Tatiana Gonçalves, diretora da Moema Medicina do Trabalho formada em administração e publicidade pelo Instituto Presbiteriano Mackenzie
Os médicos do trabalho são responsáveis pela saúde de muito trabalhadores em empresas, órgãos públicos e instituições diversas. Nesse momento, como a profissão se estabelece como uma força essencial no enfrentamento ao coronavírus?
No começo, recomendou-se a suspensão do serviço da medicina do trabalho. Agora, essa parte é vista como muita atenção. Sabemos que não haverá vacina tão cedo para a covid-19 e, em algum momento, as empresas vão voltarão. A medicina do trabalho será fundamental nesse processo. Esses médicos serão importantes para autorizar afastamentos, principalmente para os profissionais de serviços essenciais e dos grupos de riscos. Os locais de trabalho não poderão ser centro de proliferação do vírus. Então, são os médicos do trabalho é que poderão orientar as empresas.
Há possibilidade de mais contratações na área?
Sim. Isso deve acontecer, mas ainda estamos na expectativa de que saiam normativas indicando esse retorno de médicos do trabalho às empresas.
Muitas empresas estão dispensando a obrigatoriedade do exame admissional. Seria esse um fator de risco?
Quando saiu a Medida Provisória nº 927/20, ela foi interpretada da maneira errada. A norma não diz que o exame não precisa ser feito, mas, sim, que é preciso fazer depois da pandemia dentro de 60 dias. Isso é adiar o problema. Nossa orientação é fazer o exame. Olhando pelo lado da pandemia, não dá para contratar um funcionário sem saber se ele está infectado ou não.