Trabalho e Formacao

Desligamentos maiores que o normal

postado em 14/06/2020 04:30
Em abril, chegamos a 4 mil demissões. Para este período, em um ano normal, o número é totalmente estranho, é algo que não existia perto do Dia das Mães
Geralda Godinho dos Santos, secretária-geral do Sindicato dos Empregados no Comércio do Distrito Federal (Sindicom) conta que o número de demissões mais do que triplicou em relação ao mesmo período do ano passado. ;Em abril, chegamos a 4 mil demissões. Para este período, em um ano normal, o número é totalmente estranho, é algo que não existia perto do Dia das Mães;, comenta. Em outras épocas, o número mal chegaria a 200. A secretária relata que, no início da pandemia, o sindicato se mobilizou para fazer um acordo de antecipação de férias.

;Achamos que, ao fim de 15, 30 dias, isso seria passado.; Agora, com os números aumentando dia após dia, as angústias se dividem entre renda e saúde. ;Conforme os dias avançam e a economia aperta, só vemos demissões. Dias horríveis ainda virão;, teme. A reabertura do comércio também é motivo de preocupação. ;Não adianta só abrir se não tiver uma fiscalização intensa da saúde;, opina. Geralda chama a atenção para as condições. ;Estamos preocupados com a saúde do trabalhador, sabemos que tem mercados ; principalmente na periferia ; que não estão seguindo as ordens e distribuindo equipamentos de proteção para os funcionários;, denuncia.

A falta de apetrechos de segurança atinge até trabalhadores da saúde, como denuncia o presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF), o ginecologista, obstetra e advogado Gutemberg Fialho. A ausência de luvas, avental, capota e protetor facial tanto para profissionais da área quanto para pacientes é motivo de extrema preocupação. ;Muitos usuários têm recebido máscaras compradas e fabricadas pelos próprios funcionários;, relata. Além disso, a imprecisão ou falta de testes agrava a fragilidade do quadro. ;Os exames são de eficácia baixa, não estão sendo feitos em massa nos profissionais de saúde, você pode ter profissionais que estão contaminados infectando o paciente. É uma situação de completa fragilidade;, alerta.

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