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Rússia e EUA assinam pacto de cooperação nuclear civil

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Moscou - A Rússia e os Estados Unidos assinaram um acordo de cooperação nuclear civil que permitirá uma significativa ampliação do comércio bilateral entre empresas das duas maiores potências atômicas do mundo. O acordo foi assinado nesta terça-feira (06/05) pelo embaixador americano William Burns e pelo diretor da estatal nuclear russa Rosatom, Sergei Kiriyenko, e ocorre na véspera da posse do novo presidente da Rússia, Dmitry Medvedev. A medida é vista como uma mudança na política da administração norte-americana na cooperação com a Rússia em temas nucleares. A cooperação esfriou em anos recentes, principalmente por discordâncias sobre como lidar com a suposta ameaça nuclear do Irã. O documento dará aos EUA acesso à avançada tecnologia nuclear russa. Isso é importante para o país, já que seu desenvolvimento nuclear praticamente parou após um acidente em um reator nuclear em Three Mile Island, em 1979, e a explosão nuclear em Chernobyl, em 1986, segundo especialistas. O pacto também pode ajudar a Rússia a estabelecer uma instalação internacional para estocar combustível nuclear. Haveria dificuldade para fazer isso sem o apoio dos EUA, país que controla a grande maioria do combustível nuclear mundial. "O valor potencial deste acordo é o valor de todos os contratos que podem ser assinados entre as empresas dos dois países na esfera nuclear, que é obviamente de bilhões de dólares", disse um funcionário russo, sob condição de anonimato. Os EUA são um enorme mercado para a energia nuclear, enquanto a Rússia possui enormes reservas de urânio. O acordo é defendido pelos presidentes Vladimir Putin e George W. Bush desde a cúpula de São Petersburgo do G-8, em 2006. Mas enfrentava resistência de alguns parlamentares norte-americanos, devido à cooperação nuclear de Moscou com Teerã. "A administração Bush está dando um sinal verde para a cooperação nuclear com Moscou", avaliou Rose Gottemoeller, diretora do Centro Carnegie Moscou. Mas o governo Bush ainda deverá submetê-lo ao Congresso, dominado pela oposição democrata, que terá então 90 dias para votá-lo. Caso isso não ocorra, o texto entrará automaticamente em vigor. O Parlamento russo, totalmente dominado por Putin, também deve ratificar o tratado. A Rússia criou uma gigantesca empresa nuclear, a Atomenergoprom - espécie de versão atômica da gigante do gás Gazprom - para competir com as principais empresas do mundo no mercado nuclear mundial. A Rússia tem cerca de 870 mil toneladas de urânio em reservas, mas a cifra passa de 1 milhão de toneladas, se forem consideradas também as atuais joint ventures no exterior. Mas esse volume exclui as reservas estratégicas de urânio e plutônio altamente enriquecido, material para armas nucleares, cujo tamanho é um segredo de Estado. Um programa piloto já permite a venda aos EUA de urânio retirado de antigas armas nucleares russas. Os Estados Unidos têm acordos semelhantes com outras potências econômicas, inclusive com a China.