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Correio Braziliense

Legado do Fórum: evento que acaba hoje deve bater recorde de público

A expectativa é de que o evento tenha recebido até hoje, dia do encerramento, 105 mil participantes, entre congressistas e visitantes. Evento também deixa de herança declarações à comunidade internacional sobre o tema


postado em 23/03/2018 06:00 / atualizado em 23/03/2018 15:34

Um vaso sanitário inflável foi colocado no gramado do Congresso: ONG pede saneamento básico para todos(foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil )
Um vaso sanitário inflável foi colocado no gramado do Congresso: ONG pede saneamento básico para todos (foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil )

O 8º Fórum Mundial da Água vai deixar legados. O primeiro deles é o recorde de público. A expectativa é de que o evento tenha recebido até hoje, dia do encerramento, 105 mil participantes, entre congressistas e visitantes (até as 14h de ontem, foram registrados 85 mil pessoas de 172 países). O número será 57% superior à estimativa inicial. A última edição, ocorrida na Coreia do Sul, recebeu cerca de 40 mil pessoas. A segunda herança é a entrega de cinco declarações à comunidade internacional sobre o uso do recurso do planeta. Uma delas, novidade brasileira: a declaração de sustentabilidade.

Esses documentos são diretrizes para guiar tomadas de decisões em relação ao tema. Em especial, ao compartilhamento do recurso, à resolução de conflitos e à segurança hídrica. De acordo com números da Comissão Pastoral da Terra, no Brasil, registraram-se 127 distúrbios relacionados à água, envolvendo mais de 42 mil famílias. “O nosso fórum ocorre num momento em que as mudanças climáticas estão evidentes e gerar escassez da água. Por isso, o tema compartilhamento e resolução de conflitos está tão evidente nas declarações feitas em Brasília”, explica Paulo Salles, um dos organizadores do evento e diretor-presidente da Agência Reguladora de Águas do DF.

O cumprimento das declarações não é obrigatório para nenhum país, mas a organização espera que sensibilize líderes globais. Três foram divulgadas e duas serão entregues hoje. O senador Jorge Viana (PT) informou que pedirá uma proposta de emenda à Constituição definindo o acesso à água e ao saneamento como direito fundamental.

“Os governos precisam trazer para a população segurança hídrica”, explica Benedito Braga, presidente do Conselho Mundial da Água. “É necessário dedicar recursos para infraestrutura das barragens e dos reservatórios, mas, ao mesmo tempo, conscientizar a população sobre o uso.”

Fim do racionamento

 

O governador Rodrigo Rollemberg e o diretor-presidente da Adasa, Paulo Salles, reafirmaram o compromisso de acabar, até o fim deste ano, com o racionamento de água no DF. O governo deve anunciar em maio quando será decretado o encerramento do rodízio. De acordo com Salles, o reservatório do Descoberto atingiu volume superior a 70%, índice mais alto do que o projetado pela agência. O Santa Maria também vem se recuperando e está com 47% do nível total. “As condições estão favoráveis. Nós não queremos racionamento. A gente sempre busca a segurança hídrica”, explicou. Segundo Rollemberg, outro motivo para finalizar o rodízio é a redução do consumo de água per capita de Brasília. Ele acredita que o comportamento vai ser mantido porque os consumidores devem continuar mais conscientes.

 

Luta por saneamento

Protestos marcaram o quinto dia do 8º Fórum Mundial da Água. A ONG SOS Mata Atlântica organizou uma manifestação com uma privada inflável de 12 metros de altura em frente ao Congresso Nacional. A entidade cobra políticas públicas que garantam o aumento do saneamento básico no Brasil. Dez anos após a lei sobre o assunto entrar em vigor, apenas 44% dos esgotos do país são tratados, de acordo com dados do Ministério das Cidades. Cerca de 35 milhões de pessoas ainda não têm acesso à água tratada e ao tratamento dos dejetos.

Os ambientalistas criticam a gestão da água, ancorados no relatório “Observando os Rios 2018”, que monitora a qualidade da recurso em 17 unidades da Federação. O estudo concluiu que em 20% dos pontos monitorados a água é ruim, e em 4,1%, boa. Nenhum rio tem qualidade ótima. Foram feitas 1.939 análises em 102 municípios. Para Maria Luísa Ribeiro, coordenadora da pesquisa, os números simbolizam a ausência de instrumentos eficazes de planejamento, gestão e governança do recurso. “O que os dados nos mostram é a incapacidade de lidar com as águas no país. Os rios precisam receber a proteção do governo”, afirmou.

No ato Água Limpa Para Todos, a organização Voluntários da Fundação ergueu cartazes e estendeu no gramado do Congresso uma bandeira de 750m2, enquanto entoava mensagens como “saneamento já!” e “sem floresta não há água”.

Mais cedo, uma caminhada organizada por movimentos sociais complicou o trânsito no centro de Brasília. Segundo manifesto publicado pelas entidades, os alvos do protesto são grandes empresas que estariam usando o Fórum Mundial da Água para fazer uma “rodada de negociações” e “privatizar cada metro cúbico disponível de água no planeta”. Os manifestantes estimam que cerca de cinco mil pessoas compareceram ao local. A Polícia Militar calculou 400.


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