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Correio Braziliense EMPREENDEDORISMO

Alunos começam startups na escola em programa apoiado pelo Google

Projeto da consultoria estimula e capacita estudantes de todo o país a montarem empresas, desenvolvendo soft skills. Conheça seis startups estudantis


postado em 26/07/2020 14:19 / atualizado em 26/07/2020 17:01

Já pensou ser desafiado e receber orientações para criar uma empresa inovadora ainda estando na escola? É assim que funciona o Startup in School (SiS), programa de iniciação em empreendedorismo tecnológico estudantil, promovido pela consultoria de inovação social com foco em educação Ideias de Futuro, em parceria com o Google.
 
Hoje em dia, projeto passou a ser realizado nas cinco regiões do país(foto: Ideias de Futuro/Google)
Hoje em dia, projeto passou a ser realizado nas cinco regiões do país (foto: Ideias de Futuro/Google)
 
A edição de 2019 começou de modo presencial com uma competição imersiva, e os seis projetos selecionados passaram por quatro meses de aceleração a distância este ano. 
 
Durante este período, tiveram mentoria e apoio para profissionalizar os negócios, deixando a versão beta pronta para o mercado. O encerramento ocorreu recentemente num demoday,quando os estudantes apresentaram as startups a uma banca de especialistas e receberam feedback.
 
Pela primeira vez, esse evento ocorreu de modo remoto por causa da pandemia. Entre os projetos participantes, um é do Distrito Federal, idealizado por alunos do Instituto Federal de Brasília (IFB).

Nesta edição, os estudantes tiveram de trabalhar em seus projetos em meio à crise sanitária, isoladas em casa. “Como muitas outras pessoas passaram a utilizar o meio on-line, conseguimos marcar mais mentorias com especialistas de fora. Teve esse efeito positivo”, conta Jaciara Cruz, CEO e fundadora da Ideias de Futuro.
 
O programa já era adaptado ao formato remoto, pois a mentoria sempre foi a distância, de modo a atender a estudantes de todo o Brasil. Com a crise sanitária e muitos alunos sem aula, os integrantes puderam dedicar-se mais a fundo às empresas.
“As trocas entre eles eram incríveis. Além das mentorias semanais com cada projeto, tínhamos uma mensal com integrantes de todas as startups. Eles comentam o projeto um do outro, trocam ideias. É uma experiência cultural bem rica, com vários sotaques e origens diferentes”, descreve Jaciara.
 
“O Startup in School tinha tanto as edições locais presenciais, exclusivas para escolas públicas, quanto a edição nacional a distância. Com a pandemia, nosso grande desafio, agora, é construir edições on-line locais”, afirma ela, que mora no Vale do Silício, nos Estados Unidos.
 
Após a competição de 2019, que culminou em seis startups selecionadas para aceleração, estudantes continuaram tendo contato apenas de modo remoto(foto: Ideias de Futuro/Google)
Após a competição de 2019, que culminou em seis startups selecionadas para aceleração, estudantes continuaram tendo contato apenas de modo remoto (foto: Ideias de Futuro/Google)
 
“Isso nos ajuda a estar sempre na vanguarda de metodologias de inovação como um todo, trazendo técnicas de desenvolvimento de projetos no ambiente escolar”, observa.
 
O Google é o grande financiador e patrocinador do programa e disponibiliza vários de seus funcionários para serem mentores dos grupos de estudantes durante a aceleração. Além de estimular a criação de empresas, o SiS deixa como grande legado a formação de competências nos jovens.
 
O perfil dos alunos inscritos é bem variado, e Jaciara relata que vários se aproximam da iniciativa por curiosidade e, depois, acabam percebendo que aquilo pode ser para eles.
 
“Tinha uma aluna que contou que, depois que começou a participar do projeto, parou de ser mandada para a diretoria da escola. Ela achou no programa um espaço para desenvolver seus interesses”, relata Jaciara, rindo. “Encontrar essa espaço ajuda a preparar cidadãos mais voltados para os desafios da vida e do trabalho.”

Ideias surpreendentes

Rafaela Nicolazzi, analista de Relações Governamentais e Políticas Públicas do Google Brasil, explica que “é parte da missão do Google contribuir para o fortalecimento do ecossistema digital de inovação e de empreendedorismo no Brasil”, por isso, fez tanto sentido para a gigante da tecnologia apoiar o Startup in School. Ela integrou a banca de especialistas do último demoday do programa.

“Devido às circunstâncias atuais, esta foi a primeira edição do programa 100% on-line. Vimos mães, pais e famílias juntos se aventurando em temas como modelos de negócios e fundamentos de programação”, conta. “Entender um pouco sobre os perfis de comunidades diversas, por meio de projetos desenvolvidos por jovens de diferentes localidades brasileiras, tem sido uma experiência enriquecedora e inspiradora!”, relata.

Thiago Yamabuchi, líder de Cultura da Inovação na Embraer (foto: Arquivo Pessoal)
Thiago Yamabuchi, líder de Cultura da Inovação na Embraer (foto: Arquivo Pessoal)
Thiago Yamabuchi trabalha promovendo a cultura da inovação na Embraer há cinco anos. Antes disso, teve três startups. Acostumado a participar de demodays de aceleradoras e de escolas, acredita muito no poder da educação empreendedora. Ele integrou a banca de especialistas responsável por dar feedback para as startups da última edição do SiS.

“O nível dos projetos me surpreendeu bastante e as soluções me surpreenderam de verdade, pois havia até soluções de hardware. Os meninos foram preparados para fazer o pitch”, elogia. Para além da importância de criar as startups em si, Thiago vê em aprender a errar como um dos principais benefícios do programa.

“Geralmente, as startups falham umas três ou quatro vezes antes de darem certo. O importante é ter esse espírito empreendedor de testar”, diz. “A gente precisa muito dessa aptidão para testar, arriscar, não só para empreender, mas dentro das empresas, também.” Thiago explica que, na Embraer, as pessoas acreditam muito no potencial das startups para ajudar o contexto local e trazer soluções realmente úteis para as pessoas.

Criei um programa com propósito

Apoiado pelo Google desde 2015, o Startup in School teve mais de 3,6 mil alunos participantes em 222 escolas e 126 cidades. Em 2019, o programa deixou de ser apenas no estado de São Paulo e tornou-se nacional, com edições nas cinco regiões do Brasil.
 
Segundo a idealizadora do projeto, Jaciara Cruz, 22 ex-alunos do SiS voltaram ao programa como mentores e instrutores ao longo dos anos. Além disso, vários deram prosseguimento às empresas criadas no processo ou abriram outros negócios.

Três funcionários da Ideias de Futuro são ex-participantes do SiS. “São pessoas engajadas por uma educação empreendedora e motivam a gente a continuar mesmo com todos os desafios que a gente teve este ano, como postergação de projetos”, diz.
 
A mais recente turma do Startup in School precisou ser adaptada por causa da pandemia. A edição nacional de 2020 foi reestruturada para que alunos do 8º e do 9º anos do ensino fundamental e do ensino médio possam participar de casa, trazendo pais, mães e familiares para fazer parte de seus grupos, construindo um projeto juntos.
 
"Eu sempre tive um trabalho corporativo e fazia trabalho voluntário, e, ao conhecer o conceito de negócios sociais, vi que era possível juntar e ter um negócio com propósito", diz Jaciara Cruz, CEO da Ideias de Futuro (foto: Clara Lobo/Esp.CB/D.A Press)
 
Jaciara Cruz é graduada em administração de empresas pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre pela mesma instituição. Foi durante o mestrado que ela conheceu mais a fundo o conceito de negócios sociais e idealizou a consultoria. “Eu sempre tive um trabalho corporativo e fazia trabalho voluntário, e, ao conhecer isso, vi que era possível juntar e ter um negócio com propósito, o que fez muito sentido para mim”, explica.

A Ideias de Futuro nasceu, em 2012, como uma plataforma de financiamento coletivo de projetos de educação. Em 2013, a iniciativa foi abrigada pela incubadora de negócios na USP. Em 2014, a instituição mudou de ramo, tornando-se uma consultoria e, no mesmo ano, com o SiS, Jaciara ganhou o prêmio Mulheres Tech em Sampa, do Google, da rede Mulher Empreendedora e da Prefeitura de São Paulo. “Foi a partir daí que o Google viu o projeto, gostou muito e nos procurou para fazer parceria”, explica Jaciara.

Saiba mais

Acesse o site para ficar atento às próximas edições do Startup in School

Eu, repórter

Integrante da banca de especialistas

“Em 14 de julho, a convite do Google e da Ideias de Futuro, integrei a banca de especialistas do demoday das startups aceleradas, ao lado de Jaercio Barbosa, head da Incubadora de Negócios da ESPM; Rafaela Nicolazzi, relações governamentais e políticas públicas do Google Brasil; Thiago Yamabuchi, startup ecosystem leader & innovation culture na Embraer; e Luisa Canziani, deputada federal (PTB-PR).

Na ocasião, fiquei com a atribuição de dar feedback e fazer perguntas para três das seis empresas participantes. Foi uma oportunidade única de conhecer estudantes engajados, dedicados e brilhantes, cheios de ideias para resolver problemas do mundo real. Pude ver, na prática, a diferença que o Startup in School faz na vida de alunos, muitos dos quais nunca tinham pensado que o empreendedorismo era possível para eles.”

Glossário de "startupês"

Entenda alguns termos desse universo

Startup
Empresas em estágio inicial com base em uma ideia inovadora que tenham grande potencial de crescimento. Normalmente, são tecnológicas e demandam pouco investimento até a validação.

Aceleração
Modelo para alavancar empresas em busca de crescimento, que inclui suporte na definição do modelo de negócio, mentorias e apoios diversos (incluindo financeiro).

Validação
Comprovar que o negócio traz resultados, alcançando o objetivo inicial. Isso demonstra que a startup pode seguir adiante e está pronta para se lançar no mercado.

Break-even
Ponto de equilíbrio. É quando a empresa começa a pagar os próprios custos. Não tem lucro, necessariamente, mas se custeia.

Early stage
Startups em estágio inicial, com até três anos de existência.

Pitch
Uma apresentação ou discurso feito para convencer investidores ou outros interessados para captar recursos para o projeto.

Demo day
O dia do pitch, evento que reúne investidores, especialistas e outros stakeholders para que responsáveis apresentem seus projetos.

MVP
Minimum viable product ou mínimo produto viável. Uma versão básica ou mínima do projeto ou serviço da startup que cumpra o planejado e serve para testar o projeto até a validação.

Pivotar
Mudar o rumo de um negócio que não está dando certo. Vem do verbo em inglês “to pivot” (girar).

Três perguntas para

Rafaela Nicolazzi, analista de Relações Governamentais e Políticas Públicas do Google Brasil e integrante da banca de especialistas do último demoday do Startup in School 

 

(foto: Samuel K./Divulgação)
(foto: Samuel K./Divulgação)
  

Qual é a grande importância de ajudar jovens a terem contatos com conteúdos e práticas de empreendedorismo ainda na escola?
Mais do que nunca se faz necessário investir em iniciativas como essa para democratizar o acesso ao conhecimento, possibilitando que diferentes públicos contribuam para a criação de tecnologias inovadoras. Além disso, projetos como esse estimulam o espírito inovador que, cada vez mais, está despertando nos jovens a vontade de empreender.

Há alguma dica para escolas ou universidades que desejam estimular atitudes empreendedoras em seus alunos? Como é possível fazer isso?
O Google acredita que estimular o empreendedorismo ajuda a alavancar o progresso e a construir negócios que tenham um impacto positivo sobre indivíduos, comunidades e economias e desenvolver competências empreendedoras, permitindo que jovens se coloquem como os grandes protagonistas de suas histórias. Em um cenário em que o mercado de trabalho exige profissionais com competências múltiplas, é por meio de programas como o Startup in School que procuramos incentivar as escolas a implementar diversas estratégias para promover a capacitação dos professores, a adequação dos currículos e o envolvimento dos estudantes em projetos que simulem a prática empreendedora.

Há outros projetos do Google no Brasil em escolas?
No ano passado, tivemos a primeira edição do Desafio Change the Game, para premiar alunas de escolas públicas e particulares, com idades de 15 a 21 anos, que tiverem as melhores ideias de jogos. Durante todo o período de inscrição, foram realizados hackathons em escolas. Duas alunas foram contempladas e, além de terem seus jogos desenvolvidos e lançados no Google Play, tiveram a oportunidade de acompanhar de perto o processo de desenvolvimento do game e conversar com profissionais da área. Outras 800 garotas ganharam cursos on-line sobre programação. No início deste ano, também lançamos a nova versão do Seja Incrível Na Internet, programa desenhado para preparar crianças e adolescentes para usar a internet de modo consciente e seguro. O programa capacitou mais de 10 mil educadores em 11 capitais brasileiras por meio da iniciativa Cresça com o Google.

Palavra de especialista

O valor da educação empreendedora

Leo Gmeiner, diretor do comitê de edtechs da Abstartups (foto: Abstartups/Divulgação)
Leo Gmeiner, diretor do comitê de edtechs da Abstartups (foto: Abstartups/Divulgação)
 

“Eu sou absolutamente crente de que a educação transforma o mundo. E isso vale para a educação empreendedora. Vejo com muito entusiasmo todo esse movimento. A visão dos jovens para o que o mundo profissional pode ser normalmente está muito limitada e, quando a gente introduz a educação empreendedora, as janelas e as perspectivas se abrem.

Esse é o grande valor: mostrar para esses jovens, sejam de comunidades carentes, sejam de famílias em situação mais tranquila, que empreender não é necessariamente criar um CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica), empreender é muito mais uma atitude, que vale para todos os momentos. Programas como o Startup in School e o da Junior Achievement levam para essa moçada um conhecimento para todos os aspectos da vida, tanto de um lado mais técnico (de formatação societária, estratégia de marketing e contabilidade) quanto de empreendedorismo (criação de ideias, identificação de problemas e proposta de soluções).

E quanto mais cedo as pessoas tiverem contato com isso, melhor. Esse pode ser o segredo para a gente resolver muitos problemas. Os jovens precisam abrir a mente para isso, e as escolas públicas e particulares têm de olhar para esse processo, que vai muito ao encontro das competências socioemocionais que a cada dia ganham mais relevância. A educação empreendedora pode entrar dentro da educação por projetos que ganha força nas escolas com as aulas remotas.”
 
Leo Gmeiner, diretor do comitê de edtechs da Abstartups (Associação Brasileira de Startups), cofundador e CEO da startup Filho sem Fila (que cuida dos fluxos dos alunos na chegada e na saída da escola), graduado em jornalismo e em gerenciamento de projetos de tecnologia da informação, professor de empreendedorismo da Fiap 

Projetos inovadores

Conheça as seis startups aceleradas na última edição o SiS
 
Grupo é formado apenas por alunas, e começou em 2017(foto: Arquivo Pessoal)
Grupo é formado apenas por alunas, e começou em 2017 (foto: Arquivo Pessoal)
 

Lody

Integrantes: Débora Lacerda, Gabriela Salles, Isabella Teixeira, Mariana Paulino, da Etec Jorge Street, em São Bernardo (SP)

Foi observando o comportamento de professoras que alunas da Escola Técnica Estadual (Etec) Jorge Street criaram um aplicativo voltado para mulheres passando ou que vão passar pela menopausa. O app traz vários conteúdos informativos e um diário íntimo para a usuária preencher com sintomas físicos e emocionais. As informações geram gráficos mensais em forma de mandala, que podem ser apresentados durante consultas médicas.

“Tinha uma professora nossa na Etec que, às vezes, no inverno, ligava o ar-condicionado e mandava todo mundo pôr blusa porque ela estava na menopausa”, recorda Gabriela Salles, 17 anos, que cursa farmácia na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “A nossa professora de matemática também contou que a amiga dela não sabia dos calorões da menopausa, não aguentou e acabou raspando a cabeça”, conta.

O grupo é exemplo do que, no ecossistema de startups, é chamado de pivotar. Mariana e Isabella Garcia, 18, participaram da competição do Startup in School em 2017. Na época, apresentaram um projeto chamado FarmaUBS, que ajudava quem queria buscar um remédio numa unidade básica de saúde. No entanto, perceberam que o projeto não estava dando certo. 

Lody, de São Bernardo (SP)(foto: Arquivo Pessoal)
Lody, de São Bernardo (SP) (foto: Arquivo Pessoal)
 
Na metade de 2018, notando as dificuldades de mulheres na menopausa, iniciaram o Lody, que foi também TCC delas. As integrantes terminaram o ensino médio em 2019. “As professoras gostaram muito do projeto quando apresentamos. Principalmente, essa que sempre diminuía a temperatura do ar-condicionado. Ela estava na nossa banca de TCC e, literalmente, chorou por causa do projeto”, relata Mariana Paulino, 19.

Débora Lacerda e Isabella Garcia, 18, fazem hoje graduações relacionadas à tecnologia: a primeira cursa ciência e tecnologia na Universidade Federal do ABC (UFABC) e a segunda faz análise e desenvolvimento de sistemas na Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS). “A gente já tinha desenvolvido todo o app antes de entrar na faculdade, justamente porque era o TCC. O conhecimento que eu e a Débora vamos adquirir, agora, ajudará para fazer ajustes”, explica Isabela.

Denuntiare

Integrantes: Lucas de Oliveira Mota, Yasmin Pacine, Caio Filipe Dias, Jaissa Sá, João Carlos, Salatiel Gonçalves, do câmpus Palmas do Instituto Federal do Tocantins (IFTO)
 
Denutiare, de Palmas (TO)(foto: Arquivo Pessoal)
Denutiare, de Palmas (TO) (foto: Arquivo Pessoal)
  
 
Quando a equipe do SiS fez uma palestra no IFTO, a escola resolveu agrupar os interessados de modo aleatório. A equipe responsável pelo app Denuntiare não se conhecia antes de iniciar o trabalho, como conta Lucas de Oliveira Mota, 19 anos, que terminou o ensino médio integrado ao curso técnico em informática para internet no ano passado.
 
O grupo propôs um aplicativo em fase de protótipo permitindo que o usuário denuncie crimes e também possa visualizar num mapa áreas onde ocorrências foram feitas, podendo, assim, escolher um trajeto mais seguro.
 
Lucas Oliveira Mota é de grupo que mapeou violência(foto: Arquivo Pessoal)
Lucas Oliveira Mota é de grupo que mapeou violência (foto: Arquivo Pessoal)
  

A ideia veio da própria necessidade dos alunos, que sofriam com a insegurança ao voltar para casa de ônibus ou a pé. “A meta, agora, é fazer parcerias, terminar o aplicativo e expandir. O app pode ser usado em qualquer estado ou até mesmo em outro país”, explica Lucas.
 
Empreender era algo muito distante da realidade deles e o projeto é motivo de muito orgulho. “Quando cheguei à minha casa com troféu, medalha e certificado, surpreendi minha mãe. Todos os membros ficaram bem orgulhosos”. Acesse: denuntiare.github.io/Landing-Page.

DivulgArte

Integrantes: João Vitor Boechat, Marina Reuter, Rafaela Wanderley, da Escola Eleva, no Rio de Janeiro
 
Marina, João Vitor e Rafaela com o professor Artur Moreira (foto: Arquivo Pessoal)
Marina, João Vitor e Rafaela com o professor Artur Moreira (foto: Arquivo Pessoal)
 
O Instagram virou plataforma para divulgar arte(foto: Arquivo Pessoal)
O Instagram virou plataforma para divulgar arte (foto: Arquivo Pessoal)
 
“Muitos artistas independentes não conseguem alavancar a carreira por não terem espaço para se divulgar”, reflete Rafaela Wanderley, 17 anos, aluna do 3º ano do ensino médio. A startup criada por ela e colegas é a resposta a esse problema. A DivulgArte dá suporte à produção cultural jovem e em crescimento. A inspiração veio de Marina Reuter, que faz pinturas. Antes da pandemia, o grupo planejava promover eventos para ajudar a divulgar os artistas, mas, com a crise, precisaram pensar em outra solução. Durante a quarentena, o grupo usou o perfil no Instagram @divulgar.te.

“Fazer a startup foi algo crucial para eu continuar ativa na quarentena e acho que a gente tem muito para continuar, a gente se importa com o projeto, até pelos artistas que a gente conheceu”, diz Rafaela, que pensa em fazer faculdade de administração fora do país.

FaceUp

Integrantes: André Cesar Prolo, Diogo Gil, Gustavo Daniel Unser, Marco Antônio Raspini, do Colégio Estadual Doutor Eduardo Virmond Suplicy, em Francisco Beltrão (PR)
 
FaceUp, de Francisco Beltrão (PR)(foto: Arquivo Pessoal)
FaceUp, de Francisco Beltrão (PR) (foto: Arquivo Pessoal)
 
 
Alunos de uma escola pública do Paraná estavam cansados de ver professores perderem muito tempo para fazer a chamada a cada aula e resolveram propor uma solução tecnológica: otimizar o processo por meio de reconhecimento facial. Os dispositivos da startup FaceUp são fixados no interior da sala e podem reconhecer diversos alunos de uma vez.
 
Gustavo Unser integra grupo de chamada tecnológica(foto: Arquivo Pessoal)
Gustavo Unser integra grupo de chamada tecnológica (foto: Arquivo Pessoal)
  
O projeto começou no ano passado, quando os integrantes estavam no 3º ano do ensino médio e, hoje, todos cursam sistemas de informação no Centro Universitário Unisep, em Francisco Beltrão (PR).
 
Alunos criaram hardware de reconhecimento facial (foto: Arquivo Pessoal)
Alunos criaram hardware de reconhecimento facial (foto: Arquivo Pessoal)
  
Eles tiveram de descobrir como criar tudo sozinhos, como explica Gustavo Unser, 18 anos. O maior desafio foi o de André Cesar Prolo, que teve de ser programador autodidata. Gustavo ficou com o design. Os outros membros se encarregaram de pesquisas e das finanças. “A mentoria profissionalizou nossa solução. Quando iniciamos era tudo muito vago e sem fundamento”, conta. A meta, agora, é ir para o mercado de colégios particulares em São Paulo. Acesse o Instagram @faceup.co.

Auxilium

Integrantes: Fábio Papais, Carlos Mendes, Sofia Ribeiro, Abinadabe Ferreira, do câmpus Recife do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE)
 
Startup criou plataforma pró-ONGs para reduzir a vulnerabilidade social (foto: Arquivo Pessoal)
Startup criou plataforma pró-ONGs para reduzir a vulnerabilidade social (foto: Arquivo Pessoal)
 
No IFPE, o ensino médio integrado ao técnico dura quatro anos. Por lá, as equipes participantes do Startup in School foram formadas por sorteio. Para os integrantes, tudo era desconhecido, incluindo os colegas de grupo. “A gente se conheceu no dia da competição. Os organizadores estimularam esse clima de estar aberto a coisas novas”, conta Fábio Papais, 16 anos, que está no 2º ano do curso de eletrônica. Carlos Mendes (eletrônica) e Sofia Ribeiro (química) estão no 4º ano e Abinadabe Ferreira (eletrônica) terminou o colégio em 2019.

Os estudantes criaram a startup Auxilium focada em diminuir a vulnerabilidade social, divulgando e conectando ONGs, projetos sociais e instituições sociais para quem tem interesse em ajudar. A problemática que a empresa resolve foi apresentada por Sofia, que tinha feito trabalho voluntário. “Durante a pré-aceleração, acabamos mudando a solução, mas mantendo o mesmo problema”, explica Fábio.
 
Auxilium, de Recife (PE)(foto: Arquivo Pessoal)
Auxilium, de Recife (PE) (foto: Arquivo Pessoal)
  

Para o grupo, a pandemia não trouxe muito impacto na dinâmica do trabalho, pois os integrantes estavam acostumados a fazer reuniões virtuais. O projeto foi elaborado de modo que pode ser replicado em qualquer lugar. Agora, os integrantes negociam parcerias com empresas e atuam na captação de mais ONGs para a plataforma. Acesse: auxilium.social.

ScoutNet

Integrantes: Luiz Felipe França, Wanghley Martins, Eric Binsfeld, Joel Sena, Israel Bandeira, Lucas Araújo, do câmpus Brasília do Instituto Federal de Brasília (IFB)
 
Alguns dos criadores de plataforma de escotismo(foto: Arquivo Pessoal)
Alguns dos criadores de plataforma de escotismo (foto: Arquivo Pessoal)
 
Grupo do curso técnico em informática integrado ao ensino médio do IFB desenvolveu uma plataforma para conectar escoteiros de todo o mundo, além de divulgar a cultura desse movimento. A ScoutNet está disponível em www.scoutnet.com.br. A ideia veio de Luiz Felipe França, 18, que se tornou escoteiro há dois anos e sentia falta de um canal que o ajudasse a conhecer outros integrantes. “Tinha poucas formas para conversar com escoteiros de outros lugares. É necessário participar de acampamentos internacionais para conhecer a galera de fora”, explica.
 
ScoutNet, de Brasília(foto: Reprodução/ScoutNet)
ScoutNet, de Brasília (foto: Reprodução/ScoutNet)
  
 
Passar pela mentoria durante a pandemia foi muito proveitoso, na opinião de Luiz. Ele deseja se graduar em marketing após sair do IFB e aproveitou para se aprofundar na divulgação da startup. Para Wanghley Soares Martins, 17, foi a oportunidade de ver a iniciativa se concretizar. “Nós não somos mais um projeto nem um trabalho de escola premiado. Estamos caminhando para ser uma empresa, somos uma startup. Não temos mais vínculo com o IFB”, comemora Wanghley. A plataforma tem usuários em 16 unidades da Federação. “A ideia é atingir o break even em julho de 2021”, diz Wanghley. Luiz comemora que a startup já despertou interesse da UEB (União dos Escoteiros do Brasil).

Manual de inovação

Ficou interessado em participar de um programa como o Startup in School ou até mesmo em lançar sua startup? Confira dicas de Leo Gmeiner, da Abstartups
 
 

Como lidar com atritos e picuinhas na equipe?
Conflitos acontecem em qualquer time, seja entre estudantes da escola, seja entre pessoas que estão no MBA. Em qualquer lugar, você está sujeito a isso. Quanto mais jovem, mais emocional a gente tende a ser. A dica é ter cuca fresca, aproveitar os atritos como oportunidades de aprendizado.

Como encarar erros e fracassos?
Culturalmente, a gente é estimulada a não errar e é punida pelo erro. Num novo pensamento dessa nova economia, o erro pode e deve ser estimulado. Quão mais rápido você erra, mais rápido você acerta. A dica é: se descobrir que o negócio não vai dar certo, mudem e mudem rápido. O termo que o ecossistema usa é pivotar, mudar de direção.

Como saber se é preciso mudar de rumo?
Tem um mantra do ecossistema de inovação que é: apaixone-se pelo problema, não pela solução. Estou cansado de ver empresas que quebram porque os empreendedores estão apaixonados pela solução, acham a ideia genial, mas não veem que ela não se encaixa no problema. Se a solução não está dando certo para o problema, é hora de mudar, desenhar outra ou adaptar a ideia. Outra palavra mágica é validação, fazendo pesquisa séria antes de dar o próximo passo.

Como ter a ideia para criar uma startup?
Inovação não é necessariamente a maçã que cai na cabeça, pelo contrário! É olhar para coisas que já existem e melhorá-las. Para identificar um problema, é preciso estar com ouvidos e olhos abertos porque pode ser uma questão que atinge o outro. Só que, antes de desenhar uma solução, você precisa entender a fundo o problema, o que atinge o público.

Como construir o MVP?
Em geral, entre desenhar, construir e lançar um carro, passam-se dois anos. Só que, daqui a dois anos, a ideia que você teve lá atrás pode não ser mais boa. E, nesse formato, você fica dois anos sem faturamento e sem atender o cliente. No modelo de startups da nova economia, você não lançaria um carro, você lançaria um patinete a fim de poder lançar rápido e evoluir a partir do retorno dos clientes. Você economiza tempo e dinheiro e consegue logo fazer ajustes a partir do que o público quer. 
 

Outros projetos e oportunidades

Junior Achievement
A Junior Achievement é a maior e mais antiga ONG de educação empreendedora para crianças e jovens do mundo, abordando prática em negócios, economia e empreendedorismo. Com 100 anos de existência, ocupa o 5º lugar no ranking NGO Advisor, que elege as 500 melhores ONGs mundiais. Além disso, está presente em 120 países e em 24 unidades da Federação do Brasil, tendo desenvolvido projetos em Brasília. Com apoio de uma rede de voluntários, a sede carioca impactou mais de 300 mil estudantes nos últimos anos. Saiba mais.

Crie sua empresa
Estudantes de todo o Brasil podem se inscrever em competição para criação de startups. O programa SFB Start escolhe os projetos mais inovadores entre alunos dos ensinos fundamental e médio. As inscrições vão até sexta-feira (31/7) no site. O projeto é organizado pelo Sistema Farias Brito de Ensino e oferecerá mentoria profissional aos jovens na criação de suas startups. A competição é aberta para todos os estudantes que tiverem, pelo menos, 12 anos completos até dia 30 de maio de 2020.

Entendendo o mundo corporativo
Projeto criado na quarentena voltado para jovens tem o objetivo de dar dicas para a vida depois da escola. O curso tem conteúdos sobre finanças, negócios, mentalidade e soluções burocráticas. As aulas são ministradas no Instagram e são totalmente gratuitas. O perfil também dá dicas sobre habilidades digitais e atitudes a se tomar no pós-quarentena. Para ter acesso às aulas, basta acessar.

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