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Correio Braziliense

Pais participantes, filhos confiantes

Atuação da família junto à escola ajuda a melhorar desempenho


postado em 12/01/2020 08:19 / atualizado em 11/01/2020 14:22

Simone (com os filhos): faltava aos alunos habilidades da educação básica(foto: Arquivo Pessoal)
Simone (com os filhos): faltava aos alunos habilidades da educação básica (foto: Arquivo Pessoal)
Cada vez mais preocupada com a educação dos filhos, a professora universitária e doutoranda em Educação Simone Batana, 42 anos, decidiu criar um projeto de tese que melhorasse o aprendizado das crianças na escola. Enquanto lecionava, Simone percebeu que seus alunos de graduação não haviam desenvolvido habilidades importantes na educação básica, como a capacidade de dialogar e de liderar. A partir disso, desenvolveu o programa Aprendizagem Significativa, que une brincadeiras socioeducativas, como jogos e visitas externas, com conteúdos escolares, para elevar o nível de absorção do conhecimento coletivamente. Desde agosto de 2019, o projeto atende quatro alunos do Colégio Ideal, com o apoio de facilitadores voluntários.

O empenho de Simone mostra que, para a formação de um bom estudante, a família é tão ou mais importante que a escola. Mãe de Benjamin, 10, e de Nicole, 6, ela conta que, depois de começar a participar do projeto, o mais velho demonstrou melhorias no desempenho escolar.

Simone fundou o primeiro grupo de pais no WhatsApp do Colégio Ideal. “Me mantenho sempre envolvida na vida dos meus filhos. Tenho contato com a escola, com os professores, os coordenadores, e com os proprietários. Além da parte cognitiva, a escola tem que oferecer cuidado com as crianças e adolescentes”.

Para Lúcia Helena Pulino, professora de psicologia escolar e do desenvolvimento da Universidade de Brasília (UnB), seja em escolas privadas, seja em públicas, a participação dos pais na educação dos filhos é essencial. Porém, ela alerta que deve haver cuidados para que os grupos de WhatsApp não se convertam em vigilância extrema.

Exemplo começa em casa


Para a advogada Priscila Barbosa, 34 anos, a educação do filho é prioridade. Heitor, 3, frequenta a escola desde os nove meses de idade e tem nos pais o espelho para trilhar um caminho baseado nos livros. “Eu e o Ranieri, meu marido, fazemos de tudo para mostrar para o Heitor a importância de estudar e o gosto pela escola. Se não incentivarmos desde cedo, ele pode ter dificuldades quando ficar mais velho”. E acrescenta:

“Na escola, ele costuma avançar nas turmas muito rápido, e acaba tendo mais contato com alunos um pouco mais velhos. Por ser uma criança agitada e brincalhona, às vezes, tem problemas de convivência. Nosso papel, como pais, é estar sempre atentos para que isso não aconteça sempre e não interfira na personalidade do Heitor”, afirma Priscilla.

Em relação À comunicação com a escola, Priscila alega que prefere não participar de grupos no WhatsApp com pais e responsáveis. “Às vezes, geram mais conflitos do que soluções. Então, prefiro o contato direto com a escola, que tem um canal no WhatsApp em que os dois lados mandam informações sobre a rotina escolar do meu filho”, explica.

Outro foco de atenção da advogada na vida do filho é o que ele navega na internet. Priscila monitora os canais do YouTube a que o Heitor assiste e, se necessário, o tira da sala quando ela e o marido estão vendo filmes com cenas fortes. 

Valorização e incentivo

Ao perceber que a família se interessa por seus estudos e por suas experiências escolares, a criança ou adolescente se sente valorizada e incentivada. Há mais de 28 anos atuando como professora da educação básica em escolas públicas do DF, a educadora Sandra Ferreira, 48, percebe isso dentro e fora de sala de aula. No local em que leciona, Sandra já precisou chamar a atenção de pais que deixaram a educação dos filhos por conta da escola.

Buscando fazer diferente, em sua casa ela se preocupa com os estudos dos filhos e acompanha a evolução de cada um. Ana Júlia, 13, e Murilo 7, têm a rotina escolar supervisionada de perto pela mãe. “Vários episódios me mostraram a importância de conhecer a rotina escolar dos meus filhos. Sei quando fizeram algum dever ou não. Além do mais, conheço as dificuldades de cada um”.

De acordo com a professora do Departamento de Planejamento e Administração da Universidade de Brasília (UnB), Catarina de Almeida, o papel dos pais é de guiar os filhos pelos caminhos da vida, por meio da criação de limites e de valores importantes para conviver em sociedade. 
 

 Como acompanhar os estudos sem ser invasivo

» Sempre o questione sobre o que está sendo apresentando na escola e, sobretudo, sobre o que ele aprendeu. Desse modo, ele sente que você está interessado em seus estudos.

» O aluno deve ter uma rotina de estudos em casa, de modo que potencialize o conhecimento. Logo, separe um momento do seu dia para auxiliá-lo.

» A presença dos responsáveis é importante tanto em reuniões quanto em apresentações comemorativas. Essas oportunidades os mantêm em contato com o educadores e faz com que os responsáveis entendam a rotina da criança.

» Mesmo que a criança erre, evite demonstrar qualquer julgamento que possa desvalorizá-la. Em vez disso, procure elogiar o que considerar positivo e conversar sobre os acertos e erros.

» Não espere que seus filhos tenham comportamentos, pensamentos ou vontades iguais aos seus.

» Promova situações nas quais a criança possa se arriscar com autonomia, de modo que busque conhecimento por conta própria sobre áreas que interessem a eles.

*Estagiária sob supervisão de Fábio Grecchi
 
 

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