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Correio Braziliense

Falta de recursos limita oferta de água e saneamento nos países latinos

Ausência de projetos e baixa capacidade financeira de estados e municípios comprometem atendimento da população nos setores de infraestrutura hídrica e de saneamento básico


postado em 21/03/2018 06:00

Obras da Caesb, em Brasília: países latino-americanos não conseguem cobrir custos de abastecimento(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press )
Obras da Caesb, em Brasília: países latino-americanos não conseguem cobrir custos de abastecimento (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press )


Especialistas concordam que o fornecimento de água potável e de saneamento básico ainda é deficiente na maioria dos países latino-americanos. Um dos maiores obstáculos para resolver o problema é a falta de financiamento, tanto público quanto privado. Os governos não têm recursos para atender às demandas, enquanto os empresários, praticamente, não investem se não houver garantia de reembolso. As “Perspectivas de Financiamento Hídrico nas Américas” foram discutidas durante o 8º Fórum Mundial da Água, em Brasília.

“Para que o meio ambiente receba verba, é necessário que os envolvidos tenham projetos e capacidade de pagamento”, observou a diretora da área de Gestão Pública e Socioambiental e Saneamento do BNDES, Marilene de Oliveira Ramos. “Os países que têm água e esgoto para 100% da população são, sobretudo, os europeus. Há 10 anos, os consumidores pagavam lá US$ 4 por metro cúbico de água. Hoje, no Brasil, cobram-se R$ 3,20 por metro cúbico. É claro que as empresas daqui não têm dinheiro (para oferecer serviço equivalente)”, disse ela.

Em 2017, a instituição financiou R$ 70 bilhões para diversos projetos no Brasil, mas apenas 1% foi para saneamento e recursos hídricos. “Os dois tópicos são prioridade, mas a falta de aporte dos estados faz com que as empresas não tenham condições de pagar os financiamentos”, completou Marilene.

O presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Jerson Kelman, informou que a empresa investe em um projeto para captar água em regiões distantes da cidade de São Paulo. O custo é estimado em US$ 1 bilhão, mas no sistema não há data para inauguração. “São três obras de grande porte.  A quantidade de água que temos hoje não será suficiente para suprir o consumo da população daqui a alguns anos. Por isso, paramos até as obras (de limpeza) no Rio Tietê e colocamos o dinheiro nesse projeto”, disse.

O ministro de Água, Saneamento Básico e Meio Ambiente da Bolívia, Carlos Ortuño, também apontou para o cerne do problema. “Não temos cobertura total dos serviços porque falta dinheiro. Organizar essa estrutura custa muito caro e praticamente não há investimentos”, afirmou. Para Rolando Marín, presidente do Comitê Diretor da Federação Latino-Americana de Organizações Comunitárias para Sistemas de Água e Saneamento, “os problemas são muitos, mas esbarram em financiamento”.

“Para que o meio ambiente receba verba, é necessário que os envolvidos tenham projetos e capacidade de pagamento”
Marilene de Oliveira Ramos, diretora do BNDES

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