Jornal Correio Braziliense

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Brasil tem 16% dos municípios enfrentando problemas de escassez hídrica

Cidades grandes, como Brasília e São Paulo, sofrem com uma situação que cresce a cada ano: 16% dos municípios convivem com a estiagem

O Brasil, país que acumula 12% de toda a água doce do mundo, tem agora 16% dos municípios enfrentando problemas de escassez hídrica. Os dados foram divulgados pelo ministro da Integração Nacional, Hélder Barbalho, durante painel do 8; Fórum Mundial da Água sobre crises hídricas pelo Brasil. Os governadores do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, e de São Paulo, Geraldo Alckmin, participaram do debate, contando como enfrentaram os problemas causados pela falta de água nas regiões que governam.

A sala do painel lotou antes mesmo do começo do debate, e muita gente ficou de fora. O ministro Hélder Barbalho se declarou indignado com a seca ser tratada como algo normal no Brasil. Ele destacou que o assunto não é apenas um problema vivenciado na região nordeste do país. Dos 5.570 municípios brasileiros, 917 convivem com estiagem e seca diariamente, segundo o ministro. ;O número de estados se amplia, e o número de cidades nessa situação mostra a necessidade de uma estratégia não apenas localizada na região nordeste, e sim avançando para outras regiões do Brasil;, advertiu. As obras de captação de água na capital federal foram citadas como exemplo em regiões metropolitanas.

Uma das apostas para tentar resolver o problema é a transposição do rio São Francisco ; a qual Barbalho chamou de ;principal obra da história do país;. O ministro fez um balanço das entregas: em março de 2017, o eixo leste ficou pronto. Ainda em 2018 será a vez do eixo norte. E, segundo Barbalho, 96% da parte norte está concluída. Ao ser entregue, a transposição beneficiará 12 milhões de pessoas da região semiárida do Brasil, de acordo com o ministro. Todo projeto é orçado em R$ 8,2 bilhões, com a construção de mais de 700km de canais de concreto, nos eixos norte e leste, percorrendo os estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte. Os governadores do Ceará e da Paraíba também foram convidados a participar do painel, mas não compareceram.

Contra a tributação

O governador paulista, Geraldo Alckmin, concluiu a participação no painel propondo o fim da tributação do governo federal sobre saneamento básico. ;Nós precisamos de financiamento e de recursos para investir. O governo federal tributa saneamento, água e esgoto. Não tem sentido: governar é escolher;, afirmou o tucano. Para combater a crise hídrica em SP, um dos principais investimentos foi na interligação dos sistemas de água.

No começo do mês, Alckmin inaugurou a conexão do Jaguari com o Atibainha, ligando as bacias que agora podem transferir água de uma para a outra, beneficiando 39 milhões de pessoas nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro. Os investimentos da obra ficaram em R$ 555 milhões, financiados pelo BNDES. ;Minha proposta é que não houvesse tributação sobre saneamento básico, para esse recurso ajudar nos investimentos e a gente fortalecer a segurança hídrica e o saneamento;, completou. Para o tucano, o pequeno investimento em saneamento no passado e a falta de chuvas em 2014 foram fundamentais para o agravamento da crise em São Paulo.