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No ritmo das picapes

Projeto oferece oficinas gratuitas de DJ para moradores da comunidade, além de aulas de percussão


postado em 27/03/2019 07:00 / atualizado em 27/03/2019 14:59

Dione Black, presidente da Associação Vila dos Sonhos:
Dione Black, presidente da Associação Vila dos Sonhos: "A ideia foi sempre mostrar que só somos tantos neste mundo para podermos ajudar uns aos outros" (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

 
A música pulsa em Ceilândia. A batida do hip-hop, as rimas do rap, o gingado do samba são exemplos de apenas alguns dos ritmos que se destacam na variedade cultural da região, repleta de movimentos e projetos que mobilizam a área. O desejo de crianças, jovens e até adultos de aprender a comandar picapes de DJ ou a vontade de dominar instrumentos de percussão viram realidade no projeto Vila dos Sonhos.

A sede fica na QNQ e é espaço para oficinas gratuitas que dão oportunidade para o aprendizado de música eletrônica e tradicional. Além disso, há parceria com diversas escolas. 

No pequeno galpão onde o projeto se instala, diversas picapes, mesas de som e outros equipamentos de DJ ocupam o espaço. Os alunos —  a maioria jovens —  se dividem entre cada um deles para mexer os discos e produzir sons. Observam, atentos, as dicas e os conselhos do professor, DJ Black, que vão além da música. “Atenção à postura, DJ não pode ficar assim de qualquer jeito”, diz a um dos pupilos.

Entre os fones e os discos, histórias de superação e sonhos à espera de realização. Kaio Josué Farias de Sousa, 19 anos, terminou em 2018 o ensino médio e quer ingressar na faculdade de letras-inglês neste ano. O sonho maior começou a virar realidade: ser produtor cultural e responsável por eventos.

Para chegar às oficinas, pega ônibus, sai do P Sul, espera por muito tempo (pelo menos, uma hora). Mas garante que vale a pena. A cultura e a arte são uma forma de afastar a realidade da violência, tão próxima do dia a dia desses jovens. “Muito amigo meu morreu. Muitos amigos da escola hoje vejo na rua traficando, são presos, parece que é algo comum. Mas a gente vai buscando maneiras de ficar longe”, explica.

O amigo Warley Souza Matos, 19, faz um esforço parecido ao de Kaio para participar das oficinas. Sai do Sol Nascente de ônibus para chegar à Vila dos Sonhos. Ele está no 3º ano do ensino médio e sonha em entrar para a Universidade de Brasília (UnB). Quer fazer ciências sociais ou filosofia. “Convivo com muita gente de mente fechada, quero ter a oportunidade de aprender coisas novas e de ensinar, de mostrar outras visões. É um pouco do que acontece aqui.”

Também morador do Sol Nascente, o carteiro Jovenildo Arcanjo dos Santos, 44, faz parte do grupo de alunos com mais experiência. “Desejo mesmo sempre foi seguir com a música. Estava no sangue, fui criado no rap, na black music, nos bailes.”

Participação

 
O Vila dos Sonhos nasceu em 2010, criado por um grupo de professores do CEF 25 e, aos poucos, repassado para os jovens da comunidade que queriam participar de iniciativas assim. “A ideia foi sempre mostrar que só somos tantos neste mundo para podermos ajudar uns aos outros. Se não for para ser assim, não tem sentido. Ceilândia é assim. Mesmo quando o Estado está ausente, a cidade se ajuda”,  ressalta Dione Black, presidente da associação.

No ano passado, o projeto conseguiu apoio do GDF, o que custeia o aluguel das picapes utilizadas na oficina. Atualmente, há 25 alunos participando das aulas, mas a ideia é recrutar mais. As inscrições para novas turmas estão abertas.
 

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