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Correio Braziliense

Mais que disciplina, meio ambiente é compromisso

Meninada dá lição aos adultos e mostra que, se a conscientização não começar agora, os riscos aumentarão


postado em 12/01/2020 08:22 / atualizado em 11/01/2020 14:38

(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
A cada ano que passa, mais a discussão sobre preservação do meio ambiente ganha relevância dentro e fora da sala de aula. A moçada de hoje tem se conscientizado que está sob sua responsabilidade garantir a sobrevivência do planeta. Muitas crianças e jovens estão educando seus pais quando o assunto é a sustentabilidade da Terra.

Flávio Bueno, professor de Geografia e coordenador do grupo Anjos do Sigma, explica que a temática meio ambiente está presente na grade curricular desde os primeiros anos da educação básica. “Vira e mexe, no decorrer da vida escolar, surge como tema transversal. Começa de forma lúdica, com a conscientização da importância da natureza, depois passa para um ensino mais voltado para área econômica, no ensino médio, com relevância geopolítica para a sociedade”, diz.

A preservação do Planeta Terra passa por aulas de economia agrícola e pelo cotidiano das grandes cidades, ressalta Bueno. “Nas décadas de 1970 e 1980, existia um apelo desenvolvimentista, sem essa preocupação. A geração da década de 2000 tem a questão ambiental fortemente inserida no seu dia a dia. Não à toa, temos importantes movimentos em nível global”, destaca.

O Projeto Jovens pelo Clima, que foi criado na Noruega, tem muitos adeptos no colégio Sigma, assinala o professor. “Foi assim que surgiu o projeto de voluntariado Anjos do Sigma, com objetivo de conscientizar os alunos sobre os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Um projeto muito legal dos estudantes do 9º ano”, conta. Os ODS são 17 metas para 2030 estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (veja quadro).

O especialista defende que o assunto deve ser abordado de forma transversal, ou seja, em várias disciplinas, e com conteúdo abrangente. “É muito mais do que falar de preservação da natureza. É alinhar o desenvolvimento econômico com a continuidade da preservação. Não há mais preocupação com o futuro, mas com o hoje”, pontua. Bueno exemplifica: “Os alunos têm a noção de que as queimadas na Amazônia afetam os rios voadores, porque impedem que a evaporação gere transição de um volume de água pela atmosfera, alterando a dinâmica de chuvas no verão. E que isso amplia a seca no Distrito Federal, afetando a qualidade de vida”.

Engajamento

Não à toa, uma aluna de Flávio no Sigma se tornou uma liderança em Brasília na questão do meio ambiente. Clara Brandão, 16 anos, participa do projeto Anjos do Sigma e também do grupo global Jovens pelo Clima. A estudante, que está no terceiro ano, atua em abrigos de animais, por meio do grupo Anjos do Clima, no qual entrou aos 14 anos.

“O que me motivou foi o sentimento de ajudar as pessoas, e a nós mesmos também. Sempre fui muito ligada ao meio ambiente. No início do ano passado, eu senti a necessidade de tratar do tema de forma mais política. Foi quando conheci um movimento que surgiu na Europa”, conta. Clara diz que começou a pesquisar para ver se existia representação no Brasil e achou o Jovens pelo Clima em Brasília. “Foi no dia seguinte da primeira manifestação que ocorreu no Brasil. Entrei nos grupos virtuais e hoje sou uma influenciadora”, diz.

O grupo tem vários jovens líderes espalhados por Brasília. “Eu quis levar isso para dentro da escola, onde já fazia parte do Anjos do Sigma, que é voltado para causas sociais e ambientais. A primeira ação, juntando os dois grupos, foi no Dia da Terra”, recorda. Clara escreveu um manifesto e apresentou durante um evento na escola sobre as 17 ODS da ONU. “Ganhamos a devida atenção no ambiente escolar”, exalta.

Segundo a ativista, a causa ambiental está tomando muita força, e os jovens são os protagonistas dessa mudança, porque querendo ou não vai afetar as gerações futuras. “Tento levar isso para casa. É mais difícil com meu pai e meu irmão, mas minha mãe eu já conscientizei. Tento mostrar que é necessário reduzir o consumo de carne, diminuir o lixo, fazer uma horta para consumir menos coisas de supermercados”, ensina.

Na casa de Érica Machado Vicente, 39, também são as crianças que levam a educação ambiental. Os filhos Marina Maria, 13, Isabela Maria, 11, e Paulo, 9, são engajados na preservação do meio ambiente. “Eles cresceram indo à fazenda. Então, a ligação com a natureza é muito forte”, conta a mãe, que já levou uma bronca de Marina ao deixar uma lata no chão. “A gente sabe que lata os catadores levam, mas ela ficou muito brava comigo. Disse: ‘você vai fazer isso na minha frente?’”, lembra Érica.

Os estudantes têm contato com conteúdos sobre meio ambiente, mas a preocupação é legítima e natural para eles. “A nossa geração tem que se preocupar com o futuro. Fazemos campanha e acompanhamos os influenciadores na internet”, explica Marina. A aluna, que vai cursar a nona série em 2020, diz que se preocupa em saber o motivo das queimadas e denunciar cada vez que vê focos de fumaça suspeitos. “É crime”, alerta.

Fique por dentro

Conheça os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas para 2030

1. Erradicação da pobreza
2. Fome zero e agricultura sustentável
3. Saúde e bem-estar
4. Educação de qualidade
5. Igualdade de gênero
6. Água potável e saneamento
7. Energia acessível e limpa
8. Trabalho decente e crescimento econômico
9. Indústria, inovação e infraestrutura
10. Redução das desigualdades
11. Cidades sustentáveis
12. Consumo e produção responsáveis
13. Ação contra a mudança global do clima
14. Vida na água
15. Vida terrestre
16. Paz, justiça e instituições eficazes
17. Parcerias e meios de implementação
 
 
 
 

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