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Correio Braziliense

Coronavírus no elevador? Risco é real, mas não só nesses ambientes

Pesquisas mostram que vírus pode permanecer ativo em superfícies por cerca de três dias; por isso, o melhor é evitar aglomerações e manter o isolamento social

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postado em 23/04/2020 15:41 / atualizado em 23/04/2020 17:34

(foto: Mladen Antonov/AFP)
(foto: Mladen Antonov/AFP)
Circula no WhatsApp uma mensagem que chama a atenção para o perigo do contágio pelo novo coronavírus em ambientes como elevadores. O texto afirma, por exemplo, que o aumento dos casos de Covid-19 em dois bairros de Recife (PE) — Boa Viagem e Casa Forte — estaria associado ao uso dos equipamentos. 

Segundo o material repassado, as informações teriam partido do infectologista que concedeu entrevista a uma rádio. No entanto, o Holofote checou o conteúdo e verificou que existem partes condizentes, mas outras derrapam na precisão. Veja o texto na íntegra:

(foto: Reprodução/WhatsApp)
(foto: Reprodução/WhatsApp)


Após a divulgação da mensagem, que faz referência a uma rádio de frequência 90,3, uma emissora pernambucana se pronunciou a respeito do material. “A Rádio Jornal, que usa no Recife a frequência 90,3 FM, citada no texto que viralizou, esclarece que nenhum médico afirmou na sua programação que os casos da doença em bairros de classe média alta estariam associados ao uso de elevadores”, explica matéria publicada na quarta-feira (22/4), no site do veículo.

Confira a checagem do Holofote, ponto a ponto:


"Numa entrevista na rádio 90.3 hoje de manhã, um médico infectologista explicou a causa do alto índice de contágio da Covid-19 em bairros como Boa Viagem e Casa Forte."

QUASE LÁ
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A mensagem não faz referência a datas, mas, segundo o Boletim Epidemiológico da Secretaria de Saúde do Recife, divulgado na terça-feira (21/4), Boa Viagem é o bairro em primeiro lugar em número de casos (185) e o segundo no total de mortes devido à Covid-19 (seis). Apesar dos 29 registros, Casa Forte não tem óbitos notificados e não é uma das regiões críticas do município.

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"Antes, acreditava-se que eram casos importados, pois são pessoas que viajam para fora com mais frequência, mas, com o fechamento dos aeroportos para voos internacionais, exceto (em) casos específicos, eles chegaram à conclusão (de) que a transmissão comunitária nesses bairros se dá, em sua maioria, pelos elevadores dos prédios."

CALMA AÍ
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A Aena Brasil, administradora do Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes — Gilberto Freyre, informou que o terminal opera normalmente, “de acordo com a demanda das companhias aéreas” e que está “pronto para receber novos voos sempre que solicitado”. Desde o início de março, o terminal aeroviário adota ações para funcionar com base nas orientações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Em 20 de março, o Ministério da Saúde declarou a existência de transmissão comunitária em todo o país. O trecho do texto não deixa claro quem chegou à conclusão de que a contaminação nos bairros se dá, majoritariamente, pelos elevadores dos prédios. Segundo o coordenador do Núcleo de Epidemiologia e Vigilância em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de Brasília, Claudio Maierovitch, o cuidado com superfícies em geral deve ser frequente. 

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"O vírus é mais leve que o ar e fica em suspensão por determinado período de tempo. Uma pessoa contaminada respirando deixa o ar do elevador contaminado por alguns minutos, e as superfícies metálicas, por até sete dias."

CALMA AÍ
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Claudio Maierovitch, da Fiocruz, explicou por que a frase não está totalmente correta: "O vírus não é mais leve que o ar, mas pode permanecer em suspensão por alguns minutos, de fato. O risco maior dos elevadores é a contaminação das superfícies; dependendo do material que o reveste, podem persistir vírus viáveis por até três dias, caso não seja feita limpeza", ressaltou.

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"Sendo assim, jamais entrar no elevador sem máscara, jamais manusear botões (usar chave do carro, cotovelo e depois os desinfectar também), evitar encostar na estrutura do elevador e jamais, jamais, dividir o elevador com outra pessoa que não seja da mesma casa sua. Mudando essa postura em massa, deveremos ter uma baixa nos índices de infecção por Covid-19 nos próximos 15 dias."

QUASE LÁ
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O trecho da mensagem em destaque não está errado, segundo Claudio, mas é exagerado. "Certamente, o contato próximo entre as pessoas contribui mais para a transmissão do que os elevadores. É essencial manter o isolamento e a suspensão das atividades que não sejam indispensáveis. Caso contrário, teremos uma tragédia”, alertou o médico sanitarista.

Pesquisas

Os cuidados com as superfícies é importante. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que o vírus pode permanecer ativo em superfícies de algumas horas até vários dias, a depender das condições de umidade, temperatura e do tipo de material. 

Pesquisa publicada em 16 de abril na revista científica The New England Journal of Medicine avaliou a estabilidade do Sars-Cov-2 sobre superfícies de cobre, papelão, ácido inoxidável e plástico. Nessas duas últimas — mais comuns em elevadores —, o tempo de permanência do vírus pode chegar a até 72 horas.

Em 6 de abril, pesquisadores da Aalto University, na Finlândia, enfatizaram a importância de evitar locais públicos e fechados na presença de outras pessoas. O estudo da equipe indicou que partículas com o vírus podem permanecer no ar por mais tempo que o esperado. 

Para exemplificar, eles criaram um vídeo 3D, que simula um ambiente fechado, com prateleiras separando corredores, como em mercados e bibliotecas. A depender da ventilação do ambiente, as partículas com o vírus podem levar cerca de seis minutos para se espalharem ou se dispersarem. 

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