírus e a necessidade de que as pessoas fiquem mais em casa, o home office se torna consequência. É importante que empregadores e empregados firmem um termo aditivo ao contrato nesse período, para regulamentar essa situação.

É necessário que esse termo contenha as atividades que o funcionário vai exercer da casa dele, bem como a aparelhagem que tenha sido disponibilizada para ele, como um computador, um celular. Esse termo deve estabelecer se o empregador vai arcar com eventuais gastos que o funcionário possa ter para realizar as atividades em casa, como luz, internet e telefone. O termo aditivo valerá enquanto perdurar essa situação. A ajuda para custos que o trabalhador passa a ter para realizar as atividades é uma despesa indenizatória, que não se incorpora ao salário.

Muitos trabalhadores e empresas ficam na dúvida sobre a manutenção de benefícios. Alguns podem ser cortados, como o vale transporte. Enquanto, para outros, a orientação é de que sejam mantidos, como o vale-alimentação ou vale-refeição. A concessão de férias individuais ou coletivas é permitida. É possível que as empresas decretem férias, desde que elas paguem por elas. Então, precisa ver se a companhia consegue arcar com isso nesse momento. Para os trabalhadores que não têm como exercer o home office, a recomendação é utilizar o banco de horas para que as pessoas possam usar folgas a que tenham direito ou compensar as horas não trabalhadas agora depois.”

Flávia Derra Eadi de Castro, advogada e chefe de direito do trabalho da RGL Advogados 
 
 

 *Estagiária sob supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa

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