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Preciosidades escondidas

Conheça locais e empreendedores de Ceilândia que, mesmo pouco conhecidos por quem não mora na cidade, oferecem alto padrão de qualidade


postado em 27/03/2019 07:00 / atualizado em 26/03/2019 19:13

Karl Max decidiu abrir o próprio negócio na região depois de perder o emprego(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Karl Max decidiu abrir o próprio negócio na região depois de perder o emprego (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

 
Como toda cidade, Ceilândia tem preciosidades escondidas. Lugares, pessoas e serviços que só os moradores conhecem, mas fazem bonito. As tendas de comida na Praça da Bíblia, as costureiras de quadra, os bares e os espaços que movimentam a cultura local são exemplos da riqueza que existe em Ceilândia ainda à espera de ser descoberta por quem não mora ali.

Revelar lugares assim é um dos objetivos do projeto #VemPraCei. A iniciativa montou um roteiro cultural, gastronômico e comercial de Ceilândia. Dos locais mais badalados e famosos, aos pequenos e ainda desconhecidos. São mais de 40 espaços catalogados pela iniciativa, capitaneada por produtores culturais, como Emerson Rodrigues. “A ideia é mostrar o que tem de bom na cidade”, explica.

Atualmente, o #VemPraCei atua levando alunos de escola pública para conhecer o roteiro produzido. No entanto, Emerson comenta que qualquer interessado no trajeto ou em locais pode entrar em contato pelas redes sociais. “Sempre tem alguém de nós para apresentar e falar sobre as qualidades daqui”, explica.

Um chef na praça

 
Comer a comida de um chef que já serviu grandes políticos e personalidades brasileiras não precisa custar caro. Pelo menos não em Ceilândia. Na Praça da Bíblia, um cozinheiro que já serviu do ex-presidente Lula ao ator Francisco Cuoco oferece comida de rua boa a preços acessíveis. Dono de uma tenda no local, Karl Max, 48 anos, prepara massas, sanduíche grego e risotos com custo médio de R$ 14.

Pode até ser que a população do Distrito Federal não saiba que o ex-chefe do Hotel Nacional agora oferece seu tempero ali na cidade que escolheu para morar. O morador de Ceilândia, no entanto, sabe e faz fila para provar as delícias dele. “Em muitos dias, chego a vender mais de 300 pratos de macarrão”, conta.

A crise estimulou o chef a tocar o próprio negócio e a produzir comida boa e barata. Em 2015, no auge do arrocho econômico do país, Max foi demitido de hotel Carlton, onde trabalhava. Com apoio da mulher e dos filhos, decidiu, depois de algumas outras tentativas, apostar na rua. “Hoje, não quero mais trabalhar para ninguém, quero seguir com o meu negócio.”

Max começou na profissão um tanto que por acaso. Limpava chão em um restaurante francês e foi aprendendo, só de observar, os segredos da cozinha. Virou chef e de lá seguiu para o Hotel Nacional. “Eu não sabia nada, mas cheguei lá e o dono gostou do meu nome e me deu a primeira oportunidade”, lembra.

A similaridade do nome com o do filósofo e sociólogo alemão Karl Marx não é coincidência. A mãe, conta o chef, conheceu alguém que tinha esse nome e sugeriu ao pai, que topou a ideia de homenagear o teórico do comunismo. “Ele gostou da história e insistiu. No cartório, não queriam me registrar com esse nome. Era ditadura. Foi difícil de convencer. No fim das contas, acabou saindo Max e não Marx.”
 

A arte da costura

Maria de Fátima saiu do Rio Grande do Norte com destino a Ceilândia aos 22 anos(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Maria de Fátima saiu do Rio Grande do Norte com destino a Ceilândia aos 22 anos (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
 
 
As mãos habilidosas manejam os tecidos ainda sem forma. O espaço pequeno, cheio de acessórios, imagens religiosas e ferramentas para costura é o local de onde Maria de Fátima Lima dos Santos, 65, dá vida às criações e recriações encomendadas pelos clientes. Ela é uma das costureiras de mão cheia de Ceilândia. Escondidas nas quadras, são um patrimônio dos moradores e, a preços menores do que os praticados no Plano Piloto, também uma opção para quem busca serviços de qualidade.

Maria de Fátima — ou só Fátima, como é conhecida por ali — oferece todo o tipo de trabalho em costura. Faz desde roupas de festas e criação de peças sob medida a pequenos ajustes e customizações a pedido dos clientes. 

A costureira mora em Ceilândia desde meados da década de 1970. “Não sou boa de datas, mas cheguei lá por 1976.” Assim como muitos dos habitantes da região administrativa, veio do Nordeste para cá. Saiu do Rio Grande do Norte aos 22 anos em busca de melhores oportunidades. Deu certo. Na capital federal, casou-se, teve dois filhos, conseguiu se realizar. “Quando cheguei, eu sonhava em poder ajudar meus pais. E isso aconteceu. Eles vieram para cá morar comigo”, conta.

A Ceilândia recém-nascida não conquistou Maria de Fátima à primeira vista. “Via aquelas casas de madeira, de caixote, como a que morei com meus irmãos, e pensava: ‘Lá no Rio Grande do Norte, caixote era onde meu pai guardava rapadura’”, lembra. Mas, aos poucos, se rendeu à região. “Hoje, gosto daqui, não me vejo morando em outro lugar. Criei meus filhos. Gosto muito do convívio com a comunidade”, justifica.

Força

 
São também tesouros de Ceilândia alguns espaços que fortalecem a cultura local. O bar Túnel do Tempo é frequentemente citado por moradores quando assunto é música e arte. Outro espaço muito caro aos ceilandenses é o Centro de Artes e Esportes Unificados (mais conhecido como CEU das Artes). É lá que são desenvolvidos diversos dos projetos voltados para a cultura e para o esporte. 

Já tradicional e mais conhecido, outro orgulho dos ceilandenses que pode ser também explorado por quem é de fora é a Casa do Cantador. Nos últimos anos, a instituição abriu as portas para estilos que não o forró e o repetente. Além dos tradicionais eventos de forró e gêneros nordestinos, projetos ligados ao rock, ao rap, à música clássica e à dança são presentes por lá. 

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