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Correio Braziliense

Temer abre Fórum Mundial da Água com presença de poucas autoridades

Apenas 12 chefes de Estado compareceram à cerimônia, que não teve presença de nenhum presidente de parceiros do Mercosul ou do Brics


postado em 19/03/2018 11:10 / atualizado em 19/03/2018 15:51

Menos de 20 autoridades compareceram ao evento(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Menos de 20 autoridades compareceram ao evento (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

Em plena crise hídrica e com racionamento de água há mais de um ano, a cidade de Brasília é palco de discussões do 8º Fórum Mundial da Água, aberto oficialmente pelo presidente Michel Temer na manhã desta segunda-feira (19/3) no Palácio do Itamaraty. O evento acontece até a próxima sexta-feira (23/3).

A cerimônia contou com a presença de poucas autoridades diante de um assunto tão importante, que é a gestão sustentável dos recursos hídricos. Pouco mais de 10 chefes de Estado e representantes governo — sem nenhum parceiro do Mercosul ou do Brics, bloco das economias emergentes integrado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — compareceram ao evento.

Em seu discurso de abertura, Temer destacou a importância do debate sobre a preservação dos recursos hídricos e reconheceu que não há tempo a perder. "O acesso à água está intimamente ligado à nossa capacidade de crescer de forma sustentável. Em nome do futuro da humanidade, é nossa obrigação buscar o desenvolvimento social em todas as vertentes: econômica, social e ambiental", afirmou o presidente.
 
"A vida na Terra estará ameaçada se não respeitarmos os limites da natureza", emendou ele, acrescentando que o comprometimento do país com tema é "histórico", desde a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, a Rio 92, realizada durante o governo do ex-presidente Fernando Collor de Mello, citado por Temer e que estava entre as autoridades presentes.

O chefe do Executivo lembrou que dois milhões de pessoas não possuem fonte de água segura em casa e mais de 260 milhões, mais do que a população brasileira, precisam andar mais de uma hora para coletar água. Ele destacou também a necessidade de políticas coordenadas para a gestão dos recursos hídricos e adiantou que o governo brasileiro está preparando um projeto de lei que visa “modernizar o marco regulatório do saneamento para incentivar investimentos na universalização desse serviço básico”.

Em sua fala, logo na sequência de Temer, o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, também destacou a importância da preservação dos recursos hídricos é um desafio local e mundial, em um momento em que Brasília atravessa por um extenso racionamento de água.
 
"A falta de investimento em infraestrutura durante muitos anos combinado com o volume de chuvas abaixo da média histórica nos levou a uma crise hídrica", admitiu Rollemberg. Segundo ele, até o fim do ano, deverá ser concluída a obra para a captação de água do reservatório de Corumbá IV, que está sendo realizada em parceria com o governo de Goiás.

Rollemberg lembrou que esta é a primeira vez que o Fórum Mundial da Água é realizado em um país do Hemisfério Sul. Em 2021, será a vez do Senegal sediar a 9ª edição do evento.

O Fórum termina na sexta-feira e prevê uma série de eventos paralelos na capital federal. Há, por exemplo, um espaço aberto para a população, no estacionamento do Mané Garrincha, onde fica a Vila Cidadã, inaugurada neste fim de semana. De acordo com o governador, apenas nos dois dias o local foi visitado por mais de 25 mil pessoas.
 
"O Fórum deve deixar um legado para esta e futuras gerações. Estamos tratando um tema fundamental para atingirmos os objetivos do desenvolvimento sustentável. Precisamos compartilhar água e para isso, precisamos compartilhar saberes, culturas, opiniões e ideias", afirmou o governador do GDF.

De acordo com dados do Ministério das Relações Exteriores, apenas 12 chefes de estado e representantes de governo ou de delegações participaram da cerimônia de abertura: o presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos de Almeida Fonseca; o presidente da República Cooperativa da Guiana, David A Granger, o presidente da Hungria Senhor, János Áder; o presidente da República de São Tomé e Príncipe, Evaristo Espírito Santo Carvalho; o príncipe herdeiro do Japão, Naruhito; o primeiro-ministro da República da Coreia do Sul, Nak-Yon Lee; o primeiro-ministro do Marrocos, Saad Dine El Otomani; o primeiro-ministro do Principado de Mônaco, Serge Telle; o vice-presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Mangue, a diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay; o ex-presidente da Eslovênia, Danilo Turk e  o ministro dos Negócios Estrangeiros do Senegal, Sidiki Kaba.
 

Debates paralelos

Os debates paralelos ao Fórum começaram no domingo, durante o Water Business Day, encontro empresarial que definiu como recomendações a regulação adequada, a disponibilidade e melhoria dos dados e informações sobre bacias hidrográficas e a colaboração e participação na gestão da água são as prioridades defendidas pela indústria para garantir a disponibilidade de água em quantidade e qualidade adequadas. As propostas serão encaminhadas para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), que organizou o evento em parceria com o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebeds) e a Rede Brasil do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU).

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