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Correio Braziliense

Participação no 8º Fórum Mundial da Água é a maior da história do evento

Mais de 100 mil pessoas circularam, na semana, pelo Centro de Convenções e pelas instalações da Vila Cidadã, espaço aberto ao público para discutir o uso da água. 50% eram crianças


postado em 24/03/2018 08:00

Representantes do Senegal recebem a incumbência de continuar os debates. País africano sediará as discussões em 2021 (foto: Denio Simões/Agencia Brasilia )
Representantes do Senegal recebem a incumbência de continuar os debates. País africano sediará as discussões em 2021 (foto: Denio Simões/Agencia Brasilia )


Mais de 100 mil pessoas tornaram o 8º Fórum Mundial da Água o maior da história. O evento, que começou no sábado passado, chegou ao fim ontem, na primeira vez em que o maior debate global sobre o uso da água teve como sede uma cidade do hemisfério sul. Além das mais de 350 sessões que ocorreram no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, o Fórum teve um inédito espaço gratuito e aberto ao público, a Vila Cidadã. Mais de 50% dos visitantes eram crianças, indicando que o impacto deixado pelo evento chegará às próximas gerações.

Ontem, o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, e o presidente do Conselho Mundial da Água, Benedito Braga, passaram a faixa do Fórum Mundial da Água para representantes do Senegal, que receberá em 2021 a 9ª edição do evento, em Dakar, capital do país. “Convido todos a comprar a passagem e ir para a África, onde vamos continuar a debater a agenda da água”, disse Rollemberg.

“Vocês fizeram deste o maior fórum de todos os nossos fóruns”, afirmou Benedito Braga. Ele destacou, ainda, a forte participação da população e o envolvimento político nas discussões. Mesmo após o fim do evento, o impacto do diálogo que foi aberto deve continuar. Cinco documentos foram elaborados, divididos pelas categorias processo político, temática, regional, sustentabilidade e cidadania.

Agora, o governo do Brasil tem seis meses para concluir uma declaração final consolidada sobre o 8º Fórum. O objetivo é fazer com que os temas debatidos possam gerar políticas públicas e programas para garantir o uso mais consciente da água. O cumprimento da declaração não é obrigatório para nenhum país, mas a organização espera que ela sensibilize líderes globais.

Impacto

A edição brasileira do Fórum Mundial da Água atraiu, além do público recorde, 12 chefes de Estado, 134 parlamentares e 70 ministros de 56 países. Entre eles, o presidente da Hungria, János Áder, e o do Senegal, Macky Sall, o ministro de Estado do Principado de Mônaco, Serge Telle, o primeiro ministro do Marrocos, Saadeddine Othmani, o primeiro ministro da Coreia do Sul, Lee Nak-yeon, e o príncipe herdeiro do Japão, Naruhito Ktaishi Denka.

O senador Jorge Viana (PT-AC), presidente da Subcomissão Parlamentar do 8º Fórum, criticou a falta de presidentes de países desenvolvidos. “Sentimos falta dos países ricos, que já resolveram seus problemas de saneamento e água. Porque serão eles, talvez, os que mais vão sofrer as consequências de uma migração tremenda no planeta, devido à falta de água para alguns, e excesso para outros”, afirmou.

O senador ainda criticou o modo que o Brasil trata suas águas. “Sediamos os mais importantes eventos para tratar da biodiversidade e do clima e estamos assumindo um papel importante diante do mundo. Mas, na área da água, e quando se trata de saneamento, nós temos ainda que avançar muito”, disse.

O fórum ocorre a cada três anos e já passou por Daegu, na Coreia do Sul (2015); Marselha, na França (2012); Istambul, na Turquia (2009); Cidade do México, no México (2006); Kyoto, no Japão (2003); Haia, na Holanda (2000); e Marrakesh, no Marrocos (1997).

A edição brasileira custou 20 milhões de euros, cerca de R$ 80 milhões, segundo informações da organização do evento. O valor ficou abaixo do que foi gasto nas últimas três edições —  30 milhões de euros, em média. De acordo com Ricardo Andrade, diretor de gestão da Agência Nacional de Águas e um dos organizadores do fórum, a mão de obra e os serviços brasileiros mais baratos do que nos países europeus e asiáticos explicam o custo menor.

Realizado desde 1997, o Fórum é custeado pelo país-sede. No Brasil, um terço foi pago pelo Governo do Distrito Federal, um terço pela União e o restante com verbas geradas pelo próprio evento, como aluguel de estandes e  inscrições. (Colaborou Flávia Maia)

  • 100 mil participantes

  • 10,6 mil congressistas

  • 48.739 crianças

  • 2.785 professores

  • 3.520 estrangeiros

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