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Correio Braziliense

Putin, do espião frio ao administrador implacável

 


postado em 07/05/2008 14:01 / atualizado em 07/05/2008 14:04

MOSCOU - Antes de ser presidente, ele foi um espião do KGB e um funcionário extremamente discreto. Em oito anos, Vladimir Putin recolocou a Rússia nos trilhos, mas iniciou uma guerra na Chechênia e se firmou como um dirigente autoritário. Putin denunciou constantemente os inimigos internos do país, estes "chacais treinados por especialistas ocidentais que beneficiam de fundos estrangeiros". Há oito anos, quando ele chegou ao poder, a Rússia estava no fundo do poço, submersa numa grave crise econômica e entregue às máfias. Agora, é a Rússia dos petrodólares, das ambições reencontradas, mas também do confronto com o Ocidente. Os anos Putin também correspondem ao retorno das "estruturas de força", o outro nome dos agentes do KGB e oficiais do exército comandados por Vladimir Putin em 1999, ano em que é escolhido para suceder a Boris Yeltsin. Impregnado por esta cultura da ordem e da nação, o presidente Putin instaurou rapidamente um regime linha-dura. Seu estilo direto e sem concessões seduziu seus concidadãos. Muito popular, ele não pode se candidatar novamente à eleição presidencial de março de 2008 mas informou que desempenhará um papel que ainda não especificou. Nascido em 7 de outubro de 1952 na periferia de São Peterbusrgo, Vladimir Putin, jurista e casado com a ex-aeromoça Liudmila, integrou o prestigioso "Primeiro escritório do KGB", os serviços de inteligência externa, antes de ser enviado a Dresden, na então República Democrática Alemã (RDA), em 1985. É de lá que ele assistiu à queda do Muro de Berlim em 1989, antes de retornar, um ano depois, a São Petersburgo. A queda da União Soviética foi "a maior catástrofe geopolítica do século" passado, afirmou Putin. Depois de uma carreira na prefeitura de São Petersburgo e na administração presidencial, onde foi notado por suas capacidades e discrição, ele foi designado em 1998 para o comando do FSB, os serviços encarregados da segurança interna. Em agosto de 1999, Boris Yeltsin nomeou Putin primeiro-ministro. A entrada, em 1º de outubro de 1999, das tropas federais russas na Chechênia, depois de uma série de atentados atribuídos aos separatistas chechenos o ajudou a assentar sua popularidade. Em 31 de dezembro de 1999, Yeltsin anunciou sua demissão e entregou o poder a Putin, três meses antes de uma eleição presidencial que o mesmo ganhou já no primeiro turno. Em alguns anos, Putin impôs a "ditadura da lei". Sua primeira vítima foi a imprensa, e principalmente as redes de televisão independentes ou de oposição, fechadas ou colocadas sob o controle do Estado. Para os oligarcas, esses barões da indústria que se enriqueceram nos anos 90 na época de privatizações às vezes escusas, a mensagem do mestre do Kremlin foi clara: "não se intrometam na política do país". O maior ponto negativo do governo de Putin foi a guerra na Chechênia e suas conseqüências. Em outubro de 2002, a tomada de reféns do teatro de Dubrovka em Moscou terminou com a morte de 130 pessoas. Em setembro de 2004, a da escola de Beslan, no Caúcaso russo, acabou com 332 vítimas, entre elas 186 crianças. Em ambas as vezes, assim como na tragédia, em agosto de 2000, do submarino Kursk (118 marinheiros mortos), o presidente foi criticado por sua lentidão a reagir ou por se recusar a negociar. Entretanto, a imagem de Vladimir Putin que predomina na Rússia é a de um chefe de Estado enérgico, capaz de sentir as aspirações de seu povo e de carregar as ambições de uma país poderoso no cenário internacional.

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