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Correio Braziliense

Setor de Transportes reivindica espaço no debate da escassez hídrica

Representantes se reuniram no 8º Fórum Mundial da Água para cobrar políticas de uso múltiplo das águas


postado em 23/03/2018 14:59

Mesmo com o alto número de recurso hídrico utilizado nesse tipo de empreendimento, o Governo do Distrito Federal (GDF) não dispõe de um levantamento do número de lava a jatos instalados em Brasília(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
Mesmo com o alto número de recurso hídrico utilizado nesse tipo de empreendimento, o Governo do Distrito Federal (GDF) não dispõe de um levantamento do número de lava a jatos instalados em Brasília (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)

 

A lei federal nº 9433 de 1997, mais conhecida como lei das águas, declara que em situações de escassez o uso prioritário é para consumo humano e dessedentação de animais. Com isso, outros setores que dependem do recurso acabam no prejuízo, como o de transportes. Em 2014, durante a crise hídrica de São Paulo, a Hidrovia Tietê-Paraná ficou fechada por 20 meses. O resultado da ação foi a demissão de mais de mil pessoas, segundo o Sindicato dos Armadores de Navegação Fluvial de São Paulo (Sindasp).
 
As políticas de uso múltiplo da água foram o centro de um debate sobre as perspectivas para o setor de transporte com a escassez hídrica. Erick Medeiros, diretor de Infraestrutura Aquaviária do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), afirmou que ainda há dificuldade para inserir o setor no debate sobre a água. “Começou-se a sentar para conversar sobre o assunto após a crise de São Paulo, como um meio de impedir que a falta de água causasse um problema também no transporte”, disse. A sugestão dele é a criação de uma sala de discussão que envolva todo o sistema múltiplo do uso da água.
 
O setor hidroviário é considerado um dos menos agressivos ao meio ambiente pelo Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil. “As embarcações emitem poucos poluentes e tem a capacidade de transportar grandes cargas”, afirmou o Diretor do Departamento de Política e Planejamento Integrado (DPPI/SPI), Eimair Ebeling. Além disso, o setor utiliza os recursos hídricos sem consumi-los, o que não colabora para a escassez, mas pode alterar o curso das águas quando feito em grandes proporções. 

Setor rodoviário 


Enquanto o setor hidroviário não consome água, os impactos do uso do recurso no rodoviário é alto. Em agosto do ano passado, a série de reportagens O caminho sustentável da água, publicado em três capítulos no Correio mensurou o impacto do setor na crise hídrica do Distrito Federal. Os dados são expressivos. Por dia, são usados 6,5 milhões de litros de água apenas para lavar os ônibus da capital do país. Se todos os proprietários de automóveis de Brasília lavassem os veículos hoje, a quantidade de água gasta poderia abastecer, durante um mês, uma cidade com mais de 50 mil habitantes.

Segundo os painelistas, ainda não há políticas públicas para gerir o impacto do setor, mas para evitar o gasto nas contas de água, o setor privado vem se reinventando. No transporte de cargas, uma sondagem da Confederação Nacional do Transporte (CNT) sobre Eficiência Energética no Transporte Rodoviário de Cargas mostrou que, no país, 44,5% das empresas do segmento implementaram algum tipo de ação com o objetivo de reaproveitar recursos. Dessas, 83,1% contam com medidas que visam o reúso de água. 
 
 

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