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Correio Braziliense

Catástrofes relacionadas à água causaram perdas mundiais de US$ 306 bi em 2017

Especialistas avaliam que a tendência é de que a cifra continue a subir caso não sejam tomadas providências na preservação de áreas de florestas tropicais e grandes rios


postado em 20/03/2018 06:00 / atualizado em 20/03/2018 10:56

Belém de Maria, em Pernambuco, totalmente embaixo d'água durante a temporada de chuvas no estado no ano passado: inundações enquanto outras regiões enfrentam seca(foto: Reprodução)
Belém de Maria, em Pernambuco, totalmente embaixo d'água durante a temporada de chuvas no estado no ano passado: inundações enquanto outras regiões enfrentam seca (foto: Reprodução)


As catástrofes relacionadas à água representam 90% de todos os desastres em números de pessoas afetadas. Os custos sociais e econômicos aumentaram nas últimas décadas, e, segundo palestrantes do Painel de Alto Nível Água e Desastres Naturais, do 8º Fórum Mundial da Água, a tendência é continuar subindo se não forem tomadas providências.

Em 2017, os desastres naturais relacionados à água causaram perdas mundiais de US$ 306 bilhões, de acordo com dados apresentados ontem no painel. Entre 1980 e 2016, 90% dos desastres estão relacionados ao clima. Em 2016, apenas 28% dos US$ 175 bilhões de perdas globais foram assegurados. Desse total, 31% foram devido a tempestades, 32% atribuídos a alagamentos e 10% a temperaturas extremas.

O príncipe herdeiro do Japão, Naruhito, destacou, em palestra durante o painel, o 110º aniversário da imigração japonesa para o Brasil. Ele ressaltou a presença de áreas de florestas tropicais e grandes rios, como o Rio Amazonas e o Rio de La Plata, assim como aquíferos, como o Guarani, que passam pelo Brasil e se estendem além das fronteiras. “Essas áreas relacionadas à água têm um papel importante não somente no crescimento e desenvolvimento do país, como também no balanço climático e conservação da biodiversidade da terra”, afirmou.

O presidente do High Level Experts and Leaders Panel on Water and Disasters (Help em inglês, que em tradução livre seria Painel de Especialistas e Líderes de Alto Nível sobre Água e Desastres), Seung-soo, frisou que a água é a definição de vida, mas que pode também ser uma ameaça à vida. “Os países precisam mudar e focar no manejamento dos desastres para impedir a perda de água”, declarou. Ele enfatizou que o melhor caminho é por meio de maiores investimentos na educação, conscientização, pesquisas e setores relacionados à água.

O presidente da Help citou os estragos sofridos por países como Brasil, Alemanha, Japão e Estados Unidos, devido a chuvas ou secas extremas. Ele lembrou de situações em que cidadãos de São Paulo sofreram com inundações enquanto outras regiões do Brasil enfrentavam a seca. “O equilíbrio hídrico natural está em risco devido às mudanças climáticas, causadas pelo aquecimento global, poluição e outros fatores”, explicou. Ele comentou a importância de se prevenir para tais eventos ao em vez de agir pela emergência.

“Uma das iniciativas da Help é dobrar os investimentos nacionais e internacionais, por meio do desenvolvimento de educação e tecnologias, de forma a aumentar a prevenção de riscos de desastres relacionados à água. Isso é indispensável para o desenvolvimento socioeconômico”, completou.

Naruhito observou que, nas discussões e ações sobre água, os envolvidos tendem a focar no recurso hídrico em si, “mas deveríamos também prestar mais atenção em problemas além”. Para explicar, ele usou o exemplo do cerrado, que uma vez foi considerado como área seca e não produtiva. Anos de pesquisa revelaram que a baixa produtividade se atribuía, na verdade, não à falta de água, mas sim à composição do solo. Ele visitou, nesta semana, o Centro de Pesquisa Agrocultural do Cerrado, Cpac, depois de mais de três décadas de sua primeira visita. “O sonho das pessoas que eu testemunhei há 36 anos se tornou realidade, e o cerrado evoluiu agora em um dos líderes mundiais da zona agricultural”, frisou.

* Estagiária sob supervisão de Roberto Fonseca.

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