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Ceilândia

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Qual é a sua Cei?

Com gente de todos os cantos, a cidade tem várias caras, que se manifestam no comércio, nas artes e no cotidiano


postado em 27/03/2019 07:00 / atualizado em 26/03/2019 19:17

(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

 
Quantas Ceilândias existem em Ceilândia? Qual a verdadeira cidade? A das buchadas de bode da feira e dos repentistas nordestinos ou a do fast-food da esquina e do rap cantado pelos poetas urbanos nascidos ali? Qual Ceilândia é de fato a Ceilândia? A dos filmes de Adirley Queirós ou a dos raps do Japão? A cidade não é uma só. Ceilândia é uma salada, caldeirão cultural fervendo em cada rua, em cada conversa, em cada rima.

A origem explica muito. O começo mostra por que tanto Nordeste, por que, mesmo em menor intensidade, tanta Minas e tanto Goiás. A terra tomava conta de tudo quando os primeiros habitantes — que vieram dessas regiões para o DF — desembarcaram ali. No distante 27 de março de 1971, muitos chegaram de caminhão trazidos da Vila do IAPI (próximo ao Núcleo Bandeirante).

Não havia infraestrutura. Era pura terra na seca e puro barro no período chuvoso. Levados para longe do poder, os “invasores” fizeram — com tempo, sangue e suor — a poeira virar arte e pulsar vida. Construíram um lugar novo e vivo distante de qualquer assepsia e tédio. “É uma população que, durante muitos anos, carregou o estigma de viver numa cidade marcada pela precariedade, pela exclusão, mas que, a partir dessa riqueza, dessa diversidade, fez esse verdadeiro caldeirão cultural”, observa o professor de urbanismo e planejamento urbano da Universidade de Brasília (UnB) Benny Schvarsberg.

A cidade surgiu com a pretensão de desfavelizar o DF, com a Campanha de Erradicação das Invasões (CEI — daí a inspiração para Ceilândia). Era a promessa de uma vida digna e sem os perrengues de uma vila improvisada. Na vida real, no entanto, foram anos para que as necessidades mais básicas dos primeiros ceilandenses começassem a ser supridas. A rede de esgoto, por exemplo, só começou a ser construída em 1983.

“Ceilândia foi formada para receber essas pessoas que estavam em um assentamento irregular sem uma localização garantida com a promessa de uma alternativa melhor. Na prática, essa promessa que foi feita de um assentamento urbano, humano e digno foi sempre muito precária”, explica o professor.

Se há uma Ceilândia que ainda dói — vítima da criminalidade, do tráfico e das dificuldades diárias dos cidadãos —, há muitas outras que dão orgulho, que provam que ela é, de fato, um dos locais mais ricos e interessantes de todo o DF. Estão aí para se aplaudir: a Ceilândia do rap, do rock, do charme; a Ceilândia do filme, do verso e dos sonhos; a Ceilândia dos projetos, do comércio, do emprego, da UnB. A Ceilândia de verdade, que não cansa de se fortalecer.

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