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Correio Braziliense

Brasília também recebe o Fórum Mundial Alternativo da Água (Fama) esta semana

Pedindo mais atenção a comunidades, críticas a governantes e ao Fórum das corporações marcam abertura do Fama


postado em 17/03/2018 12:24 / atualizado em 17/03/2018 16:57

Paralelo ao Fórum Mundial da Água, o Fórum Mundial Alternativo da Água (Fama) teve início também neste sábado (17/3). Considerado um evento democrático, com a participação de representantes de todo o Brasil, incluindo indígenas, quilombolas e grupos militantes, a abertura do fórum ficou marcada pelo apelo das comunidades que sofrem com a falta de acesso à água. "Eles têm a água como algo próprio da sua vida, e estão sofrendo uma série de impactos. Têm de conviver com a escassez e com a poluição. Mesmo assim, mostram resistência. É preciso pensar em alternativas para resolver essas questões", disse a articuladora da Campanha Nacional Sem Cerrado, Sem Aguá, Sem Vida, Isolete Wichinieski.

O primeiro dia do Fama foi repleto de protestos, sobretudo ao presidente Michel Temer (MDB). Raquel Dodge, procuradora-geral da república, esteve presente no evento e foi vaiada pelo público. O Fórum Mundial da Água, que está na 8ª edição este ano, também foi alvo de críticas. "O nosso fórum se difere porque é constituído por pessoas que quase não são escutadas pelos responsáveis que decidem a gestão da água. Queremos dar sentido a essas vozes que lutam por um bem que está sendo tratado como mercadoria. Se não construirmos um grande movimento, não vamos barrar o que está sendo feito", ressaltou o vice-diretor do Instituto de Ciências Humanas da Universidade de Brasília (UnB), Perci Coelho.
 
(foto: Augusto Fernandes/Esp.CB/DA Press)
(foto: Augusto Fernandes/Esp.CB/DA Press)
 
 
Até a próxima quinta-feira (22/3), cerca de 5 mil pessoas de aproximadamente 30 países são esperadas para participar das discussões do Fama. Segundo Isolete, esse intercâmbio cultural será de extrema importância. "Cada um tem o seu jeito de olhar a água, e vamos ter a oportunidade de aumentar a luta para resolver os diferentes problemas que as comunidades mais isoladas sofrem. Precisamos pensar em algo em comum, que nos mostre uma luz para onde caminhar durante esse processo", ressaltou.

Abertura indígena


Para dar início ao Fama, índios de Wapichana, Roraima, reuniram todos os presentes e fizeram uma série de apresentações típicas da tribo, como danças, músicas e orações. Representante da comunidade, Kamuu Dan reforçou a importância do Fama. "A água para nós é sagrada. E ela é um direito de todos. Não podemos deixar que tirem isso da gente. Temos que continuar resistentes", frisou.

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