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Encontro de costumes e paladares

A cidade conta um pouco da sua história por meio das feiras, que reúnem diversidade e orgulho de ser ceilandense


postado em 27/03/2019 07:00 / atualizado em 26/03/2019 19:15

Jefferson Soares, vendedor de calçados:
Jefferson Soares, vendedor de calçados: "A feira veste o povo" (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

 
“É três por 10.” “Promoção só vai ter aqui.” “É o maior desconto do Brasil-sil-sil!” Os gritos que ecoam pelos corredores das feiras de Ceilândia. A cidade abriga 10 entre as 84 feiras do DF, consideradas como pontos turísticos pelos moradores e de resgate da identidade dos primeiros habitantes da região, além da importância para o escoamento da produção agropecuária das chácaras locais.

Mais antiga da cidade, inaugurada em 1984, a Feira Central de Ceilândia conta com 463 bancas, divididas em setores. No centro, as confecções de roupas, bancas de eletrônicos e a associação de feirantes. Das quatro laterais, uma é repleta de restaurantes com comidas típicas do Nordeste — rabada, sarapatel, buchada, dobradinha, carne de sol com mandioca — e alguns pratos mineiros. Panelas e outros produtos utilizados na cozinha dominam outro canto. As peixarias e os açougues são o destaque do terceiro setor e, por último, uma variada opção de calçados.

Falando neles, os tênis de quatro molas e os de estilo skatista são os calçados que o ceilandense mais usa nos pés, de acordo com o vendedor Jefferson Soares, 23 anos. O feirante, que nasceu, cresceu e hoje trabalha na Feira Central, acredita que os preços mais acessíveis movimentam o comércio da região. “Nem todos têm condição de comprar no shopping, e, aqui, a população é mais humilde, poucos têm renda fixa que dê para comprar um tênis ou uma roupa cara. A feira veste o povo, né?”
 
Paraibana, Sandra Regina acredita que a Feira Central representa o Nordeste dentro da cidade(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Paraibana, Sandra Regina acredita que a Feira Central representa o Nordeste dentro da cidade (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
 

Sandra Regina Costa, 53, paraibana que se mudou para Ceilândia há 40 anos em busca de melhores condições de vida, conta que a feira cresceu muito. “Cheguei aqui e era só mato, buraco, poeira. A feira, quando começou, era só as lonas, muito barro e muita lama”, afirma. Vendedora na banca de panelas e utensílios de cozinha, ela acredita que o espaço representa o Nordeste dentro da cidade. “Como aqui moram muitos nordestinos, eles vêm à feira para comer e comprar produtos da região, como queijo coalho, queijo de manteiga, rapadura, carne de bode, carne de carneiro. Tem de tudo”, ressalta.


Lugar para chamar de seu

 
Maria do Socorro tem orgulho de viver e trabalhar em Ceilândia(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Maria do Socorro tem orgulho de viver e trabalhar em Ceilândia (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
 
 
Outra feirante que declara o orgulho de viver e trabalhar na cidade é Maria do Socorro Soares, 49, moradora do Sol Nascente desde 1986 e que trabalha há 13 anos no Shopping Popular, com roupas infantis. Ela conta que foi uma das primeiras camelôs que conseguiu a transferência para o shopping. “Montei aqui minha lojinha, não trabalho na rua mais”, lembra, sorridente.

Francisco Rodrigues, 40, vizinho da banca de Maria, trabalhou 14 anos como ambulante e, há 12, está no shopping na banca de eletrônicos. “É um polo de vendas muito bom, centralizado e com um preço acessível”, garante o vendedor.
 
Francisco Rodrigues trabalha na Feira:
Francisco Rodrigues trabalha na Feira: "É um pólo de vendas muito bom, centralizado e com um preço acessível" (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
 

O Shopping Popular, inaugurado próximo à Feira Central da cidade, retirou os camelôs e ambulantes que vendiam produtos nas ruas e os realocou em um prédio público construído pelo Governo do Distrito Federal. Abriga ainda uma unidade do Na Hora, que oferece serviços públicos variados.

Para o diretor administrativo do sindicato dos feirantes do DF, Marques Célio Rodrigues de Almeida, 57, a feira é cultura. Cearense, neto de feirantes, que mora em Ceilândia desde 1995, ele afirma que esses locais precisam de um maior apoio do governo para se atualizar sem perder a tradição.

“Hoje, os grandes mercados que se instalaram na cidade diminuíram o movimento nas feiras, mas se tivéssemos um maior apoio do governo, de valorização da feira, isso seria diferente. Elas representam o sustento de muitas famílias e fazem parte da vida dos ceilandenses”, destaca.

* Estagiária sob supervisão de Mariana Niederauer

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