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Correio Braziliense

Paulo Hartung, ex-governador do ES, quase gabarita em entrevista

À frente do governo do estado, Hartung equilibrou as contas públicas e virou referência no país. Confira verificação feita pelo Holofote em conversa com o jornalista Roberto D"Ávila

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postado em 18/02/2019 10:30 / atualizado em 21/02/2019 18:50

(foto: Reprodução internet)
(foto: Reprodução internet)
Única unidade federativa a receber nota máxima em capacidade de pagamento de dívidas, o Espírito Santo virou referência nacional na gestão de Paulo Hartung — a avaliação é feita pelo Tesouro Nacional e varia de A a D. Em entrevista ao jornalista Roberto D’Ávila, da Globo News, na sexta-feira (15/2), o ex-governador exaltou a melhora nas contas públicas naquele estado. Em 23 minutos de conversa, também comentou a necessidade de reformas no país, as desigualdades no setor público, as escolhas de ministros no governo federal e a organização partidária no Brasil. Confira a verificação do Holofote:


"Saímos de dois deficits bilionários, o que para o Espírito Santo é muito dinheiro — 2013 e 2014 — e, a partir de 2015, nós viramos para um superavit pequeno. (O ano de) 2016 foi muito difícil, porque parou a Samarco, mas conseguimos um superavit"




As informações prestadas pelo ex-governador do Espírito Santo são corretas, mas uma delas conta com leve imprecisão. De fato, até alcançar o equilíbrio nas contas, o estado registrou deficits em 2013 e em 2014. Mas, segundo informações do próprio governo estadual, apenas 2014 teve perdas bilionárias, superiores a R$ 1,4 bilhão. Em 2013, porém, o deficit chegou a R$ 900 milhões.

A partir disso, as contas fecharam no azul. Em 2015, o superavit primário alcançou R$ 206 milhões. Em 2016, chegou a R$ 137 milhões. E, em 2017, o superavit ficou em R$ 331 milhões.

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"O Espírito Santo ficou em primeiro lugar na prova de português e matemática do ensino médio"




Os dados apresentados por Paulo Hartung referem-se ao Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), processo de avaliação somativa em larga escala realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). 
De fato, o Espírito Santo obteve a melhor média nacional na prova de português (283,7 pontos) e na de matemática (291,6 pontos) entre os alunos do 3º ano do ensino médio.

Os testes foram aplicados entre 23 de outubro e 3 de novembro de 2017, e os resultados, divulgados em agosto de 2018. Eles podem ser conferidos aqui. No levantamento, participaram 5,4 milhões de estudantes de 70 mil escolas.

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"O Espírito Santo evoluiu para a menor mortalidade infantil, segundo o IBGE. A segunda expectativa de vida. Estamos atrás de Santa Catarina"




Em novembro do ano passado, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou levantamento da taxa de mortalidade infantil nas unidades da Federação em 2017. A menor delas foi identificada no Espírito Santo, com 8,84 óbitos para cada mil nascidos vivos. Os detalhes estão no site do IBGE.

O ex-governador do Espírito Santo também acertou em cheio os dados de expectativa de vida no Brasil em 2017. O mesmo estudo do IBGE mostrou que o melhor índice no país está em Santa Catarina, onde a população vive, em média, 79,4 anos. O Espírito Santo aparece na segunda colocação do ranking, com 78,5 anos. Ambos os estados, além de Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo e Distrito Federal, têm média melhor do que a brasileira, de 76 anos.

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"E até na segurança pública, onde eu tive de enfrentar uma greve dura da Polícia Militar, nós fechamos o governo com a queda de homicídios, que é histórica, é a maior queda de homicídios nos últimos 29 anos"




Dados do Observatório da Segurança mostram que o Espírito Santo registrou, em 2018, a menor taxa de homicídios em 29 anos. O índice ficou em 28 assassinatos para cada grupo de 100 mil habitantes. Balanço do governo do estado apontou também que, no mesmo ano, a Grande Vitória, formada pelos municípios de Cariacica, Fundão, Guarapari, Serra, Viana, Vila Velha e Vitória, apresentou o menor número de homicídios nos últimos 22 anos.

As reduções ocorreram mesmo com uma das mais graves crises registradas na segurança pública do Espírito Santo por causa de uma greve da Polícia Militar. A paralisação começou em 4 de fevereiro de 2017 e terminou apenas no dia 25. No período, houve 213 mortes no estado, segundo o Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol/ES). A Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social contou 204 assassinatos. Em apenas um único dia do movimento — 6 de fevereiro — ocorreram 43 homicídios.

A crise na segurança rendeu uma página exclusiva na Wikipedia com detalhes do episódio.

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"O país tem uma cicatriz social gravíssima. Nós fomos o último país a abolir a escravidão. Isso marca a nossa história"




O Brasil foi o último país da América Latina a abolir a escravidão, mas não do mundo. Como reforça artigo publicado pela Organização das Nações Unidas (ONU), a Mauritânia, no noroeste da África, é a nação que mais demorou a banir o regime escravocrata no planeta. Isso ocorreu oficialmente em 9 de novembro de 1981, mas a prática só passou a ser considerada crime em 2007.

Reportagem da revista Super Interessante, que contou com consultoria da professora do Departamento de História da Faculdade de Letras e Ciências da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Lúcia Helena Oliveira Silva tambem especificou os países que aboliram a escravidão antes da Mauritânia. São eles: Arábia Saudita (1962), Etiópia (1942), Zanzibar (1897), Brasil (1888) e Cuba (1886).

Na América Latina, o Haiti foi o primeiro país das Américas a proibir a escravidão, em 1793. O Brasil só viria a fazer o mesmo 95 anos depois, com a assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel.

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"Estamos precisando gerar emprego. Estamos com mais de 12 milhões de desempregados"




Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o ano de 2018 terminou com 12,2 milhões de desempregados. O balanço foi divulgado em 31 de janeiro.


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