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Correio Braziliense

Com senões, Hamilton Mourão vai bem em entrevista a emissora de tevê

O Holofote verificou as informações dadas pelo vice-presidente da República ao jornalista Roberto D'Ávila

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postado em 25/01/2019 18:22 / atualizado em 25/01/2019 19:23

(foto: Reprodução/Internet)
(foto: Reprodução/Internet)

 

O vice-presidente da República, general da reserva Hamilton Mourão, deu entrevista na quinta-feira (24/1) para o jornalista Roberto D'Ávila, da Globo News. Em 30 minutos de programa, o militar, que assumiu interinamente a Presidência enquanto Jair Bolsonaro participava do Fórum Econômico Mundial, na Suíça, respondeu a perguntas sobre a situação da Venezuela, a autuação como vice-presidente e a posse de armas no Brasil. Nas respostas, citou episódios de guerra e ditados populares.


Confira a checagem do Holofote:

"Na Batalha de Lomas Valentinas, o Caxias deixou um lugar para o Solano López escapar. Então, nós temos de deixar um lugar para o Maduro e sua turma escaparem"




A Lomas Valentinas, ao lado de Itororó e Avaí, é uma das batalhas da Dezembrada, conflito da Guerra do Paraguai (1864-1870). Na batalha mencionada por Mourão, as tropas do brasileiro Duque de Caxias venceram as do então presidente paraguaio, Francisco Solano López. Diversas reportagens e artigos mencionam a derrota de López, mas a tratam como fuga e não como uma facilitação para o seu escape.

Mesmo assim, texto publicado no portal da Fundação Cultural Exército Brasileiro admite que o episódio é controverso. A informação está no artigo A manobra de Piquiciri, assinado pelo general R. D. Morgado: 

"A fuga de López tem gerado uma grande controvérsia entre os inúmeros historiadores que se dedicam a analisar a Guerra da Tríplice Aliança. Seria um acerto entre maçons, teria havido a interveniência do Cônsul americano, General Mac Mahon, o terreno facilitou, como justificou Caxias em sua defesa no Senado do Império, por onde andava Vasco Alves com a sua 3ª  Divisão de Cavalaria, cuja parte de combate, segundo Tasso Fragoso, nunca foi encontrada. E quanto à participação de Bernardino Caballero, que com seus cavalarianos deu cobertura à fuga?"

Portanto, não há um consenso em relação à possibilidade de Caxias ter oferecido uma chance para a fuga de Francisco Solano López, como afirmou Mourão.


"Na realidade, aquela Resolução do Grupo de Lima, ela já tinha sido uma resolução bem forte, e, a partir dali, ela já considerava o governo de Maduro na ilegalidade. Então, acho que nós, simplesmente, seguimos o que o Grupo de Lima já tinha previsto"

 


De fato, a fala de Mourão confirma a posição do Grupo de Lima de condenar os abusos atribuídos ao governo de Nicolás Maduro, na Venezuela, e de pedir que a Organização das Nações Unidas (ONU) faça levantamentos de eventuais crimes contra os direitos humanos cometidos pelo país vizinho. 

No entanto, em setembro de 2018, o Brasil, então governado pelo presidente da República Michel Temer, não aderiu à resolução e rejeitou a tentativa do Grupo de Lima de punir o governo de Maduro na ONU. À época, a posição brasileira surpreendeu a diplomacia internacional.

Porém, a mudança de governo no Brasil, com a posse do presidente Jair Bolsonaro, em 1º janeiro, mostrou a nova posição do país em relação à situação da Venezuela. Oficialmente, o Brasil apoia Juan Guaidó, que na quarta-feira (23/1) declarou-se presidente interino da Venezuela.  


"O que o presidente liberou, aumentou a capacidade, foi a posse (de arma). Para a pessoa ter a arma na sua casa, que é algo que muita gente ansiava. Era uma promessa de campanha do presidente, ele cumpriu isso"


 
Um dos capítulos do plano de governo de Jair Bolsonaro — O caminho da prosperidade — dedica um capítulo à segurança e ao combate à corrupção. Na conclusão, são listados oito compromissos. O quarto refere-se à questão do armamento: "Reformular o Estatuto do Desarmamento para garantir o direito do cidadão à LEGÍTIMA DEFESA sua, de seus familiares, de sua propriedade e a de terceiros!"

Em 15 de janeiro, Bolsonaro assinou decreto flexibilizando o posse de arma no Brasil e cumprindo a promessa de campanha.


"Buscando os exemplos nos governos dos presidentes militares, tivemos um governo liberal, que foi o do presidente Castello Branco, com Roberto Campos e Otávio Gouveia de Bulhões tocando. Mais liberais que esses dois impossível"



Durante o governo do marechal Humberto de Alencar Castelo Branco (1964-1967), o então ministro extraordinário para o Planejamento e Coordenação Econômica, Roberto Campos, e o então ministro da Fazenda, Otávio Gouveia de Bulhões, elaboraram o Plano de Ação Econômica do Governo (PAEG), linha-mestra da política econômica do governo Castelo Branco, o primeiro da ditadura militar.

De fato, Campos, especificamente, foi um dos grandes defensores do liberalismo no Brasil. Defendia a economia de mercado, a concorrência interna e a restrição do poder estatal.


Com checagem de Guilherme Goulart

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