Entre 2014 e 2018, Brasil teve 1,3 milhão de matrículas a menos

O dado é referente à educação básica. O dado é do Censo Escolar, divulgado pelo Inep nesta quinta-feria (31). A pesquisa faz um retrato da situação das escolas brasileiras, tanto da rede pública quanto da rede particular

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postado em 31/01/2019 11:00 / atualizado em 31/01/2019 15:10

Em 2018, o Brasil registrou 1,3 milhão de matrículas a menos do que em 2014 na educação básica. O dado é do Censo Escolar de 2018 divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) nesta quinta-feira (31).
  
Os resultados são comentados em coletiva de imprensa marcada para as 11h com a presença do diretor de Estatísticas Educacionais do Inep, Carlos Eduardo Moreno Sampaio; o presidente do Inep, Marcus Vinícius Rodrigues, e o secretário executivo do Ministério da Educação (MEC), Luiz Antônio Tozzi.
 
O Censo Escolar revela a realidade da educação básica no Brasil, com dados da educação infantil, dos ensinos fundamental e médio, da educação de jovens e adultos, da educação especial, da educação em tempo integral e da educação profissional. Os dados contemplam número de escolas, matrículas e docentes; além de características como equipamentos, infraestrutura, porte, localização, espaços de aprendizagem, dependência administrativa e etapas de ensino.

Matrículas em queda

Como observado nos últimos anos, chama a atenção a queda no número de matrículas na educação básica. o Censo Escolar de 2018 revela que o volume de matrícula de 2017 para 2018 caiu em 152,2 mil ingressos. passou de 48,6 milhões em 2017, para 48,45 mil em 2018.

Essa redução é puxada por uma quantidade menor de estudantes matriculados nos ensinos médio e fundamental. No primeiro caso, nos últimos cinco anos, houve redução de 7,1% no número total de matrículas. Isso pode ser explicada por menor taxa de reprovação dos estudantes e por uma diminuição de matrículas nos anos finais do ensino fundamental. Essa etapa teve 27,2 milhões de matrículas, valor 4,9 % menor do que em 2014. Nos anos finais, há 11% menos matrículas do que nos anos iniciais. No DF, essa queda é menor, no patamar de 7,6%. 

No caso da educação infantil, as matrículas cresceram 11,1% na comparação com 2014. Em 2018, foram 8,7 milhões de registros, enquanto, em 2014, eram 5,3 milhões. Em Brasília, 100 mil crianças foram matriculadas na educação infantil. Dessas, 31 mil foram em creches. O número é um pouco maior do que em 2017 quando foram 29 mil matrículas. 
 
 
 

Estrutura que faz diferença

Somente 11,5% das escolas de ensino fundamental têm laboratório de ciências. No ensino médio, 41% delas com essa estrutura. Apesar de estudar em uma escola com um espaço como esse, o Centro de Ensino Médio 1 do Guará 1 (também chamado de GG), Keren Appuc Campos, 16 anos, conta que a estrutura não é completa. No entanto, esse não é o maior problema: segundo a estudante, as condições seriam suficientes para as aulas, só que o espaço acaba não sendo usado.

 

Arquivo pessoal
O que, na percepção da adolescente, dificulta o aprendizado de algumas matérias. “Eu acho que seria muito mais fácil entender certos conteúdos com a prática no laboratório”, afirma. A estudante, que começará o 3º ano do ensino médio em 2019, só teve uma aula no laboratório em 2018, o que só aconteceu porque a sala de aula regular dela estava em reforma.


Keren conta que, quando estudou no Centro de Ensino em Período Integral - Colégio Estadual Hugo Lobo, em Formosa, a realidade era diferente, pois tinha aulas de laboratório e conseguia aprender e fixar as matérias muito mais rápido. “Eu realmente não sei porque não temos aula lá, era muito melhor aprender na prática.”

A Escola Classe 2 do Guará 1 faz parte dos 55% de escolas de ensino fundamental brasileiras que têm biblioteca ou sala de leitura. Cindia Rodrigues e Silva Carpina Curry, diretora das escola, explica que, com a sala, é possível que professores e alunos desenvolvam atividades de incentivo à leitura. 

A escola conta com um projeto chamado Sala de Leitura. “O projeto foi desenvolvido pelos professores com o objetivo de incentivar os alunos à leitura. Então, toda semana, as crianças podem pegar um livro e levar para casa”, explica a diretora. Por isso, ela não sente falta de biblioteca no local. No entanto, se o projeto não existisse, a produtividade do alunos provavelmente não seria a mesma na avaliação de Cindia. No caso das escolas particulares, 81% delas têm essa estrutura. 

Atribuição do ensino fundamental

A maior parte da responsabilidade quanto ao ensino fundamental é da rede municipal, no caso dos anos finais. Em relação aos anos iniciais, há um equilíbrio entre rede estadual e municipal. Mas há estados em que a responsabilidade é quase 100% do estado, como Paraná e Roraima. E outros em que é do município, como o caso do Maranhão e do Ceará. 
 
 
 

Ensino integral tem baixa, mas ensino profissionalizante aumenta 

Apesar de ter registrado aumento no número de matrículas nos anos finais do ensino fundamental integral no DF, o censo revelou queda nessa modalidade. Em 2017, 13,9 % dos estudantes de ensino fundamental estavam matriculados em escolas de ensino integral. Em 2018, esse percentual passou para 9,4 %. No DF, esse percentual é de 7,2 %. 

O número total de matrículas da educação profissional aumentou 3,9% em relação ao ano de 2017. Esse crescimento vem depois de dois anos de queda. 

Brasil tem menos alunos matriculados com idade superior à recomendada, DF registra aumento nos anos iniciais 

Nos anos iniciais do ensino fundamental, foram matriculados 1,4 milhão de alunos fora da idade recomendada, que é de até 10 anos. Em 2017, esse número era de 1,5 milhão. No DF, esse número subiu de 16 mil para 17 mil. 

Nos anos finais, contudo, houve queda geral nas distorção idade-série. De 1,8 milhão, em 2017, passou para 1,7 milhão, em 2018. 

Essa distorção se torna mais intensa a partir do 3º ano do ensino fundamental e se acentua no 6º ano do ensino fundamental e na 1ª série do ensino médio. A taxa de distorção idade-série alcança 11,2% das matrículas nos anos iniciais do ensino fundamental, 24,7% nos anos finais e 28,2% no ensino médio. A taxa de distorção do sexo masculino é maior que a do sexo feminino em todas as etapas de ensino. 
 
 
 

Quase todos os professores do DF têm formação adequada para dar aulas. No resto do Brasil, isso ainda não é realidade 

Apesar de 78,5% dos professores do ensino fundamental terem ensino superior completo, o percentual de disciplinas que são ministradas por professores com formação superior de licenciatura na mesma área nos anos finais do ensino fundamental apresenta grande variação por região. 

De forma geral, as regiões Norte, Nordeste e grande parte da região Centro-Oeste apresentam um menor percentual de disciplinas ministradas por professores com formação adequada. 
 
 
 

No caso do ensino médio, o DF se destaca com quase 100% dos professores com formação adequada. 
 
 

*Estagiárias sob supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa