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Correio Braziliense

Pujante na economia

Ceilândia movimenta aproximadamente R$ 7,5 bi por ano, o equivalente a 10% do Produto Interno Bruto do Distrito Federal


postado em 27/03/2019 07:00 / atualizado em 27/03/2019 15:00

Francisco Messias é dono de uma das redes de farmácia tradicionais da cidade(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Francisco Messias é dono de uma das redes de farmácia tradicionais da cidade (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

 
Lá, estão empregadas pouco mais de 79 mil pessoas. Se considerarmos a população de trabalhadores do Distrito Federal, que é de 1,267 milhão, os ceilandenses estão atrás apenas de Plano Piloto e Taguatinga: eles correspondem a pouco mais de 6% da classe operária da unidade da Federação. Seja no comércio, seja na construção civil ou na indústria, Ceilândia é fundamental para a economia local, sendo responsável por 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do DF.

Os números da Companhia de Planejamento (Codeplan) apenas reforçam aquilo que os moradores da região administrativa conseguiram construir durante os 48 anos de história. “A própria cidade reescreveu a sua história. Antes, não havia condição alguma para a vida urbana. As pessoas foram jogadas aqui, em meio a uma vastidão de cerrado, sem nenhuma cerimônia. Elas tiveram muitos direitos negados, no entanto, mudaram esse cenário com o que existia de mais valioso em cada uma: a vontade de empreender e se reinventar”, analisa o presidente da Associação Comercial de Ceilândia, Clemilton Saraiva.

Graças ao esforço daqueles que deram os primeiros passos no solo da cidade que atualmente é a mais populosa do DF, Ceilândia tem uma economia bastante consolidada. São pelo menos 12 mil estabelecimentos comerciais, estima Clemilton. Neles, estão empregados pelo menos 60 mil moradores da cidade. 

“Ceilândia é a locomotiva do nosso quadradinho. Uma cidade brava, com filhos que sabem da pressão de melhorar e se desenvolver a cada dia. Do Setor O ao Pôr do Sol, da QNQ à QNR, todos os cantos daqui respiram trabalho. Qualquer coisa pode ser encontrada na nossa cidade. Temos marcenarias, lojas de material de construção, feiras, shopping… Este é um local que não deixa a desejar em nada.”
 
 

Força de vontade

 
Em 1983, Darci Felisberto deu início ao sonho de ter um comércio de roupas(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Em 1983, Darci Felisberto deu início ao sonho de ter um comércio de roupas (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
 

O que explica o sucesso da economia de Ceilândia, na visão de quem ganha a vida por lá, é a determinação das pessoas que trabalharam no início da construção de Brasília e acabaram remanejadas para a região administrativa quando ela ainda era só barro. “Esses trabalhadores, nordestinos na sua maioria, tinham no sangue o DNA de prestação de serviços. Eles eram uma espécie de ‘faz-tudo’: marceneiros, pedreiros, ladrilheiros, mestres de obras… Esse espírito labutador foi passando de geração em geração. Por isso, hoje, Ceilândia é um dos pilares da economia do DF”, pontua o comerciante Darci Felisberto, 76 anos.

Natural de Itabaiana (PB), ele chegou aqui em 1964. Por 19 anos, trabalhou como marceneiro. Em 1983, no entanto, largou a manufatura para dar início a um sonho: um comércio de roupas. “O resultado está aí: já são 36 anos de Confecções Graça. Ver que até hoje a minha loja ainda está aberta é o meu maior orgulho”, diz. “Apesar de não ter nascido aqui, considero-me um filho de Ceilândia. Tudo o que eu conquistei foi graças a ela”, reconhece.

O homem de sorriso fácil e cabelo grisalho se enche de orgulho ao falar da região administrativa e elogia o fato de o comércio da cidade ser diversificado, com opções para pessoas de todas as idades e gostos.

Gratidão




Também em 1983, surgia uma das mais importantes redes de drogaria da região administrativa. Com apenas 23 anos, Francisco Messias Vasconcelos apostou as suas fichas na criação de uma farmácia. Passadas quase quatro décadas, são cinco filiais e mais de 50 pessoas empregadas. “A cidade me deu a oportunidade de criar um negócio e construir a minha vida financeira, e eu retribuí gerando empregos e ajudando a população com uma demanda importante. A única coisa que me resta é agradecer”, comemora Messias, hoje com 59 anos.

Na visão do empresário, fator determinante para impulsionar a economia de Ceilândia foi a saída da informalidade de muitos micro e pequenos empreendedores de lá. Nas contas da Associação Comercial da cidade, 27 mil deles têm um CNPJ. 

Apesar dos desafios para manter o negócio funcionando em meio à instabilidade do mercado econômico do DF, Messias acredita que o aspeto acolhedor da cidade sempre será fundamental para que o comércio de Ceilândia permaneça em alta. “Sabemos que a população daqui sempre estará à nossa procura. Isso é o que mais me motiva a seguir lutando. Cresci com Ceilândia e quero continuar oferecendo a ela o melhor de mim”, frisa.

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