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Correio Braziliense

Alerta! Notícias falsas atrapalham o resgate de vítimas em Brumadinho

O Holofote verificou algumas das principais fake news em circulação nas redes sociais desde o desastre em Minas Gerais

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postado em 02/02/2019 06:00 / atualizado em 01/02/2019 21:04

(foto: Alexandre Guzanshe/Estado de Minas)
(foto: Alexandre Guzanshe/Estado de Minas)
Desde o rompimento da barragem da mineradora Vale na sexta-feira (25/1), em Brumadinho, Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG), as redes sociais foram tomadas por notícias falsas. De textos a fotos e vídeos, a disseminação de boatos e mentiras tem, inclusive, atrapalhado o trabalho de bombeiros e voluntários no local das buscas.
 
A primeira queixa das equipes de resgate ocorreu em 29 de janeiro. O segundo alerta veio no dia seguinte, 30 de janeiro, quando buscas foram interrompidas por causa da desinformação.

Diante da grande quantidade de notícias falsas sobre o desastre que matou, até o momento, 115 pessoas — 248 seguem desaparecidas —, o Holofote organizou uma compilação de fake news sobre o assunto. Confira:

Polícia Rodoviária Federal não prendeu terroristas por explodirem barragem em Brumadinho

(foto: Reprodução/redes sociais)
(foto: Reprodução/redes sociais)
 

 

Uma das notícias falsas em circulação nas redes sociais, principalmente no WhatsApp, informava que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) prendeu, nas proximidades de Brumadinho, um venezuelano e um cubano. Ambos fariam parte de células terroristas internacionais e estariam envolvidos na suposta explosão da barragem. A desinformação cita como fonte um tal de Observatório Direita Brasileira (ODB) , acrescentando que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), a Polícia Federal e a PRF "prosseguem as buscas por mais cinco células terroristas infiltradas".

Em nota no site oficial, a PRF informou que "não registrou ocorrências envolvendo estrangeiros no estado de Minas Gerais ou quaisquer outras prisões que tenham relação com a tragédia em Brumadinho." O mesmo desmentido foi feito pela Abin, no site da agência.

A mesma checagem foi feita pela Agência Lupa, pelo Aos Fatos, pelo Boatos.org e pelo E-farsas

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Imagem de homem sujo de lama abraçando um bombeiro mineiro é de 2011

 

Reprodução/redes sociais

 

No sábado (26/1), chamou a atenção nas redes sociais a imagem de um bombeiro abraçando um homem sujo de lama. A foto, compartilhada com mensagens de solidariedade para as vítimas e as equipes de resgate, sugere que foi tirada após a tragédia de Brumadinho. 

Mas checagem feita pelo jornal Estado de Minas, dos Diários Associados, mostrou que o registro ocorreu em Minas Gerais, mas não em Brumadinho. Além disso, a foto é de 2011, quando um soldado do Corpo de Bombeiros resgatou um agricultor preso em uma cisterna em Patos de Minas, na Região do Alto Paranaíba. 

Coincidentemente, o Corpo de Bombeiros havia publicado a imagem no Twitter dois dias antes do desastre em Brumadinho, com um recorte que não mostrava onde ela havia sido tirada.

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Vídeo de animais arrastados e de barragens rompidas não são de Brumadinho


Diversos vídeos de enchentes e trombas d’água também são compartilhados nas redes sociais como se fossem em Brumadinho (MG). Um deles mostra bois e vacas levados por mar de lama. A gravação circula nas redes sociais com a seguinte legenda: "Tragédia na barragem na mineradora em Brumadinho, Minas Gerais". O vídeo, na verdade, é de Lavrinhas, no Vale do Paraíba, em São Paulo, como mostrou reportagem do Balanço Geral, em dezembro de 2018.

Em outro vídeo, imagens de uma correnteza de lama também são atribuídas a Brumadinho. No entanto, as imagens são do rompimento de uma barragem no Laos, em setembro de 2017. A checagem também foi realizada pelo Aos Fatos.

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Ex-presidente Dilma Rousseff não decretou isenção de responsabilidade em rompimento de barragens

 
Desde que a barragem da Mina do Córrego do Feijão se rompeu, em Brumadinho, internautas compartilham a informação de que a ex-presidente Dilma Rousseff teria assinado, enquanto ocupava o cargo, um decreto que supostamente tiraria a responsabilidade de crimes ambientais como esse. A informação é falsa.

Depois da tragédia em Mariana, em novembro de 2015, a então presidente, de fato, assinou o Decreto nº 8572, em 13 de novembro. O dispositivo passou a considerar rompimentos de barragens como desastres naturais apenas considerando as regras para saque do FGTS. Ou seja, o decreto permitiu que as vítimas retirassem o benefício, mas não isentou os responsáveis de culpa nem impossibilitou ações penais ou cíveis contra eles. Tanto a Vale quanto a Samarco respondem a processos na Justiça. 

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Foto de menina gritando na lama é dos Estados Unidos e não de Minas Gerais

 

(foto: Reprodução/Internet)
(foto: Reprodução/Internet)
 


A imagem que circula nas redes — e compartilhada milhares de vezes — de uma menina gritando, coberta de lama, não foi tirada durante a tragédia de Brumadinho. O clique é de 2008, nos Estados Unidos, e mostra Alyssa Braun, 12 anos, uma moradora de Michigan durante brincadeira do "Mud Day" (dia da lama). A foto é uma entre muitas que podem ser compradas pelo serviço de arquivo de imagens Getty Images.
 
 
Com checagem de Ana Carolina Fonseca e Guilherme Goulart

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