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Correio Braziliense

Presença de estrangeiros turbina o mercado da prostituição no DF

Em uma casa de shows eróticos de Águas Claras, o faturamento aumentou cerca de 10% em relação à semana anterior, e praticamente todas as dançarinas receberam gorjetas de três dígitos


postado em 23/03/2018 06:00 / atualizado em 23/03/2018 17:09

Folheto de boate colocado em carro próximo ao Centro de Convenções(foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)
Folheto de boate colocado em carro próximo ao Centro de Convenções (foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)

Um grupo de estrangeiros falando francês foi até uma casa de shows eróticos de Águas Claras. Consumiram bebidas importadas e pagaram parte da conta em euros. A noitada ocorreu no último fim de semana, quando começou o Fórum Mundial da Água em Brasília. O faturamento aumentou cerca de 10% em relação à semana anterior, e praticamente todas as dançarinas receberam gorjetas de três dígitos. Desde então, panfletos do estabelecimento começaram a circular no Plano Piloto. A tabela de preços revela: R$ 50 para ver e R$ 100 para tocar. Mas os gastos aumentam quando o cliente não quer sair dali sozinho. Por isso, acompanhantes de alto luxo tornaram-se frequentes nas recepções dos hotéis.

Circulam nesta semana por Brasília pessoas de 172 nacionalidades, acompanhando os debates sobre água e saneamento básico em um evento ecológico que mudou a estrutura da cidade. A Secretaria de Turismo do DF (SeTur-DF), afirmou que o encontro teve 15 mil pessoas credenciadas, das quais 40% são estrangeiras. Acredita-se que mais de 100 mil pessoas tenham visitado o complexo da água em sete dias de funcionamento.

Além dos hotéis, espalhados pelo centro da cidade e às margens do Lago Paranoá, os convivas também se encontraram com moças e rapazes em churrascarias e bares. O garçom de um estabelecimento no Setor Hoteleiro Sul disse que, entre os clientes da prostituição, “tem de tudo, de políticos a advogados importantes, turistas, tudo quanto é gente com dinheiro”. “Eles não trazem as moças para o jantar, mas costumam vê-las na saída. Se gostarem, chamam para um drinque no quarto de hotel”. Esses encontros são combinados via internet ou por meio dos chamados books — livros com fotos, descrições, preços e contatos de acompanhantes, apresentados por algum intermediário.

Em um perfil na internet voltado para a divulgação do serviço, a mineira Amanda (nome fictício), 24 anos, avisa: “Por curta temporada!”. “Viajo todo o Brasil em busca das melhores oportunidades. Nesta semana, de fato, Brasília oferece mais trabalho. O perfil continua sendo o de homens executivos, muitos estrangeiros e turistas. De domingo para cá, foram oito gringos”, descreveu.

O cachê varia de R$ 1,3 mil a R$ 3 mil por programa — clientes preferem pagar com cartão de crédito ou débito. A diferença de idioma não é um problema. “Só falo português, mas uso aplicativo de tradutor. Sou profissional e dou meu jeito para garantir o melhor atendimento”, disse Amanda. Ao longo da W3 Norte, é possível encontrar dezenas de meninas, travestis e rapazes que viram a noite trabalhando. “Já atendi gringo nesta semana, mas prefiro os clientes daqui. São menos abusados. Além do mais, trocar dólares depois é difícil”, contou um travesti que preferiu não se identificar.

A recepcionista de um hotel na região central da cidade disse que “mulheres também buscam o serviço” e que os aplicativos de relacionamento têm papel importante na diversão delas. “Quando você baixa o programa, vê que algumas pessoas colocam o preço do serviço sexual em vez da tradicional descrição, que costuma ser ‘gosto de livros e cinema’. Os homens chegam aqui e as mulheres estão com algum adereço, como um chapéu diferente, ou flores em cima da mesa”, descreveu. Acertado o valor, o casal sobe para cumprir o combinado. “Assim que eles saem dos quartos, elas pedem para que a gente troque dólar ou euro. Fica na cara o que estavam fazendo”.

O garoto de programa Brunno (nome fictício), 23, atende homens, mulheres e casais. Para conseguir mais clientes durante o Fórum, chegou a se hospedar em um hotel no centro de Brasília e ativou um aplicativo internacional voltado exclusivamente aos encontros sexuais. Ainda não teve o retorno esperado. “Nesse tipo de evento, os clientes procuram mais por mulheres. Minha demanda aumenta nos festivais de música, por exemplo”, contou. Sete rapazes com perfis online e alguns profissionais de rua ouvidos pelo Correio se queixaram de que a semana foi pouco rentável, porque homens que trabalham em grandes empresas buscam mulheres jovens.

“Viajo todo o Brasil em busca das melhores oportunidades. Nesta semana, de fato, Brasília oferece mais trabalho. O perfil continua sendo o de homens executivos, muitos estrangeiros e turistas. De domingo para cá foram oito gringos” 
Amanda, garota de programa

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