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Correio Braziliense

"Realidades invisíveis": Fórum da Água debate segurança hídrica em favelas

Situação de pessoas em situações pós-conflitos e pós-desastres e moradores de comunidades vulneráveis também foram o foco do debate


postado em 21/03/2018 06:00

Vários problemas de gestão hídrica são apontados ao longo das discussões do 8º Fórum Mundial da Água, que ocorre nesta semana, em Brasília. Algumas localidades sofrem com seca, outras com problemas de distribuição do recurso. Em certos lugares, o desafio é combater a poluição. Em boa parte deles, garantir saneamento básico e água de qualidade para a população. Em geral, essas são situações “visíveis” e combatidas em maior ou menor escala. Além desses problemas, o mundo precisa lidar cada vez mais com as “realidades invisíveis” de favelas, pessoas em situações pós-conflitos e pós-desastres e moradores de comunidades vulneráveis. Ontem, o evento se propôs a discutir a segurança hídrica dos menos representados.

O objetivo de um dos painéis realizados durante a manhã de ontem é de que as “realidades invisíveis” também sejam representadas na Declaração de Sustentabilidade que será elaborada amanhã, ao fim do fórum, para mostrar a real situação das políticas atuais voltadas à água. Por isso, o painel reuniu representantes de entidades que buscam ajudar grupos vulneráveis que convivem em favelas, acampamentos de refugiados e comunidades indígenas e rurais, que demandam formas especiais de intervenção nos serviços de água, saneamento e saúde.

A conclusão foi de que a agenda humanitária precisa ser reforçada e incluir a demanda. Além de ajudar as pessoas em risco, é necessário integrá-las à sociedade, garantindo água tratada, trabalho e meios de subsistência. Os participantes do painel também concordaram que a responsabilidade em relação a isso deve ser compartilhada pelos países.

Burcu Calli, representante do Instituto Turco da Água, que expôs a realidade de 5,6 milhões de asilados sírios na Turquia, ressaltou que 6% deles vivem nos campos de refugiados. “O desafio lá não é só mantê-los salvos, mas prover água limpa e melhor qualidade de vida”, afirmou. Diante dessa realidade, os presentes no encontro também concordaram que é preciso pressionar os governos para que eles destinem mais fundos às comunidades, não apenas para acolher refugiados, mas para coordenar os campos.

Qualidade

Outra queixa do grupo é de que os investimentos em infraestrutura hídrica e de saneamento se concentram historicamente em políticas públicas de áreas urbanas. Enquanto isso, populações vulneráveis não têm acesso adequado a esses serviços. Erika Pinto, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), exemplificou com situações vividas no oeste do Pará. Além de só encontrarem água a quilômetros de distância, na maioria das vezes, ela é imprópria para o consumo. “Essas comunidades costumam fazer fontes com água superficial, que quase não serve para ser consumida. Isso ameaça a segurança nutricional”, alertou. “Existe a percepção de que há abundância de água na região amazônica e que ela é acessível a todos, mas não é assim que funciona.”

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