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Voluntários levam amor e carinho a quem mais precisa de atenção, apenas com um objetivo: transformar a vida do outro


postado em 27/03/2019 07:00 / atualizado em 27/03/2019 15:04

Instituto Cavalo Solidário oferece equoterapia(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Instituto Cavalo Solidário oferece equoterapia (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

 
A solidariedade é uma das características intrínsecas do ceilandense. Na região administrativa, não é difícil encontrar exemplos de generosidade e preocupação com o próximo. Por lá, a maioria entende que é fundamental dar o máximo de si para que todos os cidadãos tenham melhores condições de vida e, assim, Ceilândia seja um lugar de prosperidade.

“Nós temos de encarar a vida com mais amor. Afinal, a cada dia que passa, entendemos que ninguém é mais especial do que ninguém. Ser mais atencioso com os outros e estar aberto a ajudar nos problemas é o mínimo que precisamos fazer”, analisa José Maria de Siqueira, 53 anos, diretor-geral do Instituto Cavalo Solidário.

Desde 2007, Siqueira, como gosta de ser chamado, é responsável pelo projeto, que possibilitou a muitas famílias carentes ou em situação de vulnerabilidade acreditar em um futuro melhor. Em uma área rural de Ceilândia, ele oferece sessões de equoterapia para pessoas com alguma deficiência física ou mental — crianças e adolescentes na sua maioria. Sem cobrar nada por isso, usa toda a estrutura herdada pelo pai com o único intuito de ser útil para alguém.

“A vida nos ensina, constantemente, que temos de dividir o que possuímos. Fazer com que aquilo que nos pertence chegue até outras pessoas e mude a vida delas. Isso é maravilhoso. Não há nada no mundo que pague saber que você ajudou alguém a superar uma adversidade”, confessa.

Felicidade

 

 
Nesses 12 anos, o que o Instituto Cavalo Solidário mais fez foi justamente isso. Pelo menos 2 mil pessoas foram atendidas pelo projeto, quase todas moradoras de Ceilândia. Atualmente, 150 participam das sessões. Além do contato com os cavalos, há o suporte de fonoaudiólogos, psicólogos, terapeutas, pedagogos e educadores físicos. Tudo para que os beneficiários possam ter mais qualidade de vida.

“Ver o meu filho evoluindo é gratificante. Aqui, ele se transforma”, conta, emocionada, a autônoma Joyce Vieira, 31. No ano passado, o filho dela Ryan Sousa, 4, começou a ser assistido pelo projeto. O menino, que antes era tímido, hoje é mais sociável. Apesar de ainda não falar, devido a uma paralisia cerebral, adora gesticular com as mãos, e nunca tira o sorriso do rosto.

O principal motivo para tamanha transformação é o imponente Pipoca. O alazão de 15 anos é o chamego do garoto. Durante as sessões semanais, Ryan abraça, acaricia e beija o cavalo como se o animal fizesse parte da sua família. “E eu acredito que faz mesmo. Hoje, a maior alegria do Ryan é estar aqui”, afirma Joyce.
 

Ajuda para a alma

 


Renovação. Este é o lema compartilhado entre as 150 crianças e adolescentes que fazem de uma casa humilde no Sol Nascente um espaço de muito aprendizado e solidariedade. “A cada dia, eles aprendem algo novo. Se hoje eles dão bom dia ao coleguinha, amanhã terão de dar um bom-dia e um abraço. É assim que deve ser na vida: uma constante evolução”, comenta a educadora social Margarida da Silva, 46 anos.

Abastecida de força de vontade e determinação, Margarida é a responsável por um projeto social no setor habitacional de Ceilândia que há quase duas décadas tem transformado a vida de muitos jovens da região administrativa. O próprio nome da iniciativa — Associação Despertar Sabedoria do Sol Nascente — explica isso.

“O Sol Nascente sempre foi conhecido pelo alto índice de reprovação e evasão escolar. Senti-me com a necessidade de mudar isso e, portanto, vesti a camiseta da defesa da educação”, justifica. Margarida reserva quase toda a semana para fazer aulões de reforço escolar. São classes de física, matemática, português, química e outras, tanto para alunos que acabaram de iniciar a vida escolar quanto para os que já estão no 3º ano do ensino médio.

“Eu vim de uma família em que meus pais eram analfabetos e, dos meus 12 irmãos, eu fui uma das poucas que conseguiram completar o ensino superior. Portanto, se eu tive a dádiva de aprender, eu tenho que repassar esse conhecimento. Acredito que sempre temos que deixar algo de bom para outras pessoas. Não quero que o direito que foi tirado dos meus pais lá atrás continue sendo restringido às nossas crianças de hoje”, ressalta.
 
 
Doar um pouco do seu tempo para saber das dificuldades de um desconhecido é algo que o psicólogo Robert Azevedo, 30, também faz com o maior prazer do mundo. “Orientação é tudo na vida de alguém. A partir de qualquer terapia, a pessoa passa a entender melhor os seus direitos e a confiar mais em si mesma”, comenta.

Robert é um dos voluntários que atua na Ação Social Caminheiros de Antônio de Pádua (Ascap), que, desde 1994, oferece assistência a famílias de Ceilândia em situação de vulnerabilidade socioeconômica. “Nossas ações são voltadas à transformação da vida dessas pessoas para que elas alcancem um padrão de bem-estar.” 

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