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Correio Braziliense

Em Dia Mundial da Água, 8º Fórum Mundial alerta para vulnerabilidade dos mais pobres

Situação é crítica em regiões de favela no mundo. No Brasil, é necessário investir R$ 150 bi em tratamento de esgoto


postado em 22/03/2018 06:00 / atualizado em 23/03/2018 15:36

(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

 

Em 1993, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o 22 de março como o Dia Mundial da Água. A data tem como objetivo conscientizar a população, o governo e o setor privado em relação ao uso consciente dos recursos hídricos, seja para consumo, seja para saneamento básico. Com os avanços dos problemas de abastecimento, a organização instituiu entre os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) para 2030 assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos. Ontem, durante o 8º Fórum Mundial da Água, representantes de comunidades do Brasil, da Índia, de Bangladesh, do Quênia e da Argélia relataram problemas nas comunidades em que vivem, mostrando que o caminho a ser desbravado ainda é longo.


As constatações de estudo da Unicef, fundo da ONU para a infância, mostram a importância do debate de temas que ganha destaque durante vários eventos do fórum, o uso consciente do recurso hídrico e o saneamento básico. O levantamento destaca que três em cada 10 pessoas no mundo ainda não têm acesso à água potável. Os dados revelam também que 263 milhões de pessoas no planeta gastam mais de 30 minutos para chegar ao ponto de abastecimento de água mais próximo, e 159 milhões continuam a beber água não tratada em fontes de superfície, como riachos ou lagos. Quando o assunto é saneamento básico, a situação ainda é mais precária. Segundo a organização, 2,5 bilhões de pessoas não têm vaso sanitário em casa.

 

Ver galeria . 11 Fotos Antonio Cunha/CB/DA Press
(foto: Antonio Cunha/CB/DA Press )


Em sessão especial durante o 8º Fórum Mundial da Água, o debate seguiu tratando dos que mais sofrem com os problemas de escassez: os moradores de favelas. Para os painelistas, o crescimento populacional acelerado, somado à urbanização desregulada, coloca uma parcela da sociedade em situação sub-humana. “Água é como ouro nas favelas. Nasci em Nairóbi (capital do Quênia) nos anos 1950 e, desde então, o crescimento da população é tão grande e as pessoas ganham tão pouco, que vivem onde dá. Saneamento básico deveria ser um direito, mas ainda não chegou a eles”, afirmou a queniana Asha Abdulrahman, do Women for Water Partnership (WFWP).

Asha destacou dados alarmantes sobre Nairóbi, cidade com população superior a 3 milhões de pessoas. “Sessenta por cento das pessoas vivem em casas em situação irregular”, contou. A capital queniana abriga a segunda maior favela africana, Kibera, com densidade demográfica de 20 mil habitantes por quilômetro quadrado — número quase três vezes maior do que Fortaleza, capital brasileira com maior densidade populacional. “Chegou a uma situação na qual as pessoas invadem propriedades para roubar água e, muitas vezes, não se importam com a qualidade. Aí, elas ainda acabam doentes”, relatou.


Investimento

Mesmo menos agressiva, no Brasil a situação está longe do ideal. Quarenta e cinco por cento da população ainda não tem acesso a serviço adequado de esgoto, segundo o Atlas Esgotos da Agência Nacional de Águas (ANA). O documento mostra que será necessário investir R$ 150 bilhões para que, até 2035, todo o esgotamento sanitário da área urbana do país esteja com coleta e tratamento adequado.

Em painel no 8º Fórum Mundial da Água na última terça-feira, o governador de São Paulo e pré-candidato à presidência da república pelo PSDB, Geraldo Alckmin, propôs o fim da tributação do governo federal sobre o saneamento básico como forma de incentivar obras no setor. “Nós precisamos de financiamento e de recursos para investir. O governo federal tributa saneamento, água e esgoto. Não tem sentido: governar é escolher”, afirmou o tucano.

 

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