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Correio Braziliense

Projetos buscam incentivar conscientização de jovens para uso da água

Projetos no Brasil, no Egito e no Camboja procuram estimular a juventude de baixa renda a empreender de forma sustentável e a desenvolver alternativas por meio do conhecimento


postado em 22/03/2018 06:00

Projeto Fa. Vela trabalha com pessoas que vivem nas comunidades pobres do país e não pretendem sair (foto: Reprodução/Internet)
Projeto Fa. Vela trabalha com pessoas que vivem nas comunidades pobres do país e não pretendem sair (foto: Reprodução/Internet)
 


Empreendedorismo e sustentabilidade são dois conceitos que caminham a cada dia mais próximos. As ideias inovadoras podem mudar e se adaptar de acordo com o contexto, ambiente, cultura, recursos econômicos e realidade de cada jovem para realizar. Ontem, três estudos de casos foram apresentados no Fórum Mundial da Água, no painel Jovem empreendedores pela água: do Brasil, do Egito e do Cambonja.

As experiências estavam focadas no melhor gerenciamento hídrico e em soluções ecológicas conforme o cenário. De acordo com o estudo brasileiro, apresentado pelo programa Fa. Vela, das 12,3 milhões de pessoas que vivem em favela no Brasil, 40% quer abrir o próprio negócio e 63% não querem sair da comunidade onde moram. O programa promove apoio a jovens empreendedores da periferia, e por meio de incentivo ao empreendedorismo e à educação ambiental, busca mostrar a eles que podem reaproveitar resíduos ou desenvolver tecnologias e negócios sustentáveis sem perder na geração de renda.

“Ensinamos a eles qual a bacia hidrográfica que abastece onde eles moram, o que elas precisam, onde podem descartar o óleo do restaurante que montarem”, exemplificou Tatiana Silva, responsável por apontar as questões ambientais no Fa. Vela. Em Belo Horizonte, 181 jovens foram qualificados pelo programa.

 

Ver galeria . 11 Fotos Antonio Cunha/CB/DA Press
(foto: Antonio Cunha/CB/DA Press )
 


Kareen Hassan, fundador e CEO da Bennaa, apresentou o modelo social de pirâmide da inovação, na qual o primeiro passo é a produção do conhecimento. O segundo é a capacitação para construção. E, por último, a inovação participativa. “Construir uma livraria árabe aberta no campo da água, depois construir a capacidade da juventude árabe sobre o conhecimento transferido e então empoderar essa juventude para liderar a implementação de projetos de água inovadores”, esclareceu.

De acordo com Hassan, são cerca de 3 mil cidades no Egito com problemas de saneamento básico. A Bennaa tem um plano de aumentar as usinas de tratamento de esgoto. Ele explicou que a solução convencional seria, em uma vila com mil e poucos habitantes, uma rede centralizada conectada a uma única usina. No entanto, esse sistema é “mais caro do que a planta de tratamento em si da usina”, disse.

O plano é construir várias usinas descentralizadas. “Dividir em pequenas áreas e construir zonas de tratamento menores e com uma infraestrutura básica”, completou. Para começar a inovar, é necessário treinar jovens e construir um protótipo do projeto de baixo custo. Só então será feita a busca de quem financie e ajude a implementar o sistema.

Leakhena Saroeurn, representante do projeto JWH Initiative, do Camboja, explicou que o dinheiro é um obstáculo para os jovens, “mas acredito que a juventude está mudando e aprendendo a mudar tudo a sua volta”, acrescentou. Uma das etapas do projeto mostra a importância da água e seu papel na agricultura, um dos principais sustentos do país. Ela contou que a parte sanitária no país deixa a desejar e, por isso, um dos objetivos é trabalhar com as comunidades onde isso é pior. “No que chamamos de dia internacional da ação, nós vamos até lá e ensinamos eles sobre os cuidados necessários, sobre alimentação, falamos o que acontece se a água poluída servir de irrigação para as plantas e conversamos sobre fazer um trabalho em conjunto para melhorar a qualidade de vida da comunidade”, frisou.

Estagiária sob supervisão de Rozane Oliveira

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